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Prefeitura de Niterói conquista Prêmio IAB 2025 com projeto de revitalização da orla do Centro
Premiação coloca a cidade na vanguarda nacional do planejamento urbano
A cidade de Niterói acaba de ser reconhecida nacionalmente por uma das mais importantes instituições de arquitetura e urbanismo do país. O projeto “Revitalização da Orla do Centro de Niterói” foi o vencedor da categoria Urbanismo e Infraestrutura Verde da 63ª Premiação Anual do Instituto de Arquitetos do Brasil, cujo resultado foi anunciado em cerimônia na sede do IAB-RJ, no Rio de Janeiro, nesta quinta-feira (11/12).
O prêmio, um dos mais tradicionais do setor, destaca os projetos que mais contribuem para a qualificação das cidades brasileiras. O projeto niteroiense foi reconhecido por sua capacidade de transformar a principal frente marítima da cidade, propondo um novo paradigma urbano para a Região Metropolitana, com foco em sustentabilidade e inclusão social.
“Ser premiado pelo Instituto de Arquitetos do Brasil, uma das instituições mais respeitadas do setor, reafirma Niterói como referência nacional em planejamento urbano contemporâneo. A orla revitalizada é um legado que deixaremos para as próximas gerações. Ao priorizar pedestres, ciclistas e o transporte coletivo, e ao integrar habitação e equipamentos culturais, estamos construindo a Niterói do futuro: uma cidade mais integrada, viva e com oportunidades para todos”, declarou o prefeito Rodrigo Neves.
O projeto conecta o Caminho Niemeyer, a Praça Arariboia e o Parque Esportivo Municipal, conformando um novo parque linear costeiro. O conjunto de intervenções devolveu à cidade toda a beleza da paisagem da Baía de Guanabara e reconfigurou uma área que estava degradada, trazendo mais segurança, qualidade de vida, e estimulando a ocupação habitacional sustentável no entorno dos terminais de ônibus e barcas. Até a estátua do cacique Arariboia, fundador da cidade, foi reposicionada a 100 metros de distância do local antigo para ficar com a vista livre para o mar.
“O projeto recupera a relação com a paisagem cultural da baía, restabelece percursos visuais, amplia a vivência pública e devolve aos habitantes o protagonismo sobre um dos espaços mais emblemáticos da cidade”, destacou o secretário de Mobilidade e Infraestrutura, Renato Barandier, que representou a Prefeitura na premiação.
O Prêmio IAB 2025 se junta a vários outros conquistados pela cidade ao longo do ano, como:
- Connected Smart Cities 2025: 1º lugar na categoria “Soluções” com o Pacto Contra a Violência e o CISP, consolidando-se em segurança e tecnologia.
- Casos de Sucesso em Saneamento Básico: 1º lugar no RJ e 3º no Brasil ranking promovido pelo Instituto Trata Brasil e pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), com 100% de água tratada e quase 96% de rede de esgoto,
- Prêmio Band Cidades Excelentes 2025: Niterói foi premiada nas categorias de Desenvolvimento Socioeconômico e Ordem Pública, reconhecida pelo bom desempenho geral e índices elevados.
- Prêmio InovaCidade 2025: A cidade foi reconhecida por iniciativas como o programa de integridade “Previne” e um projeto de monitoramento de drenagem com robótica.
- Prêmio Profissionais da Música 2025: O Programa Aprendiz Musical foi reconhecido, evidenciando o investimento na cultura e formação de jovens.
As premiações refletem um esforço contínuo da Prefeitura em diversas áreas, com impacto direto na qualidade de vida dos moradores.
Desembargador Claudio de Mello Tavares é o novo presidente do TRE-RJ
Em sessão solene realizada nesta terça-feira (16), no Plenário Ministro Waldemar Zveiter, do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), no Centro do Rio, o desembargador Claudio de Mello Tavares tomou posse como presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ). Eleito por aclamação, o magistrado estará à frente da Justiça Eleitoral do Rio de Janeiro até março de 2027. Durante o período, o novo presidente conduzirá a preparação e a realização das Eleições 2026 em todo o estado.
Em seu discurso, o magistrado destacou o compromisso firme de combater qualquer influência do crime organizado no processo eleitoral. “Não haverá espaço para candidaturas patrocinadas pelo crime organizado. O voto popular é sagrado, não pode ser comprado, coagido, manipulado e distorcido por armas ou por dinheiro ilícito”, declarou. O desembargador Claudio Mello destacou que organizações criminosas querem dominar territórios políticos e escolher representantes do povo. “Isso não acontecerá sob a minha presidência”, garantiu.
Para enfrentar essa ameaça, o novo presidente do TRE-RJ anunciou coalizão reunindo instituições como Ministério Público Federal, Ministério Público do Rio de Janeiro, Polícia Federal, Polícia Civil, Polícia Militar e a Justiça Eleitoral, para identificar e impedir candidaturas ligadas ao crime, enfatizando o compromisso de indeferir registros de candidaturas que se revelem vinculados a organizações criminosas ou milícias. “Tudo sempre será feito com base na lei e no devido processo legal, mas também com coragem institucional”, afirmou.
O combate à desinformação também foi destacado como prioridade. “Vivemos tempos em que uma mentira bem construída pode dar a volta ao mundo antes que a verdade tenha tempo de sair de casa”, alertou. Claudio Mello anunciou ainda a criação de um grupo especializado para combater crimes cibernéticos eleitorais e o mapeamento de locais de votação sujeitos a interferências externas. “Onde houver risco, mudaremos o local de votação. A urna eletrônica é segura. Mas o entorno dela precisa ser igualmente seguro”, declarou.
O desembargador reafirmou que o voto livre é a própria democracia e incentivou cidadãos a realizarem o cadastramento biométrico. Atualmente, cerca de 2,5 milhões de eleitores fluminenses ainda não fizeram a coleta das digitais nas Zonas Eleitorais e Centrais de Atendimento ao Eleitor, o que precisa ser feito até o dia 6 de maio de 2026.
NOVO VICE-PRESIDENTE E CORREGEDOR
Na solenidade, o desembargador Fernando Cerqueira Chagas tomou posse como membro do TRE-RJ e assumiu a Vice-Presidência e Corregedoria Regional Eleitoral. “A Justiça Eleitoral exerce o mais importante dos direitos republicanos: o direito de cada cidadão expressar livremente a sua vontade por meio do voto”, afirmou. O magistrado ressaltou que “a responsabilidade do cargo impõe a busca da prestação de serviço público eficiente, acessível e confiável” e anunciou que a Corregedoria trabalhará com base em cinco eixos estratégicos de gestão: excelência no atendimento ao eleitor, governança operacional das zonas eleitorais, segurança do processo eleitoral, integração institucional e formação de magistrados e servidores.
Sobre a preparação para as Eleições 2026, o novo corregedor enfatizou o enfrentamento das narrativas falsas e a prevenção de interferências ou ações criminosas, especialmente em áreas de risco, além do estabelecimento de diálogo com as instituições participantes do processo eleitoral e comunicação direta e transparente com governo, partidos, candidatos e sociedade, como as principais diretrizes. “Não existe propósito maior do que a proteção da soberania popular”, concluiu.
Deputados apresentam 34 emendas ao projeto do governo para o Estado aderir ao Propag
A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) começou a debater, nesta terça-feira (16/12), o Projeto de Lei 6.932/25, de autoria do Executivo, que autoriza o Estado do Rio a aderir ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), instituído pela Lei Complementar Federal 212/25. Os deputados apresentaram, em plenário, 34 emendas parlamentares ao texto, que retornará à pauta e será votado na próxima quinta-feira (18/12).
A norma permite que o Rio firme novos contratos ou aditivos de refinanciamento de débitos com a União. Ao adotar o Propag, os juros da dívida com a União poderão ser zerados. A dívida pública estadual atualmente é de cerca de R$ 225 bilhões, dos quais R$ 193 bilhões são com a União. Um dos decanos da Alerj, o deputado Luiz Paulo (PSD) afirmou que a adesão ao Propag possibilitará que o Estado tenha fôlego financeiro até a Reforma Tributária entrar em vigor, em 2033.
“O Propag é uma luz no fim do túnel para que a gente possa chegar a 1º de janeiro de 2033, quando for implementada, na sua amplitude, a Reforma Tributária. Se continuássemos no Regime de Recuperação Fiscal, não chegaríamos lá. Com a reforma, está sendo criado o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que será tributado no destino e, com isso, o Rio deixará de perder R$ 22 bilhões em incentivos fiscais”, afirmou o parlamentar.
A deputada Marina do MST (PT) foi mais uma parlamentar a se posicionar favoravelmente à adesão do Propag. Ela salientou que a medida poderá prevenir que o Estado entre em uma nova crise econômica, como aconteceu entre 2015 e 2017. “Aprovar este projeto é uma medida de responsabilidade histórica. É impedir que o Estado permaneça em um ciclo de calamidade fiscal que penaliza, sobretudo, os trabalhadores, os servidores, além dos fornecedores e a população mais vulnerável, que depende do Estado para acessar direitos básicos”, disse.
Entenda a proposta
A adesão ao programa, de acordo com a lei federal, deve ocorrer até o fim deste ano. A previsão do Executivo para 2026 é de um déficit na ordem de R$ 18,93 bilhões. Esse valor poderá ser diminuído substancialmente com a adesão ao Propag. Luiz Paulo prevê que o Propag poderá reduzir o déficit fiscal do ano que vem em até R$ 8 bilhões. Essa estimativa já é baseada na derrubada de vetos do Governo Federal feita pelo Congresso Nacional no início de dezembro. Atualmente, sem as regras do Propag, o Estado do Rio teria que pagar R$ 12,33 bilhões de serviço da dívida no ano que vem.
Na justificativa do projeto, o governo diz que a adesão ao Propag representa a alternativa mais viável e responsável para que o Estado consiga reequilibrar suas contas e criar espaço fiscal para honrar compromissos essenciais. “A medida permitirá o parcelamento e o alongamento do pagamento da dívida, a redução do custo financeiro e o acesso a condições mais favoráveis, preservando o fluxo de caixa necessário ao custeio e aos investimentos públicos”, pontuou.
A adesão ao Propag não implicará desligamento do Estado do Programa de Acompanhamento e Transparência Fiscal nem do Programa de Reestruturação e Ajuste Fiscal, ambos instituídos pela Lei Complementar 178/21. O projeto também proíbe a contratação de novas operações de crédito para pagar as parcelas refinanciadas no âmbito do Propag.
Regras fiscais e limites de despesas
O projeto estabelece ainda que, em até 12 meses após a assinatura do contrato de adesão ao Propag, o Executivo, o Legislativo, o Judiciário, o Ministério Público, a Defensoria Pública e o Tribunal de Contas do Estado limitem o crescimento de suas despesas primárias à variação do IPCA, acrescida de percentuais que variam conforme o desempenho da receita primária estadual, entre 0% e 70%. Esse controle é uma das condições de adesão ao Programa.
No entanto, determinadas despesas, consideradas essenciais, obrigatórias ou vinculadas a receitas específicas, ficam excluídas desse limite, como gastos com saúde e educação, ambos respeitando o mínimo constitucional de 12% e 25%, respectivamente, despesas custeadas por fundos específicos e repasses constitucionais aos municípios, além de gastos pagos com recursos de indenizações judiciais.
O texto autoriza o Estado a solicitar o encerramento do Regime de Recuperação Fiscal (RRF), vigente desde 2017, conforme prevê a Lei Complementar Federal 159/17. A efetivação desse pedido, no entanto, depende da assinatura do aditivo contratual previsto na Lei Complementar 212/25 e da implementação gradativa das novas condições de pagamento da dívida.
A poesia que bate o ponto: livro de estreia de Caio Martim expõe a tensão entre trabalho corporativo e criação poética em “dia útil”
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Obra publicada pela editora Mondru apresenta um eu-lírico diluído entre planilhas e versos, explorando a erosão dos sonhos e a resistência da arte no cotidiano do trabalho |
Caio Martim, turismólogo e poeta nascido em Cajamar (SP), lança seu primeiro livro, “dia útil”, pela editora Mondru. A obra costura as experiências de um eu-lírico múltiplo, capturado na simbiose entre a rotina corporativa e a pulsão criativa. O livro é estruturado como um vira-vira, sem começo ou fim fixos, permitindo que o leitor adentre por dois lados – “corpo_ativo” ou “poemática” – e vivencie a mesma tensão central de perspectivas diferentes.
Nascido da crise identitária e do isolamento vividos durante a pandemia, enquanto atuava no setor do turismo, “dia útil” é um registro íntimo do conflito entre a necessidade de ser produtivo e o desejo de criar. “O livro nasceu desse processo de entender qual é o meio termo entre esses dois polos”, explica Caio. “O que significa ser artista enquanto preciso trabalhar para pagar as contas, e de como minha cabeça oscilou: às vezes conformado, outras vezes revoltado.” Essa oscilação é traduzida em uma linguagem que vai de fórmulas de Excel a sonetos, passando por listas, cartas formais e poemas visuais.
Os temas centrais perpassam a tensão entre trabalho e arte, produtividade e subjetividade, o grito e o silêncio. O autor reflete sobre a exaustão que se contrapõe à autocontenção e a tentativa de reencontrar uma identidade que parecia perdida nas engrenagens do “dia útil”. Fragmentos do livro, como “sombra-problema / de um dia sem-sol, sem-lua” ou “a preço de / maçã- / -da-cara”, ilustram esse hibridismo e a busca por significado no meio do caos cotidiano.
Segundo o autor, ele encontrou na poesia o formato mais honesto para expressar seu conflito. “Eu precisava de um gênero que comportasse contradição, interrupção, cansaço, respiro. E a poesia permite justamente essa síntese entre fragmento e intensidade”, comenta. Influências literárias como Rosa Montero e Ferreira Gullar são perceptíveis na maneira como o autor transforma o cotidiano e o processo criativo em matéria literária.
Mais do que um livro de poesia, “dia útil” é um manifesto sobre a vulnerabilidade e a legitimidade do conflito interno. “A obra também comunica que existe valor no conflito: a tensão entre ser artista e ser trabalhador, entre querer criar e precisar cumprir demandas, não é um erro, mas um território legítimo de existência”, analisa. Para ele, a obra representa um ponto de virada: “Ele marca o momento em que finalmente me permiti assumir a escrita como parte essencial de quem eu sou, e não como um passatempo secundário”.
A trajetória de Caio, da infância em Cajamar à formação em Lazer e Turismo pela USP, passando por sua atuação profissional no turismo, é um pano de fundo essencial para compreender as camadas do livro. A experiência da mobilidade social e da insegurança profissional ecoa nos versos, discutindo o valor da arte em um mundo obcecado por utilidade e resultados. “Sempre soou distante, quase proibido para alguém com a trajetória que eu tive”, reflete sobre o lugar do artista.
Com um estilo que define como “conciso, observacional e ancorado no cotidiano”, Caio convida o leitor a enxergar a poesia que habita os intervalos do expediente, as frestas das planilhas e o silêncio ensurdecedor da rotina. “dia útil” é um testemunho potente de que arte e trabalho não são dimensões opostas, mas realidades que se atravessam, se contaminam e, muitas vezes, se sustentam, mesmo sob tensão.
Sobre o autor
Caio Martim é turismólogo e poeta, nascido em Cajamar (SP) e atualmente vivendo em Taubaté. Formado em Lazer e Turismo pela Universidade de São Paulo, sempre atuou na área do turismo, dividindo a rotina corporativa com a escrita. Começou a escrever ainda na infância e, durante a pandemia, aproximou-se definitivamente da poesia, encontrando nela um espaço de expressão direta e íntima. “dia útil” é seu livro de estreia.
Adquira o livro “dia útil” pelo site da editora Mondru:
https://mondru.com/produto/
FICHA TÉCNICA
Livro: “dia útil”
Autora: Caio Martim
Número de páginas: a confirmar
ISBN: ainda não tem
Gênero: Poesia
Editora: Mondru
Ano: 2025
Mais de um milhão de pessoas foram afetadas por conflitos de mineração no Brasil em 2024
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Os embates por terra e por água continuaram entre os mais recorrentes: 57% e 32% ocorrências, respectivamente |
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O Relatório de Conflitos da Mineração de 2024, lançado no final deste ano, apresenta os principais resultados do monitoramento dos embates minerários no Brasil referente ao último ano. Entre os dados de destaque, é possível apontar a média de 2,4 conflitos registrados por dia em 2024. O levantamento identificou 875 ocorrências de conflito em 736 localidades, distribuídas por todos os estados do país, com exceção do Distrito Federal. Ao menos um milhão e 57 mil pessoas foram afetadas.
De acordo com o professor de Geografia da Universidade Federal Fluminense (UFF) e coordenador da pesquisa, Luiz Jardim Wanderley, apesar do alto índice, o número de afetados foi, aproximadamente, duas vezes menor, no comparativo com 2023. Em contrapartida, houve ampliação espacial dos conflitos: 329 novas localidades foram registradas, o que corresponde a 44,7% do total de áreas registradas.
Além disso, dos 26 estados com registros, os que mais concentraram ocorrências foram Minas Gerais (35,2%), Pará (17,8%), Bahia e Alagoas (6,9%). Minas Gerais também liderou o número de pessoas atingidas (77%), seguido por Pará (8%) e Alagoas (6,5%).
Grupos afetados
Já no tocante às principais categorias sociais atingidas pela mineração, o relatório, produzido pelo Observatório dos Conflitos da Mineração no Brasil, apontou os pequenos proprietários rurais (13,3%), indígenas (12,3%), população urbana (10,6%) e trabalhadores (8,7%). Nesse cenário, ao menos 87.129 indígenas estiveram envolvidos em 108 ocorrências de conflitos em 69 áreas, sendo 51,9% deles contra garimpeiros, 32,4% com alguma mineradora internacional, com ênfase para a Potássio do Brasil, Hydro e SIGMA.
Os quilombolas também se destacam entre os que mais sofreram com a mineração: 48 registros em 41 localidades, englobando ao menos 18.760 pessoas. As principais empresas envolvidas nos conflitos são Hydro (18,2%), Aura Minerals (13,6%) e Sigma Mineração (9,1%). As ocorrências com populações tradicionais nesse contexto somam 245 em 134 localidades, com o envolvimento de ao menos 136.789 pessoas, no Pará (50%), Espírito Santo (16,7%) e Amazonas (9,1%).
O coordenador revela que o estudo se dedicou a analisar também os biomas com maior registro de ocorrências. O primeiro lugar foi ocupado pela Mata Atlântica (46%), seguido da Amazônia (32%), Cerrado (11%) e Caatinga (9%).
Índice de reações
Foram mapeadas, ao longo do último ano, 168 reações diretas às violações, com destaque para Minas Gerais (73), Pará (16) e Alagoas (14). Maceió registrou 13 ocorrências relacionadas à reação, seguida por Belo Horizonte (12). As categorias com mais ações de resistência foram as Indígenas, com 29 ocorrências, pequenos proprietários rurais (25), população urbana (25), atingidos (22) e quilombolas (21).
Entre os casos de violências extremas, o levantamento apontou para: invasões (101); intimidação (58); morte de trabalhadores (32 ocorrências); ameaça de morte (19); trabalho escravo (19); expulsões (14); assédio (13); violência armada (9); criminalização (5); agressão (3); violência física (2); sequestro (1); e tentativa de assassinato (1).
As mineradoras
As maiores violadoras entre as 150 empresas mapeadas foram a Vale S.A. e a Samarco-Vale-BHP, com 96 ocorrências cada, seguidas pela Braskem (43), Hydro (36), Belo Sun Mining Ltda (20), Companhia Baiana de Pesquisa Mineral (17), Anglo American (16), Companhia Siderúrgica Nacional (16), Mineração Vale Verde (12) e SIGMA (12). Somando a Vale S. A. e sua subsidiária Samarco-Vale-BHP, o valor chega a 22% de todas as ocorrências em 2024 provocadas pela transnacional brasileira. Entre as estrangeiras, as australianas lideram em número de violações – 12% de todos os conflitos – seguidas pelas canadenses (6,7%) e pelas norueguesas (4,2%).
A extração ilegal de minério, em particular os garimpos, gerou 212 ocorrências em 155 localidades de 18 estados, o que equivale a 24,2% das ocorrências de 2024, quase ¼ do total. Os estados que se destacaram foram Pará (26,89%), Mato Grosso (15,57%), Amazonas (13,68%), Minas Gerais (10,38%) e Rondônia (6,60%). Além disso, os indígenas foram o primeiro grupo social mais violado por essa atividade, correspondendo a 57,5% das ocorrências ligadas à extração ilegal.
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Prefeitura de Niterói investe R$ 2 milhões na economia solidária da cidade
Edital de fomento contemplou 30 coletivos que trabalham em segmentos como artesanato, pesca artesanal, costura, alimentação, reciclagem e agricultura urbana
No Dia Nacional da Economia Solidária, celebrado em 15 de dezembro, a Prefeitura de Niterói, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social e Economia Solidária, realizou a cerimônia de entrega dos cheques aos coletivos contemplados pelo 3º Edital de Fomento à Economia Solidária de Niterói. A iniciativa tem como objetivo fortalecer coletivos produtivos, cooperativas e empreendimentos solidários da cidade. O valor investido nessa etapa foi de R$ 2 milhões para beneficiar mais de 150 pessoas em áreas como artesanato, pesca artesanal, costura, alimentação, reciclagem e agricultura urbana.
Com esta nova edição, o município alcança a marca de R$ 6 milhões investidos diretamente no fortalecimento da economia solidária local, beneficiando associações, cooperativas, redes e empreendimentos populares.
O prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, destacou o papel estratégico da economia solidária no desenvolvimento social e econômico da cidade, ressaltando o trabalho coletivo da administração municipal, o fortalecimento dos empreendimentos solidários e o compromisso histórico do governo com políticas públicas voltadas à inclusão, geração de renda e justiça social. Durante o encontro, o prefeito também anunciou novos investimentos.
“É uma alegria estar aqui com vocês, com as lideranças e com uma equipe que faz da gestão pública um verdadeiro trabalho coletivo. Quero reconhecer o trabalho transformador dos empreendimentos e dos movimentos da economia solidária, que têm compromisso com os coletivos e ajudam a mudar a realidade da nossa cidade. Mandei o projeto criando a lei da economia solidária de Niterói. No ano que vem, vamos ampliar ainda mais esse apoio, com um edital ainda maior. Também quero anunciar que a Casa da Economia Solidária será desapropriada e passará a ser definitivamente do povo, da Prefeitura e da economia solidária. Vamos fazer um governo ainda melhor e ninguém segura Niterói, ninguém segura a economia solidária”, afirmou o prefeito Rodrigo Neves.
O encontro foi um momento de celebração e reafirmação do compromisso de Niterói com políticas públicas voltadas à inclusão produtiva, geração de renda e fortalecimento dos movimentos sociais. Para o secretário de Assistência Social e Economia Solidária, Elton Teixeira, os resultados são frutos do diálogo permanente com a sociedade civil, da escuta ativa dos coletivos e de uma decisão política de tratar a economia solidária como prioridade.
“Hoje é um dia simbólico para o Brasil e para Niterói. Ao longo dos últimos anos, avançamos muito ao atender as demandas do movimento social e trazer a economia solidária para o centro do orçamento público, transformando-a, de fato, em política pública. Instituímos o marco regulatório, ampliamos as feiras, criamos a moeda social Arariboia — o maior programa de economia solidária do país —, fortalecemos os espaços de comercialização e implementamos um modelo inovador de fomento que nasceu da escuta ativa do Fórum de Economia Solidária. Isso mostra que é possível construir políticas públicas eficazes quando o poder público caminha junto com a sociedade”, explicou Elton Teixeira.
O modelo utilizado em Niterói, em vez do microcrédito tradicional, é de um fomento a fundo não reembolsável, que garante autonomia para que os coletivos utilizem os recursos de acordo com suas próprias necessidades (formação, formalização ou aquisição de equipamentos).
O fomento tem como objetivos estimular a geração de trabalho e renda, fortalecer iniciativas autogestionárias e ampliar as condições de produção e comercialização justa em Niterói. Os empreendimentos apoiados são cadastrados na Casa Paul Singer e organizados no âmbito do Fórum Municipal de Economia Solidária.
O edital de fomento à economia solidária tem contribuído para transformar a realidade de comunidades tradicionais em Niterói, oferecendo alternativas de geração de renda e fortalecendo iniciativas sustentáveis. Um dos exemplos é a Associação de Pescadores Amigos da Lagoa de Piratininga (APALAP), que foi contemplada pela segunda vez e tem utilizado os recursos para estruturar o turismo de base comunitária como complemento à atividade pesqueira.
“Essa é a segunda vez que a associação é contemplada. Para nós, isso é muito importante. Na primeira vez, investimos no turismo de base comunitária: compramos um barco e um motor para poder trabalhar na Lagoa de Piratininga. Isso fez muita diferença na vida dos pescadores. O turismo ajudou a garantir um retorno financeiro para os pescadores quando não era possível tirar o sustento da pesca. Agora, nesse segundo edital, vamos investir na melhoria dos barcos, com a instalação de capotas, para dar mais conforto aos visitantes e ampliar o turismo, mostrando a beleza natural da lagoa. Hoje, temos cerca de 70 a 80 pescadores envolvidos e queremos ampliar esse cadastro, sempre com o objetivo de garantir um trabalho digno e sustentável para todos”, explicou Luiz Mendonça, presidente da associação.
A economia solidária em Niterói tem se consolidado como uma política pública estruturante, com resultados expressivos na geração de renda, no fortalecimento da economia local e na redução das desigualdades sociais. O crescimento do movimento é fruto da articulação entre produtores locais, universidades, incubadoras e o poder público, formando uma rede de cooperação que transforma realidades e projeta a cidade como referência nacional e internacional no setor.
Para Maria Jurgleide de Castro Oliveira (Jujuca), artesã, ativista e membro da executiva do Fórum de Economia Solidária de Niterói (FES-NIT), os avanços demonstram que o modelo vai além de um nicho econômico e se consolida como um verdadeiro motor do desenvolvimento sustentável.
“É uma honra falar em nome de um movimento que transforma vidas e o futuro de Niterói. A economia solidária cresce a cada dia e é construída a partir de um tripé fundamental: os produtores locais, as universidades e incubadoras, e o poder público. Hoje somos mais de três mil empreendimentos cadastrados. Antes da pandemia éramos cerca de 200. Somente neste ano, ultrapassamos dois milhões de reais em vendas nas feiras, com recursos que circulam na cidade e fortalecem pequenos produtores. Tenho certeza que iremos avançar ainda mais na redução das desigualdades e no fortalecimento dessa política pública que já é referência para o Brasil e para o mundo”, destacou Jujuca.
O encontro contou com a participação da deputada estadual Verônica Lima, das secretárias da Mulher, Thaiana Ivia, e de Direitos Humanos e Cidadania, Cláudia Almeida, do secretário de Governo, Paulo Bagueira e de representantes de diversos coletivos da economia solidária no município.
Prefeitura de Niterói libera tráfego de táxis no corredor BHLS da Região Oceânica
A Prefeitura de Niterói, por meio da NitTrans, publicou a Portaria nº 810/2025, que autoriza a circulação de veículos de táxi no corredor BHLS da Região Oceânica. A medida passou a valer a partir de novembro. A iniciativa reforça o compromisso com a organização do trânsito, a integração entre os modais de transporte e a melhoria contínua da mobilidade urbana no município.
De acordo com a portaria, os táxis estão autorizados a circular nas rotas das linhas OC1, OC2 e OC3 do corredor BHLS, ampliando as opções de mobilidade urbana e oferecendo mais comodidade e eficiência no deslocamento de moradores e visitantes para a Região Oceânica. A decisão está em conformidade com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) e o Decreto Municipal nº 14.218/2021.
Foto: Luciana Carneiro
Dia do Músico Evangélico poderá ser instituído no Estado do Rio de Janeiro
Inclusão do 8 de novembro no calendário de datas comemorativas celebrará talentos, além de homenagear o legado de Sérgio Paulo Muniz Pimenta
O Dia do Músico Evangélico poderá ser incluído no calendário de datas comemorativas no Estado do Rio de Janeiro. A intenção é celebrar sempre no dia 8 de novembro, conforme o projeto de lei 6914/2025, em tramitação na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).
A intenção do deputado Alan Lopes (PL) ao instituir 8 de novembro como Dia Estadual do Músico Evangélico é homenagear a data de nascimento de Sérgio Paulo Muniz Pimenta (1954-1987), pioneiro na introdução de ritmos brasileiros na música cristã evangélica, e com trajetória como capitão da Academia Militar das Agulhas Negras.
Pimenta teve morte precoce em 1987, aos 32 anos, mas foi um exímio músico violonista e compositor com mais de 300 canções, integrante de grupos como Vencedores por Cristo, e idealizador do icônico LP “De Vento em Popa” (1977), marco que popularizou a MPB nas igrejas evangélicas.
“Muitos músicos evangélicos iniciam a formação musical ainda na infância, dentro das igrejas, onde aprendem não apenas técnicas instrumentais, mas também valores éticos e espirituais que moldam a identidade artística. Ter um dia para celebrar tantos talentos é reconhecer e valorizar a importância deles e da música como meios de evangelização”, destaca o deputado estadual Alan Lopes.
Museu do Colono: memória, gastronomia e turismo
Localizado no 2° distrito, o espaço reúne moinho histórico, acervo colonial, lojinha de produtos artesanais e visitação guiada
Localizado em Água Quente, no 2º distrito de Teresópolis, o Museu do Colono é um importante atrativo turístico que preserva costumes, saberes e práticas tradicionais do interior do município. O espaço reúne história, produção artesanal e gastronomia, proporcionando ao visitante uma experiência que conecta passado e presente.
A propriedade pertence a Paulo da Rosa Pinheiro, conhecido carinhosamente como “Paulinho Jiló”, responsável por manter ativo o ofício da produção artesanal de fubá, tradição herdada de seus avós. O moinho foi fundado no século passado por Dedé Pinheiro, de origem portuguesa, e Jacinta da Rosa, de família italiana, colonos que se estabeleceram na região e contribuíram para a formação da identidade rural local.
A secretária municipal de Turismo, Nina Benedito, destaca que o Museu do Colono representa um importante exemplo de valorização da história e das tradições do interior de Teresópolis. Segundo ela, iniciativas como essa fortalecem o 2º distrito, preservam a memória das famílias colonizadoras e ampliam a oferta de experiências turísticas autênticas para moradores e visitantes.
Moinho das Hortências: 80 anos de produção artesanal de fubá
Com mais de oito décadas de funcionamento, o Moinho das Hortências segue produzindo fubá de forma artesanal, utilizando um sistema tradicional movido por roda d’água, que permanece em plena atividade. O método de moagem respeita o tempo do processo e resulta em um produto reconhecido pela qualidade e sabor característicos.
Durante a visita, o público pode acompanhar o funcionamento do moinho e conhecer cada etapa da produção. O trabalho é realizado com o apoio de Marcos Vinicius Gonçalves, responsável pela fabricação do fubá e também pela recepção dos grupos turísticos que visitam o local.
Entre as experiências oferecidas, um dos destaques é o tradicional Café do Colono, servido aos visitantes. Preparado na hora, em coador de pano, e com o toque especial do fubá torrado, o café integra a proposta de valorização dos hábitos e costumes do interior, despertando memórias e curiosidade sobre o sabor inusitado.
Acervo colonial
O Museu do Colono concretiza um antigo projeto de Paulinho Jiló e reúne um acervo composto por peças, utensílios e objetos que ajudam a contar a história da colonização do interior de Teresópolis.
Ferramentas agrícolas, itens domésticos, vestimentas e registros fotográficos permitem compreender como era o cotidiano nas antigas propriedades rurais da região.
O espaço oferece ao visitante uma leitura clara sobre os processos de ocupação, trabalho e desenvolvimento do campo, destacando a importância das famílias colonizadoras na construção cultural e econômica do município.
Produtos artesanais, gastronomia e áreas para visitação
O local conta ainda com uma lojinha de produtos artesanais produzidos no próprio moinho, como fubá e paçoca de colher, além de outros itens típicos do interior, como cachaça, geleias, rapadura, doce de leite, canjica e conservas. Os visitantes podem realizar degustações antes da compra, incluindo opções menos convencionais, como a geleia de jiló.
O espaço dispõe também de um restaurante temático, inspirado na proposta do museu, onde os pratos são preparados em fogão a lenha, reforçando o caráter rural e acolhedor da visita.
A área externa do Museu do Colono complementa a experiência com jardins, caminhos para caminhada, cenários para registros fotográficos e um lago que abriga carpas recém-chegadas, criando um ambiente agradável para contemplação e lazer.
O Museu do Colono recebe visitantes mediante agendamento prévio. Mais informações sobre horários e visitas podem ser obtidas pelo Instagram @museudocolono80anos.
Mais um atrativo que reforça o potencial turístico do interior de Teresópolis. No 2º distrito, história, tradição e experiências autênticas se encontram em um passeio que valoriza a identidade local.
