Durante quase um ano, um beija-flor passou todas as tardes pousando no mesmo galho do quintal de Edu Monteiro. Ao dormir, o pássaro entra em estado de torpor, reduz drasticamente sua temperatura corporal e seus batimentos cardíacos antes de voltar a voar na manhã seguinte. Essa convivência levou o artista a investigar outra experiência do tempo: menos orientada pela velocidade e pela produtividade, mais atenta ao repouso e aos ritmos próprios da natureza. Dessa observação nasce Sono do Beija-Flor, nova exposição individual que a Galeria Movimento inaugura em 26 de agosto.
A mostra reúne cerca de 16 obras inéditas, entre esculturas, fotografias e uma pintura. Edu Monteiro, conhecido por uma produção que atravessa fotografia e vídeo, tendo recebido o 1o lugar no prêmio Mosaico Rio de Cultura Firjan em 2025 e no Funarte Marc Ferrez de Fotografia 2021 com o projeto Paisagem Vertical, e também sendo finalista do Prêmio Pierre Verger e do Photovisa, o artista, agora, foca sua pesquisa em escultura, aprofundando um interesse pelas transformações da matéria e pelos processos lentos que atravessam tanto a natureza quanto a experiência humana.
Sono do beija-flor, de Edu Monteiro
Galeria Movimento | Rua dos Oitis, 15 – Gávea
Abertura: quarta, 26 de agosto de 2026, das 18h30 às 21h30
Visitação: de 26 de agosto a 26 de setembro de 2026
De terça a sexta, das 11h às 19h, e sábado, das 13h às 17h
Entrada gratuita
A Prefeitura de Niterói está implantando a primeira escola municipal vocacionada para o esporte da cidade. Localizada no Caramujo, a Escola Municipal Antineia Silveira Miranda está adotando um novo modelo pedagógico, no qual o esporte passa a ser um dos pilares do currículo, ampliando a prática esportiva e contribuindo para o aprendizado, a convivência e o desenvolvimento dos estudantes.
A iniciativa vai além da formação de atletas e se diferencia do modelo tradicional de ensino pela presença diária do esporte no currículo. Em vez de aulas generalistas de Educação Física uma vez por semana, os estudantes terão várias horas semanais dedicadas à prática esportiva e ao treinamento de modalidades específicas. Inicialmente, poderão experimentar diferentes esportes para, posteriormente, escolher uma modalidade principal.
“O esporte sempre foi uma prioridade da nossa gestão como ferramenta de inclusão social e transformação de vidas. Em 2019, inauguramos o Parque Esportivo e Social do Caramujo em uma área que antes era degradada e marcada pela violência, e hoje esse espaço é um importante equipamento público que promove cidadania, inclusão e oportunidades para milhares de jovens. A escola vocacionada dialoga diretamente com essa história e reforça nosso compromisso de integrar educação, esporte e desenvolvimento social”, afirmou o prefeito Rodrigo Neves.
A implantação da escola vocacionada está sendo desenvolvida ao longo de 2026, com acompanhamento pedagógico, investimentos em infraestrutura e diálogo com profissionais da educação, estudantes e famílias. O novo currículo inclui modalidades esportivas integradas à matriz curricular, professores-treinadores, espaços específicos para treinamento e uma organização pedagógica diferenciada.
A proposta também estimula a participação dos estudantes em competições, contribuindo para a formação de futuros atletas e o fortalecimento da prática esportiva, ao mesmo tempo que amplia o desenvolvimento de outras competências.
O secretário municipal de Educação, Bira Marques, ressaltou que a iniciativa fortalece os investimentos no esporte educacional na rede municipal, que incluem o Centro de Treinamento Niterói Joga em Rede, a ampliação da prática esportiva nas escolas e o incentivo à participação dos estudantes nos Jogos Escolares de Niterói (JEN).
“Não se trata apenas de formar atletas, mas de formar cidadãos, garantindo que cada estudante tenha a liberdade e as condições de escolher seus próprios caminhos. O esporte ensina valores fundamentais para a vida e, quando integrado ao currículo escolar, amplia o engajamento e potencializa a aprendizagem. Esse projeto se soma aos investimentos que já realizamos no Centro de Treinamento Niterói Joga em Rede, que oferece treinamento de alta performance, academia, ginásio e acompanhamento profissional, ampliando as oportunidades de formação esportiva dentro da rede pública”, destacou o secretário.
A proposta reconhece o esporte como ferramenta de desenvolvimento integral e formação cidadã, contribuindo para a promoção da saúde, da qualidade de vida, do trabalho coletivo, da disciplina, da autonomia e do respeito às diferenças. O modelo também busca fortalecer a permanência dos estudantes na escola e ampliar as oportunidades de aprendizagem.
Com curadoria de Ana Carla Soler, mostra reúne pela primeira vez as obras da artista Maria Cherman e de sua neta, Nathalie Ventura. A dupla nunca dividiu um ateliê nem trocaram influências diretas, mais de meio século as separa e cada uma construiu seu percurso de forma independente.
Maria pela pintura, escultura e fotografia; Nathalie pela arquitetura, instalações e desenho. O ponto de partida da exposição é justamente a confluência entre as pesquisas. Colocadas lado a lado, as obras das duas artistas revelam obsessões visuais parecidas, surgidas sem combinação prévia. “A exposição nasce do desejo de construir, entre avó e neta, uma composição sinérgica entre corpos de obra que pareciam distantes à primeira vista”, resume a curadora Ana Carla Soler.
A curadoria organiza este encontro em eixos. O primeiro parte da geometria: Maria integrou por anos o coletivo Dez ao Cubo e investiga quinas e ângulos em esculturas e fotografias, enquanto Nathalie, formada em arquitetura, usa o cubo como ponto de partida e de dissolução em suas peças com malha de aço. O segundo eixo é a linha, presente no contorno dos corpos que Maria desenha nas séries Corpo-gráfico e Meus Vermelhos, e nas tramas de pedra, prego e fibra vegetal que Nathalie constrói. Um terceiro eixo aproxima os trabalhos têxteis de Maria, que remetem ao talit, o xale ritual judaico, às estruturas em malha de aço de Nathalie, duas lógicas de tecer que se encontram apesar dos materiais opostos. Por fim, produções recentes das duas artistas abandonam a rigidez geométrica em favor de formas orgânicas inspiradas em raízes e rizomas.
Matéria Familiar, de Maria Cherman e Nathalie Ventura
Centro Cultural Correios | R. Visconde de Itaboraí, 20 – Centro
Abertura: quarta-feira, 19 de agosto de 2026, às 16h
Visitação: 19 de agosto a 10 de outubro de 2026
Funcionamento: de terça a sábado, das 12h às 19h
Entrada gratuita
Organização do evento estima que ondas potentes ultrapassem os três metros durante a realização da disputa, que terá início às 7h
A organização do Itacoatiara Big Wave (IBW) confirmou, nesta quinta-feira (20), o Sinal Verde para a competição que acontecerá na próxima terça-feira (25/8), a partir das 7h, na Praia de Itacoatiara, na Região Oceânica de Niterói, cidade da Região Metropolitana do Estado do Rio de Janeiro. O IBW é reconhecido como um dos maiores campeonatos de ondas grandes da América Latina e o único totalmente disputado na modalidade tow-in.
Em sua oitava edição, a expectativa do Itacoatiara Big Wave 2026 é de ondas potentes, com mais de três metros, para receber nomes consagrados do surfe nacional e internacional, como Lucas Chumbo, Pedro Scooby, Michelle des Bouillons, Ian Cosenza, Michaela Fregonese, Gabriel Sampaio, Willyam Santana, Dominique Charrie (Chile), Dylan Longbottom (Austrália) e Summa Longbottom (Austrália), entre outros.
O IBW 2026 traz um componente inédito para as competições de surfe de ondas grandes: o sistema de julgamento, especialmente desenvolvido para competições de tow-in. Segundo a organização do campeonato, é o primeiro software do mundo criado com essa finalidade. A ferramenta deverá oferecer, durante a transmissão ao vivo, um conjunto maior de informações para que atletas e espectadores possam acompanhar o desenrolar da disputa. A tecnologia será aplicada em uma competição estruturada em baterias semelhantes às das disputas tradicionais de surfe.
O IBW é organizado pela Associação de Surfe de Ondas Grandes e Tow In de Niterói e apresentado pela Prefeitura de Niterói, por meio da Secretaria de Esporte e Lazer, e pela Águas de Niterói, com parceria esportiva do Sesc RJ. Neste ano, conta com apoio institucional do Parque Estadual da Serra da Tiririca, da Reserva Extrativista Marinha de Itaipu e da Lei Federal de Incentivo ao Esporte, além do patrocínio de PRIO, Ford Caer, Shopping, Predial Net, Jappa da Quitanda, Puro Suco, Red Bull, Tidelli, Global Med, Itacoa, Bella Marina, Rio Ocean Fun, BemSurf, Go Up Bikes e Raldrei Natividade – Fisioterapia.
A importância de uma competição do porte do Itacoatiara Big Wave é reconhecida por todos, especialmente por aqueles que acompanharam o crescimento do campeonato ao longo de sua trajetória.
“Acompanho o Itacoatiara Big Wave desde que o campeonato era apenas uma ideia, um projeto. Trabalhamos muito junto à organização para que essa ideia se tornasse real porque acreditávamos no seu potencial e, hoje, vemos o quanto estávamos certos em apostar num campeonato de ondas grandes em Itacoatiara. Niterói, mais precisamente Itacoatiara, é reconhecida internacionalmente como referência no surfe de ondas grandes. Isso é fantástico não só para o esporte em si, mas para a cidade como um todo, impactando na atratividade turística, na geração de empregos e no incentivo a novos projetos”, destaca o secretário de Esporte e Lazer de Niterói, Luiz Carlos Gallo de Freitas.
E quem conhece bem as ondas de Itacoatiara sabe o grau de dificuldade que terá pela frente na próxima terça-feira.
“É um lugar que não aceita erros, seja na técnica ao surfar, seja no posicionamento e na escolha das ondas. Itacoatiara é um beach break muito poderoso. Acredito que seja um dos mais pesados do mundo. Pequenos erros podem custar caro”, avisa Gabriel Sampaio, surfista niteroiense de carreira internacional que teve como sua escola em ondas grandes a praia de Itacoatiara.
É exatamente por essa característica do mar de Itacoatiara que a organização do IBW optou por realizá-lo na modalidade tow-in.
“Em muitos mares grandes, como o de Itacoatiara, é extremamente difícil conseguir surfar uma onda na remada. Com o apoio do jet-ski, os surfistas conseguem não apenas surfar ondas que não conseguiriam no braço, mas também apresentar um surfe de alta performance em razão das pranchas pequenas que utilizam”, explica Alexey Wanick, diretor executivo do IBW, destacando que o campeonato niteroiense é a única disputa de tow-in no mundo a manter o sistema de baterias semelhante ao das competições tradicionais, o que estimula a competitividade e facilita a compreensão do público.
Atividades para todos — Durante o Itacoatiara Big Wave, o Sesc RJ, parceiro esportivo do evento, também estará na Praia de Itacoatiara com uma programação de esporte e lazer para o público. O espaço contará com atividades como futmesa, arco e flecha, cornhole, slackline, futevôlei, vôlei e tênis de mesa, além de jogos de mesa, ampliando as opções de lazer para além das competições no mar.
Para o presidente do Sesc RJ, Antonio Florencio de Queiroz Junior, o apoio ao evento reforça a atuação da instituição na promoção de atividades que aproximam esporte, qualidade de vida e contato com a natureza, ao mesmo tempo em que contribuem para valorizar a relação dos fluminenses com o litoral.
“O surfe tem uma conexão muito especial com o Rio de Janeiro, porque reúne esporte, natureza e um estilo de vida que faz parte da identidade do nosso estado. Ao apoiar o Itacoatiara Big Wave e oferecer outras atividades esportivas ao público, o Sesc RJ reforça seu compromisso com a qualidade de vida e com a valorização dos nossos espaços naturais. Incentivar o esporte no mar e na praia é também estimular uma relação de cuidado e respeito com o meio ambiente”, afirma Queiroz.
Outra parceria que acompanha a história do IBW também estará presente nesta edição de 2026.
“Acreditamos que apoiar um campeonato como esse, além de valorizar o esporte, é valorizar o turismo, a economia, a cidade e as pessoas. Também é uma oportunidade de reforçar a importância da preservação do meio ambiente, para que campeonatos como o Big Wave possam continuar acontecendo. Promover qualidade de vida e contribuir para a preservação dos recursos naturais faz parte do nosso compromisso com o município”, destaca o diretor da Águas de Niterói, Bernardo Gonçalves.
Município entrou em estágio de Atenção devido à previsão de rajadas acima de 72 km/h
A Secretaria Municipal de Proteção e Defesa Civil de Niterói colocou o município em estágio de Atenção às 20h desta quinta-feira (20), devido à previsão de rajadas de vento fortes a muito fortes entre a manhã e a tarde de sexta-feira (21). Os ventos podem ultrapassar 72 km/h, com risco de quedas de árvores, destelhamentos e desprendimento de objetos.
O prefeito Rodrigo Neves informou que as equipes municipais estarão mobilizadas para acompanhar a chegada de uma frente fria ao Estado do Rio de Janeiro.
“Estamos no Centro de Monitoramento e Operações da Defesa Civil acompanhando a chegada dessa frente fria, que poderá provocar ventos muito fortes em Niterói. Por isso, determinei que o município entrasse no estágio 2, de Atenção. Nossas equipes estarão mobilizadas e divulgaremos novas informações ao longo da noite e durante a manhã desta sexta-feira. É muito importante que a população acompanhe as redes sociais e os canais oficiais da Prefeitura”, afirmou o prefeito.
O secretário municipal de Proteção e Defesa Civil, coronel Walace Medeiros, explicou que as rajadas previstas são classificadas como muito fortes.
“Os ventos podem ultrapassar 72 km/h. Um ciclone que atua na Região Sul do país deve se deslocar em direção ao oceano, contribuindo para a ocorrência de ventos fortes no Estado do Rio. É importante esclarecer que não há previsão de ciclone em Niterói, mas da chegada de uma frente fria que poderá provocar rajadas intensas na cidade”, explicou o secretário.
Durante o período, a orientação é evitar permanecer embaixo de árvores ou de coberturas metálicas e manter distância de locais sujeitos ao desprendimento de objetos, como cabos elétricos, outdoors e andaimes. A Defesa Civil também recomenda evitar a prática de esportes ao ar livre, especialmente no mar.
O Centro de Monitoramento e Operações da Defesa Civil permanecerá acompanhando as condições meteorológicas e divulgará novas informações sempre que necessário. Em caso de emergência, a população deve acionar o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193 ou a Defesa Civil pelos números 199 e 2620-0199.
Projetos da carteira serão reavaliados com base nas novas diretrizes
O Governo do Estado publicou, nesta quinta-feira (20/08), uma resolução que consolida as normas e critérios para aplicação dos recursos do Fundo Soberano estadual. A medida vai ampliar as regras para aprovação de projetos e fortalecer a integração com o Plano Plurianual (PPA) e o Plano Estratégico de Desenvolvimento Econômico e Social (Pedes).
De acordo com as novas diretrizes, os projetos terão de estar alinhados ao planejamento estratégico do Estado, serão acompanhados de forma contínua e poderão ser revistos antes de receber recursos. Além disso, os projetos passarão por avaliação periódica, com acompanhamento da execução física e financeira, cronograma e estágio de execução. Quanto aos que já foram aprovados e que ainda não começaram, o comitê decidiu pelo cancelamento.
Na prática, os projetos passarão a obedecer critérios relacionados ao Plano Estratégico de Desenvolvimento Econômico e Social do Estado do Rio de Janeiro. Caso um projeto seja classificado como estruturante, contribuindo para o desenvolvimento regional, terá que informar, por exemplo, se promove a geração de emprego e renda. Além disso, critérios como fortalecimento das potencialidades produtivas da região, benefícios para mais de um município e promoção da integração regional serão levados em consideração.
O Conselho Gestor é formado pelas secretarias da Casa Civil, que exerce a presidência; de Planejamento e Gestão, responsável pela Secretaria-Executiva; da Fazenda, gestora do Fundo; e de Desenvolvimento Econômico. Também integram o colegiado a Procuradoria-Geral do Estado e representantes da Assembleia Legislativa.
O Sesc São Gonçalo apresenta a exposição Outras Morfologias, que promove o encontro inédito entre as artistas Clara Machado, Mariana Paraizo, Mery Horta e Mônica Coster. Contemplado pelo edital Sesc Pulsar e com curadoria de Rayssa Veríssimo, o projeto exibe formas híbridas que deslocam o ser humano do centro do mundo. A partir de formas e materiais múltiplos, o projeto nos lembra que somos parte de uma natureza, ao mesmo tempo orgânica e artificial. A visitação é gratuita e segue aberta até o dia 4 de outubro. A exposição foi selecionada pelo Edital de Cultura Sesc RJ Pulsar.
A mostra apresenta múltiplas linguagens — como escultura, desenho, bordado e instalação — explorando materiais que evocam o humano por meio dos seus vestígios e paradoxos. Na construção desse ecossistema espalhado pelo espaço, Clara Machado utiliza cerâmica, ferro e resina para criar estruturas que remetem a ossos, vísceras ou raízes. Mariana Paraizo trabalha com ovo e cimento, erguendo corpos que oscilam entre proteção e fragilidade, casca e abrigo. Já Mery Horta combina cabelo, madeira rejeitada, cabaça e sementes, dando vida a criaturas orgânicas, enquanto Mônica Coster usa cerâmica, cabelo e unha para conceber morfologias híbridas, nas quais humano e não humano se misturam.
Para Clara Machado e Mariana Paraizo, a escolha de trabalhar com esse conceito revela uma conexão profunda entre os trabalhos do grupo. “A exposição nasceu do desejo de produzir um encontro entre as quatro artistas. No processo de elaboração do projeto curatorial, notamos a presença de um território comum que atravessava as poéticas de todas nós, e esse território é o corpo. No entanto, cada artista opera de modo próprio nesse território, produzindo relações que se desdobram em discussões sobre vida e morte, natureza e cultura, e apontam para diferentes formações corpóreas e matéricas. A ambiguidade da palavra ‘morfologia’, por se relacionar tanto ao estudo das formas em organismos, palavras e de estruturas em geral, vem como um fio curatorial que amplia esse encontro e acentua o caráter aberto e processual da própria construção do corpo, sua labilidade”, explicam.
O percurso também propõe um mergulho sobre como a sociedade enxerga o planeta. Segundo a curadora Rayssa Veríssimo, a exposição é um convite para repensar conceitos históricos que nos afastam do meio ambiente. “Vivemos um momento em que se torna urgente repensar aquilo que nos foi dado como mundo. Historicamente, a tradição ocidental tomou o humano como forma e medida para separar cultura e natureza, legitimando nossas relações de dominação e exploração. No entanto, quando voltamos o olhar para outras formas de vida, percebemos que compartilhamos formas, matérias e até processos vitais, contrariando a pretensa superioridade humana. Nesse sentido, imaginar corpos que escapam à dicotomia entre cultura e natureza, embaralhando as fronteiras das formas, é também uma maneira de reimaginar o próprio mundo e as relações que o constituem”, destaca a curadora.
As obras funcionam, ainda, como um campo aberto para o público criar as suas próprias percepções. “As obras presentes na exposição operam, de modos singulares, uma espécie de desnaturalização acerca do que é um corpo, convidando o público a refletir sobre os limites dados como fixos entre natureza e cultura, humano e não humano. Por meio de formas orgânicas, que podem, por vezes, se assemelhar a elementos corpóreos reconhecíveis, as obras evocam algo simultaneamente familiar e estranho, despertando questões sobre nossa materialidade compartilhada com outras formas de vida. No entanto, essas reflexões não são apresentadas de maneira fechada ou definitiva.
Cada trabalho oferece um campo aberto de associações, no qual os sentidos são construídos a partir do conjunto criado na exposição e do encontro entre o corpo da obra e o corpo do espectador. Para além da representação de corpos específicos, os trabalhos abrem espaço para imaginar outras maneiras de existir e de nos relacionarmos com o que nos cerca”, pontua Clara Machado.
A programação conta ainda com a oficina gratuita de escultura Fabulações, ministrada pela artista convidada Darks Miranda, que acontece no dia 9 de setembro, às 10h.
Serviço:
Visitação: 08/07/26 à 04/10/26 | Terça a Sexta das 7h às 21h; Sábados, Domingos e Feriados das 9h às 18h Sesc São Gonçalo – Av. Pres. Kennedy, 755 – Estrela do Norte – São Gonçalo – RJ
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Congresso promovido pela ABRH Brasil reuniu profissionais, lideranças, especialistas e empresas durante três dias de programação sobre tecnologia, inteligência artificial, liderança, inovação e as transformações no mundo do trabalho
O CONARH 2026 encerra nesta quinta-feira, sua 52ª edição com um cerca de 40 mil participantes e uma programação que colocou em pauta os principais desafios e transformações que impactam a gestão de pessoas e as relações de trabalho. Realizado pela ABRH Brasil, o evento reuniu ainda, ao longo de três dias, 120 palestrantes e 320 expositores em uma área de 43.000 m², consolidando o congresso como um dos principais encontros do setor no país.
Sob o conceito “Brasil Global: O futuro da gestão é humano”, o evento promoveu discussões sobre diversos temas, como inteligência artificial, liderança, cultura, diversidade, qualificação profissional, novas jornadas e os impactos das transformações tecnológicas sobre carreiras e modelos de trabalho.
Principais destaques
Entre as novidades deste ano estão a Arena CONARH Agro, que ampliou a programação para os desafios da gestão de pessoas no agronegócio, o RH Tech, espaço dedicado à inovação e tecnologia, e o FESTRA – Festival do Trabalho, com debates sobre competências, inteligência artificial, carreira, saúde e bem-estar, criatividade e novas relações de trabalho.
A agenda de inovação também ganhou destaque: a Competição RH Tech contou com mais de 50 startups participantes e 8 finalistas. A Lovel, plataforma que centraliza processos de recrutamento, foi a vencedora e recebeu como prêmio um espaço de 9 m² na edição de 2027.
“Encerramos esta edição com a certeza de que o futuro da gestão de pessoas será construído a partir da combinação entre tecnologia, inovação e, principalmente, humanidade. Este é um espaço de encontro, troca e construção coletiva, e os debates destes três dias mostraram que o RH tem um papel cada vez mais estratégico para as organizações e para a sociedade”, afirma Leyla Nascimento, presidente da ABRH Brasil.
Entre os temas que ganharam espaço na cobertura estiveram as transformações provocadas pela inteligência artificial, os novos modelos de trabalho, a preparação de profissionais para as mudanças do mercado, os desafios da liderança e a evolução do papel da gestão de pessoas nas organizações.
Prêmio Ser Humano
Criado em 1993, o “Prêmio Ser Humano”, também conhecido como “Oscar do RH”, é concedido pela ABRH Brasil às iniciativas de gestão de pessoas. Nesta edição, 63 projetos concorreram a quatro modalidades.
A vencedora da categoria desenvolvimento, que premia projetos que agregam valor a funcionários, acionistas, fornecedores e sociedade, foi a Serpro, empresa pública de TI. Já a modalidade ESG, voltada às iniciativas de governança ambiental, social e corporativa, teve como vencedora a Diageo, do setor de bebidas. A Totvs, de tecnologia, conquistou o primeiro lugar na categoria Excelência Organizacional, que premia trabalhos que aprimoram a gestão da infraestrutura, qualidade e eficiência dos serviços de RH. Por fim, a modalidade Jovem premiou a Bracell, de celulose, pela visibilidade a talentos, competências e potenciais de jovens com foco em empregabilidade e desenvolvimento.
Ao encerrar sua edição de 2026, o CONARH deixa como legado uma agenda de discussões que deve continuar presente nas organizações: como equilibrar os avanços tecnológicos e as novas demandas do trabalho com o desenvolvimento das pessoas e das relações que sustentam os negócios.
O CONARH 2027 será realizado em agosto de 2027, em São Paulo, e dará continuidade ao debate sobre as transformações que estão moldando a gestão de pessoas e o mundo do trabalho.
Sobre a ABRH Brasil
A ABRH Brasil (Associação Brasileira de Recursos Humanos), presidida por Leyla Nascimento, está presente em 22 estados e no Distrito Federal. As seccionais são desvinculadas juridicamente e independentes, integradas na missão de promover o desenvolvimento dos profissionais de RH e gestores de pessoas por meio de eventos, pesquisas e troca de experiências, além de colaborar com os poderes públicos e demais entidades nos assuntos referentes à sua área de atuação. Filiada à WFPMA (World Federation of People Management Associations) e à FIDAGH (Federación Interamericana de Asociaciones de Gestión Humana), a ABRH Brasil é cofundadora e integra a CRHLP (Confederação dos Profissionais de Recursos Humanos dos Países de Língua Portuguesa), fundada em 2010.
A Prefeitura de Niterói, através da Secretaria Municipal de Saúde, realizou, no auditório dos Núcleos Internos de Educação em Saúde (NIEPS), no Centro, uma capacitação para o atendimento odontológico às gestantes. O evento foi voltado para profissionais que compõem as equipes de Atenção Primária da rede municipal de saúde de Niterói.
A secretária municipal de Saúde, Ilza Fellows, destacou a importância do cuidado integral e seguro durante o pré-natal.
“Cuidar da saúde bucal da gestante é um passo fundamental para garantir uma gravidez saudável e segura para mãe e bebê. Capacitar nossos profissionais é investir diretamente na qualidade da assistência prestada à nossa população”, explicou a secretária.
A capacitação teve duas palestras. A primeira foi do especialista em Estomatologia e professor da Faculdade de Odontologia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Wagner Chagas. Ele falou sobre o tema “Terapêutica medicamentosa na gestação e lactação, o que o cirurgião dentista precisa saber”.
Em seguida, foi a vez da cirurgiã-dentista Glória Barros, especialista em Odontologia Hospitalar e Saúde da Família pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e servidora pública da Fundação Municipal de Saúde de Niterói.
“Garantir um atendimento odontológico humanizado e de qualidade à gestante passa, necessariamente, por entender o letramento em saúde. Precisamos nos certificar de que as futuras mamães compreendam as orientações e tenham acesso pleno aos serviços, fortalecendo o cuidado integral desde o pré-natal”, afirmou Glória Barros.
A rede pública de Niterói oferece atendimento odontológico gratuito por meio das Unidades Básicas de Saúde (UBS), Policlínicas Regionais e módulos do Programa Médico de Família (PMF). Os serviços incluem prevenção, limpezas, restaurações, extrações e atendimento infantil ou adulto, com encaminhamento para especialistas quando necessário.
Quase cinquenta anos depois da 38ª Bienal de Veneza, a Galatea apresenta Representações brasileiras – Bienal de Veneza (1978), exposição que revisita a representação brasileira concebida pela pesquisadora e curadora Lélia Coelho Frota para a participação na mostra italiana. A exposição lança um novo olhar sobre uma curadoria inovadora que, ainda em 1978, levou a um dos principais eventos de artes internacionais uma leitura heterogênea da produção artística no país. Com abertura em 20 de agosto, das 18h às 21h, na unidade da Padre João Manuel, a mostra integra a programação da galeria na semana que antecede a SP-Arte Rotas, que movimenta o circuito artístico da capital paulista.
Realizada entre 2 de julho e 15 de outubro de 1978, a 38ª Bienal de Veneza, intitulada Da Natureza à Arte, da Arte à Natureza, foi marcada pela aproximação entre arte e questões ambientais. Dentro desse contexto, coube a Lélia Coelho Frota pensar a representação nacional e responder ao tema da Bienal a partir da própria diversidade cultural, social e territorial do país. A exposição na Galatea reúne obras de diferentes períodos dos artistas que integraram a participação brasileira: Carlos Fajardo, Geraldo Teles de Oliveira (G.T.O.), Júlio Martins da Silva, Luiz Aquila, Maria Auxiliadora, Madalena dos Santos Reinbolt, Paulo Garcez e Wilma Martins, além de trabalhos das comunidades indígenas do Alto e Médio Xingu e do paisagista Roberto Burle Marx, apresentados em Veneza por meio de trabalhos audiovisuais comissionados ao cineasta Marcelo Tassara.
A proposta de Lélia partia da diversidade de modos de viver e habitar o território brasileiro. Em vez de construir uma imagem única do país, ela aproximou artistas de diferentes origens e trajetórias, colocando em relação produções ligadas ao circuito da arte contemporânea e trabalhos de artistas autodidatas que encontravam pouca receptividade no mercado e no circuito institucional justamente por serem classificadas como não acadêmicas, não canônicas ou pertencentes ao campo da arte popular. Sem privilegiar uma linguagem específica, a curadora colocou lado a lado pintura, desenho e escultura e aproximou experiências que partiam de relações distintas com a paisagem, a cidade e o campo, o espaço doméstico e a vida coletiva.
O princípio que orienta a exposição é revisitar, a partir do acervo da galeria, os percursos dos artistas brasileiros que nela participaram da sua montagem em 1978, reunindo sobretudo produções de períodos próximos aos da Bienal e ampliando a leitura sobre suas pesquisas.
Da escultura em madeira de Geraldo Teles de Oliveira (G.T.O.), em que figuras humanas e animais se sobrepõem e parecem se prolongar umas nas outras, às paisagens de Júlio Martins da Silva, a relação com a natureza assume formas distintas. Nas pinturas de Martins, casas, caminhos, jardins, árvores e corpos d’água organizam cenários povoados por pequenas figuras, animais e detalhes do cotidiano, construindo paisagens que oscilam entre o reconhecível e o imaginado. A obra de Maria Auxiliadora acrescenta ao conjunto uma cena em que a presença humana e a experiência cotidiana ocupam o centro da composição.
Os desenhos de Paulo Garcez se aproximam da escrita e da construção de universos que parecem surgir de dentro da própria superfície do papel. Já em Wilma Martins, é o espaço doméstico que se transforma: animais, plantas e outros elementos naturais invadem cozinhas, móveis e interiores, criando uma espécie de natureza fantástica dentro do ambiente urbano. Em ambos, o traçado aparece como território de passagem entre o que é visto e o que é imaginado.
Ao reunir novamente esses artistas em São Paulo, a exposição estabelece uma ponte entre dois momentos da história da arte brasileira. Se, em 1978, Lélia Coelho Frota conduziu um movimento precursor em apresentar arte popular brasileira no exterior, hoje o reencontro com esses artistas acontece em um cenário de renovado interesse por artistas e produções que permaneceram à margem das narrativas dominantes da arte brasileira.
Representações brasileiras – Bienal de Veneza (1978) retoma essas pesquisas não apenas como registro de uma representação histórica, mas como uma oportunidade de revisitar a produção de artistas importantes para debates que permanecem atuais no campo das artes visuais brasileiras.
Artistas presentes na mostra: Carlos Fajardo, Geraldo Teles de Oliveira (G.T.O.), Júlio Martins da Silva, Luiz Aquila, Madalena dos Santos Reinbolt, Maria Auxiliadora, Paulo Garcez, Povos Indígenas do Alto e Médio Xingu, Roberto Burle Marx e Wilma Martins.
Serviço:
Abertura: 20/08/26 às 18:00h
Visitação: 20/08/26 à 17/10/26 | Segunda-feira, Terça-feira, Quarta-feira, Quinta-feira das 10:00h às 19:00h
Sexta: 10h às 18h | Sábado: 11h às 17h
Rua Padre João Manuel, 808 – Térreo, São Paulo – SP, 01411-001 www.galatea.art