
O Espaço Cultural Correios Niterói apresenta a mostra inédita “No Meio do Azul Havia um Futuro”, da artista visual Cris Duarte. Em cartaz até o dia 6 de junho, a exposição reúne nove obras, entre pinturas e vídeo, produzidas nos últimos seis anos. O projeto utiliza o Oceano Atlântico como ponto de partida para debater temas como memória, travessia e preservação ambiental, destacando o mar como um elemento central na formação da cultura brasileira.
Segundo a curadora Mariana Bahia, também idealizadora do Instituto Vozes do Mundo, a exposição parte da ideia de que “o Atlântico é um símbolo importante para pensar a formação do nosso país” e se apresenta não apenas como limite geográfico, mas como “um espaço de travessia, de encontro, de deslocamento, que ajudam a moldar a cultura como um todo”.
Nesse contexto, as obras constroem um olhar sobre o mar como um arquivo vivo. “A água traz memória, tensiona nosso olhar sobre a vida, recria e cria imaginários e futuros possíveis”, aponta a curadoria, que propõe a exposição como um espaço de reflexão coletiva. “Não é apenas sobre pensar a paisagem, mas, sobretudo, um espaço de reflexão para criarmos o futuro que desejamos“.
A exposição marca uma fase de maturidade na trajetória de Cris Duarte, unindo sua expressão plástica a um sólido ativismo ambiental. Além de artista, Cris é a mente por trás do projeto “Cidades na Década do Oceano”, chancelado pela ONU, e atua ativamente como colaboradora da Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável.
Radicada em Niterói, sua relação com o mar atravessa toda a produção. “O mar é meu primeiro espelho e meu horizonte constante. Para mim, o oceano não é um cenário, é um organismo vivo do qual faço parte”, afirma. Na sua prática, pintar o azul é também um gesto de investigação e cuidado: “é um ato de autoconhecimento e de cuidado com a nossa origem”.
Ao articular arte e ciência, seu trabalho busca ampliar a percepção sobre a urgência ambiental. “Enquanto pesquisadores trazem dados sobre a saúde dos oceanos, eu busco trazer a empatia”, diz. Nesse sentido, sua produção atua como uma tradução sensível da ciência, “transformando a urgência da conservação em um desejo profundo de proteção”.
A escolha da pintura como linguagem também é central nesse processo. “Ela exige a pausa que o mundo atual perdeu”, afirma a artista, ao destacar a possibilidade de reunir, em uma mesma imagem, diferentes camadas do ambiente. Em uma das obras inéditas, por exemplo, “divido o espaço entre o esplendor de um pôr do sol e a explosão de vida subaquática”, criando uma visualidade que, segundo ela, busca “cicatrizar visualmente o que está ferido no meio ambiente”.
Serviço
Exposição: No Meio do Azul Havia um Futuro
Artista: Cris Duarte
Período: até 6 de junho de 2026
Local: Espaço Cultural Correios de Niterói
Endereço: Av. Visconde do Rio Branco, 481 – Centro – Niterói (RJ)





