A lei mudou. A rua não: 19 de agosto leva luta por direitos à Cinelândia

Ato reúne 25 organizações, movimentos e pessoas em situação de rua no Centro do Rio

19 de agosto, Dia Nacional de Luta da População em Situação de Rua, a Cinelândia, notório local de lutas sociais no Centro do Rio, será palco de uma mobilização por direitos e cidadania. A partir das 10h30, pessoas em situação de rua, movimentos representativos do próprio segmento, organizações e serviços que atuam nessa área estarão reunidos em um ato com palanque, microfone aberto e serviços organizados pelo Fórum Permanente sobre População Adulta em Situação de Rua.

A mobilização conta com o apoio de 25 organizações que atuam junto à população em situação de rua, além de movimentos representativos do próprio segmento. A programação pretende colocar em discussão as violações de direitos enfrentadas no cotidiano, a efetivação das políticas públicas e as reivindicações deste público. O Recomeçar é Possível (RéP) estará presente com sua idealizadora e coordenadora executiva, Ana Paula Rios, e um grupo de pessoas atendidas pelo projeto, disponíveis para entrevistas no local.

A escolha da data remete ao Massacre da Sé, ocorrido em São Paulo entre os dias 19 e 22 de agosto de 2004. Pessoas que dormiam na Praça da Sé foram atacadas com golpes na cabeça; sete morreram e outras seis ficaram com sequelas permanentes. O episódio marcou a história da população em situação de rua no Brasil e contribuiu para a organização do Movimento Nacional da População em Situação de Rua. Em 2025, o 19 de agosto foi oficialmente instituído como Dia Nacional de Luta da População em Situação de Rua, pela Lei Federal nº 15.187/2025.

A lei mudou. A rua não. O censo municipal realizado em 2024 identificou 8.195 pessoas em situação de rua no Rio de Janeiro, 4,2% a mais do que no levantamento anterior. Mais de 1.500 estavam na região Centro-Lapa. É também neste mês que o Rio começa a receber os testes de campo da metodologia que será utilizada pelo IBGE no primeiro Censo Nacional da População em Situação de Rua, previsto para 2028. O desafio é transformar números em políticas públicas capazes de responder às diferentes situações encontradas no território.

É na região Centro-Lapa, à Rua do Senado 200, que atua o Recomeçar é Possível (RéP), realizado pela People’s Palace Projects Brasil e pelo Instituto LAR, em parceria com a Petrobras. O projeto acompanha pessoas em situação de rua em diferentes frentes: acesso a documentos e direitos, geração de renda e empregabilidade, acesso à moradia, atividades culturais e fortalecimento da autonomia. Cada pessoa pode acessar essas possibilidades de acordo com suas necessidades, escolhas e momento de vida.

“Quando olhamos apenas para o número de pessoas em situação de rua, corremos o risco de esquecer que estamos falando de histórias, vínculos, perdas, desejos e possibilidades. O atendimento precisa considerar essa diversidade e respeitar o tempo e as escolhas de cada pessoa”, afirma Ana Paula Rios, idealizadora e coordenadora executiva do RéP.
Os dados reunidos pelo RéP mostram que a maioria das pessoas atendidas é formada por homens cisgêneros e se autodeclara preta ou parda, mas o público reúne diferentes idades, identidades de gênero, orientações sexuais, níveis de escolaridade e tempos de permanência nas ruas. Parte permanece nas ruas, enquanto outras pessoas estão em abrigos ou moradias provisórias, ou circulam entre essas situações.


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