Niterói fortalece formação de profissionais da Educação Infantil com abordagem inspirada em cidade italiana

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Encontro reuniu mais de 200 profissionais da Rede Municipal para troca de experiências e aprofundamento de práticas que valorizam o protagonismo das crianças

Mais de 200 profissionais da Educação Infantil da Rede Municipal participaram, neste sábado (29), de uma formação promovida pela Prefeitura de Niterói sobre a abordagem educacional de Reggio Emilia, no norte da Itália. A perspectiva valoriza a escuta das crianças, o educador como pesquisador, a potência dos espaços como terceiro educador e a construção coletiva do conhecimento. O encontro, realizado no Centro de Formação Darcy Ribeiro, no Barreto, contou com atividades de aprendizado e troca de experiências a partir de uma perspectiva que valoriza a escuta e o protagonismo das crianças, a investigação e a construção coletiva do conhecimento.

Realizada pela Secretaria Municipal de Educação em parceria com a RedSOLARE Brasil, movimento que integra uma rede internacional inspirada na experiência de Reggio Emilia, a formação buscou aproximar os princípios da abordagem das práticas já desenvolvidas na Rede Municipal, estabelecendo relações entre teoria, experiências pedagógicas e os desafios do cotidiano das unidades.

Para o secretário municipal de Educação, Bira Marques, iniciativas como essa fortalecem a política de formação continuada e ampliam as possibilidades de construção de experiências significativas com as crianças.

“Promover momentos de formação como esse é investir diretamente na qualidade da educação que oferecemos às nossas crianças. A Educação Infantil exige escuta, pesquisa, sensibilidade e disposição permanente para aprender. Trazer esse diálogo com a experiência de Reggio Emilia para a nossa Rede é também uma oportunidade de olhar para aquilo que já fazemos e pensar em novas possibilidades”, destacou o secretário.

Práticas na Rede Municipal – Em Niterói, alguns princípios abordados durante a formação já dialogam com iniciativas desenvolvidas pela Rede Municipal e com seus Referenciais Curriculares. Entre elas está o programa Recriar, que coloca a natureza no centro do processo educativo e transforma os espaços externos das unidades em ambientes de aprendizagem. A proposta estimula a curiosidade, a criatividade, a autonomia e o protagonismo das crianças, utilizando os ambientes e elementos naturais como possibilidades de investigação, brincadeira e descoberta.

Essa perspectiva também está presente no Ateliê de Linguagens do Centro de Formação Darcy Ribeiro, espaço destinado a vivências com estudantes e profissionais da Rede Municipal. O local reúne materiais como folhas, galhos, sementes, tintas e argila para atividades práticas e processos de criação.
O Centro de Formação conta ainda com um Centro de Reutilização Criativa, que reúne materiais recicláveis, resíduos industriais e outros itens de descarte que podem ganhar novos usos como ferramentas de criação, experimentação e pesquisa. Os materiais ficam disponíveis para retirada pelas unidades da Rede Municipal e utilização em atividades pedagógicas.

Formação e troca de experiências – Ao longo da programação, os participantes conheceram o panorama histórico e os fundamentos da abordagem Reggio Emilia em apresentação conduzida pela presidente da RedSOLARE Brasil, Rosa Bertholini. O encontro também abriu espaço para a partilha de saberes e o diálogo entre os profissionais, a partir das práticas e dos desafios da educação pública de Niterói.

“Reunimos um grupo de pessoas super interessadas, reafirmando o pensamento de uma prática educativa que coloca as crianças no centro do processo. É muito bom ver tantas pessoas envolvidas, a Secretaria de Educação de Niterói investindo pensamento, recurso e energia para que as crianças da cidade tenham uma educação de excelência. É uma felicidade encontrar um processo dialógico com tantas pessoas interessadas e buscadoras de uma educação de qualidade”, pontuou Rosa.

Os profissionais participaram de uma prática de ateliê, com uma experiência de investigação a partir das relações entre ideias, materiais, linguagens e processos de criação. Divididos em pequenos grupos, os participantes foram convidados a observar, interpretar, experimentar e construir composições individuais e coletivas.

Para a professora de Apoio Especializado Priscila Pacheco, da UMEI Darcy Ribeiro, a formação também representou uma oportunidade de intercâmbio entre os profissionais da Rede.

“Essa formação é um movimento super importante, de nós, professores, sairmos do espaço escolar e virmos para um momento de troca, de formação, de conhecimento. Foi muito bacana”, destacou Priscila.

A professora Rosângela de Souza, da UMEI Rosalina de Araújo Costa, ressaltou a importância da formação continuada e da abordagem para o trabalho desenvolvido na Educação Infantil.

“Gostaria de parabenizar toda a equipe, que trouxe essa formação de Reggio Emilia, que é uma abordagem maravilhosa, que evidencia o cotidiano escolar como vida. Porque, na verdade, é isso: o mundo não é lá longe, é aqui pertinho e precisa ser vivido com afetividade, carinho e com potência. Se eu pudesse dar um presente para todas as professoras de Niterói, eu daria esse curso, esse encontro maravilhoso”, afirmou Rosângela.

Ao final da programação, os grupos retornaram ao auditório para compartilhar as experiências, descobertas e produções construídas ao longo do dia. A atividade reforçou princípios como investigação, escuta, experimentação e troca, que também estão presentes nas práticas pedagógicas desenvolvidas pela Rede Municipal de Educação de Niterói.

 

Ocupação Itaú Cultural homenageia Anísio Teixeira e sua trajetória de educador

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Exposição reúne cerca de 150 documentos, fotografias, objetos e depoimentos e percorre da vida familiar às políticas públicas que marcaram a educação brasileira

Em 1927, depois de passar uma temporada nos Estados Unidos, Anísio Teixeira (1900–1971) retornava ao Brasil quando tomou uma decisão que definiria sua trajetória. Durante a viagem de volta, escreveu ao pai, Deocleciano Teixeira, comunicando que pretendia dedicar sua vida à educação. O contato com as ideias do filósofo norte-americano John Dewey, um dos principais formuladores da Escola Nova, havia contribuído para essa escolha.

Quase um século depois, o episódio abre caminho para uma exposição dedicada ao educador no Itaú Cultural, em parceria com o Itaú Social. A Ocupação Anísio Teixeira inaugura em 2 de setembro, às 19h30, e permanece em cartaz até 15 de novembro, reunindo cerca de 150 itens entre cartas, fotografias, documentos, publicações, objetos pessoais e depoimentos de familiares e pessoas que conviveram com ele.

Reconhecido em 2024 como Patrono da Escola Pública Brasileira, Anísio Teixeira foi um dos principais formuladores das políticas educacionais brasileiras no século 20. Participou do Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, de 1932, atuou na administração pública, esteve ligado à criação e consolidação de instituições de pesquisa e formação e desenvolveu experiências que anteciparam conceitos hoje associados à educação integral.

Nascido em Caetité, na Bahia, em 12 de julho de 1900, Anísio estudou Direito e posteriormente dedicou-se à educação, à administração pública e à produção intelectual. A formação religiosa também fez parte de sua juventude: por influência do pai, chegou a considerar a possibilidade de ingressar na Companhia de Jesus.

Sua concepção de escola estava relacionada a uma formação que ultrapassasse a transmissão de conteúdos. Em “Uma experiência de educação primária integral no Brasil”, publicado em 1962, escreveu: “A filosofia da escola visa oferecer à criança um retrato da vida em sociedade, com as suas atividades diversificadas e o seu ritmo de preparação e execução, dando-lhe experiências de estudo e de ação responsáveis”.

A ideia de educação integral atravessa parte importante de sua atuação e aparece como um dos eixos da exposição.

Para Valéria Toloi, gerente de Formação e Fomento do Itaú Cultural, a permanência desse debate motivou a realização da mostra. “Essa é uma das razões que nos estimulou a organizar essa exposição. Toda a construção e articulação de Anísio em torno do tema permanece vivo e pede amplificação ainda hoje”, afirma.

A exposição também procura apresentar aspectos menos conhecidos de sua vida pessoal. A curadoria pesquisou documentos do arquivo da família Teixeira e do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC), da Fundação Getulio Vargas (FGV), no Rio de Janeiro, onde está preservada a maior parte de seu arquivo pessoal.
 

Proteção online: Alerj discute medidas para prevenir crimes contra crianças e adolescentes

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Passar horas trancado no quarto, dormir pouco à noite e ficar sonolento durante o dia, e manter os aparelhos eletrônicos protegidos por senha são alguns dos sinais que pais e responsáveis devem observar para prevenir crimes cibernéticos contra menores. Só no Brasil, em apenas um ano, uma a cada cinco crianças e adolescentes de 12 a 17 anos foi vítima de exploração ou abuso sexual facilitados pela tecnologia.

Isso representa cerca de 3 milhões de meninas e meninos vítimas de violência sexual online. O dado integra o relatório “Disrupting Harm in Brazil: Enfrentando a violência sexual contra crianças facilitada pela tecnologia”, lançado em março deste ano pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) Innocenti em parceria com a Ecpat International e a Interpol, com financiamento da Safe Online.

Para enfrentar esse cenário, foi protocolado na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), este mês, o Projeto de Lei 8.086/26 que institui um programa estadual voltado à capacitação das famílias para o uso de recursos de segurança disponíveis em celulares, tablets, computadores e outros dispositivos conectados à internet.

Criação de guias com passo a passo, QR Codes e campanhas

Orientar as famílias sobre os riscos da exposição de crianças e adolescentes a conteúdos inadequados e ensinar, de forma prática, como utilizar mecanismos de proteção é um dos objetivos da proposta. Entre as funcionalidades abordadas estão filtros de pesquisa, bloqueio de sites, aplicativos e jogos incompatíveis com a faixa etária, controle de downloads e compras e limitação do tempo de uso dos dispositivos. O programa também deve incluir informações sobre segurança, privacidade e proteção de dados pessoais.

O texto estipula ainda ações para prevenir a exposição de menores a conteúdos sexuais, pornográficos e violentos, além de material relacionado a crimes, drogas, automutilação, exploração sexual e aliciamento. Também está prevista a divulgação de canais oficiais para denúncia de situações de violência, abuso, exploração ou aliciamento no ambiente digital.

O Levantamento do Instituto DimiCuida mostra que de 2014 a 2025 ao menos 56 crianças e adolescentes, com idades entre 7 e 18 anos, morreram no Brasil em decorrência de desafios compartilhados nas redes sociais. Esses dados se baseiam em casos noticiados na imprensa ou famílias que procuram organizações da sociedade civil dedicadas à temática.

Para a pediatra Evelyn Eisenstein, representante da Sociedade Brasileira de Pediatria, a prevenção começa com a desconexão. O Brasil é o segundo país do mundo que mais gasta tempo no celular e o terceiro com maior número de crianças dependentes de telas, segundo dados da Universidade de São Paulo (USP). Ela recomenda que os pais estejam presentes nas interações familiares, evitando o uso de celulares durante as refeições ou na hora de dormir. Além disso, defende a criação de rituais sem telas, incentivando atividades culturais e esportivas.

“Essa responsabilidade não é apenas da família, mas também da sociedade como um todo. É muito difícil exigir que uma criança deixe o celular de lado quando os pais permanecem conectados o tempo todo. Mais do que controlar o acesso, é preciso ensinar autorregulação e mostrar que a tecnologia deve ser uma ferramenta, e não ocupar todos os espaços da vida”, conclui.

Passo a passo para os responsáveis

Uma das principais medidas previstas no projeto de lei é a elaboração de materiais educativos com orientações práticas sobre as ferramentas de controle parental. Sempre que possível, as instruções deverão trazer passo a passo acompanhado de imagens, ilustrações, capturas de tela ou vídeos explicativos.

Os materiais deverão explicar, por exemplo, como bloquear sites com conteúdo adulto, restringir aplicativos conforme a classificação etária, controlar compras e downloads, configurar senhas de proteção e gerenciar permissões. Também deverão abordar mecanismos de segurança para redes sociais, plataformas de vídeo, aplicativos de mensagens e jogos online.

Cartazes, folders e cartilhas do programa deverão conter QR Code ou outro recurso de acesso rápido que direcione para uma página oficial com informações atualizadas, contemplando diferentes dispositivos e plataformas.

A designer Renata Peres é mãe da Alice e do João, de 13 e 16 anos, respectivamente. Ela conta que, junto com o marido, utiliza a ferramenta “Google Family” para controlar e monitorar o conteúdo dos celulares das crianças. Dessa forma, o casal administra as horas e os aplicativos que os filhos navegam durante a semana.

“Nós também controlamos o limite de uso do celular. Se o tempo acaba e eles pedem mais, nós usamos o critério dos estudos para saber se liberamos mais tempo ou não, porque pela própria plataforma conseguimos ver se usaram o celular também para estudar. Além disso, semanalmente recebemos um relatório de quanto tempo eles ficaram no celular, quais plataformas mais acessaram e quais aplicativos instalaram”, explica Renata.

Ela também conta que, apesar do diálogo dentro de casa com os filhos, a presença deles no ambiente digital ainda preocupa. “É um lugar onde eles estão vulneráveis, mas buscamos sempre orientar para que eles estejam atentos aos perigos. Em jogos on-line, é muito comum você interagir com outras pessoas, então orientamos a não falar com estranhos. Com a Alice, eu converso muito em relação à exposição nas redes sociais, principalmente porque as meninas gostam muito de tirar fotos”, pontua.

Para Renata, a medida protocolada pelo Parlamento fluminense vai beneficiar muitos pais e responsáveis que não sabem como ter esse controle. “O projeto de lei vai capacitar muitas famílias e auxiliar na busca e também na escolha de qual aplicativo usar para ter essa segurança. É essencial ter ferramentas que dão suporte na proteção e supervisão do que nossos filhos estão acessando”, conclui.

Informações poderão ser enviadas pelas operadoras

O projeto também determina que as companhias de telefonia celular que operam no Estado do Rio disponibilizem informações aos usuários. As orientações poderão ser enviadas por aplicativos de mensagens instantâneas, SMS ou notificações push, e deverão incluir link ou QR Code para a página oficial com instruções sobre a configuração das ferramentas de controle parental. A periodicidade dos avisos será definida em regulamento, e o usuário poderá cancelar gratuitamente o recebimento das mensagens.

Além disso, o programa contará com um Guia Prático de Controle Parental, que deverá permanecer disponível em versão digital e atualizada em página oficial do Poder Executivo. O documento terá caráter educativo e não poderá exigir a utilização de determinada marca, fabricante, sistema operacional, aplicativo ou plataforma.

Entre as ações previstas estão ainda campanhas de conscientização, palestras, oficinas, vídeos, tutoriais e divulgação de informações em escolas e espaços públicos. O Estado poderá firmar parcerias com instituições de ensino, órgãos públicos, entidades da sociedade civil, especialistas em segurança digital e instituições de proteção de crianças e adolescentes.

Para o delegado titular da Delegacia da Criança e do Adolescente (DCAV), Cristiano Maia, é essencial formar “cidadãos digitais” e promover um debate contínuo sobre os riscos e responsabilidades no ambiente on-line. “Não se trata de criar uma sociedade do pânico, mas de assumir nossa responsabilidade de enfrentar esse tema com seriedade”. Ele também reforçou a importância da denúncia. “Na primeira suspeita de crime, é necessário procurar a delegacia e preservar provas como o conteúdo da conversa e a URL do perfil envolvido. Estamos lidando com provas extremamente voláteis”, alerta Maia.

 

Mulher de 75 anos se forma em Serviço Social com bolsa do Conexão Universitária em Saquarema

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Quando a mestre da cerimônia da colação dos formandos do primeiro edital do programa Conexão Universitária (COUNI) chamou Célia Luísa dos Reis Mesquita ao palco do Centro de Eventos, na quarta-feira, 26 de agosto, para receber o diploma de Serviço Social, ouviu-se um coro: “Dona Célia, Dona Célia, Dona Célia”. Os mais novos assistentes sociais de Saquarema tinham motivo para celebrar, afinal de contas, não é sempre que alguém de 75 anos conclui o Ensino Superior.

Nos dias que antecederam a festividade, a sorridente Dona Célia estava ansiosa. Mandou trazer um vestido de Minas Gerais, passou a véspera da colação preparando o cabelo. Ela nem imaginava que seria uma das estrelas da noite. Ao caminhar pelo Centro de Eventos, muitas pessoas faziam questão de cumprimentá-la.

Sem limite de idade

Antes da entrega dos diplomas, em discurso para a plateia de estudantes, a Prefeita de Saquarema, Lucimar Vidal, fez questão de mencionar o nome da simpática senhora de 75 anos: “Hoje, sei que vocês estão escrevendo uma história, que passaram por desafios, que passaram por vários obstáculos. Então, parabéns a cada um de vocês, que não desistiram dos seus sonhos. A Dona Célia, ali, tá realizando um sonho. Muita gente achava que ela não iria terminar, que ela iria parar pelo caminho. A idade, ela não tem limite, não é, Dona Célia? E vocês também não têm limite. Busquem os sonhos de vocês”, emocionou-se.

Dona Célia sabia do que a Prefeita Lucimar Vidal falava. Nascida no Jacarezinho, na cidade do Rio, fez de tudo um pouco: foi costureira, assistente administrativa, voluntária em um colégio para pagar os estudos do filho e gari nas ruas de Saquarema. “Nessa época, eu trabalhava varrendo as ruas de Bacaxá e, à noite, ia estudar. Eu só passava em casa para tomar um banho antes e trocar de roupa”, lembra-se a nova assistente social, que, em Saquarema, conquistou a tão sonhada casa própria, para onde mudou-se no fim dos anos 80.

Ela é protagonista de apenas uma das cerca de 400 histórias dos formandos do primeiro edital do COUNI, o programa da Prefeitura de Saquarema que dá a moradores do município acesso ao Ensino Superior.

“O COUNI foi fundamental. Por meio do programa, aprendi coisas que eu não imaginava aprender. Foi uma conquista muito grande. Estou muito feliz e emocionada, porque é uma conquista muito grande para mim e para todos os formandos”, afirmou Dona Célia.

Nas noites de quarta-feira, 26, e quinta-feira, 27 de agosto, Saquarema ganhou 400 novos profissionais de Engenharia de Software, Publicidade e Propaganda, Ciências Contábeis, Nutrição, Educação Física, Pedagogia e Serviço Social. Todos sabem que a formatura não é o fim de um caminho, mas apenas o primeiro passo de uma carreira. Que o diga Dona Célia. Ela enfrentou desafios, mas não para, e agora, quer fazer mestrado. E com a sabedoria de uma eterna aprendiz, Dona Célia é direta ao ser perguntada sobre qual conselho daria a quem pensa em entrar no Ensino Superior tentando uma bolsa pelo COUNI: “Não é pensar, é fazer”.

Aos beneficiários do COUNI, a Prefeitura de Saquarema oferece transporte gratuito até a universidade, ajuda de custo e bolsas de estudos. Desde o início do projeto, em 2022, cerca de 12 mil pessoas já tiveram suas vidas transformadas.

 

Niterói recebe TEA Global Congress 2026 com 17 mil inscritos e mais de 160 palestrantes

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Prefeito participa da abertura de encontro internacional com especialistas e participantes do Brasil e do exterior para debates sobre autismo e inclusão

Niterói recebe, nesta quinta (27) e sexta-feira (28), a segunda edição do TEA Global Congress, encontro internacional dedicado ao debate sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). Realizado no Caminho Niemeyer, o evento reúne 17 mil inscritos e mais de 160 palestrantes nacionais e internacionais em dois dias de programação sobre saúde, educação, ciência, trabalho, tecnologia, inclusão, acessibilidade, políticas públicas e direitos das pessoas com deficiência.

O prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, participou da abertura institucional do congresso nesta quinta-feira (27) e destacou a importância da troca de experiências e da construção de políticas públicas voltadas à inclusão.

“Quando assumi meu primeiro mandato, eram cerca de 150 crianças com deficiência e com transtorno do espectro autista na Rede Municipal de Educação. Hoje, estamos chegando a quase 3 mil. Por trás desses números, estamos falando de crianças e de famílias. Também incluímos as famílias atípicas na Moeda Arariboia, porque essas famílias têm muito mais desafios e precisam desse apoio. Criamos ainda o CAIS, que é a porta de entrada para o atendimento, mas entendemos que não basta ter apenas um equipamento. Toda a rede de Educação, Saúde e Assistência Social precisa estar preparada para acolher e promover a inclusão das pessoas autistas. Sabemos que ainda temos desafios, e encontros como este congresso nos ajudam a avançar ainda mais”, afirmou o prefeito Rodrigo Neves.

Conhecimento e inclusão – Organizado pelo Instituto Oceano Azul, o TEA Global Congress 2026 foi estruturado para aproximar a produção científica da sociedade e ampliar o acesso ao conhecimento técnico e à informação qualificada. A programação reúne especialistas, pesquisadores, profissionais, gestores públicos, pessoas autistas e familiares, ampliando a discussão sobre o autismo para além dos aspectos clínicos.

“Estar aqui hoje, abrindo a segunda edição deste evento com 17 mil inscritos, é unir propósitos. A causa demanda muita atenção e cuidado e o nosso lema é trazer conhecimento de forma acessível para as pessoas. Niterói está sendo sede de um congresso internacional e só tenho a agradecer todo o apoio. Inúmeras instituições, coletivos, pessoas e voluntários uniram esse propósito para a gente realizar a segunda edição do TEA Global Congress”, afirmou Renata Esteves.

A secretária de Estado da Mulher e Políticas Inclusivas, Bianca Pacheco, chamou atenção para a necessidade de ampliar o debate sobre a inclusão para as diferentes fases da vida. Ela destacou que o Governo do Estado atua de forma transversal, envolvendo áreas como Saúde, Educação e Transporte, e ressaltou a importância de pensar também em políticas voltadas às famílias e aos responsáveis pelas pessoas com deficiência.

“Depois de mais de 20 anos trabalhando e pesquisando na área da deficiência, vejo aquelas crianças que conheci lá atrás chegando à vida adulta. E essa é uma provocação que sempre faço: como vamos olhar para essas pessoas nessa fase da vida? A inclusão não pode mais ser uma exceção bonita, ela precisa ser uma forma natural de a gente viver. Precisamos falar não só da pessoa com deficiência, mas também dos seus responsáveis”, destacou Bianca Pacheco.

A diretora da Society for Brain Mapping and Therapeutics (SBMT) e representante da Federação Brasileira de Epilepsia, Ana Isabel, destacou o crescimento do congresso desde a primeira edição e a expectativa de ampliar ainda mais o alcance do encontro nos próximos anos. A entidade internacional chancela o TEA Global Congress desde o ano passado.

“Fiquei muito feliz de ouvir que os números estão crescendo. No ano passado, começamos falando em um evento para 150 pessoas, passamos para 300, 500 e chegamos a 15 mil. Este ano, quando a Renata Esteves falou comigo, eu disse que iríamos superar esse número, e conseguimos. Para o próximo ano, vamos trabalhar para alcançar um público ainda maior”, afirmou Ana Isabel.

Durante a abertura, Ana Isabel entregou ao prefeito Rodrigo Neves uma medalha da Society for Brain Mapping and Therapeutics (SBMT). Segundo ela, a honraria é concedida pela entidade internacional a um grupo restrito de homenageados. Ao fim da abertura institucional, as autoridades presentes também receberam, do Instituto Oceano Azul, o selo “Autoridades Parceiras da Inclusão”.

Também participaram da abertura o representante do Instituto Oceano Azul, Rafael Vitor; o presidente da OAB Niterói, Pedro Gomes; o coordenador do TEA Global Congress, Riezo Almeida; a desembargadora Regina Passos, representando o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ); o subsecretário estadual de Políticas Inclusivas, Geraldo Nogueira; a coordenadora do Escritório de Políticas Transversais de Niterói, Carla Tavares; o secretário municipal de Inovação, Ciência e Tecnologia, Rodrigo Ramalho; a coordenadora de Acessibilidade de Niterói, Camila Rodrigues; e a secretária municipal de Saúde, Ilza Fellows.

Programação – O TEA Global Congress segue nesta sexta-feira (28), no Caminho Niemeyer. Com participantes de diferentes regiões do Brasil e de outros países, o encontro promove debates e a troca de experiências sobre ciência, inovação, inclusão e políticas públicas relacionadas ao autismo. A proposta é reunir diferentes áreas do conhecimento e setores da sociedade para discutir os desafios e avanços na garantia de direitos, na inclusão e na qualidade de vida das pessoas autistas e de suas famílias.

Foto: Lucas Benevides

 

Competição de games em escolas da rede municipal premia 27 estudantes em Arraial do Cabo

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Competição envolveu cerca de 1.500 estudantes da rede municipal de ensino integral durante seis meses e terminou com premiação dos melhores colocados de cada ano escolar

A rede municipal de ensino integral de Arraial do Cabo encerrou, no sábado (15), a Liga Diamante da Caixa de Soluções Educacionais (CASE), plataforma gamificada da GF CORP, em uma competição que uniu jogos digitais, conhecimento e educação ao longo dos últimos seis meses. A iniciativa é realizada por meio da Prefeitura de Arraial do Cabo, por meio da Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia, e alcança aproximadamente 1.500 estudantes das escolas que funcionam em turno integral no município. Ao todo, foram premiados 27 alunos das escolas públicas do município.

Durante a competição, os estudantes acumularam pontos enquanto jogavam a CASE e respondiam a perguntas inseridas na própria dinâmica dos jogos. Além de contribuírem para a pontuação, as respostas também podiam habilitar poderes especiais utilizados durante as partidas, combinando conhecimento e estratégia em uma experiência gamificada.

Ao final da primeira etapa, os 20 estudantes com maior pontuação de cada ano escolar foram classificados para a grande final presencial, sendo, no total, 180 vagas, em que 146 foram preenchidas. No encontro, realizado no último sábado, todos os participantes começaram com a pontuação zerada e disputaram as partidas pelo mesmo período, utilizando máquinas com configurações iguais. O formato foi pensado para garantir condições de competição equivalentes e isonomia entre os finalistas.

Para Márcio Matheus, diretor comercial da GF CORP, a iniciativa demonstra como os jogos podem ser utilizados para aproximar educação, tecnologia e participação dos estudantes.

“A CASE mostra que games podem ir muito além do entretenimento. Quando colocamos conhecimento, estratégia e competição dentro da experiência de jogo, conseguimos criar uma forma diferente de engajar os estudantes e estimular habilidades importantes. O mais interessante é ver uma competição em que todos começam nas mesmas condições e precisam usar tanto o que aprenderam quanto sua capacidade de jogar para chegar à final. É uma experiência que aproxima a escola da cultura digital e mostra o potencial dos games como ferramenta educacional.”

“Ficamos muito felizes em promover um evento como esse, pois ele fortalece a Cultura Digital nas Escolas em Tempo Integral do nosso município e evidencia como a tecnologia pode ampliar as aprendizagens e desenvolver o protagonismo estudantil”, complementa Victor Fontes, Subsecretário de Ciência e Tecnologia.

A final também mostrou a dimensão da participação dos estudantes. Somados, os tempos de jogo de todos os competidores chegaram a 30 horas, 27 minutos e 8 segundos, distribuídos em 2.602 partidas. Além das partidas, a competição manteve a proposta de integrar conteúdo educacional à experiência. Durante a manhã da final, foram registradas 1.759 respostas às perguntas dentro dos jogos. Deste total, 936 foram corretas (53,21%), 568 incorretas (32,29%) e 255 foram puladas (14,50%).

Ao final da disputa, foram premiados os três melhores colocados de cada ano escolar. O primeiro colocado recebeu uma cadeira gamer; o segundo, um kit de periféricos gamers, com mouse, teclado, fone de ouvido e mousepad; e o terceiro, uma caixa de som portátil AIWA. Os dois grandes campeões da Liga Diamante também receberam uma premiação especial. A campeã do Ensino Fundamental I, Allana N. dos S. R., do 5º ano da Escola Municipal Vera Felizardo, e a campeã do Ensino Fundamental II, Alessandra A. dos S., do 9º ano do Colégio Municipal Francisco Porto de Aguiar, ganharam, cada uma, um PlayStation 5, acompanhado de dois jogos, leitor de mídia física e controle.

A cerimônia de premiação contou com a participação de representantes da Secretaria Municipal de Educação, Ciência e Tecnologia, entre eles a secretária-adjunta, Shanna Barros, o subsecretário de Ciência e Tecnologia, Victor Fontes, e a subsecretária de Ensino Integral, Julia Barreto.

Ao longo de seis meses, a competição transformou atividades de aprendizagem em desafios dentro dos jogos, criando uma dinâmica na qual conhecimento e desempenho eram utilizados conjuntamente para avançar na disputa. A experiência também reforça o potencial dos games como ferramenta de aprendizagem e de aproximação entre estudantes e tecnologia. Com a Liga Diamante da CASE, Arraial do Cabo amplia o uso da tecnologia no ensino integral e cria uma experiência que combina competição, aprendizagem e cultura digital, envolvendo estudantes de diferentes anos escolares em uma mesma jornada.

Sobre a GF CORP

Uma das pioneiras do setor de jogos brasileiro, a GF CORP atua há mais de 18 anos na criação de soluções gamificadas. Em 2016 desenvolveu a Caixa de Soluções Educacionais (CASE), plataforma de jogos aplicados à educação que leva experiências gamificadas aos estudantes de escolas públicas, colocando a tecnologia e a ludicidade a serviço da educação, com foco na melhoria do desempenho e do engajamento dos estudantes.

A CASE é uma plataforma de jogos que adota um sistema de microaprendizagem, baseado em experiências curtas, modulares e adaptativas, que já alcançou milhares de jovens e adultos em todo o país. São mais de três milhões de partidas jogadas e 100 mil usuários cadastrados, consolidando a plataforma como uma das principais referências em jogos aplicados à educação.

“A Lente é Nossa” oferece formação gratuita em audiovisual para jovens de Maricá

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Idealizada pela AVS Eventos, Semana da Economia Criativa oferece ofinas de formação em roteiro, direção, fotografia e produção de conteúdo

Entre os dias 24 e 29 de agosto, jovens de Maricá estarão participando de uma formação gratuita em audiovisual e economia criativa. A iniciativa “A Lente é Nossa: Semana da Economia Criativa” oferece uma imersão prática em roteiro, direção, fotografia, produção de conteúdo e construção de narrativas, aproximando os participantes das diferentes possibilidades profissionais do setor audiovisual.

Idealizado pela AVS Eventos e patrocinado pela Caixa, o projeto será dividido em duas turmas: a primeira aconteceu até o dia 22 de agosto, na Quadra do GRES Estácio, no Rio de Janeiro. E a segunda, de 24 a 29 de agosto, no Instituto Claudinho Guimarães, no Centro de Maricá. As aulas serão realizadas sempre das 19h às 21h30. Sendo 60 alunos de cada, totalizando 120 vagas.

Mais do que apresentar técnicas de produção audiovisual, “A Lente é Nossa” nasce com a proposta de utilizar a economia criativa como ferramenta de inclusão produtiva, geração de renda e desenvolvimento social. A formação é direcionada prioritariamente a jovens de territórios periféricos e busca ampliar o acesso de grupos historicamente minorizados a conhecimentos e oportunidades em um mercado no qual a diversidade de perspectivas também influencia as histórias que chegam às telas.

“A economia criativa abre caminhos profissionais que muitas vezes ainda parecem distantes para os jovens das periferias. Com ‘A Lente é Nossa’, queremos aproximar essas possibilidades dos territórios e mostrar que o audiovisual pode ser, ao mesmo tempo, ferramenta de expressão, formação profissional e geração de renda. É sobre dar acesso às ferramentas para que esses jovens possam transformar suas próprias ideias e histórias em oportunidades”, afirma André Vaz, CEO da AVS Eventos, empresa idealizadora da iniciativa.

Experiência das periferias para dentro da sala de aula
Entre os responsáveis pela formação está o roteirista e diretor Rodrigo Felha, profissional com uma trajetória construída a partir do audiovisual e das periferias. Formado pela Escola de Cinema Darcy Ribeiro, Felha iniciou sua carreira no documentário “Falcão – Meninos do Tráfico” e, durante sete anos, coordenou o Núcleo Audiovisual da CUFA – Central Única das Favelas, onde dirigiu e produziu projetos em conjunto com alunos.

Ao longo da carreira, integrou a equipe de roteiro do “Esquenta!”, da TV Globo, dirigiu trabalhos como “Cinco Vezes Favela, Agora por Nós Mesmos”, “5x Pacificação” e “Favela Gay”, além da série documental “Periferias LGBTQIA+”. Mais recentemente, foi roteirista da série “Cidade de Deus: A Luta Não Para”, da HBO/Max, e diretor do programa “Bom Dia Favela”, da Band Rio.

“Existe uma potência enorme quando jovens de periferia percebem que também podem estar atrás das câmeras, escrevendo, dirigindo e decidindo como suas histórias serão contadas. A formação técnica é importante, mas também queremos estimular um olhar autoral, mostrar que as vivências e os territórios desses jovens são repertório e podem se transformar em narrativa, trabalho e produção cultural”, destaca Rodrigo Felha, professor e instrutor da formação.

120 vagas gratuitas
Ao todo, foram disponibilizadas 120 vagas gratuitas, sendo até 60 participantes por turma. O curso é destinado a jovens a partir de 16 anos, prioritariamente das classes C, D e E e moradores de favelas da Zona Norte do Rio, regiões próximas e de Maricá.

O projeto também estabelece mecanismos para ampliar a diversidade entre os participantes. Metade das vagas será reservada para mulheres, além da prioridade para pessoas negras, LGBTQIAPN+ e outros grupos historicamente minorizados. Outras 12 vagas serão destinadas exclusivamente a empregados e estagiários da CAIXA.

Ao aproximar formação técnica, representatividade e oportunidades profissionais, “A Lente é Nossa” pretende contribuir para que novos realizadores possam não apenas ingressar no mercado audiovisual, mas também ocupar os espaços de criação e contar histórias a partir de seus próprios territórios e perspectivas.

SERVIÇO
A Lente é Nossa: Semana da Economia Criativa
Turma Maricá
Quando: 24 a 29 de agosto de 2026
Horário: 19h às 21h30
Onde: Instituto Claudinho Guimarães – Centro de Maricá

Vagas: até 60 alunos
Público: jovens a partir de 16 anos, prioritariamente das classes C, D e E e moradores de favelas e territórios periféricos
Quanto: gratuito
Inscrições: Formulário disponível no perfil AVS Eventos
Realização: AVS Eventos
Patrocínio: Caixa

 

Niterói terá primeira escola municipal vocacionada para o esporte

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A Prefeitura de Niterói está implantando a primeira escola municipal vocacionada para o esporte da cidade. Localizada no Caramujo, a Escola Municipal Antineia Silveira Miranda está adotando um novo modelo pedagógico, no qual o esporte passa a ser um dos pilares do currículo, ampliando a prática esportiva e contribuindo para o aprendizado, a convivência e o desenvolvimento dos estudantes.

A iniciativa vai além da formação de atletas e se diferencia do modelo tradicional de ensino pela presença diária do esporte no currículo. Em vez de aulas generalistas de Educação Física uma vez por semana, os estudantes terão várias horas semanais dedicadas à prática esportiva e ao treinamento de modalidades específicas. Inicialmente, poderão experimentar diferentes esportes para, posteriormente, escolher uma modalidade principal.

“O esporte sempre foi uma prioridade da nossa gestão como ferramenta de inclusão social e transformação de vidas. Em 2019, inauguramos o Parque Esportivo e Social do Caramujo em uma área que antes era degradada e marcada pela violência, e hoje esse espaço é um importante equipamento público que promove cidadania, inclusão e oportunidades para milhares de jovens. A escola vocacionada dialoga diretamente com essa história e reforça nosso compromisso de integrar educação, esporte e desenvolvimento social”, afirmou o prefeito Rodrigo Neves.

A implantação da escola vocacionada está sendo desenvolvida ao longo de 2026, com acompanhamento pedagógico, investimentos em infraestrutura e diálogo com profissionais da educação, estudantes e famílias. O novo currículo inclui modalidades esportivas integradas à matriz curricular, professores-treinadores, espaços específicos para treinamento e uma organização pedagógica diferenciada.

A proposta também estimula a participação dos estudantes em competições, contribuindo para a formação de futuros atletas e o fortalecimento da prática esportiva, ao mesmo tempo que amplia o desenvolvimento de outras competências.

O secretário municipal de Educação, Bira Marques, ressaltou que a iniciativa fortalece os investimentos no esporte educacional na rede municipal, que incluem o Centro de Treinamento Niterói Joga em Rede, a ampliação da prática esportiva nas escolas e o incentivo à participação dos estudantes nos Jogos Escolares de Niterói (JEN).

“Não se trata apenas de formar atletas, mas de formar cidadãos, garantindo que cada estudante tenha a liberdade e as condições de escolher seus próprios caminhos. O esporte ensina valores fundamentais para a vida e, quando integrado ao currículo escolar, amplia o engajamento e potencializa a aprendizagem. Esse projeto se soma aos investimentos que já realizamos no Centro de Treinamento Niterói Joga em Rede, que oferece treinamento de alta performance, academia, ginásio e acompanhamento profissional, ampliando as oportunidades de formação esportiva dentro da rede pública”, destacou o secretário.

A proposta reconhece o esporte como ferramenta de desenvolvimento integral e formação cidadã, contribuindo para a promoção da saúde, da qualidade de vida, do trabalho coletivo, da disciplina, da autonomia e do respeito às diferenças. O modelo também busca fortalecer a permanência dos estudantes na escola e ampliar as oportunidades de aprendizagem.

 

Fernanda Torres encerra FLIN 2026, que reuniu mais de 50 mil pessoas em Niterói

Festa Literária supera em mais de 65% a expectativa inicial de público e fecha edição marcada por espaços lotados, grandes nomes da cultura brasileira e homenagem a Lélia Gonzalez

A literatura, a arte e o pensamento crítico tomaram conta de Niterói, neste domingo (16), no encerramento da Festa Literária Internacional de Niterói (FLIN) 2026, no Reserva Cultural. Promovida pela Prefeitura de Niterói, por meio da Fundação de Arte de Niterói (FAN), a FLIN encerrou quatro dias de atividades atingindo a marca de mais de 50 mil visitantes, um público que superou em mais de 65% a meta inicial de 30 mil pessoas.
O prefeito Rodrigo Neves destacou o crescimento expressivo do evento e reafirmou o compromisso do município em investir continuamente na cultura como motor socioeconômico.

“A Feira Literária Internacional de Niterói envolveu editoras e autores locais, além de grandes nomes da literatura brasileira e internacional. A FLIN se consolida como um dos grandes eventos literários do Brasil. Vamos seguir planejando e investindo nesse projeto porque ele tem tudo a ver com a cidade que queremos construir, que compreende a cultura como um elemento indissociável do seu desenvolvimento. A festa foi abraçada pelos niteroienses e, por isso, veio para permanecer”, destacou o prefeito Rodrigo Neves.

Os momentos mais aguardados do encerramento mobilizaram uma multidão de leitores, com destaque para a participação da atriz e escritora Fernanda Torres. Ela participou de uma conversa sobre literatura, teatro, atuação, processo criativo, bloqueio de escrita e, sobretudo, sobre os livros que ajudam a compreender o Brasil. Ela encerrou a programação oficial na Sala Nelson Pereira dos Santos com a leitura do primeiro capítulo de seu romance “A Glória e seu Cortejo de Horrores”.

“Quando fui escrever, muito do meu treino de atriz entrou no processo. Existe um exercício muito grande de se colocar no personagem, pensar o que ele faria, o que responderia e enxergar o mundo pelo ponto de vista de outra pessoa. Às vezes, um personagem ajuda você a explorar até uma coisa sua que você ainda não tinha explorado. Acho que o livro básico para entender o Brasil é Memórias Póstumas de Brás Cubas. É curto e é uma porta de entrada extraordinária para entender como somos. O que Machado (de Assis) faz com Brás Cubas é muito mais assustador e profundo porque ele mergulha no lado arcaico do ser humano. Depois, se a pessoa gostar, daria Nelson Rodrigues, O Beijo no Asfalto. E, claro, Guimarães Rosa, Grande Sertão: Veredas, e Os Sertões, que é quase um tratado científico sobre o Brasil”, afirmou Fernanda Torres.

O encerramento da FLIN 2026 também teve a presença do cantor e escritor Emicida, que participou da mesa “De onde cê vem?”, mediada pela jornalista Luciana Barreto. A mesa partiu de uma reflexão sobre os lugares de onde viemos e aquilo que construímos a partir deles, explorando a relação entre literatura, oralidade, música, memória, cultura periférica e formação de identidade.

Com o tema “Territórios das Palavras”, a edição de 2026 prestou homenagem à intelectual, antropóloga e ativista Lélia Gonzalez. A presidenta da Fundação de Arte de Niterói (FAN), Micaela Costa, ressaltou que a expressiva participação popular reflete o compromisso com a diversidade e o fortalecimento de novas narrativas.

“A FLIN 2026 entra definitivamente para o cenário das grandes festas literárias do Brasil, não apenas pelo recorde de público, mas pela excelência das atrações e das atividades oferecidas. Um dos nossos pilares é o Espaço Nikitinhos, 100% voltado às crianças, porque acreditamos que a literatura deve estar presente desde a infância. Outra marca que consolidamos é a diversidade de linguagens: reunimos nomes como Emicida, Conceição Evaristo, Teresa Cristina e Marcelo Adnet. Essa pluralidade aproxima pessoas que por vezes nem se descobriam leitoras e saem do evento transformadas, lendo mais e influenciando seu entorno”, avaliou Micaela Costa.

A programação do dia do encerramento teve a mesa “Subúrbios, periferia e boemia”, com Aydano André Motta, Luiz Rufino e Beatriz Chacon; o painel “Fábulas, fantasias e odisseias”, com Ariani Castelo e Giu Domingues; o debate “Ancestralidade e transformação social”, com Cidinha da Silva, Preto Zezé e Elisa Larkin Nascimento; e a mesa “O riso e a mulher”, reunindo Carol Loback, Fabiana Karla e Flávia Reis.

No fim da tarde, o Palco Territórios abrigou o “Sarau Ocupação Afropoética” com Sol de Paula. Nas arenas e palcos de debates, o domingo reuniu grandes nomes da literatura contemporânea, psicanálise, ilustração e humor. Houve, por exemplo, uma mesa sobre autoficção com Tatiana Salem Levy e Tati Bernardi; e o debate “Narrativas e Histórias” com Mary Del Priore, Flávio Carneiro e Cláudia Mesquita.

Em quatro dias, a FLIN 2026 ofereceu mais de 62 horas de programação gratuita e reuniu mais de 200 convidados. A presença de escritores locais e regionais mais que dobrou em relação ao ano anterior, totalizando 257 autores inscritos de Niterói, Rio de Janeiro, Maricá, Itaboraí e São Gonçalo.
O crescimento da FLIN 2026 também se refletiu na cadeia do livro. O número de editoras participantes passou de 10, em 2025, para 13 em 2026. Ao todo, três livrarias venderam 4 mil livros, enquanto o cadastro de editoras e livrarias para o recebimento do Cartão Arariboia, moeda social de Niterói, aproximou a política cultural da economia do livro.

A FLIN também ampliou sua articulação institucional: a Academia Brasileira de Letras (ABL), que doou 1500 livros durante a festa, e a Biblioteca Nacional apoiaram a realização do evento com a presença de acadêmicos distribuídos em diferentes mesas.

Entre os convidados da FLIN 2026 estiveram Ana Maria Gonçalves, Jeferson Tenório, Conceição Evaristo, Valter Hugo Mãe, Eliana Alves Cruz, Ruy Castro, Jout Jout, Fabrício Carpinejar, Ana Maria Machado, Ondjaki, Cidinha da Silva, Luiz Antonio Simas, Lilia Schwarcz, Marcelo Quintanilha, Jessé Souza, Marcelo Adnet, Ana Paula Araújo, Miriam Leitão, Stefano Volp, Mariana Salomão Carrara, Otávio Junior, Teresa Cristina, Déia Freitas, Geni Núñez, além de pesquisadores, jornalistas, escritores, roteiristas, artistas, influenciadores e criadores de diferentes áreas.

A edição também ampliou as ações de formação e responsabilidade social e ambiental. A FLIN recebeu estudantes da rede pública de ensino, promoveu ações de formação de leitores e contou com uma iniciativa do Instituto Léo Solidário, que propôs a troca de livros por resíduos, além da arrecadação de alimentos para a campanha 1 Kg de Alimentos Solidários, destinados ao Banco de Alimentos de Niterói.

Com programação gratuita, tradução em Libras e audiodescrição em diversas atividades, a festa encerra a edição de 2026 reforçando a literatura como instrumento de acesso, encontro e transformação, e Niterói como um território cada vez mais aberto às palavras.

Foto: Claudio Fernandes

Niterói e Uruguai assinam acordo para primeira escola pública bilíngue em português e espanhol da rede municipal

Dom José Pereira Alves, na Vila Ipiranga, será unidade-piloto da parceria, que prevê formação de professores, intercâmbio e certificação de estudantes

Niterói e o Uruguai oficializaram, nesta segunda-feira (10), a parceria para a implantação da primeira escola pública bilíngue em português e espanhol da rede municipal. O acordo de cooperação foi assinado pelo prefeito Rodrigo Neves, que preside a MercoCidades (Associação de Prefeitos da América do Sul); pelo ministro da Educação e Cultura do Uruguai, José Carlos Mahía; e pelo presidente da Administración Nacional de Educación Pública (ANEP), Pablo Caggiani, e pelo secretário municipal de Educação, Bira Marques. A Escola Municipal Dom José Pereira Alves, na Vila Ipiranga, Fonseca, será a unidade-piloto da iniciativa.

“Hoje, celebramos um marco histórico com a inauguração da primeira escola bilíngue em português e espanhol, em parceria com o Uruguai. Esta unidade tem um significado especial para mim: foi aqui que despertei para a consciência social e política, inspirado pela trajetória da minha mãe, professora e ex-diretora desta escola. A educação é a ferramenta mais poderosa para reduzir desigualdades e construir a felicidade coletiva. Seguiremos de mãos dadas com nossos irmãos uruguaios, fortalecendo a integração latino-americana e ampliando oportunidades para nossas crianças e jovens”, afirmou o prefeito Rodrigo Neves.

A cooperação integra um programa voltado à ampliação do ensino da língua e ao fortalecimento da educação em tempo integral, aproximando a rede pública de Niterói de outros países da América Latina.

“A cultura e a educação são instrumentos fundamentais para fortalecer a integração entre os povos e para trabalhar valores comuns. A educação é a maior oportunidade de construirmos uma sociedade mais justa, porque permite que todas as pessoas, independentemente do lugar onde nasceram ou de sua realidade familiar, tenham acesso ao conhecimento, à mobilidade social e a um futuro com mais igualdade, liberdade e felicidade. A energia com que fomos recebidos pelos estudantes, pelas meninas e pelos meninos desta escola, nos ensina exatamente isso: devemos ser livres, felizes e construir uma sociedade com igualdade e oportunidades para todos”, ressaltou o ministro da Educação e Cultura do Uruguai, José Carlos Mahía.

Durante a cerimônia de assinatura, estudantes do projeto Aprendiz Musical fizeram uma apresentação especial. O grupo interpretou as canções “Anunciação”, “Cirandeira” e “Como Una Flor”, além dos hinos nacionais do Brasil e do Uruguai.

A parceria prevê ações de formação continuada para professores, com foco no ensino da língua e da cultura espanhola e no aprimoramento das práticas pedagógicas do programa. Também estão previstos intercâmbios de professores e estudantes com cidades uruguaias, além da certificação dos alunos.

“A implantação da escola bilíngue reafirma o compromisso da educação pública de Niterói com o enfrentamento às desigualdades. A escolha desta unidade, localizada em uma região vulnerável da cidade, reforça a importância de garantir um ensino público de excelência. Queremos que nossas crianças aprendam espanhol, conheçam a cultura uruguaia e ampliem seus horizontes por meio de intercâmbios”, destacou o secretário municipal de Educação, Bira Marques.

Também estiveram presentes na cerimônia de assinatura o embaixador do Uruguai no Brasil, Rodolfo Nin Novoa; o cônsul-geral do Uruguai no Rio de Janeiro, Alejandro Mongrell; o secretário executivo, Felipe Peixoto; o subsecretário municipal de Relações Internacionais, Pedro Spadele; a presidente da Fundação Municipal de Educação, Andrea Bello; a diretora da E.M. Dom José Pereira Alves, Márcia Romão; o vereador e líder do governo na Câmara Municipal, Binho Guimarães, além de outras autoridades municipais.

Uma trajetória de educação – Fundada em 1944, a E.M. Dom José Pereira Alves tem uma trajetória marcada pelo compromisso com a educação e a comunidade da Vila Ipiranga. Municipalizada em 2009, a unidade passou a integrar a Rede Municipal de Ensino de Niterói e, desde 2022, funciona em horário integral. Em 2026, a escola amplia sua atuação com a oferta da Educação de Jovens e Adultos e se torna a primeira unidade da rede municipal a receber o projeto de escola bilíngue em parceria com o Uruguai.