Museu do Amanhã inaugura jardim gratuito com esculturas de Amílcar de Castro e Carlos Vergara

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Novo espaço gratuito na área externa do museu reúne oito esculturas diante da Baía de Guanabara e estreia obra inédita de Carlos Vergara

O Museu do Amanhã inaugura em 17 de setembro seu novo Jardim de Esculturas, na área externa da instituição, na Praça Mauá. Aberto gratuitamente ao público, o espaço foi concebido como um passeio entre arte, vegetação, arquitetura e a paisagem da Baía de Guanabara. A abertura integra a primeira Semana de Arte do Rio, mas as obras permanecerão no local por pelo menos um ano, estabelecendo uma nova frente de programação artística do museu.

Sob o eixo curatorial A cidade entre o jardim e a Baía, o primeiro ciclo reúne oito esculturas de Amílcar de Castro, Carlos Vergara, Siwaju e José Resende. A seleção atravessa diferentes momentos da produção brasileira e aproxima trabalhos históricos, modernos e contemporâneos a um território marcado pela relação entre cidade, água e memória. “Todos os artistas selecionados, de alguma maneira, têm na sua escultura uma forma de olhar para a cidade do Rio de Janeiro e para a sua história, a partir desse recorte territorial da Baía e do Museu do Amanhã”, afirma Camila Oliveira, curadora adjunta do museu.

Amílcar de Castro ocupa parte central do conjunto com quatro esculturas em aço. Uma delas recebe o visitante na entrada, formada pelo corte e pela dobra de uma chapa que cria um portal geométrico. Em outra, uma abertura assume a escala de uma janela, enquadrando árvores, corpos e céu conforme o público avança pelo jardim. Há ainda uma figura de grandes dimensões que remete a um caminhante diante da Baía de Guanabara e uma peça marcada por uma fresta curva, que recorta a paisagem em um fragmento. As obras pertencem ao acervo do IPAC-Brasília.

Carlos Vergara apresenta duas peças da série Natureza Inventada, realizadas em aço corten. As chapas recortadas evocam formas vegetais sem reproduzir literalmente folhas, galhos ou troncos, enquanto pequenas aberturas circulares sugerem olhos voltados para quem percorre o espaço. Entre elas está Natureza Inventada, n13, obra inédita realizada entre 2018 e 2026 especialmente para o jardim. Siwaju participa com ATMOS ISINMI: em memória a João Cândido, também em aço corten, que homenageia João Cândido Felisberto, líder da Revolta da Chibata. Já José Resende apresenta Vênus reclinada, que retoma a tradição da figura da Vênus a partir das relações entre matéria, gravidade e repouso.

O projeto resulta de uma parceria com o IPAC, responsável pela guarda de parte significativa das obras, além de colaborações com o Ateliê Carlos Vergara, a galeria A Gentil Carioca e os acervos particulares de Camila e Álvaro Piquet. Mais do que uma extensão expositiva, o jardim foi pensado como área de convivência, com quiosque de alimentos e bebidas e acesso livre para visitantes do museu ou passantes da Praça Mauá. “O Jardim de Esculturas nasce do nosso compromisso em democratizar cada vez mais o acesso ao Museu do Amanhã”, afirma Cristiano Vasconcelos, diretor executivo da instituição. “É um espaço totalmente gratuito, pensado para que qualquer pessoa possa fazer parte dele, não apenas visitá-lo.”


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