TRT-RJ inaugura exposição com réplicas de obras de Cândido Portinari

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A mostra “Suor e Dignidade: A Poética do Trabalho na Obra de Portinari”, com visitação gratuita, fica disponível no Centro Cultural do tribunal até 26/5. A exposição reúne 15 quadros que propõem reflexões sobre o trabalho e seus impactos ambientais

O Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-RJ) inaugura, em seu Centro Cultural, a exposição “Suor e Dignidade: A Poética do Trabalho na Obra de Portinari” nesta quarta-feira (6/5), às 14h30. A mostra reúne 15 réplicas de quadros de Cândido Portinari que celebram a força do(a) trabalhador(a) brasileiro(a) e propõem reflexões sobre o trabalho e seus impactos ambientais. A visitação é gratuita e seguirá até 26/5.

O Centro Cultural do TRT-RJ fica no prédio-sede da instituição, localizado na Avenida Presidente Antônio Carlos, 251 – com entrada pela Rua da Imprensa, s/nº – Centro, Rio de Janeiro/RJ. A mostra é promovida em parceria com o Programa Trabalho Seguro do TRT-RJ e com o Projeto Portinari.

A exposição do artista plástico Cândido Portinari (1903-1962), um dos maiores intérpretes da alma brasileira, está organizada em cinco blocos narrativos que capturam desde o labor histórico nas caravelas do descobrimento do Brasil até a vida nas favelas e a exaustão rítmica dos batedores de arroz.

Durante o percurso, o(a) espectador(a) é convidado(a) a ver que, mesmo em momentos de profunda dor e escassez, Portinari apresenta a dignidade do ser humano e afirma que o trabalho possui papel fundamental para a construção de um mundo mais justo e harmônico.

Leia abaixo um pouco sobre cada um dos cinco blocos narrativos da exposição.

Bloco 1: o encontro de mundos diferentes e a relação com o trabalho
No interior da nau, o trabalho é retratado como um esforço necessário para vislumbrar “um novo mundo”, contrastando com a visão da costa, onde indígenas representam uma existência pautada pela integração com o território.

O encontro de perspectivas revela duas realidades: a labuta como uma ferramenta de conquista e domínio técnico sobre o mar; e o impacto de uma nova ordem que ameaça uma cosmologia ancestral.

Bloco 2: rostos e contrastes da urbanidade
No segundo bloco, o(a) espectador(a) deixa as caravelas para encarar o Brasil que se estabelece e se adensa nas cidades. As obras “Cabeça de Negro” e “Favela” formam um diálogo sobre a presença humana nos espaços de convivência e resistência.

Em “Cabeça de Negro”, Portinari apresenta a dignidade em sua forma mais pura: o retrato de um homem cujo olhar firme atravessa o(a) espectador(a), projetando uma serenidade que contrasta com a dureza de sua realidade social. Já na obra “Favela”, a complexidade do trabalho e da vida comunitária é revelada em cores e formas que apresentam uma estrutura de beleza e sobrevivência. O “suor” ganha um rosto e um endereço, reafirmando que a poética do trabalho está intrinsecamente ligada à alma de quem o executa.

Bloco 3: a lida da terra e do mar
As obras “Batedores de Arroz”, “Arrastão” e “Homem Inclinado” mostram a exaustão e a plasticidade do trabalho braçal no cotidiano brasileiro. Portinari imortaliza o gesto do trabalhador rural e do pescador, transformando o esforço repetitivo em uma coreografia de sobrevivência onde o corpo é a principal ferramenta de transformação.

Ao observar o “Homem Inclinado”, é possível perceber como a curvatura da coluna e o peso dos membros inferiores simbolizam a gravidade da lida, enquanto em “Arrastão” o trabalho se manifesta como uma força coletiva essencial que extrai do mar o sustento. A poética do trabalho é apresentada em sua forma mais crua, celebrando a resiliência daqueles que, sob o sol, trabalham pelo sustento e o direito de viver.

Bloco 4: o trabalho da sobrevivência e a dor do êxodo
No quarto bloco, o(a) espectador(a) é confrontado(a) com a trágica condição humana que luta contra a escassez retratada em “Seca”, “Cangaceiro”, “Mulher do Pilão”, “Retirante Morrendo” e o icônico painel “Retirantes”.

Nestas telas, o trabalho é a própria manutenção da vida diante de um cenário hostil, onde a dignidade resiste mesmo na fragilidade extrema dos corpos deformados pela fome. A figura da “Mulher do Pilão” e o olhar severo do “Cangaceiro” representam diferentes facetas da resistência sertaneja, enquanto o grupo de “Retirantes” personifica o drama social do migrante que carrega consigo apenas o suor de sua história e a esperança de um novo chão.

Bloco 5: o clamor universal pela paz
No último bloco, “Guerra” e “Paz”, acompanhados pela figura do “Homem” em oração, sintetizam a visão de mundo onde o trabalho humano deve, em última instância, servir à construção de um mundo sem conflitos.

Enquanto em “Guerra” é possível ver o sofrimento e o caos decorrentes do desequilíbrio social, o painel “Paz” surge como uma celebração do trabalho harmônico, do lazer e da infância, elementos fundamentais para a dignidade plena.

O “Homem” de joelhos, com as mãos ao peito e o olhar voltado para o alto, simboliza o desejo universal de justiça e a esperança de que o suor do rosto resulte sempre em pão e harmonia, e nunca em destruição.

Serviço
Exposição: “Suor e Dignidade: A Poética do Trabalho na Obra de Portinari”
Abertura: 6/5 (quarta-feira), às 14h30
Período: até 26/5
Horário: segunda a sexta, das 9h às 16h
Local: Centro Cultural do TRT-RJ (Av. Presidente Antônio Carlos, 251 – entrada pela Rua da Imprensa, s/nº – Centro, Rio de Janeiro/RJ)
Entrada gratuita


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