Companhia Ensaio Aberto comemora 30 anos com a montagem Morte e Vida Severina

O novo espetáculo estreia dia 6 de maio, no Armazém da Utopia, com 20 sessões gratuitas.

6 de maio a 6 de junho

O espetáculo da Companhia Ensaio Aberto traz para cena o poeta e dramaturgo João Cabral de Melo Neto. Morte e Vida Severina é um poema com linguagem popular, objetiva e concreta, mas de grande rigor estético, que conta uma parte da história da humanidade em trânsito, através da realidade de miséria do Nordeste.

João Cabral de Melo Neto escreveu: “O poeta ou outro escritor qualquer, de um país subdesenvolvido como o Brasil, não pode desprezar a realidade dolorosa que o cerca”. As manchas negras demográficas da geografia da fome, como documentou Josué de Castro há mais de 75 anos, se alastraram pelo país, que voltou ao Mapa da Fome em 2018 e, em 2020, registrou 55,2% da população em situação de insegurança alimentar.

“Nós ainda acreditamos que os artistas não podem desprezar a realidade dolorosa que os cerca. Por isso criamos Morte e Vida Severina. Evidentemente as perspectivas não são as mesmas de mais de meio século atrás. Os Severinos hoje estão em toda parte. Em todos os continentes, em todas as grandes cidades, em cada monturo de lixo. Mas se somos muitos Severinos, iguais em tudo na vida, se o sangue que usamos continua com pouca tinta, se continuamos a morrer de velhice antes dos trinta, de emboscada antes dos vinte e de fome um pouco por dia, se continua sendo difícil defender só com palavras a vida, hoje, e cada vez mais, sabemos que muita diferença faz entre lutar com as mãos ou abandoná-las para trás”, diz o diretor Luiz Fernando Lobo.

Com músicas de Chico Buarque, direção musical de Itamar Assiere, cenografia de J.C.Serroni, luz de Cesar de Ramires e figurinos de Beth Filipecki e Renaldo Machado, o espetáculo conta com um coletivo de 22 atores e atrizes e 4 músicos em cena.

Sobre a Companhia Ensaio Aberto

A Companhia Ensaio Aberto nasceu no ano de 1992 com a proposta de retomar o teatro épico no Brasil e fazer dos palcos uma arena de discussão da realidade, resgatando sua vocação crítica e política. Desde que foi fundada pelo diretor Luiz Fernando Lobo e pela atriz Tuca Moraes, a Ensaio Aberto explora a ideia do ensaio como experimento e busca romper a ilusão do teatro, questionando e reinventando a relação palco-plateia.

A montagem “O Cemitério dos Vivos” (1993) foi a que inaugurou a Companhia, que já traz em sua história vinte e sete espetáculos, incluindo edições de peças consagradas, como “Missa dos Quilombos”, que ficou mais de uma década em cartaz e tornou-se um símbolo do trabalho do grupo. Já em 2019, os últimos trabalhos do coletivo foram A Mandrágora, de Maquiavel e Luz nas Trevas, de Bertolt Brecht.

– 2021 O DRAGÃO de Eugène Schwartz Direção de Luiz Fernando Lobo Armazém da Utopia 2019

– CANTO NEGRO Direção de Luiz Fernando Lobo Direção Musical de Túlio Mourão Armazém da Utopia 3 2018

– ESTAÇÃO TERMINAL de João Batista baseado na obra de Lima Barreto Armazém da Utopia

– QUE TEMPOS SÃO ESSES? Curadoria de Luiz Fernando Lobo, João Batista e Marcos Apóstolo Armazém da Utopia.

https://www.armazemdautopia.com.br/


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