Sistema ShotSpotter registra sequência de disparos e auxilia ação das forças de segurança em Niterói

Tecnologia do Cisp e denúncias anônimas ajudaram a direcionar ação da Polícia Militar na região da Pedra do Urubu na Zona Norte

O sistema ShotSpotter, tecnologia de identificação acústica de disparos integrada ao Centro Integrado de Segurança Pública (CISP) da Prefeitura de Niterói, registrou uma sequência de ocorrências com tiros em diversos pontos da Zona Norte da cidade durante a madrugada. A ferramenta permitiu, mais uma vez, o acionamento de policiais do 12º Batalhão da Polícia Militar. Os alertas foram detectados entre 3h38:10 e 4h07:36, em um período aproximado de 29 minutos.

A Operação da Polícia Militar nas primeiras horas da manhã resultou na apreensão de quatro fuzis e duas pistolas na região da Pedra do Urubu, no Fonseca, em Niterói.

Com base nos alertas tecnológicos e também em informações do Disque Denúncia, policiais do 12º BPM intensificaram o patrulhamento e realizaram incursões nas comunidades do Fonseca, Santo Cristo, Coreia e Palmeira. A operação contou ainda com apoio de equipes do 7º BPM e do 1º BPM.
Segundo a corporação, a denúncia de número apontava que criminosos armados com fuzis estariam atuando diariamente no acesso à Travessa Santo Cristo, nas comunidades da Palmeira e Santo Cristo, onde comercializariam entorpecentes e intimidariam moradores, com relatos inclusive de agressões e expulsões de residentes de suas casas.

O sistema ShotSpotter, tecnologia de identificação acústica de disparos integrada ao Centro Integrado de Segurança Pública (CISP) da Prefeitura de Niterói, registrou uma sequência de ocorrências com tiros em diversos pontos da Zona Norte da cidade durante a madrugada. A ferramenta permitiu, mais uma vez, o acionamento de policiais do 12º Batalhão da Polícia Militar. Os alertas foram detectados entre 3h38:10 e 4h07:36, em um período aproximado de 29 minutos.

De acordo com os registros técnicos, foram identificados 10 incidentes distintos, concentrados em uma mesma área geográfica, envolvendo pontos como Rua Riodades, Travessa Carreteiro, Travessa Santo Cristo e Rua São Januário.

A primeira detecção ocorreu às 3h38:10, na Rua Riodades. Na sequência, entre 3h38:19 e 3h38:44, o sistema registrou múltiplos disparos na Travessa Carreteiro. Novos alertas foram detectados entre 3h39:19 e 3h41:36, novamente na Rua Riodades.

Por volta de 3h45, foi registrada a maior concentração de disparos, com ocorrências praticamente simultâneas na Rua Riodades e na Travessa Santo Cristo.

Posteriormente, entre 3h47:54 e 3h48:46, o sistema identificou disparos isolados na Rua São Januário e um novo registro na Rua Riodades. O último evento foi detectado às 4h07:36, novamente na Rua Riodades.

Os relatórios indicam aproximadamente 34 disparos detectados, sendo cerca de 24 com marcação individual visível nos registros do sistema.

O ShotSpotter é um sistema de detecção acústica que utiliza sensores instalados em pontos estratégicos da cidade, nas zonas Norte e Sul, para identificar o som característico de disparos de arma de fogo. Quando um tiro é detectado, o alerta é enviado automaticamente ao CISP, onde operadores — agentes da Guarda Municipal — analisam as informações e repassam os dados às forças policiais em questão de segundos, permitindo o direcionamento mais rápido das equipes para a área indicada.

A análise espacial dos registros aponta maior recorrência de detecções na Rua Riodades, enquanto os demais eventos ocorreram em vias próximas.

De acordo com os parâmetros técnicos do próprio sistema, a contagem de disparos deve ser considerada aproximada, podendo haver variações em razão de fatores como sobreposição de sons, características do ambiente urbano ou obstruções físicas que interfiram na detecção.

Os dados do ShotSpotter são utilizados como ferramenta inicial de monitoramento e análise, podendo ser posteriormente correlacionados com outras informações operacionais das forças de segurança.

Dinâmica

De posse das informações, as equipes seguiram até a localidade conhecida como Pedra do Urubu, onde se depararam com diversos homens armados. Após a intervenção policial, os suspeitos fugiram pela área de mata.
No local, os policiais apreenderam quatro fuzis — três de calibre 5.56 e um de calibre 7.62 — além de duas pistolas calibre 9mm e um radiotransmissor utilizado para comunicação entre criminosos.

Até o momento, seis suspeitos foram identificados como envolvidos na ocorrência, mas ainda não tiveram a identidade confirmada. A ocorrência segue em andamento e o material apreendido será encaminhado para a delegacia da área para registro e investigação.

Imigração e crescimento econômico nos Estados Unidos: uma relação estrutural

Por: Vinícius Bicalho

O debate sobre imigração nos Estados Unidos costuma ser conduzido sob perspectivas políticas, sociais e de segurança. No entanto, há um aspecto frequentemente subestimado, mas essencial: o papel da imigração como variável estrutural para o crescimento econômico do país.

Do ponto de vista econômico, o crescimento de longo prazo está diretamente relacionado à expansão da força de trabalho e ao aumento da produtividade. Nesse contexto, a dinâmica demográfica assume papel central.

Queda da natalidade e mudança demográfica

Assim como outras economias desenvolvidas, os Estados Unidos vêm registrando uma redução consistente na taxa de natalidade nas últimas décadas. Atualmente, o país opera abaixo do nível de reposição populacional, estimado em aproximadamente 2,1 filhos por mulher. Esse cenário resulta em dois movimentos simultâneos:

Envelhecimento progressivo da população

Redução relativa da população em idade economicamente ativa

As consequências desse processo são amplamente documentadas na literatura econômica: desaceleração do crescimento potencial, aumento da pressão sobre sistemas previdenciários e redução da oferta de mão de obra.

Imigração como fator de compensação

Historicamente, os Estados Unidos mitigaram esses efeitos por meio da imigração. O fluxo migratório tem desempenhado papel relevante na recomposição da força de trabalho e na sustentação do crescimento populacional.

Dados recentes indicam que:

A imigração responde por parcela significativa do crescimento populacional americano

Uma fração relevante da expansão da força de trabalho nas últimas décadas está associada a trabalhadores imigrantes

Sem o componente migratório, o crescimento demográfico dos Estados Unidos seria substancialmente reduzido

Em termos econômicos, a imigração atua como mecanismo de ajuste, compensando a queda na taxa de natalidade e contribuindo para a manutenção da base produtiva do país.

Desaceleração recente e fatores associados

Informações divulgadas pelo U.S. Census Bureau apontam que o crescimento populacional dos Estados Unidos desacelerou recentemente, alcançando aproximadamente 0,5% no período mais recente analisado.

Entre os fatores que explicam esse movimento, destaca-se a redução da imigração líquida. Em um cenário de baixa natalidade, a diminuição dos fluxos migratórios passa a ter impacto direto sobre a dinâmica populacional.

Paralelamente, políticas mais restritivas em relação à imigração, especialmente no combate à imigração irregular, têm contribuído para a redução da entrada de novos trabalhadores estrangeiros.

Possíveis impactos econômicos

A redução do crescimento populacional, combinada com a diminuição da imigração, pode gerar efeitos relevantes no médio e longo prazo:
Mercado de trabalho com menor oferta de trabalhadores em determinados setores
Desaceleração do crescimento do consumo interno;
Limitação do potencial de expansão do produto interno bruto;
Estudos econômicos indicam que a manutenção de níveis adequados de imigração é um dos fatores necessários para sustentar taxas históricas de crescimento nos Estados Unidos.

Além disso, a imigração também está associada à inovação, ao empreendedorismo e à diversificação da força de trabalho, elementos que contribuem para a competitividade econômica.

Perspectiva comparada

Experiências internacionais reforçam essa análise. Países que enfrentaram declínio populacional ou envelhecimento acelerado, como Japão e diversas economias europeias, registraram redução no dinamismo econômico ao longo do tempo. Os Estados Unidos, por sua vez, historicamente se diferenciaram por sua capacidade de atrair imigrantes e renovar sua base demográfica.

Considerações finais

A discussão sobre imigração envolve múltiplas dimensões legítimas, incluindo segurança, legalidade e políticas públicas. No entanto, sob a ótica econômica, os dados indicam que a imigração desempenha papel relevante na sustentação do crescimento dos Estados Unidos.

Em um cenário de baixa natalidade e envelhecimento populacional, o fluxo migratório tende a se consolidar como um dos principais instrumentos de equilíbrio demográfico e econômico.
Assim, políticas migratórias mais restritivas, embora possam atender a determinados objetivos de controle, devem ser analisadas também à luz de seus potenciais efeitos sobre o crescimento econômico no médio e longo prazo.

Quem é Vinícius Bicalho

– Advogado licenciado nos EUA, Brasil e Portugal;
– Sócio fundador da Bicalho Legal Consulting P.A.;
– Mestre em direito nos EUA pela University of Southern California;
– Mestre em direito no Brasil pela Faculdade de Direito Milton Campos (MG);
– Membro da AILA – American Immigration Lawyers Association;
– Responsável pelo Guia de Imigração da AMCHAM;
– Professor de Pós-graduação em direito migratório;
– O único advogado brasileiro citado na lista de “profissionais confiáveis” dos principais jornais americanos, como The New York Times, The Wall Street Journal, The Washington Post, USA Today e The Los Angeles Times.

Sobre a Bicalho Consultoria Legal
Empresa com ampla experiência em processos migratórios para os Estados Unidos e Portugal, com escritórios no Brasil, em Portugal e nos EUA. Oferece soluções para empresas, empreendedores e profissionais liberais, que incluem assessoria jurídica, consultoria nas áreas empresarial, tributária e trabalhista, além de planejamento patrimonial, auxiliando na internacionalização de negócios, carreiras e famílias. A consultoria conta com uma equipe experiente e multidisciplinar de profissionais.

Mais informações disponíveis:
no site https://bicalho.com e nas redes sociais:
Instagram: https://www.instagram.com/bicalhoconsultoria/ – @biccalhoconsultoria
@BicalhoConsultoriaLegal (YouTube) e Bicalho Consultoria Legal (Facebook).

Galeria de Arte IBEU recebe a 49ª edição da coletiva Novíssimos

No coração do Jardim Botânico, a Galeria de Arte IBEU reafirma seu papel como um dos principais termômetros da arte emergente no Rio de Janeiro. O espaço abre as portas para a 49ª edição da Novíssimos, a exposição coletiva mais tradicional do país dedicada a novos talentos até 8 de maio. A seleção dos participantes deste ano foi resultado de um concorrido edital, ocorrido em novembro de 2025, que recebeu 115 inscrições.

Pela primeira vez sob curadoria de Bruno Miguel, a mostra reúne 13 nomes que mapeiam diferentes trajetórias. O panorama abrange desde a presença da artista Makh Hanamakh — nascida em Tóquio e radicada no Rio — até a força da produção fluminense com Beth Rocha, Bruna Manarelli, Carolina Amorim, Claudia Castro Barbosa, Patrícia Peixoto, Fogo e Ian Raposo. A seleção se completa com o olhar de Eduardo Baltazar (Niterói), Marcelo Rezende (São Gonçalo), Renan Henrique Carvalho (Espírito Santo), a recifense Ana Leal e o paulista João Buson.

“Tenho a certeza de que muitas carreiras ainda terão esse “novo velho” salão como etapa importante dos seus desenvolvimentos artísticos. Assim como foi para mim e para tantos outros”, comenta Bruno Miguel.

Apresentando um diálogo entre múltiplas linguagens, a exposição inclui pintura, fotografia, desenho, objetos e instalações. Mais do que uma mostra, a Novíssimos funciona como um salão de premiação: ao final da temporada, um dos participantes será eleito pela Comissão de Seleção do IBEU para realizar uma mostra individual na galeria.

Um legado de fomento às artes

O vínculo do Instituto Brasil-Estados Unidos (IBEU) com o universo das artes visuais começou em 1940, na antiga sede da Rua México, com uma mostra de águas-fortes de Carlos Oswald. Esse pioneirismo se expandiu em 1960, com a abertura Galeria de Arte IBEU, no bairro de Copacabana, espaço que recebeu nomes como Tarsila do Amaral, Cândido Portinari e Iberê Camargo.

Dois anos depois, em junho de 1962, a coletiva Novíssimos foi criada com a objetivo de revelar e incentivar novos valores da arte contemporânea. Desde então, a mostra passou a integrar de forma permanente a programação da instituição e do calendário artístico da cidade. Em 2017, ano em que o IBEU celebrou seus 80 anos, foi inaugurada a nova Galeria de Arte IBEU, no bairro do Jardim Botânico, este é o espaço que certamente ficará na memória dos participantes desta edição.

Serviço:

Exposição: Novíssimos 2026

Curadoria: Bruno Miguel

Local: Galeria de Arte IBEU – Rua Maria Angélica, 168 – Jardim Botânico- Rio de Janeiro

Visitação: até 08 de maio de 2026

Horários: Segunda a quinta, das 13h às 19h | Sexta, das 12h às 18h

Entrada: Gratuita

GAECO/MPRJ obtém na Justiça mandados de busca e apreensão em investigação contra integrantes da Família Avelino e policiais militares

O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (GAECO/MPRJ) obteve, na Justiça, mandados de busca e apreensão cumpridos contra 21 pessoas ligadas aos clãs da Família Avelino, investigada pela prática de diversos crimes. Entre os alvos estão integrantes da família, cinco policiais militares, um advogado e suspeitos de atuar como pistoleiros do grupo. A ação é realizada com o apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ) e da Subsecretaria de Inteligência da Polícia Civil (SSINTE).

Estão sendo cumpridos mandados em 29 endereços ligados aos investigados, nos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e Pará, com o apoio dos GAECOs locais. No Rio, os agentes cumprem mandados na Capital e nos municípios de Paty do Alferes, Vassouras, Paraíba do Sul e Três Rios.

As investigações são conduzidas em Procedimento Investigatório Criminal (PIC) próprio do GAECO/MPRJ e demonstram a existência de conduta criminosa sistemática e reiterada por parte dos integrantes do clã, com forte influência em diversos municípios do Sul Fluminense e características de milícia privada. Isso inclui a prática de assassinatos já denunciados pelo Ministério Público, suspeitas de dezenas de outras execuções, múltiplas tentativas de homicídio, controle territorial, corrupção de agentes públicos, estrutura hierárquica com clara divisão de funções, obstrução sistemática da Justiça, entre outros.

Com histórico de violência e poder que remonta à década de 1930, com quatro gerações documentadas praticando homicídios, as apurações mostram que a família e seus associados empregam uma série de mecanismos para escapar da persecução penal, incluindo intimidação de testemunhas, ameaças extensivas a familiares e eliminação de adversários. O objetivo é criar um clima de medo que resguarde a chamada “lei do silêncio”.

Atento ao histórico de criminalidade violenta, à intimidação de autoridades e às obstruções sistemáticas, o GAECO/MPRJ passou a concentrar todas as investigações criminais contra o clã.

“Memória Bambi”, de Ana Miguel, na galeria Cavalo

A Cavalo recebe “Memória Bambi”, individual de Ana Miguel, no espaço da galeria no Rio de Janeiro. A artista apresenta uma série de obras montadas de forma a constituírem uma grande instalação.

“Era uma vez”… Assim começam tradicionalmente as fábulas infantis, indicando um tempo passado, nostálgico e mágico. A expressão clássica funciona como uma “chave” que marca o início da ficção e cria o ambiente propício para o leitor entrar no universo imaginário. Esse é o convite que Ana Miguel nos faz ao entrarmos na casa de ladrilhos vermelhos em Botafogo.

Ana sempre gostou de contos de fadas e narrativas tradicionais, histórias abertas que admitem múltiplas versões e adaptações. Vindas de diferentes culturas, muitas delas revelam os aspectos mais aterrorizadores e traumáticos da experiência humana. Admitem a contradição, o acontecimento maravilhoso, o enigma.

A Floresta é um cenário recorrente nos contos clássicos, carregada de significados míticos e vitais. Bambi é uma fábula que trata do processo de crescer e tornar-se adulto, povoada por personagens que são pequenos animais em relação conflituosa com os seres humanos, e habita a memória de crianças e adultos.

“Memória Bambi” é uma instalação que a artista desenvolve a partir de suas pesquisas em livros, filmes e discos, originalmente dedicados ao público infantil. Miguel lê, revê as diferentes versões, torna a escutar os antigos disquinhos, indaga aos amigos suas memórias e percepções, tenta fabular fios de sentidos e possíveis transformações para a crua história original, para o belo e doloroso filme que tantas lágrimas provocou nas crianças.

“Bambi: A história de uma vida na floresta” – o livro original de Felix Salten, publicado em 1923 – foi uma das vítimas das fogueiras nazistas! Para muitos o filme inspirado no livro, realizado pelos estúdios Disney em 1942, inaugurou a possibilidade de orfandade no mundo, e também evidenciou a perspectiva do desequilíbrio nas relações entre os humanos e os não humanos. Afinal, são os homens que levam as armas e o fogo para a floresta, rompendo o equilíbrio com a vida e a natureza.

Para a instalação, Ana recria uma floresta onírica onde micélios, raízes, árvores e cogumelos tecidos em crochê com lãs de tons brancos e vermelhos organizam o espaço. Um vinil narra o incêndio na história de Bambi, trazendo ao ambiente uma atmosfera de fantasia infantil: um trecho sonoro retrabalhado a partir de um disco tradicional dos anos 1970, que ecoa na memória dos espectadores. Pequenas cenas de incêndios florestais, dispostas em miniaturas e maletas, podem ser vistas na exposição, ora diretamente, ora por meio de lupas que revelam seus detalhes miúdos.

Em tempos de urgência climática, como falar dos criminosos incêndios que destroem nossas florestas? Em suas fabulações Ana Miguel oferece a Bambi e seus amigos a possibilidade de devolver o fogo aos humanos. Devolver o fogo aos donos do desastre é alertar e convocar ação coletiva. Buscar o final feliz possível, uma vida em equilíbrio respeitoso com a natureza, é tarefa no século XXI.

Serviço:
Memória Bambi, de Ana Miguel
Período da exposição: 26 de março a 23 de maio de 2026
Horário de funcionamento: terça a sexta, de 12h às 19h e sábados, de 13h às 17h
Local: Cavalo — Rua Sorocaba, 51 — Botafogo, Rio de Janeiro, RJ

“O que sustenta” traz obras inéditas do artista pernambucano Marcelo Silveira

O que sustenta” apresenta obras inéditas do artista pernambucano Marcelo Silveira (1962), feitas especialmente para o Paço Imperial. “O que sustenta” abrangerá os trabalhos “V.A.R.A.S.” (2021/2025), um conjunto com 50 madeiras recolhidas e trabalhadas pelo artista, que ficarão suspensas, flutuando ao sabor do vento que irá circular no espaço expositivo. No chão, estarão os “Novelos” (2023/2025), 300 peças formadas por fibras de linho encontradas por Marcelo Silveira em um depósito em ruína da extinta fábrica Braspérola, de produção de tecidos em linho, em Camaragibe, Pernambuco. Cada uma das fibras foi higienizada e manuseada de modo a formar um novelo. E “costurando “esses trabalhos haverá o som da obra “Tudo Certo” (2017), fruto de uma residência feita pelo artista em Belo Jardim, no Planalto da Borborema, no agreste pernambucano. Evocando a expressão “tudo certo”, repetida durante anos por seu pai, acometido pelo Alzheimer, o artista produziu um CD com dezenas de vozes de integrantes do coral da cidade, em diferentes timbres e entonações com a frase.

“As obras da exposição foram produzidas a partir de meu desejo de intervir no Paço Imperial, um espaço que foi sede do poder desde o século 18”, relata Marcelo Silveira.

Ele explica que este trabalho surgiu da tentativa de organizar suas ideias, como a do conceito de madeira de lei, “que surgiu no Brasil Colônia para designar madeira boa, e que já perdeu sua validade há bastante tempo, embora as pessoas ainda usem esta classificação”.

“Produzi as Varas como tentativa de mimetizar, reestruturar, reconstruir uma estrutura vegetal que é usada normalmente na taipa, no preenchimento de alguns espaços, e é uma árvore juvenil, no início do seu desenvolvimento, em que o cerne da madeira praticamente ainda não surgiu, e que precisaria de mais tempo para ser mais grossa e poder existir como madeira a ser usada na novelaria, na arquitetura e tudo o mais”. Marcelo Silveira destaca que praticamente todas as madeiras que estão na obra “V.A.R.A.S.”, recolhidas de descartes, são “protegidas”. “A mesma madeira de lei é descartada na cidade como sobra do mobiliário, sobra do uso e da irresponsabilidade das pessoas”, relata o artista. “Sobra madeira de todas as espécies, e recolho e reúno toda essa madeirama que encontro ao longo de muitos anos – mogno, ipê, jacarandá – e uso, de certa forma, com as curvaturas que vêm do mobiliário, do que foi um dia o mobiliário, de onde foi um dia alguma coisa”, conta.

Serviço: 28 de março até 7 de junho de 2026 / Centro Cultural do Patrimônio Paço Imperial (Praça Quinze de Novembro, 48, Centro)

Art Wall do Shopping Leblon apresenta “Mais e mais”, de Tomie Savaget

O Shopping Leblon recebe até 13/04 mais um edição do seu Art Wall com a exposição Mais e mais, assinada pela artista plástica e figurinista Tomie Savaget, com curadoria de Christiane Laclau, da Artmotiv. A obra propõe uma imersão sensível em formas contínuas e entrelaçadas, expandindo a delicadeza da dobradura em papel para uma presença abstrata no espaço arquitetônico do shopping.

Inspirada no kusudama, técnica japonesa de origami modular tradicionalmente associada ao costume de guardar ervas e remédios, a instalação parte de um gesto íntimo e artesanal para ganhar escala e dimensão pública. O que antes era objeto de cuidado e preservação transforma-se em construção espacial, composta por linhas que sugerem ritmo, fluxo e permanência.

Tomie SavagetTomie Savaget

“O que Tomie Savaget realiza em “Mais e mais” é uma subversão da escala. Ela retira o origami do universo da delicadeza e do ambiente doméstico, para elevá-lo ao status de construção espacial. É fascinante observar como uma tradição milenar é reconfigurada aqui em uma estrutura modular contínua, que dialoga diretamente com as questões da arte contemporânea”, dispara Christiane Laclau, curadora da Artmotiv.

Ao unir tempo, repetição e manualidade, Tomie Savaget tensiona tradição e contemporaneidade, propondo uma reflexão sobre memória, corpo e representação. Suas pesquisas atravessam relações entre história da arte e revisionismo historiográfico, o corpo como suporte e a artificialidade da representação, aproximando academicismo e artesanato em uma linguagem que valoriza o gesto e o fazer.

Mestra em arte contemporânea pela Université Paris 8 Vincennes–Saint-Denis, a artista estudou cenografia e figurino com J.C. Serroni e Telumi Hellen na SP Escola de Teatro e integrou o grupo de acompanhamento de projetos Hermes Artes Visuais, com Marcelo Amorin. Vive e trabalha no Rio de Janeiro.
“A cada edição, o Art Wall reafirma o compromisso do Shopping Leblon com a valorização da arte contemporânea e com a criação de experiências culturais acessíveis ao público. No Mês das Mulheres, receber uma artista como Tomie Savaget amplia esse diálogo, trazendo para o espaço uma obra que conecta delicadeza, força construtiva e tradição”, comenta Paula Magrath, gerente de marketing do Shopping Leblon.

Serviço | Art Wall – Shopping Leblon
Exposição: Mais e mais
Artista: Tomie Savaget
Período: 28/02 até 13/04
Endereço: Av. Afrânio de Melo Franco, 290 – Leblon, Rio de Janeiro
Entrada: gratuita

Sesc Tijuca abre mostra do Instituto Artistas Latinas

Instituto Artistas Latinas apresenta no Sesc Tijuca do Rio de Janeiro a arte de mulheres que utilizam técnicas ancestrais de bordado, tecelagem e costura em diálogo com questões estéticas e conceituais contemporâneas.

Com representantes de diversos estados do Brasil, Argentina, Guatemala e Peru, mostra reúne 11 artistas e dois coletivos, evidenciando o protagonismo da arte têxtil em articulação com a ação política. A curadoria é de Francela Carrera, em colaboração com Ana Carla Soler e Carolina Rodrigues. Com entrada gratuita Exposição com entrada gratuita, e vai até 14 de junho.

Artistas: Ana Tereza Barboza (Lima, Peru), Angelica Serech (San Juan Comalapa, Guatemala), Cláu Epiphanio (S. José dos Campos, SP), Claudia Lara (Curitiba, PR), iahra (S. Gonçalo, RJ), Karine de Souza (Nova Iguaçu, RJ), Laís Domingues (Recife, PE), Mayara (Rio de Janeiro, RJ), Mónica Millán (B. Aires, Argentina), Nádia Taquary (Salvador, BA), Rafa Bqueer (Belém, PA), além dos coletivos Mulheres Atingidas por Barragens (Brasil) e Serigrafistas Queer (B. Aires, Argentina).

O Instituto Artistas Latinas inaugura no Sesc Tijuca no Rio de Janeiro a exposição “Tecendo histórias – arte têxtil latino-americana”. Dedicado à pesquisa, formação de acervo e ações educativas em artes visuais com foco na produção feminina da região, o instituto apresenta uma seleção de obras de 11 artistas e dois coletivos da Argentina, Brasil, Guatemala e Peru. Em foco, estão trabalhos que atualizam técnicas ancestrais em diálogo com questões estéticas e políticas contemporâneas. A curadoria é de Francela Carrera com co-curadoria de Ana Carla Soler e Carolina Rodrigues. Com entrada franca, a mostra abre no dia 14 de março (sábado) e vai até 14 de junho de 2026, na galeria do Sesc Tijuca, uma das maiores da Rede Sesc na região metropolitana do Rio.

Segundo Francela Carrera (https://www.linkedin.com/in/francelacarrera/), a arte têxtil vive hoje um momento de destaque nas artes visuais. “Antes considerada uma arte menor, agora ganha força não apenas pela dimensão estética, mas também pelo sentido político que incorporou”, afirma ela. “Por isso, quis reunir mulheres latino-americanas que, em suas pesquisas artísticas utilizam tecidos, fios, teares e bordados como meios de reflexão crítica também”, completa. “Em maior ou menor grau, todas as participantes mantêm vínculos com movimentos sociais e abordam, em seus trabalhos, diferentes pautas e debates contemporâneos. Além de uma exposição de arte, ‘Tecendo histórias’ é uma articulação de vozes, saberes e lutas”, diz Paulo Farias, diretor artístico do Instituto Artistas Latinas.

Com expografia de Gisele de Paula (https://www.linkedin.com/in/gisele-de-paula-21a05268/), arquiteta da 36ª. Bienal de São Paulo, a mostra é dividida em cinco núcleos curatoriais. No eixo “Mobilização social”, as obras aparecem como instrumentos de denúncia e engajamento coletivo. Estão lá trabalhos do Coletivo Nacional de Mulheres do Movimento dos Atingidos por Barragens e das Serigrafistas Queer. A seção “Uma Geografia Sensível” traz criações têxteis de Ana Teresa Barbosa, Angelica Serech, Claudia Lara e Mayara, com narrativas de território por meio de cartografias íntimas e reflexões sobre ancestralidade e pertencimento. O núcleo “Têxtil Expandido – Corpo, Imagem e Performance” reúne iahra e Rafa Bqueer, com trabalhos que atravessam performance e moda, explorando diferentes processos para investigar as relações entre corpo, forma, matéria, ancestralidade e identidade. O núcleo “Retratos: presença e matéria” apresenta obras figurativas e de autorrepresentação. Karine de Souza, Laís Domingues e Mónica Millán investigam identidade e memória por meio do bordado, da impressão com materiais naturais e outras técnicas. Em “Espiritual e Sagrado”, a curadoria exibe trabalhos em bordado de Cláu Epiphanio e Nádia Taquary, que articulam temas como ancestralidade afro-brasileira, sagrado feminino e memórias do corpo.

Criado em 2019, o Instituto Artistas Latinas atua para ampliar e consolidar o reconhecimento da produção de mulheres na arte contemporânea. “A exposição entrelaça memórias, territórios e histórias de resistência, reafirmando a potência da arte têxtil como linguagem contemporânea e como fio condutor de novas narrativas”, finaliza Paulo Farias, fundador e presidente da instituição (https://www.linkedin.com/in/paulo-farias/).

O INSTITUTO ARTISTAS LATINAS – https://www.artistaslatinas.com.br/

Criado em 2019, o Instituto Artistas Latinas atua para ampliar e consolidar o reconhecimento da produção de mulheres na arte contemporânea. Por meio de uma plataforma digital, reúne e disponibiliza informações de centenas de artistas de diferentes países, estruturando um panorama da cena regional, favorecendo intercâmbios de pesquisa e impulsionando conexões e parcerias. As redes sociais do Instituto funcionam como espaços de difusão, promovendo a visibilidade dos trabalhos, projetando as pesquisas das artistas para além das fronteiras geográficas e institucionais. Esse conjunto de ações viabiliza a presença do Instituto em diferentes territórios, com impacto direto em 12 países, por meio de iniciativas presenciais e digitais. Além disso, o Instituto desenvolve e difunde conteúdos diversos que promovem o diálogo na arte contemporânea, desenvolvendo ações educativas e de formação livre, organizando projetos de exposições e institucionais, oferecendo consultoria para coleções públicas e particulares, participando de feiras de arte e facilitando cursos voltados ao protagonismo feminino.

SERVIÇO
Exposição: Tecendo histórias – arte têxtil latino-americana
Local: Sesc Tijuca
Data: até 14 de junho de 2026
Artistas: Ana Teresa Barboza, Angelica Serech, Cláu Epiphanio, Claudia Lara, iahra, Karine de Souza, Laís Domingues, Mayara, Mónica Millán, Nádia Taquary, Rafa Bqueer, além dos coletivos Mulheres Atingidas por Barragens e Serigrafistas Queer
Países envolvidos: Brasil, Argentina, Guatemala e Peru
Curadoria: Francela Carrera, com co-curadoria de Ana Carla Soler e Carolina Rodrigues
Endereço: R. Barão de Mesquita, 539 – Tijuca – Rio de Janeiro – RJ – CEP 20540-001
Realização: Instituto Artistas Latinas
Site: www.artistaslatinas.com.br
Instagram: @artistaslatinas

Manu Gomez apresenta a exposição À beira-mar, somos muitos, no Centro Cultural Correios Rio de Janeiro

“À beira-mar, somos muitos”, primeira individual da artista Manu Gomez, apresenta um conjunto de 14 pinturas inéditas que integram a série Sonhos dos Invisíveis. As obras mostram pescadores e cardumes em movimento coletivo, aproximando humanos e animais em composições de cores intensas que evocam memória, trabalho e estratégias de sobrevivência, sugerindo também uma reflexão sobre as dinâmicas que organizam a vida, o trabalho e os modos de existir em comunidade.

O Centro Cultural Correios Rio de Janeiro recebe até 9 de maio 2026 a exposição “À beira-mar, somos muitos”, primeira individual da artista Manu Gomez. A mostra, que tem curadoria de Jean Carlos Azuos, reúne 13 pinturas inéditas produzidas entre 2025 e 2026 em diversos formatos, incluindo um mosaico de 2,20 x 3,80m, e uma instalação ao centro da galeria, apresentando um recorte da série “Sonhos dos Invisíveis”, na qual a artista investiga relações entre memória, trabalho e vida coletiva.

Manu Gomez parte de memórias e histórias de sua própria família para construir um conjunto de pinturas que refletem sobre o trabalho e a vida de comunidades ligadas ao mar. Inspirada especialmente nas experiências de seu pai com a pesca submarina em Arraial do Cabo, a artista cria imagens em que pescadores, peixes e cardumes aparecem em movimento coletivo, muitas vezes fundidos em uma mesma cena.

Esses elementos funcionam como metáforas visuais: os cardumes evocam a força do coletivo e as estratégias de sobrevivência construídas em grupo, enquanto a presença constante do mar sugere tanto sustento quanto desafio para aqueles que vivem do trabalho da pesca. “Nesse sentido, cada figura pode ser compreendida como arquivo de trabalho, superfície viva na qual a experiência se inscreve e permanece, evidenciando como o corpo, historicamente reduzido à força produtiva, resiste como memória e como sujeito”, afirma o curador Jean Carlos Azuos.

Ao aproximar corpos humanos e animais em um mesmo fluxo, a artista propõe uma reflexão sobre como as relações de trabalho e de subsistência se organizam em torno da natureza e da vida em comunidade. “A ideia de quantidade vem junto com uma estratégia biológica: agrupar-se para parecer um animal maior do que se é. Ao unir humanos e peixes, proponho também uma reflexão sobre como o sistema nos reduz a commodities, a números — tanto peixes quanto humanos”, justifica Manu Gomez.

A EXPOSIÇÃO

Na parede do fundo da galeria, a artista apresenta uma instalação composta por 24 telas organizadas em um grande painel de 2,20 x 3,80m, que ela prefere chamar de quebra-cabeça. A obra funciona como uma imagem fragmentada formada por partes que se conectam e outras que permanecem deslocadas. “Aqui, os cardumes percorrem as telas como pensamento coletivo em movimento e, ao se repetirem de obra em obra, ondulam uma continuidade visual que a montagem acompanha, conduzindo o espectador por um fluxo que evoca a circulação da maré”, diz Azuos.

Para Manu, o trabalho se aproxima da ideia de um quebra-cabeça de corpos em trabalho e movimento, no qual diferentes fragmentos se articulam, mas nem sempre se encaixam perfeitamente. A obra também dialoga com aquilo que ela descreve como “a grande mão da economia que orienta nossos caminhos para o trabalho”, refletindo sobre o momento em que a vida produtiva passa a organizar o cotidiano e, muitas vezes, substitui a dimensão da brincadeira e da liberdade.

Outro elemento presente na exposição é um carrinho de transporte, objeto associado ao cotidiano de trabalho de seu pai e de seu avô, que o utilizavam para carregar materiais e deslocar objetos. Ao trazer esse elemento para a mostra, a artista propõe retirar a pintura da parede e colocá-la sobre o carrinho, transformando o objeto em suporte para a obra. A escolha também dialoga com a expressão popular “vender o peixe”, que dá nome à obra, conectando memória familiar, trabalho e a própria ideia de circulação das imagens.

Algumas pinturas ainda incorporam latas em suas composições. Esses elementos surgem a partir de associações ligadas ao consumo cotidiano e aos alimentos processados, frequentemente presentes em contextos de subsistência e trabalho. Ao inserir esses objetos no campo da pintura, a artista aproxima imagens do universo da pesca, do trabalho e do consumo, ampliando o conjunto de referências que atravessam a exposição.

“À beira-mar, somos muitos” afirma uma multiplicidade que se manifesta nos corpos, nas alegorias e na própria organização estética e narrativa da mostra. A presença, até aqui murmurada, é feita de trabalho e desejo, de corpos que atravessam um tempo incontornável enquanto o horizonte se abre em infinitude”, define o curador.

A exposição “À beira-mar, somos muitos” pode ser visitada de 25 de março a 9 de maio de 2026, no Centro Cultural Correios Rio de Janeiro, com entrada gratuita.

A ARTISTA

Manu Gomez é artista plástica do Rio de Janeiro e estudante da Escola de Belas Artes (EBA/UFRJ). Sua pesquisa aborda questões raciais e investiga narrativas de protagonismo negro na construção do Brasil. É autora da série Escurecendo a História de Quem Criou o Brasil e atualmente desenvolve Sonhos dos Invisíveis, projeto que explora os sonhos de indivíduos historicamente marginalizados através da imagética da pesca e dos cardumes.

Participou da DAFÉ no LADoB e da 22a exposição do Museu de Ribeirão Preto. Sua produção articula pintura, memória social e crítica às estruturas que definem quem pode sonhar — e quem permanece invisível.

Serviço:
Manu Gomez – À beira-mar, somos muitos
Curadoria: Jean Carlos Azous
Visitação: 25 de março 2026 a 09 de maio 2026 | terça a sábado, das 12h às 19h
Local: Centro Cultural Correios Rio de Janeiro
Endereço: Rua Visconde de Itaboraí, 20 Centro, Rio de Janeiro – RJ
Entrada Gratuita
Classificação Livre

Paço Imperial (RJ) celebra 40 anos com nova programação de exposições

Mostra Constelações – 40 anos do Paço Imperial reúne cerca de 160 obras de mais de 100 artistas e abre temporada que inclui ainda exposições de Marcelo Silveira e Niura Bellavinha

No coração do centro do Rio de Janeiro (RJ), um edifício que já foi palco de acontecimentos decisivos da história do País também se consolidou, nas últimas décadas, como um importante espaço de encontro para a arte contemporânea. Para celebrar essa trajetória, o Paço Imperial, unidade especial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), recebe até 7 de junho de 2026 uma nova programação de exposições que integra as comemorações de seus 40 anos como centro cultural, completados em 2025.

A temporada tem como destaque a grande mostra “Constelações – 40 anos do Paço Imperial”, que ocupa 12 salões e os dois pátios internos do edifício histórico com cerca de 160 obras de mais de 100 artistas de diferentes gerações. A exposição tem curadoria compartilhada entre a diretora do Paço Imperial, Claudia Saldanha, e o professor da Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Ivair Reinaldim, em parceria com a equipe da instituição. Serão obras de nomes fundamentais da arte brasileira que passaram pela história do centro cultural, como Adriana Varejão, Amilcar de Castro, Anna Bella Geiger, Anna Maria Maiolino, Antonio Dias, Antonio Manuel, Arthur Bispo do Rosário, Beatriz Milhazes, Cildo Meireles, Denilson Baniwa, Hélio Oiticica, Iole de Freitas, Ivens Machado, Luiz Aquila, Luiz Zerbini, Lygia Clark, Lygia Pape, Marcela Cantuária, Maxwell Alexandre, Roberto Burle Marx e Tunga, entre outros.

“Passados quarenta anos, o Paço Imperial teve seu caráter de monumento reiterado, mas também se consolidou como ponto de encontro e referência para o circuito das artes visuais da cidade”, afirmam os curadores. Ao longo dessas quatro décadas, o espaço sediou exposições nacionais e internacionais, além de diversos eventos culturais, ampliando as camadas de memória de um edifício que já foi sede do governo colonial e serviu de palco para episódios marcantes como o Dia do Fico e a assinatura da Lei Áurea.
Diálogo de épocas e gerações

Inspirada na ideia de constelação, um conjunto de estrelas que, embora distantes, formam um desenho reconhecível, a exposição reúne artistas contemporâneos e populares, diferentes gerações, linguagens e suportes em nove núcleos temáticos: “Paisagem”; “In Situ”; “Simbiose”; “Construção”; “Geografias”; “Corpos”; “Fortunas”; “Terra e Mar”; e “Cidade”. Sem um percurso cronológico definido, a mostra convida o visitante a construir seu próprio trajeto pelo edifício, que terá todos os portões abertos, incluindo o principal, voltado para a Baía de Guanabara e fechado desde a pandemia da Covid-19.

“Sempre gostamos quando o visitante faz o seu próprio percurso. Pode começar pelo primeiro ou segundo andar, pode entrar por qualquer um dos portões. A mostra não tem uma cronologia, foi uma decisão da curadoria não classificar, não categorizar, não criar barreiras nem distinções entre as obras, que é um pouco do que tentamos fazer hoje, mostrando artistas de vários perfis, de várias genealogias, com raízes diferentes”, diz Claudia Saldanha, que há dez anos dirige o Paço Imperial.

Entre os destaques está um jardim em homenagem a Roberto Burle Marx, montado pela equipe do Sítio Roberto Burle Marx – outra unidade especial do Iphan – em parceria com o Paço Imperial, no pátio principal, em diálogo com obras de Elizabeth Jobim. A exposição também reúne trabalhos inéditos, como a instalação “Agrupamento”, de José Damasceno, construída com materiais coletados na feira da Praça XV, além de obras criadas especialmente para a mostra por artistas como Marcelo Monteiro e Regina de Paula.

Outro núcleo importante da exposição reúne 15 vídeos históricos produzidos nas décadas de 1980 e 1990, com registros e experimentações audiovisuais realizados em parceria com artistas como Amilcar de Castro, Anna Maria Maiolino, Antonio Manuel, Lygia Clark, Lygia Pape e Tunga. Mais do que simples registros, os filmes são apresentados como obras autônomas, concebidas em colaboração entre artistas e diretores.

A programação comemorativa aos 40 anos do Paço incluirá, ainda, seminários, oficinas e atividades educativas. O público também poderá conferir uma linha do tempo que apresenta a história do edifício desde sua construção até sua transformação em centro cultural, em 1985.
Outras exposições da temporada

A nova programação de exposições também inclui duas mostras individuais. Em “O que sustenta”, o artista pernambucano Marcelo Silveira apresenta uma instalação construída a partir de varas de madeira, cerca de 300 novelos de linho e um vinil que toca a afirmação “Tudo certo”. A obra cria uma paisagem sensível marcada por equilíbrio e instabilidade, convidando o público a refletir sobre o que sustenta a arte.

Já a exposição “Toró”, da artista Niura Bellavinha, ocupa o terreiro e o terreirinho do Paço Imperial com pinturas, esculturas e instalações que exploram a ideia de transbordamento e transformação. A mostra apresenta obras que dialogam diretamente com a arquitetura e a memória do edifício histórico. No dia da inauguração, algumas janelas da fachada irão receber uma intervenção em que telas brancas deixam escorrer tinta vermelha, ativando o prédio como superfície simbólica e evocando episódios da história colonial brasileira.

Serviço:
Nova programação de exposições do Paço Imperial
Visitação: até 7 de junho de 2026
Endereço: Praça XV de Novembro, 48 – Centro, Rio de Janeiro
Terça a domingo e feriados, das 12h às 18h
Entrada gratuita

Foto: Oscar Liberal/Iphan