Recicla Niterói inaugura novos pontos e amplia atendimento com funcionamento aos domingos

Projeto da Clin oferece mais opções para facilitar o descarte correto de recicláveis pela população

A Companhia de Limpeza de Niterói (Clin) ampliou o serviço de coleta seletiva do projeto Recicla Niterói, que passa a contar com 12 pontos de descarte e funcionamento aos domingos em Icaraí. Na última sexta-feira (7), foram inaugurados três novos pontos do programa nas ruas Pereira da Silva, Ator Paulo Gustavo e Mariz e Barros.

Além da ampliação dos locais de atendimento, o projeto também passa a funcionar aos domingos, das 9h às 14h, oferecendo mais uma oportunidade para que os moradores façam o descarte correto dos resíduos recicláveis.

O Recicla Niterói completa dois anos em novembro e vem ampliando, de forma contínua, o acesso da população à coleta seletiva. Desde a implantação do programa, cerca de 310 toneladas de materiais recicláveis já foram encaminhadas para a reciclagem, contribuindo para a preservação ambiental e para o fortalecimento da sustentabilidade no município.

Para o presidente da Clin, Acílio Borges, a ampliação do atendimento representa mais um incentivo à participação da população.

“Estamos inovando ao oferecer atendimento também aos domingos para estimular ainda mais a participação dos moradores. O Recicla Niterói é um projeto inovador e vem apresentando resultados muito positivos, contribuindo para que nossa cidade continue sendo referência em sustentabilidade e para que a Clin mantenha sua posição de destaque entre as empresas de limpeza urbana do Estado do Rio de Janeiro.”

Antes da ampliação, a Gerência de Inovação e Sustentabilidade da Clin realizou um projeto-piloto no domingo anterior para avaliar a demanda pelo serviço. De acordo com o setor, o resultado confirmou que a ampliação do horário seria muito bem recebida pela população.

É o caso do aposentado Jackson Nunes, de 72 anos.

“Acho super necessário e fui muito a favor de ter mais pontos de coleta. Com eles funcionando aos domingos, as pessoas têm mais facilidade para fazer o descarte, porque estão em casa.”

O porteiro Ailton Luiz dos Santos, de 58 anos, considera a iniciativa fundamental.
“Acho muito bom, uma ótima ideia. É excelente eles estarem mais presentes na cidade. Separar o lixo reciclável do orgânico faz toda a diferença.”

Já o auxiliar de serviços gerais Nilson Antunes, de 57 anos, afirmou que a iniciativa facilitou seu trabalho.

“A gente consegue trazer os recicláveis para cá sem deixar acumular ou sujar o local. Isso também ajuda a agilizar o serviço.”

O projeto teve início em Icaraí, nas ruas Ator Paulo Gustavo e Tavares de Macedo, e atualmente envolve mais de 300 condomínios e estabelecimentos comerciais.

Desde o início do programa, síndicos e administradores recebem orientação técnica da Clin sobre a separação correta dos resíduos orgânicos e recicláveis. Em todos os pontos de entrega, funcionários permanecem no local para orientar a população quanto ao descarte adequado dos materiais.

Niterói é pioneira na implantação da coleta seletiva em larga escala e oferece diferentes modalidades do serviço em todo o município. Atualmente, a cidade conta com 64 moloks — sendo 35 destinados aos resíduos orgânicos e 29 aos recicláveis secos — distribuídos em 28 pontos, além de 12 Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) e da coleta seletiva porta a porta, disponível em 100% da cidade.

Em 2025, a Clin recolheu 6.595,35 toneladas de resíduos recicláveis, o equivalente a 5,1% de todo o resíduo coletado no município. Neste ano, a Companhia também passou a contabilizar os materiais recicláveis recolhidos por outras empresas que atuam em Niterói.

Pelo décimo ano consecutivo, Niterói ocupa a primeira colocação no Estado do Rio de Janeiro no Índice de Sustentabilidade da Limpeza Urbana (ISLU), alcançando nota 0,749.

Os locais de descarte de recicláveis podem ser consultados no mapa interativo disponível no site da Clin, na seção ‘Como Reciclar em Niterói’, e também no Sistema de Gestão da Geoinformação (SIGeo) da Prefeitura de Niterói.

Informações adicionais podem ser obtidas pelo Fale Conosco da Clin, pelos telefones 0800 367 9100 e (21) 99753-1952, que também atende via WhatsApp.

Dia de Proteção às Florestas: leis fortalecem preservação ambiental no Estado do Rio

Celebrado em 17/07, o Dia de Proteção às Florestas reforça a importância da conservação dos ecossistemas para a manutenção da biodiversidade, da qualidade da água e do equilíbrio climático. A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) tem contribuído para a preservação ambiental por meio da aprovação de leis, do acompanhamento das políticas públicas e da promoção de ações de educação ambiental.

Entre os principais avanços está a Lei 8.538/2019, que instituiu a Política Estadual de Restauração Ecológica. A norma estabelece diretrizes para incentivar a recuperação de áreas degradadas, ampliar o plantio de espécies nativas, estimular a produção de mudas e integrar o trabalho entre poder público, produtores rurais, universidades e organizações da sociedade civil. A legislação também fortalece mecanismos de compensação ambiental destinados à conservação de unidades de proteção e à restauração dos ecossistemas.

Outra iniciativa é a Lei Estadual 9.972/2023, que criou a Política Estadual de Desenvolvimento Florestal. A proposta busca incentivar o manejo sustentável, a recuperação ambiental de propriedades rurais e a expansão de florestas plantadas de forma responsável, conciliando conservação e desenvolvimento econômico.

Para o gestor da Unidade de Conservação do Parque Estadual da Pedra Selada (Peps), geógrafo Carlos Dário de Castro Moreira, do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), a Lei nº 8.538 representa um importante instrumento para fortalecer a atuação do órgão ambiental.

“Ela oferece um arcabouço robusto e diretrizes claras para as ações de restauração ecológica em todo o estado. A legislação padroniza metodologias, promove a integração entre diferentes setores, facilita a captação de recursos e assegura a continuidade das ações de longo prazo, consolidando a restauração como uma política de Estado”, explicou.

Segundo o especialista, as políticas de restauração ecológica também são fundamentais para reconectar fragmentos florestais, recuperar nascentes, estabilizar encostas, aumentar o sequestro de carbono e fortalecer a biodiversidade.

Grupo de Trabalho reforça monitoramento ambiental

Além da atividade legislativa, a Assembleia acompanha a implementação das políticas ambientais por meio de suas comissões permanentes. Um exemplo recente foi a atuação da Comissão de Legislação Participativa, que promoveu, em maio deste ano, uma audiência pública para discutir a preservação do Rio Una e dos ecossistemas da Região dos Lagos.

O encontro reuniu moradores, pesquisadores, representantes do Inea, do Ministério Público e de órgãos ambientais para debater os impactos da degradação ambiental na região. Como principal encaminhamento, foi anunciada a criação de um Grupo de Trabalho destinado a ampliar o monitoramento técnico do Rio Una, realizar vistorias e acompanhar medidas de recuperação ambiental.

Carlos Dário destaca que o acompanhamento realizado pela Alerj fortalece as ações de preservação ambiental. “As comissões e grupos de trabalho fiscalizam a aplicação das leis, promovem debates públicos, aperfeiçoam a legislação e ajudam a garantir que as políticas ambientais não permaneçam apenas no papel, mas se transformem em ações efetivas no território”, afirmou.

Educação ambiental aproxima a população da natureza

Além da fiscalização, a Comissão de Meio Ambiente da Alerj também tem promovido ações de conscientização ambiental. Um exemplo foi a exposição “Governança Ambiental”, realizada no passeio público do Palácio Tiradentes, que reuniu órgãos estaduais e federais para apresentar projetos, equipamentos e iniciativas voltadas à preservação dos recursos naturais.

Entre os destaques esteve a participação do Inea, que apresentou programas de visitação às unidades de conservação estaduais, iniciativas que incentivam o contato da população com a natureza de forma sustentável. O órgão também levou ao evento uma exposição com animais nativos da Mata Atlântica taxidermizados, utilizada em ações de educação ambiental desenvolvidas em parceria com universidades.

De acordo com Carlos Dário, as unidades de conservação exercem um papel fundamental na educação ambiental. “As unidades de conservação são verdadeiras salas de aula a céu aberto. Quando a população conhece esses espaços, desenvolve um sentimento de pertencimento, passa a valorizar o patrimônio natural e se torna uma aliada na proteção das florestas”, apontou.

Como exemplo, o gestor cita as ações desenvolvidas no Parque Estadual da Pedra Selada, que incluem monitoramento da fauna com câmeras-trap, produção de mudas de espécies ameaçadas, como a araucária e a juçara, pagamento por serviços ambientais a produtores rurais, além de projetos de educação ambiental e intercâmbio científico com universidades.

Patrimônio para as futuras gerações

Para o especialista, preservar as florestas é investir diretamente na qualidade de vida da população. “A Mata Atlântica é nossa fonte de água, de ar puro, de biodiversidade e de qualidade de vida. Preservar as florestas não é apenas uma questão ambiental, mas também de saúde pública, segurança hídrica, equilíbrio climático e desenvolvimento sustentável”, destacou.

Carlos Dário também faz um convite a população a conhecer as unidades de conservação estaduais. “Convido todos a visitarem o Parque Estadual da Pedra Selada e experimentarem um contato direto com esse patrimônio natural. É uma oportunidade de se reconectar com a natureza e compreender, na prática, a importância de preservar nossas florestas para as futuras gerações”, disse.

Clin leva programa Reciclagem Criativa a três territórios e une sustentabilidade, capacitação e geração de renda para mulheres

Projeto oferece quatro oficinas no Engenho do Mato, no Badu e Fonseca

A Companhia de Limpeza de Niterói (Clin) está promovendo o programa ‘Reciclagem Criativa’, iniciativa que alia educação ambiental, capacitação profissional e geração de renda para mulheres em situação de vulnerabilidade social. Desenvolvido por meio do Comitê Clin por Elas, em parceria com a Secretaria Municipal da Mulher e o Escritório de Políticas Transversais de Direitos e Cuidados, o projeto integra o programa Niterói por Elas e oferece quatro oficinas em três territórios da cidade: Engenho do Mato, Badu e Fonseca.

Ao todo, são quatro cursos — Jardinagem, Brinquedos, Vela e Cartonagem e Artigos de Natal — ministrados por funcionárias artesãs da Companhia. São 15 vagas por oficina, 60 por território, totalizando 180 vagas.

Uma das atividades do programa aconteceu nesta terça-feira (21), no Parque Rural, no Engenho do Mato, onde foi realizada a aula de ‘Sustentabilidade e Compostagem’, que foi um verdadeiro sucesso. Trata-se de uma aula inaugural, que abre todas as oficinas em todos os territórios. Durante o encontro, a presidente do Comitê Clin por Elas, Valéria Rollemberg, conversou com as participantes sobre a importância da sustentabilidade e do reaproveitamento de resíduos orgânicos.

Na sequência, a funcionária da Clin Tatiana Fernandes apresentou, na prática, como montar uma composteira doméstica utilizando materiais simples, como baldes reaproveitados. Ela explicou que o processo transforma resíduos orgânicos em húmus e biofertilizante, produtos que podem ser utilizados em hortas e jardins ou até comercializados, contribuindo para a geração de renda.

“A composteira doméstica é uma ideia simples e com grande potencial. Em vez de descartar esse resíduo, gerando mau cheiro, ele é reaproveitado e se transforma em um material limpo para ser utilizado em hortas e jardins ou até comercializado, gerando renda. É uma ótima oportunidade para o empreendedorismo”, destacou Tatiana.

As participantes também foram orientadas sobre todas as etapas da montagem e do manejo da composteira, incentivando práticas sustentáveis que reduzem o volume de resíduos enviados aos aterros e contribuem para a melhoria da qualidade do solo.

Participante das oficinas de Artigos de Natal, Vela e Cartonagem e Compostagem, Ducinéa Camillo Maulaz elogiou a iniciativa.

“A oficina foi maravilhosa! Gosto muito de artesanato e sempre procuro fazer algo nessa área. É uma terapia para mim, porque trabalha a mente, as mãos e faz muito bem para a saúde. Tenho o hábito de reciclar e transformar materiais. Agora, com essa aula de compostagem, já tenho mais uma ideia. O projeto é muito bom”, afirmou.

A oficina de Sustentabilidade e Compostagem terá uma nova edição no dia 6 de agosto, no PEV da Clin, no Fonseca. As demais oficinas do programa seguem sendo realizadas nos três territórios até setembro, ampliando o acesso à capacitação, ao empreendedorismo e às práticas sustentáveis.

Próximas oficinas

Fazendinha – Badu

Jardinagem: 29 de julho, às 14h
Vela e Cartonagem: 21 e 28 de julho e 4 de agosto, às 14h
Artigos de Natal: 12 e 19 de agosto, às 14h
Parque Rural – Engenho do Mato

Jardinagem: 30 de julho, às 10h
Brinquedos: 28 de julho e 4 de agosto, às 10h
Vela e Cartonagem: 29 de julho, 5 e 12 de agosto, às 10h
Artigos de Natal: 11 e 18 de agosto, às 10h
PEV da Clin – Fonseca

Jardinagem: 25 de agosto e 1º de setembro, às 14h
Brinquedos: 13 e 20 de agosto, às 14h
Vela e Cartonagem: 19 e 26 de agosto, às 14h
Artigos de Natal: 27 de agosto e 3 de setembro, às 14h
As inscrições devem ser feitas presencialmente no local onde será realizada a oficina.

Foto: Hyury Duarte

Prefeitura de Niterói reforça ações de monitoramento e preservação ambiental na Lagoa de Piratininga

Atuação integrada do GCOPAV promove fiscalização de áreas verdes, combate ao descarte irregular de resíduos e contribui para a proteção da restinga e do ecossistema da lagoa

A Prefeitura de Niterói realizou mais uma operação de ordenamento e limpeza na Lagoa de Piratininga. Coordenada pelo Grupo Executivo para o Crescimento Ordenado de Preservação das Áreas Verdes (Gecopav), com o objetivo de garantir a ocupação adequada do espaço público e a preservação ambiental naquela área, a ação foi executada pela Companhia de Limpeza de Niterói (Clin), que retirou entulhos e resíduos descartados incorretamente. O serviço contou com apoio de um caminhão para a remoção de materiais como ferro, madeira, plástico e outros detritos.

O coordenador do Gecopav, major Antônio Luiz Pereira Lima, ressaltou a importância da atuação integrada dos órgãos municipais para garantir a proteção das áreas verdes da cidade.

“Nosso principal objetivo é impedir o avanço de construções irregulares sobre áreas de proteção ambiental. Para isso, atuamos com planejamento, uso de tecnologia e integração entre diversos órgãos municipais, garantindo uma fiscalização eficiente e contribuindo para a preservação do patrimônio ambiental de Niterói”, afirmou.

O trabalho desenvolvido na região tem como foco a preservação da restinga, a fiscalização de construções irregulares e descartes incorretos de resíduos, além do monitoramento de possíveis áreas afetadas por desmatamento. As equipes realizam vistorias frequentes, com acompanhamento por terra e apoio de aeronaves tripuladas, ampliando a capacidade de identificação de ocorrências e garantindo uma atuação mais eficiente na proteção ambiental. Sempre que são constatados problemas, como o descarte inadequado de lixo ou o acúmulo de entulho, são promovidas ações de limpeza e conservação, contribuindo para a preservação da Lagoa de Piratininga e para a manutenção de um ambiente mais saudável para a população.

Wellington Silva, funcionário da Companhia de Limpeza de Niterói (Clin) há 11 anos, destacou a importância do trabalho que tem feito semanalmente na Lagoa de Piratininga, ressaltando que a ação vai além da limpeza do espaço.

“Todas as quartas-feiras realizamos uma ação de limpeza na orla da Lagoa de Piratininga, em parceria com a Secretaria de Ordem Pública, com o objetivo de conscientizar a população sobre a importância do descarte correto de resíduos. Durante essas operações, recolhemos, em média, cerca de 20 toneladas de resíduos descartados de forma irregular na região. Esse trabalho é fundamental não apenas para manter a cidade limpa, mas também para preservar o meio ambiente e a qualidade da lagoa”, destacou.

O Gecopav atua em três frentes principais: monitoramento das áreas de preservação para evitar invasões e desmatamentos; combate a construções irregulares com medidas judiciais e embargos; e implantação de marcos delimitadores em áreas protegidas.

A operação seguiu o que está previsto na Lei nº 2624/2008, que integra o Código de Posturas do município e estabelece diretrizes sobre convivência, ocupação do espaço público e preservação ambiental.

Foto: Bruno Eduardo Alves

Exposição sobre mineração no Vale do Jequitinhonha chega ao Rio de Janeiro

Mostra registra registra impacto da exploração do lítio no Brasil e os efeitos do processo sobre famílias da região

O Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular, unidade especial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (CNFCP/Iphan), no Catete (RJ), convida o público para a abertura da exposição “Zona de Sacrifício: do ouro ao pó”, no próximo dia 2 de julho, às 18h, na Galeria Mestre Vitalino, localizada na rua do Catete, 179. A exposição, da fotógrafa e documentarista mineira Isis Medeiros, exibe o impacto da exploração do lítio no Brasil por mineradoras brasileiras e multinacionais, bem como efeitos do processo sobre família e ecossistema da região, onde estão 85% das reservas no País.

“Zona de Sacrifício: do ouro ao pó” é um projeto autoral de longa duração, fomentado pelo Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia (17ª edição). No dia da abertura será exibido o documentário “Chico”, de Augusto Gomes e Isis Medeiros, sobre os impactos humanos, ambientais e afetivos desse novo ciclo extrativista. A partir da perspectiva de Chico do Poço das Antas, o filme registra os acontecimentos no Vale do Jequitinhonha, onde o lítio, mineral essencial na fabricação de baterias para carros elétricos, celulares e sistemas de armazenamento de energia, é explorado.

Para trazer a dimensão do panorama amplamente documentado na exposição “Zona de Sacrifício: do ouro ao pó”, dia 3 de julho, às 16h, ocorre a Roda de Confluências com a participação de Ana Carolina Nascimento (Antropóloga, coordenadora técnica de pesquisa e projetos especiais do CNFCP), Sandra Benites (Funarte) Chico (liderança comunitária de Piauí Poço Dantas, de Itinga – MG), Tatiana da Costa Sena (IFNMG) e Helena Taliberti (ICLT). A mediação é de Gabriela Sarmet (cosmopolíticas). Conhecido pela importante tradição de ceramistas, o Vale do Jequitinhonha está amplamente representado no acervo do Museu de Folclore Edison Carneiro. Por isso, algumas peças do museu fazem parte da mostra, conectando saberes da cultura popular ao contexto documental.

Zona de Sacrifício: do ouro ao pó

Propõe ampliar o debate público sobre o modelo de desenvolvimento baseado na extração intensiva. Questiona como a promessa de uma economia “verde” convive, na prática, com a degradação ambiental, a pressão sobre recursos hídricos e as ameaças aos modos de vida de comunidades rurais e tradicionais. O país ocupa atualmente o 6º lugar no ranking mundial de reservas do mineral, considerado estratégico para a transição energética global. “Nos últimos anos, tenho acompanhado de perto o avanço da mineração de lítio no Vale do Jequitinhonha, um território que aprendi a amar profundamente por sua cultura, pelas pessoas e pela força das comunidades que vivem ali”, analisa Isis Medeiros.

Ao documentar e atualizar a forma como atuam as mineradoras, a artista demonstra na exposição as inquietações de seu trabalho. “O que me inquieta é a forma dessa nova corrida mineral ser apresentada como parte de uma ‘transição energética verde’, enquanto no território o que aparece são poeira, explosões, pressão sobre a água e impactos diretos na vida das pessoas. Isso levanta perguntas inevitáveis: mineração sustentável para quem? Mineração verde para quem? Como falar em mineração verde quando ela deixa rastros tão visíveis de destruição ambiental e de ameaça aos modos de vida locais? Esta exposição nasce dessa inquietação e da necessidade de tornar visíveis histórias e conflitos que muitas vezes permanecem invisíveis para o restante do país”, define Isis Medeiros.

Segundo a curadora Carol Lopes, a prática fotográfica de Isis Medeiros “se constrói na criação de redes e no tempo partilhado”. “Esse gesto se materializa no encontro entre sua pesquisa, saberes cultivados pelos mais velhos e as vozes da juventude do Vale. Em suas fotografias, a paisagem se revela em camadas. À noite, o ruído das máquinas e a iluminação das mineradoras anunciam uma presença perturbadora. Durante o dia, emergem montanhas de rejeitos, crateras no solo e o pó que adoece e a proximidade entre a atividade e a vida cotidiana.

Entre luz e sombra, a exposição torna visíveis os saberes que sustentam o território e as marcas da transformação. As obras aproximam o público de uma cosmologia em que gente, bicho, água e terra são parte de uma mesma trama. ‘Zona de Sacrifício: do ouro ao pó’ desloca a discussão para além das falsas promessas de progresso. Entre explosões e fissuras na paisagem, o presente do Vale permanece em suspensão. O conjunto reunido na exposição atesta que, contra todas as forças que insistem em reduzi-lo a um recurso perecível, o Jequitinhonha pulsa resistência. Seu povo segue atravessando as contradições deste tempo e reafirmando seu direito de imaginar, narrar e decidir futuros possíveis.”

Sobre a autora

Isis Medeiros é fotógrafa documental, fotojornalista e realizadora audiovisual brasileira, com trajetória profundamente ligada aos movimentos sociais populares. Investiga violações de direitos humanos, crimes ambientais e os impactos de grandes empreendimentos sobre comunidades tradicionais e populações historicamente marginalizadas. Entrelaça arte, política e memória coletiva, as narrativas obtêm forte impacto social. É autora do fotolivro “15:30” (2020), leitura sensível do desastre-crime provocado pelo rompimento da barragem da Samarco/Vale-BHP em Mariana (MG). O trabalho integra os acervos do MASP, da Biblioteca Nacional da França (BnF) e do Instituto Moreira Salles (IMS). Idealizou a premiada série “Mulheres Cabulosas da História”, que lhe rendeu a Medalha Clara Zetkin.

Realização: Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP/Iphan)
Apoio: Instituto Federal Norte de Minas Gerais | Cáritas Diocesana Araçuaí | Instituto Camila e Luiz Taliberti | Movimento pela Soberania Popular na Mineração | Observatório da Mineração | cosmopolíticas | Associação de Amigos do Museu de Folclore Edison Carneiro | Artmosphere | Fundação Nacional de Artes
Serviço: Zona de Sacrifício: do ouro ao pó
Inauguração 2 de julho, às 18h | Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular – Rua do Catete, 179 | Galeria Mestre Vitalino – Museu de Folclore Edison Carneiro. Visitação: 2 de julho a 1º de novembro de 2026. Terça a sexta-feira, das 10h às 18h. Sábados, domingos e feriados, das 11h às 17h. Grátis

Programação complementar à exposição
– no dia da abertura: projeção do filme “Chico – 10” (fotografia de Augusto Gomes e Isis Medeiros)
– dia 3 de julho: 16h | Roda de Confluências com a participação de Ana Carolina Nascimento (CNFCP), Sandra Benites (Funarte) Chico (liderança comunitária de Piauí Poço Dantas, de Itinga – MG)), Tatiana da Costa Sena (IFNMG) e Helena Taliberti (ICLT) – Mediação: Gabriela Sarmet (cosmopolíticas)

Prefeitura de Niterói encerra Semana do Meio Ambiente com distribuição de 2.500 mudas e programação para toda a família

Evento no Campo de São Bento reuniu atividades educativas, feira orgânica, campanha de adoção de animais, exposições temáticas e apresentação musical

A Prefeitura de Niterói encerrou, neste sábado (6), a programação da Semana do Meio Ambiente com uma grande celebração no Campo de São Bento, em Icaraí. O evento reuniu educação ambiental, cultura, lazer e serviços gratuitos para a população, com atrações voltadas para todas as idades. Um dos destaques da programação foi a distribuição de 2.500 mudas de 90 espécies da Mata Atlântica. Ao longo do dia, o público também participou de atividades educativas, feira orgânica, campanha de adoção de animais, exposições temáticas e da apresentação musical da cantora Karina Pontes.

Promovido pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Sustentabilidade, o evento reuniu diferentes instituições e projetos ligados à preservação ambiental e ao bem-estar animal. Participaram da programação a Companhia de Limpeza de Niterói (Clin), a Coordenadoria Especial de Direitos dos Animais (Ceda), a Águas de Niterói e os projetos Uçá e Aruanã, que levaram ao público atividades educativas e ações de conscientização ambiental.

As mudas distribuídas durante o evento foram cultivadas no viveiro da Clin, na comunidade Boa Vista, espaço dedicado à produção de espécies nativas da Mata Atlântica. Além de levar espécies de plantas para casa, os participantes puderam conhecer mais sobre as espécies distribuídas e sobre o trabalho de restauração florestal desenvolvido no município.

“O objetivo desta ação é aproximar a população das questões ambientais e mostrar o trabalho que vem sendo desenvolvido na restauração florestal e na preservação do meio ambiente. Quando uma pessoa recebe uma muda e passa a cuidar dela, cria uma conexão com a natureza e desenvolve um olhar mais atento para a importância da conservação ambiental. Essa interação tem um grande valor educativo e fortalece a participação da comunidade nas ações de restauração e proteção do nosso patrimônio natural”, contou o engenheiro Florestal da Clin e gerente da Gerência de Educação Ambiental (Geam), Luiz Vicente.

Entre as opções de mudas disponibilizadas, a pimenta foi a escolha da manicure Gleisiane Dias da Silva, de 31 anos, que estava indo para o trabalho e aproveitou para levar a planta para casa.

“Eu gosto muito de plantas e achei muito boa essa iniciativa. Nem sempre as pessoas têm condições de comprar mudas, então a doação é sempre bem-vinda. É uma forma de incentivar o cultivo e aproximar mais gente da natureza”, afirmou Gleisiane.

Já a secretária Cecília Serrão, de 61 anos, moradora de Santa Rosa, aproveitou a ação para levar uma palmeira-leque para casa.

“Achei a iniciativa muito interessante porque incentiva as pessoas a cultivarem plantas e a terem mais contato com o meio ambiente. Eu pretendo plantar a minha muda em um vaso que tenho em casa”, explicou Cecília.

Políticas ambientais – Niterói tem consolidado uma série de políticas públicas voltadas à preservação ambiental, ao saneamento e à recuperação de ecossistemas. O município é o único da Região Metropolitana do Rio de Janeiro com mais de 53% do território preservado e também o único da região que não realiza despejo de esgoto na Baía de Guanabara.

A cidade conta ainda com 100% de abastecimento de água tratada e já alcançou 95,6% de tratamento de esgoto, com meta de atingir a universalização do serviço. Niterói também investe em soluções baseadas na natureza para recuperação ambiental e melhoria da qualidade dos corpos hídricos. Um dos principais exemplos é o Parque Orla Piratininga Alfredo Sirkis, que alia preservação ambiental, infraestrutura urbana e ações de despoluição de rios e lagoas.

Foto: Lucas Benevides

Dia Mundial do Meio Ambiente: comissão da Alerj fiscaliza denuncias de vazamento de chorume em rio que desagua na baía de Guanabara

Durante a diligência, o colegiado flagrou despejo irregular por equipamento inadequado e conduziu os responsáveis para prestar depoimento na Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente. A ação é o primeiro desdobramento do grupo de trabalho instalado para apurar a crise na gestão de chorume no Estado do Rio

Após receber denúncias de descartes ilegais de chorume em Gramacho, Duque de Caxias, e na Praia de Itaóca, em São Gonçalo, a Comissão de Defesa do Meio Ambiente (CDMA) da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) realizou visita técnica ao Aterro do Jardim Gramacho. A diligência teve o objetivo de identificar pontos de afloramento do líquido tóxico e avaliar a contaminação do Rio Sarapuí e da Baía de Guanabara. A ação aconteceu na última quarta-feira (03/06), em uma semana marcada por um símbolo importante: no dia 5 de junho, o mundo celebra o Dia Mundial do Meio Ambiente, data criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) e que reforça que saúde e meio ambiente são inseparáveis.

Durante a visita, foram coletadas amostras em locais críticos de afloramento de chorume para análise. O colegiado também flagrou um despejo irregular por equipamento inadequado e os responsáveis foram conduzidos para prestar depoimento na Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA). A ação reuniu representantes da Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade (Seas), do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), da Polícia Ambiental (CPAm), da Fiocruz, da Fundação Instituto de Pesca do Estado do Rio de Janeiro (Fiperj), da Comlurb e do Comitê de Bacia Hidrográfica da Baía de Guanabara (CBH-BG), além de lideranças da pesca, ativistas e pesquisadores.

A diligência é desdobramento direto de audiência pública realizada pela CDMA em maio deste ano sobre a crise na gestão de chorume no estado. Organizada pelo deputado Renato Machado (PT), vice-presidente do colegiado, a ação veio acompanhada de uma iniciativa legislativa: o parlamentar protocolou a Indicação Legislativa 660/26, que solicita ao Governador do Estado a adoção de diretrizes para a gestão adequada do líquido tóxico no Rio.

A proposta proíbe a diluição do chorume em estações de tratamento de esgoto, obriga a instalação de sistemas próprios de tratamento nos aterros, institui monitoramento em tempo real com dados públicos, determina rastreabilidade integral do resíduo da geração ao destino final e prevê exames epidemiológicos periódicos para as comunidades pesqueiras da Baía de Guanabara. O texto ainda cria um Grupo Técnico Permanente com participação de órgãos ambientais, Ministério Público, sociedade civil e pescadores.

Para Renato Machado, o problema vai além do meio ambiente e reflete diretamente na saúde da população fluminense. “O descarte incorreto de chorume não é só um problema ambiental. Ele afeta a saúde dos pescadores, dos trabalhadores da região e de todas as famílias que dependem dessas águas infectadas”, afirma o parlamentar.

As consequências da contaminação já chegaram às comunidades. Segundo o deputado Marcelo Dino (PL), que também participou da visita técnica, a Assembleia Legislativa reúne forças para que as ações tragam resultados e melhorias para todos os cidadãos.

Saúde dos pescadores prejudicada

Em ofícios enviados ao Inea e à Seas, o movimento Baía Viva denuncia a poluição das águas da Baía de Guanabara, dos manguezais e dos territórios pesqueiros, o adoecimento de pescadores artesanais e caranguejeiros, a extinção da biodiversidade marinha e os prejuízos socioeconômicos para as famílias da região.

Na audiência pública de maio, representantes de associações de pescadores relataram números elevados de profissionais que morreram de câncer ou tiveram que abandonar a atividade por doenças. “A omissão ceifa vidas. Sou nascido e criado em Duque de Caxias, pescador do Rio Sarapuí, e estou cansado dos danos graves para a nossa saúde”, afirma Gilsiney Lopes, presidente da Associação de Pesca de Caxias.

Lei sobre tratamento de chorume

A mobilização da CDMA se apoia em legislação que já existe na Casa. A Lei 9.055/20, de autoria do deputado Carlos Minc (PSB), tornou obrigatória a remediação de aterros sanitários encerrados e o controle, monitoramento e tratamento do chorume produzido em vazadouros e aterros controlados e sanitários. A norma também proíbe expressamente que a diluição do chorume em cursos d’água seja usada como forma de tratamento.

Exposição “Governança Ambiental”

No mês dedicado à conscientização sobre a preservação do meio ambiente, o Palácio Tiradentes, sede histórica da Assembleia Legislativa, recebe a exposição “Governança Ambiental”. A iniciativa, organizada pela Comissão de Meio Ambiente da Casa, é resultado da parceria entre diversos órgãos ambientais. A mostra será inaugurada no dia 16/06, das 13h às 17h, e a entrada será gratuita.

Projeto Aruanã inaugura exposição sobre a importância da proteção marinha na Baía de Guanabara, no Bay Market, em Niterói

Saiba mais em: https://www.nqq2050.niteroi.rj.gov.br

Até 19 de junho, o shopping Bay Market, ao lado do terminal das barcas, em Niterói (RJ), recebe uma exposição fotográfica promovida pelo Projeto Aruanã que traz imagens que revelam a biodiversidade e os desafios enfrentados na Baía de Guanabara. O evento contará com registros marcantes dos projetos que integram a Rede de Conservação Águas da Guanabara (REDAGUA), que reúne os projetos Aruanã, Cavalos-Marinhos, Coral Vivo, Guapiaçu, Meros do Brasil e UÇÁ e tem como objetivo principal sensibilizar o público para a importância
da conservação ambiental.

A escolha do período dialoga com duas datas importantes do calendário ambiental: a Semana Mundial do Meio Ambiente, celebrada entre os dias 5 e 9 de junho, e o Dia Mundial da Tartaruga Marinha, em 16 de junho. A iniciativa busca ampliar o alcance das ações de educação ambiental, aproximando o público urbano das questões relacionadas à proteção dos ecossistemas costeiros.

Sensibilização ambiental por meio da fotografia

A exposição do Projeto Aruanã, que conta com o patrocínio da Petrobras e do Governo Federal por meio do Programa Petrobras Socioambiental, apresenta imagens que mostram algumas espécies marinhas, ecossistemas e atividades de
pesquisa e conservação que são realizadas na Baía de Guanabara. A proposta é despertar o olhar do público para a riqueza ambiental da região e reforçar a importância de atitudes individuais e coletivas na preservação da biodiversidade. Criada em 2019, a REDAGUA reúne os projetos Aruanã, Cavalos-Marinhos, Coral Vivo, Guapiaçu, Meros do Brasil e UÇÁ, em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental. A rede atua na promoção da conservação da biodiversidade da Baía de Guanabara, por meio de ações integradas de pesquisa, educação, comunicação, inclusão social, restauração ambiental e prestação de serviços ecossistêmicos.

A presença da exposição em um espaço de grande circulação como o Bay Market reforça a importância de levar a pauta ambiental para além dos espaços acadêmicos e institucionais, promovendo o engajamento da sociedade de forma acessível e direta.

Sobre o Projeto Aruanã

O Projeto Aruanã dedica-se à conservação das tartarugas marinhas no estado do Rio de Janeiro, com foco na Baía de Guanabara. Por meio da realização de pesquisas científicas e ações de educação ambiental e sensibilização social, o projeto promove a participação da sociedade civil na proteção dos ambientes marinhos costeiros. Desde sua origem, busca atuar de forma colaborativa, em parceria com pescadores e diversas instituições para a promoção de ações
decisivas no fomento de políticas públicas. Em 2022, o Projeto Aruanã passou a contar com o patrocínio da Petrobras e do Governo Federal, através do Programa Petrobras Socioambiental, e em 2024 passou a contar também com a parceria do Aquário Marinho do Rio de Janeiro.

Niterói entrega Plano de Manejo da APA dos Morros da Guanabara e marca novo capítulo na proteção ambiental da cidade

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Documento consolida diretrizes para a gestão de 529 hectares de Mata Atlântica urbana e recursos hídricos estratégicos; iniciativa é fruto de parceria entre Prefeitura, CBH-BG e AGEVAP

A Prefeitura de Niterói, em parceria com o Comitê de Bacia Hidrográfica da Baía de Guanabara (CBH-BG) e a Associação Pró-Gestão das Águas da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul (AGEVAP), entregou o Plano de Manejo da Área de Proteção Ambiental (APA) dos Morros da Guanabara, consolidando um marco histórico para a política ambiental do município. O documento estabelece diretrizes técnicas, legais e participativas para a gestão da unidade de conservação pelos próximos dez anos.

Criada em 2014 e requalificada em 2022, a APA dos Morros da Guanabara abrange 529,87 hectares de Mata Atlântica urbana e áreas estratégicas para a preservação de recursos hídricos, proteção de encostas e manutenção da biodiversidade da região. O plano é resultado de um processo participativo iniciado em agosto de 2025, com oficinas e debates envolvendo moradores, especialistas, órgãos públicos e representantes da sociedade civil.

O secretário municipal de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Sustentabilidade, Gabriel Velasco, destacou a importância do documento para o futuro da cidade.

“O Plano de Manejo da APA dos Morros da Guanabara é a concretização de um compromisso com as gerações futuras de Niterói. Produzimos um instrumento técnico e participativo que define com clareza como proteger os morros da região Norte da cidade, que abastecem nossos rios, preservam nossas encostas e garantem qualidade de vida para dezenas de milhares de moradores”, afirmou o secretário.

O documento divide a APA em quatro zonas com diferentes regras de uso e ocupação, estabelecendo níveis de preservação, controle urbano e incentivo ao uso sustentável do território. O plano também prevê cinco programas estratégicos voltados à gestão da unidade, educação ambiental, conservação da fauna e flora, recuperação de áreas degradadas e fortalecimento da governança participativa.

Para o geógrafo da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Sustentabilidade, Thiago Leal, o plano reforça o papel da APA dentro de uma lógica ambiental integrada em escala metropolitana.

“O que ficou evidente ao longo desse trabalho é que a APA dos Morros da Guanabara não é uma ilha verde isolada, ela é parte de um sistema ecológico que conecta Niterói a São Gonçalo, sendo de grande relevância para a Região Metropolitana. O zoneamento e os programas de gestão que construímos, com a participação da comunidade, criam as bases para que essa conectividade seja preservada e ampliada. É um plano que enxerga o território com a complexidade que ele merece”, explicou.

Um dos pontos estratégicos do plano é justamente a integração da APA ao chamado “Mosaico Leste”, corredor ecológico que conecta unidades de conservação de Niterói, São Gonçalo e Maricá, fortalecendo a preservação ambiental na Região Metropolitana.

O trabalho integra um programa regional de elaboração de planos de manejo para unidades de conservação municipais em sete cidades do estado do Rio de Janeiro. O especialista em Recursos Hídricos da AGEVAP, Gabriel Macedo, ressaltou o caráter colaborativo e técnico do processo.

“Na minha visão, foi um processo enriquecedor, tanto em nível técnico quanto institucional, na medida em que pudemos identificar as nuances administrativas e técnicas entre cada prefeitura e unidade de conservação. Foi muito gratificante ver o empenho, o interesse e a participação efetiva das partes envolvidas no processo e saber que o plano de uso e ocupação do solo da APA, que orienta e propõe ações para o local, será executado por pessoas comprometidas e competentes”, destacou.

O Plano de Manejo prevê ainda um sistema de monitoramento anual, com metas e indicadores para acompanhar a implementação das ações ao longo da próxima década. Para os cerca de 60 mil moradores do entorno da APA, o documento representa um avanço importante para a proteção ambiental, a redução de riscos em encostas e a preservação de nascentes e áreas verdes da cidade.

Foto: Luciana Carneiro

Prefeitura de Niterói realiza ação de recuperação ambiental no Parque Natural Municipal Morro do Morcego

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Iniciativa visa restaurar área degradada com o plantio de 300 mudas de espécies nativas da Mata Atlântica

A Prefeitura de Niterói realizou uma ação de recuperação ambiental no Parque Natural Municipal Dora Hees de Negreiros – Morro do Morcego, em Jurujuba, por meio de uma parceria entre a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Sustentabilidade (SMARHS) e a Companhia de Limpeza de Niterói (Clin). A iniciativa teve como objetivo restaurar uma área degradada com o plantio de 300 mudas de espécies nativas da Mata Atlântica.

“O plantio de 300 mudas nativas da Mata Atlântica no parque representa um avanço na restauração ecológica, fortalecendo a biodiversidade e os serviços ambientais da região. Além da recomposição vegetal, o manejo de espécies invasoras contribui para o equilíbrio ecológico e a proteção dos recursos naturais. A iniciativa também reforça o compromisso de Niterói com a educação ambiental e a preservação dos ecossistemas nativos para as futuras gerações”, afirmou o secretário de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Sustentabilidade, Gabriel Velasco.

Ao todo, foram utilizadas 200 mudas de restinga e 100 de floresta ombrófila, contribuindo para o fortalecimento da biodiversidade e para a melhoria das condições ambientais da região. Entre as espécies plantadas estão a Azeitona-da-praia (Ximenia americana), Fruta-do-pombo (Erythroxylum ovalifolium), Araçá (Psidium cattleyanum), Pau-jangada (Apeiba tibourbou), Aroeira (Schinus terebinthifolia), Erva-baleeira (Varronia curassavica), Canudo-de-pita (Mandevilla funiformis), Capororoca-de-folha-larga (Myrsine coriacea), Rabo-de-bugio (Dalbergia ecastaphyllum), Maria-mole (Guapira opposita) e Jurema (Chloroleucon tortum). Também foram introduzidas espécies de floresta ombrófila, como pau-brasil, jacarandá-caroba, pitanga, ingá-branco e grumixama.

Os trabalhos incluíram ainda serviços de limpeza e preparo do solo, além do controle de espécies exóticas invasoras, como amendoeira, leucena e capim-colonião, que prejudicam a regeneração da vegetação nativa e o equilíbrio ecológico da área.

“Nossa equipe desenvolve ações voltadas ao planejamento e à coordenação de projetos ambientais, além de apoiar iniciativas ligadas ao tema. Entre as atividades realizadas estão cursos, palestras e oficinas sobre fitoterápicos, produção de mudas, reciclagem de nutrientes e compostagem. Também promovemos ações educativas e de preservação ambiental, como o plantio de mudas em áreas de restinga no Parque Dora Hees”, explicou o engenheiro florestal e responsável pela Gerência de Educação Ambiental (GEAM) da Clin, Luiz Vicente.

A ação busca estimular a recomposição da cobertura vegetal, reduzir processos erosivos, favorecer a infiltração de água no solo e criar condições para o retorno gradual da fauna silvestre. A atividade também reforçou a importância da educação ambiental e da preservação dos ecossistemas, reunindo representantes da SMARHS, da Clin, voluntários do Parque do Morro do Morcego e alunos da Escola Municipal Lúcia Maria em atividades de plantio e conscientização ambiental.

“A ação de recuperação ambiental no parque fortalece a biodiversidade local e contribui para a restauração da Mata Atlântica, promovendo mais equilíbrio ecológico, proteção do solo e conscientização ambiental para a população”, destacou o geógrafo da Secretaria de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Sustentabilidade, Thiago Leal.