
Entre a aridez da vida cotidiana e a potência da celebração popular, a Zona Oeste do Rio de Janeiro é o território a partir do qual Tainan Cabral constrói sua primeira individual institucional, com curadoria de Marcelo Campos, Amanda Bonan, Jean Carlos Azuos, Amanda Rezende e Thayná Trindade.
“Armadilhas no Paraíso” reúne mais de 150 itens entre pinturas, esculturas e instalações feitas com materiais do cotidiano — lonas, manilhas, pneus, produtos de limpeza, gramados sintéticos — transformados em signos que carregam a memória do bairro de Senador Camará, onde o artista cresceu.
Segundo o curador-chefe do MAR, há na obra uma dimensão de infância no subúrbio, marcada pela vida na rua e pela experiência do grafite, da qual vêm as “barricadas” que funcionam ora como escultura, ora como interação pública.
O título condensa a energia antagônica desse território: de um lado, barricadas e a aspereza do cotidiano; de outro, os bailes funk, as feiras de rua e a natureza do lugar — uma relação que o curador Jean Carlos Azuos aproxima da leitura que Cabral faz do livro de Armando Magalhães Corrêa sobre o “sertão carioca”, já que a Zona Oeste guarda essa mistura de ruralidade e asfalto próxima aos morros e montanhas.
A cor é elemento central desse vocabulário: tons pastéis e vibrantes, degradês inspirados nas malhas de baile funk e nos desinfetantes coloridos vendidos em garrafas PET pelas calçadas, num diálogo que cruza geometria, abstração e a estética de telas de videogame.
Visitação: até 28 de fevereiro de 2027 – 17:00
LOCAL: Museu de Arte do Rio, Praça Mauá – Centro, Rio de Janeiro
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