Integrando a programação da Semana de Arte do Rio, esta coletiva reúne 68 artistas em torno das múltiplas dimensões do corpo na arte contemporânea, com curadoria de Amanda Leite e Claudia Linhares.
Atravessando pintura, fotografia, escultura, gravura, desenho e objeto, “CORPO” propõe o corpo como espaço simbólico onde se acumulam histórias, afetos, ancestralidades e experiências individuais e coletivas — para Amanda Leite, mais do que um suporte biológico, o corpo funciona aqui como um arquivo vivo, capaz de reunir camadas de tempo, gestos herdados e memórias afetivas, tornando visível o que muitas vezes permanece invisível.
A curadoria também estabelece uma relação direta entre corpo e território, entendendo os lugares habitados como espaços que atravessam a experiência e participam da construção de memória e pertencimento, com a ancestralidade funcionando como força viva que conecta diferentes tempos.
Segundo Claudia Linhares, a mostra convida o público a compreender o corpo como origem e destino, presença e vestígio ao mesmo tempo — um lugar onde a história continua sendo escrita e a arte pode tornar visíveis as marcas do tempo. Ao reunir artistas de diferentes gerações e percursos, a exposição constrói uma cartografia sensível da diversidade de perspectivas contemporâneas, sem buscar uma narrativa única, e pode ser visitada até 1 de novembro.
Oitenta obras de 21 artistas contemporâneas do Pará, Acre e Amazonas ocupam todo o segundo andar do CCBB RJ em “Amazônicas: Poéticas Femininas”, mostra idealizada pelo Museu das Mulheres (Museu DAS) com curadoria e direção artística de Sissa Aneleh.
Depois de passar por Belém, Fortaleza e Brasília, a exposição chega ao Rio acompanhada de uma extensão no metaverso, com experiência de realidade aumentada acessível por óculos 3D. O projeto foi selecionado pela Seleção Petrobras Cultural e conta com patrocínio via Lei Rouanet.
Depois da capa, sempre vem mais. Quatorze artistas de Niterói se encontram na exposição “PÁGINA 2 – Artistas da Agenda Cultural de Niterói”, em cartaz no Centro Cultural Cauby Peixoto. Com entrada gratuita, a mostra poderá ser visitada até 29 de novembro e apresenta ao público diferentes linguagens, trajetórias e olhares das artes visuais da cidade.
A exposição reúne Andréa Facchini, Caroline Gomes, Cibelle Arcanjo, Daniel Mazza, Dolores Esos, Felipe Xavier, Joana Martins, Leila B., Leandro Lucas, Marlon Amaro, Regina Frutuoso, Renata Xavier, Renato Moreth e Sergio Bonelli. Os 14 artistas já tiveram trabalhos publicados nas capas da Agenda Cultural de Niterói desde a retomada da publicação, em julho de 2025.
Em “PÁGINA 2”, o público é convidado a conhecer um pouco mais da produção de cada um deles. Além das obras que chegaram à cidade por meio da Agenda, cada artista escolheu um novo trabalho para integrar a exposição. São pinturas, fotografias, colagens, esculturas e outras linguagens que ampliam o contato com seus universos criativos.
As obras foram selecionadas pelos próprios artistas e podem representar momentos marcantes de suas carreiras, sintetizar aspectos de suas trajetórias ou carregar significados especiais em suas histórias. Reunidas no mesmo espaço, elas revelam outras possibilidades de aproximação com produções que, até então, haviam se encontrado nas diferentes edições da Agenda Cultural.
“Quando retomamos a Agenda Cultural, queríamos que ela fosse mais do que um guia de programação. Ela também se tornou um espaço de valorização dos nossos artistas e da diversidade das artes visuais produzidas em Niterói. Agora, a exposição amplia esse movimento, permitindo que o público conheça outras obras, trajetórias e linguagens. É uma forma de fortalecer a circulação da produção artística da cidade e reafirmar o direito à cultura”, afirma a secretária municipal das Culturas, Julia Pacheco.
Desde sua retomada, a Agenda Cultural de Niterói reúne mensalmente parte da programação cultural da cidade e circula como instrumento de acesso à informação e de aproximação entre artistas, espaços culturais e público. A cada edição, a publicação traz na capa a obra de um artista que nasceu ou vive em Niterói, transformando esse espaço em uma pequena galeria em circulação pela cidade.
O conceito de “PÁGINA 2” nasce do desejo de dar continuidade a esse encontro. Se a capa apresenta uma obra e desperta um primeiro olhar, virar a página significa seguir adiante e descobrir outras dimensões da produção de cada artista. No Centro Cultural Cauby Peixoto, edições antes separadas no tempo passam a dividir o mesmo espaço e a construir uma narrativa coletiva marcada justamente pela diversidade de linguagens e trajetórias.
A exposição também promove o encontro entre a Agenda Cultural, o Centro Cultural Cauby Peixoto e o Bastidores, projeto de qualificação profissional voltado aos diferentes ofícios que fazem a cultura acontecer. A turma de Expografia do projeto participa da montagem da mostra, transformando o processo de preparação da exposição também em espaço de formação e experiência prática.
“PÁGINA 2” permanece ainda aberta ao que está por vir. A cada nova edição da Agenda Cultural, um novo artista, uma nova obra e outras possibilidades de encontro com a produção artística de Niterói. A proposta é que a experiência da exposição desperte no público o desejo de continuar conhecendo, reconhecendo e acompanhando os artistas da cidade.
Serviço:
Exposição “PÁGINA 2 – Artistas da Agenda Cultural de Niterói”
Visitação: de 15 de outubro a 29 de novembro
Horário: terça a domingo, das 10h às 18h
Local: Centro Cultural Cauby Peixoto ( Alameda São Boaventura 263, Fonseca)
Entrada gratuita
A Prefeitura de Niterói vai abrir, em novembro, mil novas vagas para o programa Aluguel Universitário, que oferece um auxílio-moradia mensal de R$ 700 a estudantes de graduação e pós-graduação. A iniciativa já beneficia cerca de 1,8 mil universitários e chega ao seu quarto edital desde a criação do programa, em 2025, e ao último previsto para este ano, ampliando o apoio à permanência estudantil e o incentivo à ocupação residencial do Centro da cidade. Com o preenchimento das novas vagas e a manutenção dos atuais beneficiários, o programa poderá alcançar quase 3 mil estudantes.
Criado em 2025, o Aluguel Universitário tem como objetivo reduzir as dificuldades financeiras enfrentadas por estudantes para permanecer na universidade, ao mesmo tempo em que estimula a moradia em uma região que concentra instituições de ensino, comércio, serviços e opções de transporte público.
Ao incentivar a presença de universitários no Centro e em áreas próximas, a Prefeitura busca contribuir para a circulação de pessoas, a movimentação da economia local e a revitalização urbana.
“Niterói é uma cidade que acredita na juventude como futuro. A gestão municipal apoia e realiza parcerias com a universidade. Cerca de 90% dos estudantes que estão aqui são de fora de Niterói, de outras cidades do estado e até de outros países. Isso mostra a importância de uma política como o Aluguel Universitário. Niterói é uma cidade que acolhe e que acredita na educação, na cultura e nas oportunidades para os jovens como instrumentos de transformação”, afirmou o prefeito Rodrigo Neves.
Estudantes de várias regiões do Brasil e do mundo – O Aluguel Universitário também reflete a diversidade de origens dos estudantes que escolhem Niterói para cursar o ensino superior. Um levantamento realizado com os beneficiários dos dois primeiros editais revelou que 87,8% vieram de outros municípios, estados ou países, enquanto 12,2% já moravam na cidade. Os registros incluem universitários das cinco regiões do Brasil e de pelo menos 11 países: Angola, Argentina, Cabo Verde, Colômbia, Gabão, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Índia, Moçambique, Peru e Venezuela.
Um desses estudantes é o angolano Fernando Paulo, de 21 anos, que encontrou no programa a oportunidade de se estabelecer em Niterói. Aluno do segundo período de Administração da Universidade Federal Fluminense (UFF), ele passou o primeiro mês no Brasil morando no Rio de Janeiro e não planejava se mudar para o outro lado da Baía de Guanabara. A decisão mudou quando conheceu o Aluguel Universitário e passou a dividir uma república no Centro da cidade. Com o auxílio, Fernando conseguiu reduzir as despesas com moradia e ganhar mais tranquilidade para se dedicar à graduação.
“Niterói é uma cidade tranquila, acolhedora e bonita. Me sinto muito bem e seguro aqui. Eu não tinha a intenção de morar em Niterói, mas hoje amo morar aqui. O Aluguel Universitário tirou um peso das minhas costas. Não tem coisa melhor do que dormir e acordar sabendo que o aluguel está pago. Isso me dá tranquilidade para focar nos estudos. Sou muito grato por essa oportunidade”, contou Fernando.
Permanência estudantil – Além de contribuir para o orçamento dos estudantes, o auxílio busca proporcionar melhores condições para a vida acadêmica. A possibilidade de morar perto da universidade pode reduzir o tempo gasto com deslocamentos e facilitar o acesso a atividades de ensino, pesquisa e extensão. O programa também permite que universitários de outras cidades se estabeleçam em Niterói durante a formação, sem precisar enfrentar diariamente longos trajetos entre a residência e a instituição de ensino.
Como se inscrever – As mil novas vagas serão destinadas a estudantes com matrícula ativa em cursos presenciais de graduação e pós-graduação de instituições públicas e privadas de ensino superior localizadas em Niterói. Para participar, é necessário ter mais de 18 anos, renda familiar de até três salários mínimos e inscrição atualizada no Cadastro Único (CadÚnico), além de atender aos demais requisitos do edital. Para receber o benefício, o estudante deverá comprovar residência na área de abrangência do programa, que contempla o Centro e trechos de São Domingos e São Lourenço.
As inscrições poderão ser feitas pela plataforma Colab, conforme as orientações que serão divulgadas no site oficial do programa: niteroi.rj.gov.br/alugueluniversitario.
Símbolo de experimentação artística, resistência e do movimento teatral de Niterói, o Teatro Leopoldo Fróes, fechado em 1991, deixou um buraco na cena cultural da cidade. Agora, a Prefeitura de Niterói articula a reabertura desse palco histórico. O prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, assinará nesta semana o decreto que desapropria o espaço, que será completamente restaurado. A ideia é que a casa de cultura abrace a produção niteroiense, com espaço para o teatro e outras manifestações artísticas.
“Niterói é uma das cidades que mais investem em cultura no Brasil. Acreditamos na cultura como elemento fundamental de nosso pacto de bem-estar social e prosperidade. Niterói se destaca no cenário nacional por muitos de seus talentos culturais e os niteroienses amamos a cultura. Meu desejo de recuperar o Teatro Leopoldo Fróes, fechado há mais de três décadas, é um projeto que estamos tratando com muito carinho e planejamento. Ele faz parte da memória afetiva da cidade e é um desejo antigo da classe artística. A história do teatro é forte, simbólica, e desejamos que ele abrace os grupos e coletivos teatrais e culturais niteroienses com seu fazer artístico desbravador. Mais do que isso, em Niterói a cultura é um ponto chave da economia criativa. Acreditamos que o Teatro Leopoldo Fróes, ao lado da Biblioteca que reabrimos na Praça da República, será um dos pilares que se somam ao nosso plano de revitalização completa do Centro de Niterói”, celebrou o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves.
Aberto em 1973, o Teatro Leopoldo Fróes foi um famoso laboratório cultural que borbulhava com as experimentações artísticas de Niterói. O espaço, que antes abrigava o Teatro Alvorada, foi alugado pelo Instituto Niteroiense de Desenvolvimento Cultural (INDC) para suprir a demanda do setor durante a reforma do Theatro Municipal que acontecia na época.
A autarquia assume o palco num momento emblemático: em 1973, durante os anos de chumbo da ditadura militar no Brasil, a casa de espetáculos havia sido fechada a mando do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS). A medida foi uma resposta à encenação da peça “Arena conta Zumbi” pelo grupo Ceia, do Instituto Abel. O musical, considerado “subversivo”, coloca em cena a luta dos quilombolas de Palmares e sua resistência. Após dez meses fechado, o teatro é reaberto com um novo nome e passa a homenagear Leopoldo Fróes, grande ator e comediante nascido em Niterói que marcou o teatro brasileiro.
Mantendo o caráter desbravador, o teatro foi casa de movimentos que tentavam reerguer a cultura na cidade, que sofreu enorme impacto com a fusão do Estado do Rio à Guanabara, em 1975. Movimentos como “Niterói vai Sumir”; “Niterói vai Assumir”; “Araribroadway”; os grupos “Grito”, “Papel Crepon” entre outros, procuravam dar oxigênio à cena cultural de Niterói. A vocação experimental do espaço foi fundamental para a formação de novos profissionais.
Na década de 1980, o teatro passa a receber também espetáculos profissionais do Rio de Janeiro. Projetos como “Fim de Tarde”, “Sete em Ponto”, “Pixinguinha” e “Seis e Meia” foram marcas dessa nova fase. Sem deixar de ser o palco principal da cena niteroiense, o teatro também se tornou um ponto de referência para shows de música popular brasileira em Niterói.
No período, Sidney Magal, Elza Soares, Leci Brandão, Zizi Possi, Elba Ramalho, Pepeu Gomes se apresentaram no Leopoldo Fróes. Dos artistas de Niterói, nomes como Zélia Duncan, Arthur Maia, Dalto, Byafra, Marvio Ciribelli, Sergio Chiavazzoli, Marcos Sabino e outros foram revelados à cena cultural nesse palco histórico. Também durante esse período, a Associação dos Trabalhadores em Artes Cênicas de Niterói (ATACEN) inicia o seu tradicional ciclo de leituras dramatizadas.
Em 1991, o teatro deixa de funcionar sob a administração da Prefeitura e acaba sendo fechado. Artistas e produtores culturais da cidade criaram o movimento SOS Leopoldo Fróes em reação ao fechamento. A iniciativa promoveu um abraço e um show na Praça da República, além de um abaixo-assinado. No entanto, o ato não reverteu a decisão. Trinta anos depois, durante a pandemia de COVID-19 em 2021, o espaço foi atingido por um incêndio.
A desapropriação e restauração do prédio surge num período de renovação do Centro de Niterói. Visto como o novo vetor de desenvolvimento econômico e social da cidade, a região se transforma após dez anos de investimentos em infraestrutura e remodelação. O programa Reviver Centro, que agrega essa requalificação, tem como pilar reaproximar o espaço público como lugar de pertencimento. Gastronomia, lazer, esporte, cultura e eventos nortearam parte da revitalização da zona central. Como resultado, a Arena Niterói; Complexo de Atletismo Aida dos Santos; Solar Notre Rêve; Museu do Cinema; Mercado Municipal de Niterói; e a Nova Catedral Católica são algumas das entregas.
A Praia de Icaraí foi palco de uma manhã dedicada à saúde, à inclusão e à valorização das mulheres neste domingo (18). Mães, avós e filhos participaram do evento “Cuidando de Quem Cuida – Outubro Rosa”, promovido pela Prefeitura de Niterói, com atividades físicas, dança, massagens e ações inclusivas. A iniciativa integrou a programação do Outubro Rosa e reforçou a importância da prevenção, do autocuidado e do acesso a espaços de convivência e lazer para todas as mulheres.
Realizado na altura da Reitoria da Universidade Federal Fluminense (UFF), no espaço do Praia sem Barreiras, o encontro teve como foco as mães atípicas e as mulheres com deficiência, que muitas vezes enfrentam dificuldades para encontrar tempo e oportunidades de cuidar da própria saúde. A programação também estimulou a convivência entre famílias e a participação comunitária, mostrando que a promoção da saúde vai além dos consultórios e deve estar presente nos espaços públicos da cidade.
A iniciativa foi organizada pela Coordenadoria de Acessibilidade de Niterói, por meio do Programa Niterói Inclusivo, em parceria com o Pink Fit Club. Para a coordenadora de Acessibilidade, Camila Rodrigues, a participação do público reforçou a importância de ampliar as oportunidades de cuidado e acolhimento.
“A participação de tantas pessoas mostra a importância de promover ações que unam saúde, inclusão e convivência. Nosso objetivo foi proporcionar um momento de cuidado e acolhimento, principalmente para as mães atípicas e mulheres com deficiência, que muitas vezes dedicam grande parte do seu tempo aos outros e acabam deixando a própria saúde em segundo plano. O Outubro Rosa também é uma oportunidade de lembrar que todas as mulheres precisam ter acesso à prevenção, ao bem-estar e à qualidade de vida. Foi muito importante ver as famílias reunidas e as mulheres participando das atividades e aproveitando esse espaço que também é delas”, destacou Camila Rodrigues.
Durante a manhã, as participantes tiveram acesso a aulas de dança, exercícios físicos e funcionais, massagem relaxante e terapia manual. A programação incluiu ainda remada inclusiva com Marie Va’a e a ação Empresto Minhas Pernas, ampliando as possibilidades de participação de pessoas com diferentes necessidades de mobilidade.
As crianças atípicas também contaram com atividades específicas, permitindo que suas mães participassem da programação com mais tranquilidade. O evento teve ainda acessibilidade em Língua Brasileira de Sinais (Libras), reforçando o compromisso com a inclusão.
“Hoje está sendo um dia incrível. Sou mãe atípica do Enzo, de 8 anos, e estou grávida do meu segundo filho. É muito bom participar de um evento que oferece tanto cuidado e atenção às mulheres. Tem alimentação, atividades esportivas, dança e massagens maravilhosas. Tudo foi pensado com muito carinho, e esse acolhimento faz toda a diferença”, contou Elaine Silva, de 33 anos, uma das participantes.
Além das atividades de lazer, a ação destacou a importância de olhar para a saúde da mulher de forma integral. A campanha Outubro Rosa chama a atenção para a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama, mas também abre espaço para discutir qualidade de vida, bem-estar físico e emocional e a necessidade de fortalecer as redes de apoio.
Busca por produtos cada vez mais focados na produção artesanal é acompanhada por leis da Alerj, que incentivam o setor e valorizam espaços tradicionais de comercialização
Depois de adotar um corte de cabelo curto, a escritora Cecile Mendonça viu o brinco se tornar seu acessório preferido. Mas, com a preferência, também surgiu uma exigência: os modelos “diferentões” passaram a ser prioridade de compra. A originalidade e a exclusividade levaram a jovem de 25 anos a buscar nas feiras e marcas pequenas suas novas peças. Passeando pela Praça XV, no Centro do Rio de Janeiro, Cecile encontrou um modelo artesanal que parecia cumprir bem esses requisitos — e descobriu que existiam apenas três unidades dele.
A escolha da escritora ajuda a contar uma relação que ganha contornos entre consumidores da geração Z: diante de um mundo abastecido por produtos que se repetem às centenas, o feito à mão pode atrair, justamente, por carregar as marcas de quem o produziu. Originalidade, processo e identidade entram na conta e mudam até a percepção sobre o preço. Nas feiras, esse encontro ganha endereço físico. Já nas redes sociais, estão vitrines capazes de apresentar esses espaços e produtos a uma geração que descobre boa parte do que consome pela tela.
No Estado do Rio, o valor atribuído ao feito à mão também encontra espaço nas normas e discussões da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). A Lei 9.885/22 instituiu o Programa Estadual de Desenvolvimento da Produção Artesanal e Orgânica, voltado ao incentivo do processo artesanal, à manutenção da geração de trabalho e renda e ao fortalecimento das tradições culturais. E uma nova proposta em análise na Casa, o Projeto de Lei 7.618/26, pretende instituir uma política estadual de valorização do trabalho manual e dos saberes manuais.
Valor agregado ao artesanal
Mesmo que os itens feitos à mão custem mais, Cecile está longe de ser uma consumidora despreocupada com dinheiro. Frequentadora de brechós, ela diz que o preço está entre os fatores mais decisivos de uma compra e procura fazer escolhas econômicas. É justamente por isso que sua disposição diante do artesanal chama atenção: quando consegue enxergar o trabalho por trás do produto, sua régua muda.
“Quando é algo artesanal, eu estou disposta a pagar um pouco mais porque entendo que aquele trabalho está sendo feito, muitas vezes, por uma pessoa só. É a mesma pessoa que costura, que faz os posts no Instagram, que cumpre vários papéis dentro da sua marca e está se desdobrando em várias”, explica.
O brinco da Praça XV, aliás, não era caro na avaliação dela. Cecile acredita que, fora de uma linha de produção, é preciso recalcular o valor da hora de trabalho na hora de precificar um produto: “Esse termo ‘caro’ precisa ser reavaliado, porque às vezes a pessoa está cobrando o que vale mesmo dentro do tempo que precisou usar para fazer aquilo”.
Há sinais de que o interesse pelo que exibe as marcas do fazer manual não está restrito às histórias individuais. No relatório de tendências para a primavera e o verão de 2026, a plataforma internacional Etsy registrou crescimento de 77% nas buscas por bolsas bordadas entre consumidores da geração Z.
No Brasil, o Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro (Crab), sediado na Praça Tiradentes, no Centro do Rio, também colocou uma lupa sobre esse mercado. Um estudo publicado em 2026 ouviu 2.400 pessoas em todo o país para investigar perfil, comportamento, hábitos e motivações dos consumidores de produtos artesanais. O resultado aponta que, no artesanato, é vendido significado e não somente o objeto, por isso, a percepção de valor é alterada.
O algoritmo leva à feira
Se Cecile ajuda a entender o valor que pode ser atribuído ao processo, Giovana Breves, de 18 anos, mostra um dos caminhos pelos quais o artesanal chega a novos consumidores. Vestibulanda e moradora de Angra dos Reis, na Costa Verde, ela não conhecia bem a capital quando veio ao Rio. Para escolher parte do que faria por aqui, recorreu a um guia que cabe no bolso. “Eu pego bastante dicas de lazer pelo TikTok e, como não conhecia a cidade, priorizei fazer programas já indicados por pessoas na internet”, conta.
Foi assim que entrou no roteiro a Feira da Glória, que existe há mais de 115 anos e, desde 2025, é reconhecida pela Alerj (Lei 10.873/25) como patrimônio histórico, cultural e imaterial do Estado do Rio de Janeiro. Pelos vídeos, Giovana esperava encontrar principalmente comida e uma grande variedade de opções para experimentar. Quando chegou, descobriu uma feira maior do que imaginava e percebeu que o passeio ia muito além da gastronomia.“Eu já vi muitos vídeos sobre comida e não achava que tinha tanta barraca de roupa e acessórios”, lembra. Ela acabou presa justamente a essas barracas e, entre os produtos, uma ecobag bordada ganhou sua atenção. “Geralmente, onde eu moro, você só encontra essas bolsas com estampas impressas. Gostei justamente porque é uma coisa que já uso, mas feita de uma forma diferente e com mais originalidade”, enfatizou.
Um mapa feito à mão
A Glória pode ter sido o ponto de encontro entre Giovana e sua ecobag bordada, mas não é preciso permanecer na capital, nem na Região Metropolitana, para encontrar espaços dedicados à produção artesanal fluminense. Em Petrópolis, na Região Serrana, diferentes feiras e circuitos abrem espaço para produtores locais e trabalhos manuais. Entre os produtos encontrados nesses espaços estão crochê, tricô, bordados, costura criativa, bolsas e outros itens artesanais.
No Norte Fluminense, Campos dos Goytacazes mantém iniciativas como a Feira Finasinha, que reúne artesãos e trabalhadores da economia solidária. Em agosto de 2026, o município contabilizava mais de 850 profissionais no Cadastro Municipal de Artesãos e informou que o cadastramento já havia possibilitado a participação de produtores em mais de 150 eventos locais, regionais, estaduais e de outros estados.
Na outra ponta do mapa do Rio de Janeiro, no Sul do estado, a produção artesanal também ganha vitrines na Região das Agulhas Negras. Resende mantém uma feira dedicada ao setor em seu calendário municipal e, em agosto deste ano, reuniu artesãos da cidade e de Itatiaia em uma exposição no Parque das Águas, voltada à valorização da produção regional e à geração de renda. Municípios vizinhos também têm eventos do gênero, como a Feirarte, em Quatis, e a Feira de Artesanato no Horto, em Porto Real.
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) ofereceu atendimento à população, neste sábado (17/10), durante o evento “Fiocruz pra Você 2026 – Vacina é vida”, na sede da Fundação Oswaldo Cruz, em Manguinhos. A ação contou com a participação da Ouvidoria e do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (CAO VD/MPRJ). Das 9h às 15h, a equipe recebeu o público no ônibus da Ouvidoria e divulgou os canais de atendimento da instituição.
A assistente da Ouvidoria, promotora de Justiça Karina Tavares, destacou a presença do MPRJ na ação, voltada à imunização infantojuvenil e adulta e à promoção da saúde. “Essa participação é de especial importância para aproximar ainda mais a instituição da população, reafirmando o nosso compromisso com a defesa dos direitos da sociedade fluminense”, afirmou.
A relação de vacinas disponibilizadas no local incluiu poliomielite, meningo C, pneumocócica 10, pentavalente, hepatites, DT, HPV, febre amarela, tríplice viral, covid e influenza. Também foram realizadas diversas atividades para as crianças, como pintura facial e brincadeiras com bolhas de sabão, além de distribuição de balões, picolés e pipoca e recreação com brinquedos, como pula-pula, entre outras atrações.
No estado do Rio de Janeiro, a Fundação também promoveu atividades nas unidades de Jacarepaguá e Petrópolis. A iniciativa foi realizada ainda em outras unidades da Federação, como Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Paraná, Minas Gerais, Pernambuco, Mato Grosso do Sul e Rondônia.
Com entrada gratuita, mostra reúne 30 obras do artista francês Jèrôme Poignard e integra a programação comemorativa do centenário da sede histórica da Alerj
A mistura de aquarela e café ganhou espaço no Palácio Tiradentes, sede histórica da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), com a abertura da exposição “Cidades Líquidas: arte em aquarela e café”, realizada nesta quinta-feira (15/10). Promovida pela Subdiretoria-Geral de Cultura da Casa, a mostra reúne 30 obras do artista plástico francês Jèrôme Poignard e fica em cartaz até 11 de novembro, com entrada gratuita.
Com curadoria de Germana Portella e Leonardo Guimarães, a exposição apresenta paisagens urbanas e impressões afetivas construídas a partir das experiências do artista entre o Rio de Janeiro e Paris, na França, onde viveu antes de estabelecer residência na capital fluminense. A técnica combina a fluidez da aquarela com o café, matéria que também integra a identidade arquitetônica do Palácio Tiradentes.
A mostra apresenta ainda influências do fauvismo, movimento artístico surgido na França no início do século XX, marcado pelo uso expressivo de cores puras e vibrantes.
Arte e história se encontram no Palácio
Francês nascido em Fontainebleau, em 1973, Jèrôme Poignard vive no Rio de Janeiro há 28 anos. Pintor, ilustrador e designer, ao longo de sua trajetória a capital fluminense se tornou uma de suas principais fontes de inspiração.
A escolha do Palácio Tiradentes para receber a exposição também representa, para o artista, uma oportunidade de compartilhar sua produção com a cidade que marcou sua trajetória pessoal e profissional. “Eu decidi trazer minha exposição para um palácio tão importante, histórico e aberto ao público, para compartilhar minha arte com todos os cariocas e também com os visitantes que por aqui transitam todos os dias. É uma forma de compartilhar com essa cidade que sempre me acolheu e me tornou o artista que sou”, afirmou Poignard.
Para a diretora de Cultura da Alerj, Fernanda Figueiredo, a exposição estabelece uma relação entre a identidade do prédio e uma matéria-prima presente tanto na história econômica brasileira quanto na decoração do prédio. “O mais interessante dessa exposição é transformar em arte um elemento que faz parte da própria história e arquitetura do Palácio: o café. É muito interessante ver como essa referência, presente na decoração do prédio, também pode ser explorada por meio da pintura e da aquarela”, destacou.
A influência do café na arquitetura
A presença do café na exposição dialoga diretamente com a história do Palácio Tiradentes. Quando o edifício foi construído, na década de 1920, o produto ocupava posição central na economia brasileira, como um dos principais itens de exportação do país. Essa importância se refletiu na arquitetura do prédio, que reúne referências ao grão em diferentes elementos decorativos.
Ramos, folhas e frutos de café aparecem nos entalhes de madeira, nos adornos das portas e nas paredes do Salão Nobre. Outro destaque é a Sala do Café, localizada no segundo andar do Palácio. Projetado em estilo renascentista italiano, o ambiente foi concebido como espaço de convivência entre os deputados.
Para Leonardo Guimarães, produtor cultural do Palácio Tiradentes e um dos curadores da exposição, a convergência entre a técnica do artista e os elementos históricos do prédio tornou a proposta especialmente significativa. “Essa coincidência da temática do café, que faz parte diretamente da arquitetura do Palácio, foi um achado. É uma técnica maravilhosa, que combina aquarela e água. Por isso o nome ‘Cidades Líquidas’. Ele enfeita realmente o Palácio com essas cores vibrantes e com a técnica do café”, explicou.
A curadora Germana Portella também destacou a importância de aproximar a produção artística de um espaço histórico ligado à vida política e cultural do estado. “Embora tenha sido a Casa das Leis, o Palácio também tem essa função maravilhosa de acolher projetos de arte e cultura”, afirmou.
Ao reunir arte contemporânea, memória urbana e referências à história do café, “Cidades Líquidas” transforma elementos familiares do cotidiano em novas possibilidades de leitura e convida o público a descobrir outras formas de olhar para as cidades e para o próprio Palácio Tiradentes.
SERVIÇO
Exposição: Cidades Líquidas: arte em aquarela e café
Período: de 15 de outubro a 11 de novembro de 2026
Local: Palácio Tiradentes — Rua Primeiro de Março, s/nº, Praça XV, Centro do Rio de Janeiro
Entrada: gratuita
Acessibilidade: acesso para cadeirantes pela Rua Dom Manuel, s/nº, atrás do Palácio.
Com programação gratuita, evento no dia 17 de outubro terá aula de pilates, bate-papo sobre nutrição, autoestima e a importância do diagnóstico precoce
Conhecido pelo estilo de vida conectado ao bem-estar e às
atividades ao ar livre, o Rio de Janeiro recebe no dia 17 de outubro (sábado) a campanha nacional “O Direito à Volta”, promovida pela Lilly. O evento gratuito ocupa o Gávea Way, a partir das 10h, unindo uma aula aberta de pilates no solo a debates essenciais sobre diagnóstico precoce, nutrição e a reconstrução da vida e da autoestima da mulher após o tratamento do câncer de mama.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), há 4.510 novos casos de câncer de mama estimados no Rio de Janeiro em 2026. Para além das estatísticas médicas, a iniciativa busca olhar para a paciente de forma integral. Segundo a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), quando alterações pré-
malignas e tumores muito pequenos são detectados e tratados precocemente, as chances de cura são de
aproximadamente 90%.
O evento terá como destaque Sabrina Parlatore, que destacará a relevância da informação de qualidade, do diagnóstico no tempo certo e da reestruturação das relações sociais da rotina da mulher pós-tratamento.
“Queremos que a campanha proporcione um momento genuíno de acolhimento e escuta atenta no Rio. O cuidado no câncer de mama vai muito além dos exames e da rotina médica hospitalar; ele passa por enxergar a mulher em sua totalidade, cuidando do seu bem-estar emocional, da autoestima e de suas redes de afeto. Falar sobre cura é falar sobre dar condições para que essa mulher se reconecte com seu corpo e volte a viver com plenitude e qualidade de vida durante e após o tratamento”, afirma Luiz André Magno, Diretor Médico Executivo da Lilly Brasil.
Aproveitando o cenário natural carioca, a manhã contará com uma aula de pilates solo voltada para a saúde física, mental e reconexão corporal. Depois disso, uma roda de conversa “O Direito à Volta” trará um debate profundo sobre o resgate da autonomia, os impactos da doença nas relações afetivas e o direito da mulher de voltar a ocupar todos os seus espaços com plenitude. O painel terá a participação de Sabrina Parlatore, as influenciadoras Jana Gunter, Mari Damazio (@curasdiarias) e Anna Carolina (@fevereirorosa), além das doutoras Isabela Bussade, Sabrina Chagas e Lilian Lerner.
A campanha reforça a urgência do diagnóstico precoce e elucida aspectos essenciais que vão além do tratamento clínico — autoestima, vínculos afetivos e reinserção social das pacientes oncológicas.
Evento: Campanha “O Direito à Volta”
• Data: 17 de outubro de 2026 (sábado)
• Horário: Das 10h às 12h
• Local: Gávea Way, localizado dentro do Clube de Regatas do Flamengo. (Av. Borges de Medeiros, 997 – Zona Sul, Rio de Janeiro/RJ)
• Entrada: Gratuita e aberta ao público geral
• Recomendação: Utilizar roupas confortáveis para a prática de pilates e levar protetor solar
Programação Detalhada:
• 10h00 às 10h15: Welcome coffee e abertura
• 10h15 às 10h50: Aula de pilates no solo
• 10h50 às 12h00: Roda de conversa “O Direito à Volta” com Sabrina Parlatore, Dra. Lilian Lerner
(CRM-RJ 770.744), Dra. Sabrina Chagas (CRM-RJ 754.960), Dra. Isabela Bussade (CRM-RJ 5266202-
0) e Jana Gunter.
Sobre a Eli Lilly do Brasil
A Lilly é uma empresa de medicina que transforma a ciência em cuidado para melhorar a vida das pessoas em todo o mundo. Há 150 anos, somos pioneiros em descobertas que mudam vidas e, hoje, nossos medicamentos ajudam dezenas de milhões de pessoas em todo o planeta. Potencializando o poder da biotecnologia, química e medicina genética, seguimos avançando em novas descobertas para auxiliar alguns dos desafios de saúde mais importantes do mundo: redefinir o tratamento do diabetes; tratar a obesidade e reduzir seus efeitos expressivos de longo prazo; avançar contra a doença de Alzheimer; oferecer soluções para alguns dos distúrbios mais debilitantes do sistema imunológico; e transformar os cânceres de tratamento mais difíceis em doenças controláveis. A cada passo em direção a um mundo mais saudável, somos motivados por uma coisa: melhorar a vida de milhões de pessoas, com saúde acima de tudo. Isso inclui a realização de estudos clínicos inovadores que reflitam a diversidade do nosso mundo e trabalhar para garantir que nossos medicamentos sejam mais acessíveis aos pacientes. Para saber mais, acesse o site da Lilly do Brasil, e nossas redes sociais: Instagram, Facebook, LinkedIn e Youtube.