ESG ganha cada vez mais peso no acesso de empresas brasileiras ao mercado europeu

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Regras da UE reforçam exigências sobre rastreabilidade, emissões, sustentabilidade e governança no planejamento de empresas que avaliam internacionalizar seus negócios

Ter comprador, demanda e um produto competitivo tem se confirmado cada vez mais não ser suficiente para uma empresa brasileira conseguir operar no mercado europeu. Nos últimos anos, a União Europeia vem ampliando regras relacionadas à sustentabilidade, rastreabilidade, emissões e governança, consolidando a influência de temas ligados ao ESG (Environmental, Social and Governance) não apenas na reputação das empresas, mas também em documentos, contratos, cadeias de fornecimento e, em determinadas situações, no próprio acesso ao mercado.

Para empresas brasileiras que avaliam vender, fornecer ou estruturar negócios na Europa, esse cenário reforça uma variável importante no planejamento da internacionalização: entender quais exigências realmente atingem sua atividade e se a empresa consegue comprová-las.

Na avaliação do advogado especializado em negócios internacionais, Bruno Albuquerque, preço, logística, tarifas e compradores continuam sendo fundamentais, mas já não encerram a análise de viabilidade de uma operação internacional. “Origem do produto, rastreabilidade, emissões, sustentabilidade e, principalmente, a capacidade de comprovar essas informações tem ganhado muita relevância na relação comercial com a Europa”, explica.

Segundo Albuquerque, práticas ESG podem fortalecer a reputação da empresa, favorecer relações com investidores e compradores e facilitar sua participação em determinadas cadeias de fornecimento. Mas o avanço regulatório europeu vai além da imagem corporativa: em alguns casos, essas exigências chegam aos contratos ou às próprias regras de acesso ao mercado. “Isso não significa, porém, que uma empresa considerada sustentável obtenha automaticamente alguma preferência comercial na Europa. O ponto central é outro: companhias capazes de atender e demonstrar o cumprimento das exigências aplicáveis tendem a estar mais preparadas para responder às demandas do mercado europeu”, destaca.

As regras europeias
O ambiente regulatório da União Europeia reúne diferentes normas voltadas a aspectos específicos da sustentabilidade empresarial. Entre elas está a Diretiva de Relato de Sustentabilidade Corporativa (CSRD), que amplia as exigências de transparência e de divulgação de informações sobre sustentabilidade para as empresas abrangidas pela regra. A Diretiva relativa ao Dever de Diligência das Empresas em matéria de Sustentabilidade (CSDDD), por sua vez, trata da identificação e do tratamento de impactos negativos sobre direitos humanos e meio ambiente ao longo das atividades empresariais.

Já o Regulamento Europeu contra o Desmatamento (EUDR) reforça a necessidade de rastrear e comprovar a origem de determinados produtos comercializados no mercado europeu. Por fim, o Mecanismo de Ajustamento Carbónico Fronteiriço (CBAM) relaciona a entrada de determinados produtos importados às emissões de carbono incorporadas em sua produção, dando peso econômico a essas emissões no acesso ao mercado europeu.

Na prática, o impacto dessas normas pode chegar também a empresas brasileiras que não estejam diretamente submetidas à legislação europeia. “Uma empresa não precisa necessariamente estar diretamente enquadrada em determinada norma para sentir seus efeitos. Se fizer parte da cadeia de atividades de uma companhia abrangida, pode receber pedidos de informação, exigências contratuais e requisitos de compliance, sempre dentro dos limites estabelecidos pela própria legislação”, afirma Albuquerque.

Caso real
O caso envolvendo produtos brasileiros de origem animal ajuda a mostrar como o cumprimento regulatório pode interferir diretamente em uma oportunidade comercial. A União Europeia estabeleceu novas regras para o controle de antimicrobianos na importação de carne bovina, aves, ovos e mel. Como o Brasil não apresentou dentro do prazo as garantias documentais exigidas, o bloco retirou o país da lista de exportadores autorizados, com embargo previsto para entrar em vigor em 3 de setembro de 2026.

A medida é de natureza sanitária e não corresponde a uma exigência ESG em sentido estrito. Ainda assim, de acordo com Albuquerque, o episódio ilustra uma questão central para qualquer empresa que pretenda acessar mercados internacionais: não basta haver interesse comercial se não houver capacidade de atender e comprovar os requisitos regulatórios. “O acordo comercial, o interesse de compradores ou a existência de demanda não eliminam a etapa regulatória. A oportunidade pode existir, mas a empresa precisa demonstrar que está apta a operar naquele mercado”, observa.

Para o advogado, é justamente por isso que ESG não deve ser tratado apenas como ferramenta de imagem ou marketing no planejamento de uma internacionalização. “O empresário precisa identificar quais exigências ambientais, sociais, de governança, sanitárias e de produto realmente atingem a sua atividade e realmente se preocupar com esses pontos”, acrescenta.

Oportunidade para empresas de tecnologia e gestão
O avanço das exigências europeias não produz efeitos apenas para exportadores ou empresas que precisam adaptar seus próprios processos. Na avaliação do especialista em negócios internacionais, também pode ampliar a necessidade de tecnologias e serviços capazes de medir, organizar, documentar e comprovar informações relacionadas à sustentabilidade e às cadeias produtivas.

Nesse cenário, empresas que desenvolvem soluções de rastreabilidade, cálculo e gestão de emissões, eficiência energética, economia circular, monitoramento ambiental, compliance de fornecedores, georreferenciamento, coleta de dados ESG e automação de processos de conformidade podem encontrar um novo campo de atuação.

Para Albuquerque, à medida que as organizações precisam demonstrar de forma mais estruturada a origem de produtos, emissões e outros dados ligados às suas operações, cresce também a necessidade de uma infraestrutura capaz de reunir e administrar essas informações. “Com isso, empresas brasileiras de tecnologia e gestão que consigam desenvolver soluções adaptadas às necessidades e aos padrões europeus podem encontrar um novo campo de atuação. A oportunidade está justamente em resolver um problema que passa a ser estrutural para diversas cadeias”, conclui.

Sobre o Bruno Albuquerque
Bruno Albuquerque é um advogado brasileiro com atuação no Brasil e em Portugal, nas áreas de Direito Internacional, Empresarial e Bancário. Trabalha na interseção entre direito, finanças e estratégia para apoiar empresários, empresas e investidores em decisões e estruturação de negócios entre Brasil e Europa, com foco em planejamento, previsibilidade e mitigação de riscos antes da execução.

 

Pessoas em situação de rua visitam Projeto Grael em experiência de formação e novas perspectivas

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Atividade do Recomeçar é Possível aproxima participantes de oportunidades de esporte, educação e qualificação profissional

No dia 27 de agosto, um grupo de pessoas em situação de rua atendidas pelo Recomeçar é Possível (RéP) vai a Jurujuba, em Niterói, para conhecer o Projeto Grael, iniciativa criada pelos campeões olímpicos Torben e Lars Grael que utiliza o esporte, a educação e a formação profissional como instrumentos de inclusão social.

A visita pretende aproximar os participantes de um espaço de aprendizagem, convivência e qualificação, ampliando o contato com experiências que podem contribuir para a construção de novos projetos de vida e perspectivas de futuro.

Para o RéP, levar pessoas em situação de rua a diferentes espaços da cidade também significa ampliar repertórios e possibilidades. A visita ao Projeto Grael permitirá aos participantes conhecer de perto o universo da vela e as atividades desenvolvidas pela instituição, além de entrar em contato com uma iniciativa que aposta na educação e na capacitação profissional como ferramentas de transformação social.

“Às vezes, uma experiência aparentemente simples abre uma porta que a gente nem sabia que existia. É isso que queremos provocar: que as pessoas possam conhecer outros lugares, outras histórias, se interessar por alguma coisa nova e, quem sabe, sair dali pensando diferente sobre o que gostariam de fazer daqui para frente”, observa Ana Paula Rios, coordenadora do Recomeçar é Possível (RéP).

A atividade integra as ações do Recomeçar é Possível voltadas à ampliação do acesso a direitos, à geração de renda, à empregabilidade, à cultura e ao fortalecimento da autonomia de pessoas em situação de rua na região Centro-Lapa do Rio de Janeiro.

Realizado pela People’s Palace Projects Brasil e pelo Instituto LAR, o projeto busca criar oportunidades para que seus participantes possam ampliar seus repertórios, acessar novos caminhos de formação e trabalho e fortalecer sua autonomia.

Serviço
Visita ao Projeto Grael
Data: 27 de agosto de 2026
Local: Projeto Grael – Jurujuba, Niterói (RJ)
Participantes: pessoas em situação de rua atendidas pelo Recomeçar é Possível
Realização: Recomeçar é Possível (RéP)

Foto: João Almeida

 

“A Lente é Nossa” oferece formação gratuita em audiovisual para jovens de Maricá

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Idealizada pela AVS Eventos, Semana da Economia Criativa oferece ofinas de formação em roteiro, direção, fotografia e produção de conteúdo

Entre os dias 24 e 29 de agosto, jovens de Maricá estarão participando de uma formação gratuita em audiovisual e economia criativa. A iniciativa “A Lente é Nossa: Semana da Economia Criativa” oferece uma imersão prática em roteiro, direção, fotografia, produção de conteúdo e construção de narrativas, aproximando os participantes das diferentes possibilidades profissionais do setor audiovisual.

Idealizado pela AVS Eventos e patrocinado pela Caixa, o projeto será dividido em duas turmas: a primeira aconteceu até o dia 22 de agosto, na Quadra do GRES Estácio, no Rio de Janeiro. E a segunda, de 24 a 29 de agosto, no Instituto Claudinho Guimarães, no Centro de Maricá. As aulas serão realizadas sempre das 19h às 21h30. Sendo 60 alunos de cada, totalizando 120 vagas.

Mais do que apresentar técnicas de produção audiovisual, “A Lente é Nossa” nasce com a proposta de utilizar a economia criativa como ferramenta de inclusão produtiva, geração de renda e desenvolvimento social. A formação é direcionada prioritariamente a jovens de territórios periféricos e busca ampliar o acesso de grupos historicamente minorizados a conhecimentos e oportunidades em um mercado no qual a diversidade de perspectivas também influencia as histórias que chegam às telas.

“A economia criativa abre caminhos profissionais que muitas vezes ainda parecem distantes para os jovens das periferias. Com ‘A Lente é Nossa’, queremos aproximar essas possibilidades dos territórios e mostrar que o audiovisual pode ser, ao mesmo tempo, ferramenta de expressão, formação profissional e geração de renda. É sobre dar acesso às ferramentas para que esses jovens possam transformar suas próprias ideias e histórias em oportunidades”, afirma André Vaz, CEO da AVS Eventos, empresa idealizadora da iniciativa.

Experiência das periferias para dentro da sala de aula
Entre os responsáveis pela formação está o roteirista e diretor Rodrigo Felha, profissional com uma trajetória construída a partir do audiovisual e das periferias. Formado pela Escola de Cinema Darcy Ribeiro, Felha iniciou sua carreira no documentário “Falcão – Meninos do Tráfico” e, durante sete anos, coordenou o Núcleo Audiovisual da CUFA – Central Única das Favelas, onde dirigiu e produziu projetos em conjunto com alunos.

Ao longo da carreira, integrou a equipe de roteiro do “Esquenta!”, da TV Globo, dirigiu trabalhos como “Cinco Vezes Favela, Agora por Nós Mesmos”, “5x Pacificação” e “Favela Gay”, além da série documental “Periferias LGBTQIA+”. Mais recentemente, foi roteirista da série “Cidade de Deus: A Luta Não Para”, da HBO/Max, e diretor do programa “Bom Dia Favela”, da Band Rio.

“Existe uma potência enorme quando jovens de periferia percebem que também podem estar atrás das câmeras, escrevendo, dirigindo e decidindo como suas histórias serão contadas. A formação técnica é importante, mas também queremos estimular um olhar autoral, mostrar que as vivências e os territórios desses jovens são repertório e podem se transformar em narrativa, trabalho e produção cultural”, destaca Rodrigo Felha, professor e instrutor da formação.

120 vagas gratuitas
Ao todo, foram disponibilizadas 120 vagas gratuitas, sendo até 60 participantes por turma. O curso é destinado a jovens a partir de 16 anos, prioritariamente das classes C, D e E e moradores de favelas da Zona Norte do Rio, regiões próximas e de Maricá.

O projeto também estabelece mecanismos para ampliar a diversidade entre os participantes. Metade das vagas será reservada para mulheres, além da prioridade para pessoas negras, LGBTQIAPN+ e outros grupos historicamente minorizados. Outras 12 vagas serão destinadas exclusivamente a empregados e estagiários da CAIXA.

Ao aproximar formação técnica, representatividade e oportunidades profissionais, “A Lente é Nossa” pretende contribuir para que novos realizadores possam não apenas ingressar no mercado audiovisual, mas também ocupar os espaços de criação e contar histórias a partir de seus próprios territórios e perspectivas.

SERVIÇO
A Lente é Nossa: Semana da Economia Criativa
Turma Maricá
Quando: 24 a 29 de agosto de 2026
Horário: 19h às 21h30
Onde: Instituto Claudinho Guimarães – Centro de Maricá

Vagas: até 60 alunos
Público: jovens a partir de 16 anos, prioritariamente das classes C, D e E e moradores de favelas e territórios periféricos
Quanto: gratuito
Inscrições: Formulário disponível no perfil AVS Eventos
Realização: AVS Eventos
Patrocínio: Caixa

 

CONARH 2026 encerra edição com cerca de 40 mil participantes e agenda voltada ao futuro do trabalho

Congresso promovido pela ABRH Brasil reuniu profissionais, lideranças, especialistas e empresas durante três dias de programação sobre tecnologia, inteligência artificial, liderança, inovação e as transformações no mundo do trabalho

O CONARH 2026 encerra nesta quinta-feira, sua 52ª edição com um cerca de 40 mil participantes e uma programação que colocou em pauta os principais desafios e transformações que impactam a gestão de pessoas e as relações de trabalho. Realizado pela ABRH Brasil, o evento reuniu ainda, ao longo de três dias, 120 palestrantes e 320 expositores em uma área de 43.000 m², consolidando o congresso como um dos principais encontros do setor no país.

Sob o conceito “Brasil Global: O futuro da gestão é humano”, o evento promoveu discussões sobre diversos temas, como inteligência artificial, liderança, cultura, diversidade, qualificação profissional, novas jornadas e os impactos das transformações tecnológicas sobre carreiras e modelos de trabalho.

Principais destaques

Entre as novidades deste ano estão a Arena CONARH Agro, que ampliou a programação para os desafios da gestão de pessoas no agronegócio, o RH Tech, espaço dedicado à inovação e tecnologia, e o FESTRA – Festival do Trabalho, com debates sobre competências, inteligência artificial, carreira, saúde e bem-estar, criatividade e novas relações de trabalho.

A agenda de inovação também ganhou destaque: a Competição RH Tech contou com mais de 50 startups participantes e 8 finalistas. A Lovel, plataforma que centraliza processos de recrutamento, foi a vencedora e recebeu como prêmio um espaço de 9 m² na edição de 2027.

“Encerramos esta edição com a certeza de que o futuro da gestão de pessoas será construído a partir da combinação entre tecnologia, inovação e, principalmente, humanidade. Este é um espaço de encontro, troca e construção coletiva, e os debates destes três dias mostraram que o RH tem um papel cada vez mais estratégico para as organizações e para a sociedade”, afirma Leyla Nascimento, presidente da ABRH Brasil.

Entre os temas que ganharam espaço na cobertura estiveram as transformações provocadas pela inteligência artificial, os novos modelos de trabalho, a preparação de profissionais para as mudanças do mercado, os desafios da liderança e a evolução do papel da gestão de pessoas nas organizações.

Prêmio Ser Humano

Criado em 1993, o “Prêmio Ser Humano”, também conhecido como “Oscar do RH”, é concedido pela ABRH Brasil às iniciativas de gestão de pessoas. Nesta edição, 63 projetos concorreram a quatro modalidades.

A vencedora da categoria desenvolvimento, que premia projetos que agregam valor a funcionários, acionistas, fornecedores e sociedade, foi a Serpro, empresa pública de TI. Já a modalidade ESG, voltada às iniciativas de governança ambiental, social e corporativa, teve como vencedora a Diageo, do setor de bebidas. A Totvs, de tecnologia, conquistou o primeiro lugar na categoria Excelência Organizacional, que premia trabalhos que aprimoram a gestão da infraestrutura, qualidade e eficiência dos serviços de RH. Por fim, a modalidade Jovem premiou a Bracell, de celulose, pela visibilidade a talentos, competências e potenciais de jovens com foco em empregabilidade e desenvolvimento.

Ao encerrar sua edição de 2026, o CONARH deixa como legado uma agenda de discussões que deve continuar presente nas organizações: como equilibrar os avanços tecnológicos e as novas demandas do trabalho com o desenvolvimento das pessoas e das relações que sustentam os negócios.

O CONARH 2027 será realizado em agosto de 2027, em São Paulo, e dará continuidade ao debate sobre as transformações que estão moldando a gestão de pessoas e o mundo do trabalho.
Sobre a ABRH Brasil

A ABRH Brasil (Associação Brasileira de Recursos Humanos), presidida por Leyla Nascimento, está presente em 22 estados e no Distrito Federal. As seccionais são desvinculadas juridicamente e independentes, integradas na missão de promover o desenvolvimento dos profissionais de RH e gestores de pessoas por meio de eventos, pesquisas e troca de experiências, além de colaborar com os poderes públicos e demais entidades nos assuntos referentes à sua área de atuação. Filiada à WFPMA (World Federation of People Management Associations) e à FIDAGH (Federación Interamericana de Asociaciones de Gestión Humana), a ABRH Brasil é cofundadora e integra a CRHLP (Confederação dos Profissionais de Recursos Humanos dos Países de Língua Portuguesa), fundada em 2010.

Prêmio Mercantil de Jornalismo entra na reta final de inscrições

Prazo para participar vai até 31 de agosto, com R$ 80 mil em premiações

Jornalistas de todo o país ainda podem inscrever reportagens publicadas em 2026 sobre longevidade financeira e temas relacionados ao envelhecimento da população, como renda, crédito, planejamento financeiro e qualidade de vida do público 50+.

Nesta edição, serão distribuídos R$ 80 mil em premiações entre as categorias Mídia Escrita Impressa, Mídia Escrita Online, TV e Rádio, incluindo podcasts e videocasts jornalísticos. Os três primeiros colocados de cada categoria serão reconhecidos.

Se você publicou algum trabalho relacionado a esses temas, ainda dá tempo de participar.

Mais informações sobre as inscrições e o regulamento completo estão disponíveis no site oficial do prêmio.

Governo do Rio abre inscrições para editais que selecionam iniciativas culturais em todo o estado

Editais selecionam iniciativas para fortalecer a Política Nacional de Cultura Viva, ampliar a articulação entre agentes culturais e descentralizar ações em todo o território fluminense

O Governo do Estado do Rio de Janeiro abrirá, nesta semana, as inscrições para dois editais destinados à seleção de dois Pontões de Cultura e 44 Pontos de Cultura, que atuarão no desenvolvimento de ações vinculadas à Política Nacional de Cultura Viva (PNCV), com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). A iniciativa busca fortalecer a mobilização, a troca de experiências, a capacitação e a articulação entre diferentes Pontos de Cultura em todo o território fluminense.

As inscrições do edital de Pontões de Cultura abrem nesta terça-feira (18/8) e poderão ser realizadas até 9 de setembro, exclusivamente pela plataforma Desenvolve Cultura. Ao todo, serão selecionados dois projetos, cada um com repasse anual de R$ 800 mil, em parcela única por ano, durante três anos, entre 2026 e 2028. O investimento total será de R$ 4,8 milhões, com execução prevista para 36 meses.

Já no edital de Pontos de Cultura, as inscrições começam na quarta-feira (19/8) e permanecem abertas até o dia 10 de setembro. Cada projeto selecionado receberá R$ 200 mil, em parcela única. Ao todo, o edital prevê um investimento de R$ 8,8 milhões.

Pontões

O edital está dividido em duas categorias: uma vaga para Pontão de Cultura – Economia Criativa e uma vaga para Pontão de Cultura – Cultura Popular. Os projetos selecionados deverão desenvolver atividades capazes de ampliar a integração entre os Pontos de Cultura e contribuir para o fortalecimento da política cultural no estado.

Pontos

Os projetos selecionados deverão desenvolver ações estruturadas em três metas obrigatórias: Formação e Educação Cultural; Mostra Artística/Cultural; e Registro e Divulgação. As obrigações contemplam etapas como desenvolvimento de oficinas, workshops, cursos, festivais, exposições, divulgação de todas ações realizadas, entre outras ações.

Quem pode participar

Podem participar pessoas jurídicas sem fins lucrativos, com CNPJ, certificadas pelo Ministério da Cultura como Ponto ou Pontão de Cultura. As instituições interessadas também deverão comprovar, no mínimo, três anos de existência jurídica e de atuação cultural.

Não poderão participar pessoas físicas, coletivos informais ou instituições com fins lucrativos.

Descentralização e regionalização

Entre os critérios previstos nos editais está a valorização da descentralização e da regionalização das ações culturais. As chamadas estabelecem pontuação favorável para propostas que desenvolvam atividades em territórios considerados de maior vulnerabilidade social, incluindo periferias, regiões com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), além de territórios quilombolas e indígenas.

A medida busca ampliar a presença das ações da Política Nacional de Cultura Viva em diferentes regiões do estado e estimular a participação de iniciativas culturais que atuam fora dos grandes centros.

Serviço

Pontões
Período de Inscrição: 18/08/2026 até 09/09/2026.
Plataforma: http://cultura.rj.gov.br/desenvolve-cultura/inscricao/
E-mail para dúvidas: pontoesdecultura.culturaviva@cultura.rj.gov.br

Pontos
Período de Inscrição: 19/08/2026 até 10/09/2026.
Plataforma de Inscrição: http://cultura.rj.gov.br/desenvolve-cultura/inscricao/
E-mail para dúvidas: tcc.culturaviva@cultura.rj.gov.br

Niterói Jovem EcoSocial inicia nova edição com mil jovens e amplia política de oportunidades para a juventude

Programa da Prefeitura de Niterói oferece formação profissional, bolsa-auxílio e oportunidades como parte da estratégia de prevenção à violência

A Prefeitura de Niterói iniciou, nesta segunda-feira (17), a quarta edição do Niterói Jovem EcoSocial, com aula inaugural no Reserva Cultural. O programa, gerido pela Secretaria de Participação Social (Sempas), integra as ações de prevenção à violência do município e receberá mil novos participantes. Durante 18 meses, jovens de 23 comunidades da cidade terão formação profissional nas unidades do Senac RJ e da Firjan SENAI SESI, além de atividades de desenvolvimento pessoal e preparação para o mercado de trabalho. Os participantes também receberão bolsa-auxílio mensal de R$ 820 e auxílios para alimentação e transporte durante as atividades.

O Niterói Jovem EcoSocial faz parte do Pacto Niterói Contra a Violência e chega à quarta edição após uma trajetória de ampliação e consolidação. A iniciativa busca atuar de forma preventiva, criando caminhos de formação, autonomia, geração de renda e inserção produtiva para jovens de diferentes territórios da cidade.

“Quando a gente oferece formação técnica profissional, educação, cultura e oportunidade para a juventude, estamos criando caminhos para que esses jovens possam construir seus próprios projetos de vida. O Niterói Jovem EcoSocial faz parte dessa estratégia de disputar a nossa juventude com o crime, oferecendo oportunidades concretas de formação e de inserção no mercado de trabalho”, afirmou o prefeito Rodrigo Neves.

A ampliação do programa reforça uma política de prevenção que combina ações de proteção social, educação e geração de oportunidades. Nesta edição, o número de participantes passa de 600 para mil jovens, ampliando o alcance da iniciativa em diferentes territórios da cidade.

“O Niterói Jovem EcoSocial tem três eixos principais: qualificação profissional, desenvolvimento humano e educação ambiental. A formação profissional abre caminhos para o primeiro emprego e para a inserção no mercado de trabalho. O desenvolvimento humano busca formar não apenas bons profissionais, mas também bons cidadãos, enquanto a educação ambiental amplia a consciência dos jovens sobre sustentabilidade e sobre o direito à cidade. Ao longo dos 18 meses, queremos que eles tenham novas experiências, conheçam novas competências e desenvolvam novas habilidades para retornar aos seus territórios ainda mais conscientes do seu papel social e ambiental”, afirmou o secretário de Participação Social, Octávio Ribeiro.

Na edição anterior, que atendeu 600 jovens, os resultados mostraram o potencial do programa para ampliar o acesso a oportunidades profissionais. Na primeira etapa da formação, foi registrada uma taxa de 40% de inserção dos participantes no mercado de trabalho.

O perfil dos jovens atendidos também evidencia o alcance social da política. Na terceira edição, 80% dos participantes eram negros, 57% eram mulheres e 49,5% tinham entre 16 e 20 anos.

Parcerias – A formação dos jovens será realizada em parceria com o Senac RJ e a Firjan SENAI SESI, que atuarão na qualificação profissional e no desenvolvimento de competências para o mundo do trabalho. No Senac RJ, a proposta também contempla uma formação integral, com o objetivo de ampliar as perspectivas profissionais e pessoais dos participantes.

“O EcoSocial é uma oportunidade para formar jovens profissionalmente e contribuir para uma formação integral, preparando-os não apenas para o mundo do trabalho, mas também para que se tornem bons cidadãos”, afirmou a gerente executiva do Senac RJ Danielle Vianna.

A atuação da Firjan SENAI SESI no programa combina qualificação profissional e desenvolvimento humano. Além da oferta de mais de 17 cursos do Senai, os jovens participarão de atividades voltadas à construção do projeto de vida e contarão com o apoio do Escritório de Carreira, que oferecerá instrumentos para prepará-los para a entrada no mercado de trabalho.

“Essa é a quarta edição que realizamos em parceria com a Prefeitura de Niterói e é um projeto de grande alcance. Além da formação profissional, com mais de 17 cursos do Senai, teremos um trabalho de desenvolvimento humano com foco no projeto de vida e a participação do Escritório de Carreira, oferecendo instrumentos para que esses jovens tenham melhores condições de ingressar no mundo do trabalho”, afirmou o gerente executivo da Firjan, Anderson Carolo.

Entre os mil jovens que participam desta edição está Bruna Lopes, de 22 anos, moradora de Viçoso Jardim. Estudante de Educação Física, ela escolheu o curso de beleza como uma oportunidade para desenvolver uma nova habilidade e, no futuro, transformar o interesse por maquiagem, sobrancelhas e cílios em uma possibilidade de trabalho. Para Bruna, a formação também representa uma chance de ampliar experiências e descobrir novos caminhos profissionais.

“Eu tenho o sonho de ter estabilidade financeira e acredito que o EcoSocial vai me incentivar bastante a começar a trabalhar com beleza. Eu gosto muito de me maquiar, mas ainda tenho um pouco de receio de maquiar outras pessoas. Acho que o curso vai me ajudar a ganhar confiança e aproveitar essa oportunidade. Também quero conhecer pessoas novas e ter experiência em várias áreas, porque não quero ficar limitada a uma coisa só”, contou Bruna.

Também participaram da aula inaugural o vereador e ex-secretário de Participação Social Anderson Pipico; o vereador e líder do governo na Câmara Municipal, Binho Guimarães; a secretária de Planejamento, Orçamento e Modernização da Gestão de Niterói, Elissa Rasma; e o coordenador da Juventude de Niterói, João Pedro Boechat.

Programa de acesso audiovisual poderá ser instituído no Estado

O Estado do Rio de Janeiro poderá contar com o Programa de Acesso Audiovisual. A proposta consta no Projeto de Lei 1.998/23, aprovado em segunda discussão pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), nesta quarta-feira (05/08). A medida busca garantir o acesso da população fluminense a obras audiovisuais, especialmente brasileiras. O texto seguirá para o Governo do Estado, que terá prazo de até 15 dias úteis para sancionar ou vetar a proposta.

Serão beneficiários do programa escolas e bibliotecas estaduais, estudantes e jovens de todos os segmentos sociais, cineclubes e cineclubistas, produtoras independentes, realizadores audiovisuais, comunidades em situação de vulnerabilidade social, agentes culturais, artistas e professores.

Entre os objetivos estão estimular o protagonismo social na elaboração e gestão de políticas públicas para o setor; garantir o direito à cidadania e à diversidade por meio do audiovisual; fomentar iniciativas já existentes mediante transferência de recursos estaduais; e transformar as escolas públicas em núcleos de produção, difusão, estudo e preservação audiovisual.

O projeto surge da necessidade direta de promover grupos como a Associação de Cineclubes do Rio de Janeiro (Ascine-RJ) e a Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-metragistas do Rio de Janeiro (ABDeC-RJ).

Assespro-RJ, Riosoft e TI Rio unem forças para fortalecer o ecossistema de tecnologia e inovação do Estado do Rio de Janeiro

Aliança institucional reúne as três principais entidades representativas do setor para ampliar a competitividade das empresas fluminenses, fortalecer a interlocução com os poderes públicos e impulsionar o desenvolvimento econômico baseado em tecnologia e inovação

O Rio de Janeiro deu um passo histórico para fortalecer seu ecossistema de tecnologia e inovação. Assespro-RJ, Riosoft e TI Rio oficializaram, nesta quinta-feira (6), durante o painel “Liderança organizada para um Rio mais inteligente”, no Rio Innovation Week, a criação de uma aliança institucional que reúne as três principais entidades representativas do setor com o propósito de construir uma agenda estratégica comum para impulsionar a inovação, ampliar a competitividade das empresas fluminenses e contribuir para o desenvolvimento econômico e social do Estado.

A iniciativa nasceu do entendimento de que os desafios enfrentados pelo setor exigem cada vez mais articulação, cooperação e representatividade. Ao unir competências e experiências complementares, as entidades passam a atuar de forma coordenada na defesa de pautas estratégicas, preservando a autonomia, a identidade institucional e a governança de cada organização.

O Estado do Rio de Janeiro possui mais de 30 mil empresas de TI e reúne alguns dos principais ativos brasileiros em ciência, tecnologia e inovação. São universidades e centros de pesquisa de excelência, ambientes de inovação consolidados, empresas de diferentes portes, startups, parques tecnológicos e profissionais altamente qualificados. Ao mesmo tempo, ainda existem desafios relacionados à integração desse ecossistema, à ampliação do acesso a recursos para inovação e ao fortalecimento da representação institucional do setor nos espaços de decisão.

A nova aliança pretende transformar esse potencial em resultados concretos por meio de uma atuação conjunta junto às empresas, aos ecossistemas regionais, às instituições de ensino e pesquisa, aos órgãos públicos e às agências de fomento. O objetivo é ampliar a capacidade de articulação do setor, acelerar projetos estruturantes e fortalecer o posicionamento do Rio de Janeiro como um dos principais polos de tecnologia e inovação do país.

“A inovação acontece pela colaboração. Ao unirmos nossas competências e nossa capacidade de representação, criamos uma agenda permanente em favor das empresas, do empreendedorismo, da pesquisa, da formação de talentos e do desenvolvimento do Estado do Rio de Janeiro. Esta aliança representa um compromisso com o futuro da economia fluminense”, afirmou Robert Janssen, presidente da Federação da Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação (Assespro-RJ).

Entre as prioridades definidas pelas entidades estão ampliar a articulação institucional junto às Prefeituras e ao Governo do Estado do Rio de Janeiro, Ministérios, Congresso Nacional e demais órgãos do Governo Federal, responsáveis pelas políticas de tecnologia, inovação e desenvolvimento econômico; fortalecer a interlocução com instituições de fomento, ampliando o acesso das empresas e dos ecossistemas fluminenses a programas, editais e mecanismos de financiamento; integrar empresas, universidades, centros de pesquisa, ambientes de inovação e lideranças das diferentes regiões do Estado; apoiar iniciativas já existentes, ampliar seu alcance territorial e reduzir a fragmentação das ações voltadas ao desenvolvimento tecnológico; produzir estudos, indicadores e inteligência setorial que subsidiem políticas públicas e decisões estratégicas; estimular a formação e retenção de talentos, a geração de negócios, a atração de investimentos e o aumento da competitividade das empresas; e defender condições regulatórias, tributárias e institucionais que favoreçam o crescimento sustentável do setor de tecnologia e inovação.

Outro eixo importante da atuação será fortalecer a integração entre a capital e os diferentes polos tecnológicos do interior do Estado, promovendo maior conexão entre empresas, universidades, ambientes de inovação e vocações econômicas regionais.

Como uma das primeiras iniciativas da agenda conjunta, a aliança promoverá encontros institucionais com candidatos e pré-candidatos aos poderes Executivo e Legislativo. A proposta é apresentar a relevância econômica e social do setor de tecnologia, compartilhar as principais demandas das empresas, conhecer as propostas dos participantes e estabelecer canais permanentes de diálogo com futuros representantes do Estado do Rio de Janeiro.

Esses encontros serão realizados com absoluta independência político-partidária, pluralidade e respeito à legislação eleitoral, sem representar apoio, preferência ou adesão a qualquer candidatura.

A execução das ações será conduzida por meio de uma agenda comum, construída de forma colaborativa pelas três entidades. Projetos, posicionamentos institucionais e iniciativas conjuntas serão definidos de maneira compartilhada, com objetivos, responsabilidades e resultados previamente estabelecidos.

Mais do que uma união institucional, a iniciativa representa um movimento para consolidar uma visão de futuro para o Estado. Ao conectar empresas, academia, governos, centros de pesquisa e ambientes de inovação, Assespro-RJ, Riosoft e TI Rio reafirmam o compromisso de fazer da tecnologia um dos principais vetores do desenvolvimento econômico, da geração de empregos qualificados, da competitividade empresarial e da inovação no Rio de Janeiro.

Empreendedorismo feminino avança no Estado em meio as múltiplas jornadas que desafiam mulheres

A participação feminina representa 40% do total de empreendedores fluminenses, mas mulheres ainda relatam os desafios de conciliar o próprio negócio com outras responsabilidades da rotina

Dividir o dia entre reuniões, clientes, tarefas domésticas, filhos e, em alguns casos, um emprego com carteira assinada faz parte da rotina de muitas mulheres empreendedoras. Apesar dos desafios para equilibrar múltiplas jornadas, o empreendedorismo feminino segue em expansão no estado. Segundo levantamento do Sebrae Rio, as mulheres representam 40% dos empreendedores fluminenses. O avanço também se reflete na abertura de novos empreendimentos: entre janeiro e maio de 2026, a Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro (Jucerja) registrou 8.830 negócios liderados por mulheres.

Embora os números indiquem uma busca por maior equilíbrio entre gêneros no empreendedorismo, mulheres seguem esbarrando nas dificuldades diárias de conciliar as múltiplas jornadas. É o caso da Marcelly Silvério, de 35 anos, empreendedora no ramo de semijoias na Baixada Fluminense. Ela conta que, entre idas e vindas, empreende desde os 18 anos, e a maior motivação foi ter mais tempo para ficar com a família e os dois filhos.

“Como meu negócio é on-line, eu consigo estar perto dos meus filhos. No começo não vem lucro e temos que dar o nosso suor, mas esse processo também gera muitas dúvidas, frustrações e ansiedade, já que não temos a certeza de que vai dar certo”, conta Marcelly.

Para ela, a rede de apoio é fundamental para conciliar o empreendedorismo com a maternidade. “Muitas das vezes as mães entram nesse ramo por não terem uma ajuda familiar. Então, dependendo do empreendimento, elas conseguem ficar mais tempo com os filhos. Isso faz muita diferença para quem precisa trabalhar. Se eu não tivesse apoio, não conseguiria fazer muita coisa”, explica.

Do escritório ao próprio negócio

Quando o expediente termina, o sonho empreendedor continua para a contadora Kelly de Souza, de 30 anos. Ela atua na área desde 2020, mas, neste ano, decidiu dar um passo na vida profissional ao abrir o próprio negócio e oferecer serviços de contabilidade de forma autônoma. A profissional relata que são inúmeros os desafios para conciliar a rotina com o emprego formal, mas o principal deles é acreditar em si mesma.

“Nós, mulheres, temos o costume de sermos muito críticas com nós mesmas, e empreender acaba sendo um processo de autoconfiança. Sempre imaginei que, para começar, tinha que existir o cenário perfeito e todos os recursos disponíveis. Até que eu virei a chave e decidi começar com o que eu tinha e da forma que eu conseguia. No caminho, estou aperfeiçoando, até porque muitas coisas só acontecem quando você, de fato, coloca a mão na massa”, desabafa Kelly.

Ainda segundo ela, além dos desafios relacionados à gestão de tempo e autocobrança, mulheres ainda esbarram nas expectativas sociais, uma barreira que torna a trajetória mais desafiadora que a de homens que também empreendem.

“Durante esse processo de empreender, eu vejo diferenças bem claras entre mulheres e homens. A mulher abraça mais responsabilidades ao conciliar outras jornadas, diferente do homem, que tem mais autonomia para lidar com seu negócio sem lidar com outras tarefas. Além disso, ele é visto com muito mais autoridade nesse meio. Em um ambiente, a mulher sempre precisa encontrar formas de ser levada a sério. É como se você tivesse que performar 100% o tempo todo”, explica Kelly.

Legislações que fortalecem o empreendedorismo feminino

Os desafios relatados pelas empreendedoras são temas que a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) já debateu. As leis aprovadas pelo Parlamento buscam ampliar a participação feminina no mercado de trabalho e o incentivo à autonomia financeira, além do fortalecimento de negócios liderados por mulheres.

Uma delas é a Lei 11.199/26, que cria uma política voltada à ampliação da participação feminina no mercado de trabalho e promoção da igualdade de oportunidades entre os gêneros. As diretrizes estabelecem programas de capacitação profissional voltados para mulheres, iniciativas para a participação feminina em cargos de liderança e em espaços de decisão, além de medidas para prevenir e combater a discriminação e o assédio moram ou sexual no ambiente de trabalho, bem como políticas que favoreçam a conciliação entre vida profissional e familiar.

Já a Lei 9.303/21 vem para fortalecer mulheres que abrem seus próprios negócios ao prever medidas de apoio e estímulo ao empreendedorismo feminino. Para isso, a legislação conta com promoção de capacitação e formação de mulheres, cooperação e interação entre os entes públicos e o setor empresarial, além da manutenção e expansão dos empreendimentos, o incentivo ao empreendedorismo feminino de micro e pequeno porte e a facilitação do acesso dessas mulheres a linhas de crédito.

As histórias de Marcelly e Kelly mostram que empreender vai além de ganhar uma fonte de renda extra: significa dar um passo maior em busca da autonomia profissional e autoconfiança feminina, pilares que se sustentam com apoio e políticas públicas voltadas às mulheres a curto e longo prazo. “Daqui a uns cinco a dez anos, meu objetivo é me dedicar 100% ao empreendedorismo e flexibilizar minha rotina para conseguir conciliar áreas da vida pessoal que pretendo construir”, conclui Kelly.