Para ampliar o alcance do trabalho de conscientização e prevenção da violência sexual contra crianças e adolescentes, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) levou, nesta quinta-feira (22/10), o projeto “Educar é Proteger” para o Município de Volta Redonda, no interior do estado. Cerca de 30 alunos da Escola Municipal Tocantins receberam informações sobre as formas de abuso, como se comportar e onde buscar ajuda.
Idealizado pela promotora de Justiça Mônica Martino Marques, coordenadora do Núcleo de Investigação Penal (NIP) da Barra da Tijuca, o projeto orienta professores e estudantes, por meio de ações educativas, a identificarem possíveis abusos. O promotor de Justiça Plinio D’avila Araújo, titular da 3ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva do Núcleo Volta Redonda, e a assistente social Fernanda Bertolino realizaram atividades lúdicas com os alunos, utilizando uma linguagem simples e acessível. Foram abordados temas como os riscos no ambiente digital, respeito aos colegas, formas de proteção, entre outros.
O projeto “Educar é Proteger” integra o Banco Nacional de Projetos do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). Já foram realizadas ações em dezenas de escolas e espaços públicos na capital, Baixada Fluminense e Região dos Lagos. A iniciativa conta com a parceria dos Conselhos Tutelares e das diretorias das escolas, que contribuem para a capacitação de agentes multiplicadores, responsáveis por disseminar informações e orientações sobre a proteção de crianças e adolescentes.
Niterói registrou quatro roubos de veículos em setembro de 2026, o menor número mensal da série histórica por município disponibilizada pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), iniciada em 2003. Os casos representam 0,28% das 1.443 ocorrências contabilizadas em todo o estado do Rio de Janeiro no mês. O município mantém investimentos em tecnologia, inteligência, prevenção à violência e integração com as forças estaduais de segurança.
“Esses resultados são construídos com planejamento, investimento contínuo e integração entre a Prefeitura e as forças de segurança pública. Em Niterói, combinamos tecnologia e inteligência para apoiar o trabalho nas ruas com políticas de prevenção que ampliam as oportunidades para os jovens. Os avanços são importantes, mas sabemos que a segurança exige atenção e trabalho todos os dias. Vamos seguir enfrentando com firmeza o crime para proteger a população”, afirma o prefeito Rodrigo Neves.
No acumulado de janeiro a setembro de 2026, Niterói registrou 185 roubos de veículos, contra 198 no mesmo período de 2025, uma redução de 6,6%. No estado do Rio de Janeiro, as ocorrências passaram de 17.139 para 17.753 no mesmo intervalo, um aumento de 3,6%.
Outro indicador estratégico de segurança pública, o roubo de rua, também apresentou queda em Niterói. Entre janeiro e setembro de 2026, foram registrados 559 casos, contra 909 no mesmo período de 2025, uma redução de 38,5%. Em setembro, o município contabilizou 52 ocorrências, equivalentes a 1,42% dos 3.667 registros em todo o estado.
Investimentos em segurança e prevenção
Desde 2018, o Pacto Niterói Contra a Violência já recebeu mais de R$ 820 milhões em recursos municipais, reunindo iniciativas de prevenção, tecnologia, inteligência, policiamento e inclusão social.
Entre os investimentos está o Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp), que funciona 24 horas e conta com mais de 800 câmeras de monitoramento distribuídas pela cidade. A estrutura reúne tecnologias como o Cercamento Eletrônico e o ShotSpotter, sistema que utiliza sensores acústicos para detectar e localizar disparos de arma de fogo e enviar alertas ao Cisp. O município também investe no fortalecimento da Guarda Municipal e mantém convênios para ampliar a presença das polícias Civil e Militar.
A prevenção à violência também integra a estratégia municipal. Os projetos vinculados ao Pacto já beneficiaram mais de 50 mil jovens, com iniciativas que ampliam oportunidades de educação, cultura, esporte, qualificação profissional e inclusão social.
Em 2025, a Prefeitura iniciou um novo ciclo do Pacto Niterói Contra a Violência, com planejamento até 2030. A estratégia prevê a ampliação das ações de inteligência, prevenção e segurança territorial, com investimentos em tecnologia e fortalecimento do trabalho integrado entre o município e as forças estaduais.
Mais policiais nas ruas, novas viaturas e tecnologia a serviço da segurança da população. A Prefeitura de Niterói ampliou, nesta quinta-feira (15), os investimentos no apoio às forças de segurança com a entrega de 25 novas viaturas à Polícia Militar. Os novos veículos vão reforçar o policiamento e se somam à renovação do convênio do Programa Estadual de Integração na Segurança (Proeis), que prevê R$ 50 milhões em investimentos municipais nos próximos dois anos, além do fortalecimento da Guarda Civil Municipal e da estrutura de inteligência e monitoramento.
A chegada dos novos veículos se soma à renovação, em agosto, do convênio do Proeis. O programa permite que policiais militares atuem em turnos adicionais remunerados pelo município, ampliando a presença em até quatro vezes da corporação nas ruas e a capacidade de prevenção e resposta às ocorrências.
O convênio também prevê a possibilidade de emprego de até 248 policiais militares por dia, conforme a organização das escalas operacionais. A atuação é planejada com base em informações sobre a distribuição dos crimes, permitindo direcionar o policiamento conforme as necessidades identificadas em diferentes regiões da cidade.
Para o prefeito Rodrigo Neves, os investimentos fazem parte de uma política pública construída ao longo dos últimos anos, que combina o fortalecimento das forças policiais com tecnologia, inteligência e ações de prevenção à violência.
“Estamos consolidando uma política pública construída ao longo dos últimos anos, baseada em planejamento, inteligência, integração das forças de segurança, presença nas ruas e prevenção. Os indicadores mostram avanços muito importantes, principalmente nos crimes que atingem diretamente a vida cotidiana das pessoas. Cada dado que ainda preocupa precisa ser enfrentado com seriedade. Segurança pública exige trabalho permanente, investimento e capacidade de corrigir rumos sempre que necessário”, afirmou Rodrigo Neves.
O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Sylvio Guerra, destacou a importância da parceria entre o município e o Governo do Estado para os resultados alcançados. Segundo ele, a continuidade dos investimentos e a atuação conjunta das instituições vêm contribuindo para melhorar as condições de trabalho dos policiais e a segurança da população.
“Niterói é diferente. Diferente pela condução de todos os comandantes que passaram por aqui, todos os comandantes que acreditaram nessa parceria da Prefeitura junto ao Governo do Estado, junto à Secretaria de Polícia Militar. O resultado está aí. É um orgulho para a tropa da Polícia Militar. É um orgulho para a Prefeitura, para os parlamentares e para todos os secretários que estão aqui presentes, para a Polícia Rodoviária Federal (PRF), para a Polícia Civil e para a Guarda Municipal, que nos ajuda”, explicou o coronel Sylvio Guerra.
O coronel também ressaltou o reconhecimento aos policiais que atuam diariamente na cidade e às demais instituições envolvidas no trabalho de segurança pública, incluindo a Polícia Civil, a Guarda Municipal e os órgãos de apoio operacional.
Redução dos roubos e resultados históricos – Os novos investimentos acontecem em um cenário de redução dos crimes patrimoniais. Segundo levantamento do Observatório de Segurança Pública de Niterói, elaborado a partir dos dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), setembro de 2026 terminou com apenas três roubos de veículos registrados na cidade, contra 14 no mesmo mês de 2025. A redução foi de 78,57%. Em agosto deste ano, haviam sido contabilizadas nove ocorrências.
Outro indicador importante é o roubo de rua. Entre janeiro e setembro deste ano, Niterói registrou 557 ocorrências, contra 909 no mesmo período de 2025, uma redução de 38,72%. Foi o menor número para esse intervalo desde o início da série histórica disponibilizada pelo ISP, em 2003.
As informações são monitoradas pelo Observatório de Segurança Pública de Niterói e utilizadas no planejamento das ações de prevenção e no direcionamento das equipes policiais para regiões e horários que exigem maior atenção.
O convênio também prevê a possibilidade de emprego de até 248 policiais militares por dia, conforme a organização das escalas operacionais. A atuação é planejada com base em informações sobre a distribuição dos crimes, permitindo direcionar o policiamento conforme as necessidades identificadas em diferentes regiões da cidade.
A ampliação da Guarda Civil Municipal é outra frente da política municipal de segurança. Nos últimos dez anos, a corporação passou de aproximadamente 200 agentes para um efetivo superior a 900. Em setembro, a Prefeitura informou que a Guarda contava com 915 integrantes e tem a meta de chegar a mil.
Cercamento Eletrônico detectou veículo na Região Oceânica e contribuiu para a prisão de um homem por policiais civis
O Centro Integrado de Segurança Pública (CISP) de Niterói auxiliou a Polícia Civil na prisão em flagrante de um homem suspeito de envolvimento em um roubo a pedestre, ocorrido na terça-feira (13), na Região Oceânica. O sistema de Cercamento Eletrônico identificou a motocicleta supostamente utilizada no crime, permitindo que policiais da 81ª Delegacia de Polícia (Itaipu) localizassem e abordassem o suspeito nesta quarta-feira (14).
Após tomar conhecimento do crime, a equipe de monitoramento do CISP realizou o cruzamento de dados e compartilhou informações com os investigadores da 81ª DP. Nesta quarta-feira, o Cercamento Eletrônico detectou a passagem de uma motocicleta Honda CG 160 Fan, de cor prata, pela Avenida Francisco da Cruz Nunes, nas proximidades do Hospital Municipal Mário Monteiro.
O alerta foi imediatamente repassado aos policiais civis, que utilizaram as informações para localizar e abordar o veículo. O homem foi preso em flagrante e conduzido, juntamente com a motocicleta, à 81ª Delegacia de Polícia, onde a ocorrência foi registrada.
O caso reforça a importância da integração entre o monitoramento eletrônico e as forças de segurança no combate à criminalidade. Com funcionamento 24 horas por dia, o CISP utiliza ferramentas tecnológicas para auxiliar investigações, identificar veículos suspeitos e agilizar a atuação das forças policiais em Niterói.
A Patrulha Maria da Penha da Guarda Civil Municipal de Búzios está entre as finalistas do Prêmio Segurança dos Direitos Coronel Nazareth Cerqueira, criado para reconhecer e dar visibilidade a boas práticas desenvolvidas por profissionais da segurança pública no Estado do Rio de Janeiro que contribuam para a promoção da cidadania, a proteção da vida e o respeito aos direitos humanos. A premiação homenageia o coronel Carlos Magno Nazareth Cerqueira (1937–1999), primeiro homem negro a comandar a Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. A iniciativa de Búzios foi selecionada na categoria Redução da Violência Comunitária, voltada a práticas de prevenção e redução da violência e de fortalecimento das redes locais de proteção.
A categoria Redução da Violência Comunitária, na qual a Patrulha Maria da Penha é finalista, contempla iniciativas de prevenção e redução da violência desenvolvidas por meio de estratégias como aproximação comunitária, mediação de conflitos, fortalecimento das redes locais de proteção e construção de confiança entre a população e as instituições de segurança.
Ao todo, nove iniciativas foram classificadas como finalistas no Estado do Rio de Janeiro, distribuídas entre as três categorias da premiação. Na categoria Redução da Violência Comunitária, a Patrulha Maria da Penha está entre as três iniciativas selecionadas para a etapa final. A classificação dá visibilidade estadual à experiência desenvolvida em Búzios no enfrentamento à violência contra a mulher e à atuação da Patrulha dentro da rede de proteção do município.
O resultado, com a definição do primeiro, segundo e terceiro lugares de cada categoria, será divulgado no dia 1º de outubro de 2026. Promovido pelo Viva Rio e pela Ordem dos Advogados do Brasil – Seção do Estado do Rio de Janeiro (OAB-RJ), o prêmio terá sua cerimônia realizada no Plenário Evandro Lins e Silva, na sede da OAB-RJ, no Rio de Janeiro.
Podem participar iniciativas desenvolvidas por profissionais da Polícia Militar, Polícia Civil, Polícia Penal, Guardas Municipais, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal com atuação no estado. Entre os critérios considerados na avaliação estão o impacto da iniciativa, o engajamento do público e das instituições, a inovação e o potencial de replicação da experiência em outros territórios.
Implantada oficialmente em Búzios em 8 de março de 2021, a Patrulha Maria da Penha integra a Guarda Civil Municipal e atua há mais de cinco anos na prevenção e no enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher. Entre suas atribuições estão o atendimento e acompanhamento de mulheres com medidas protetivas, o monitoramento do cumprimento dessas medidas, a articulação com os serviços da rede de proteção e o desenvolvimento de ações preventivas, educativas e de conscientização no município.
Em Búzios, a atuação também alcança o ambiente escolar. A Lei Municipal nº 1.730/2022 instituiu ações da Patrulha Maria da Penha nas escolas públicas e privadas do município, voltadas ao conhecimento da Lei Maria da Penha e à prevenção da violência contra a mulher.
Além de Redução da Violência Comunitária, a premiação possui as categorias Inclusão e Igualdade e Bem-estar, Saúde e Direitos Humanos do Profissional.
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) realizou, nesta quarta-feira (02/09), o evento “Dia C de Capacitação – Atendimento, Proteção e Perspectiva de Gênero na Segurança Pública”. A iniciativa é promovida pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio do Comitê de Governança das Políticas de Segurança Pública voltadas à Prevenção e ao Enfrentamento da Violência contra Mulheres e Meninas, em parceria com o Ministério das Mulheres e o Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais do Ministério Público dos Estados e da União (CNPG), por meio da Comissão Permanente de Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (Copevid). Em todo o país, ações de qualificação para forças de segurança, membros e servidores do Ministério Público e integrantes do sistema de Justiça, foram realizadas com o objetivo de fortalecer a rede de proteção e o enfrentamento à violência de gênero.
Em seu pronunciamento, o procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira, defendeu a atuação conjunta das forças de segurança, dos membros do Ministério Público e do Judiciário diante do aumento dos casos de violência contra as mulheres no país. “Vivemos uma situação muito grave, em que os números de casos de violência doméstica crescem exponencialmente. Precisamos nos capacitar para evitar a revitimização dessas mulheres e meninas, atuar de forma integrada e implementar políticas públicas de conscientização sobre a importância do respeito às mulheres em nossa sociedade”, afirmou o PGJ.
A coordenadora do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça de Combate à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (CAO Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher/MPRJ), Isabela Jourdan, destacou a importância do esforço conjunto das instituições e da mudança de paradigma para combater os casos de feminicídio no país. “Para fortalecer a proteção às mulheres, precisamos fazer uma análise crítica do nosso trabalho. Se conseguirmos impedir o curso do ato criminoso, investigando com afinco, podemos evitar que o feminicídio aconteça. Para isso, contamos com a constante capacitação das equipes de investigação, além do trabalho incansável das forças de segurança que estão na linha de frente do combate à violência doméstica, como a Patrulha Maria da Penha”, ressaltou Isabela Jourdan.
Além de Antonio José Campos Moreira e de Isabela Jourdan, compuseram a mesa de abertura do evento os secretários de estado de Segurança Pública, Victor Santos, e da Polícia Civil, Delmir Gouveia; a superintendente de enfrentamento à violência contra a mulher com deficiência da Secretaria de Estado da Mulher e de Políticas Inclusivas, Claudia Araujo da Silva; o subsecretário de Operações da Secretaria Especial de Segurança Urbana do Município do Rio de janeiro, Rodrigo salgado; e o vice-diretor do Instituto de Educação Roberto Bernardes Barroso (IERBB/MPRJ), Alexandre Joppert.
Perspectiva de gênero na segurança pública
Na primeira palestra do dia, a subcoordenadora do CAO Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher/MPRJ, Eyleen Marenco, falou sobre o tema “Perspectiva de gênero na atuação dos profissionais de segurança pública”. Ela destacou indicadores de violência doméstica relacionados à perspectiva de gênero e a fenômenos que antecedem o crime de feminicídio, como a violência psicológica praticada pelos agressores, a dependência econômica das vítimas e a violência institucional, caracterizada por situações em que as próprias instituições responsáveis pela segurança das vítimas colocam em dúvida seus depoimentos, contribuindo para a culpabilização e a revitimização das mulheres agredidas.
Da escuta qualificada à proteção imediata
O segundo eixo do seminário, dedicado ao acolhimento e ao atendimento sem revitimização, reuniu a psicóloga da Polícia Militar Paula Peixoto Fraga, a psicóloga especialista em Segurança Pública Ana Carolina Pereira, a coordenadora do Núcleo de Apoio às Vítimas (NAV/MPRJ), procuradora de Justiça Patrícia Leite Carvão, e a assistente social do MPRJ Rosângela Pereira. As palestrantes discutiram a importância da escuta qualificada, da avaliação de riscos e da superação de estereótipos no atendimento às mulheres. Paula compartilhou a experiência de cinco anos na Patrulha Maria da Penha e destacou os desafios enfrentados pelas forças de segurança, enquanto Ana Carolina abordou a necessidade de compreender a trajetória de medo, culpa, vergonha e sofrimento que muitas vezes antecede a denúncia.
Patrícia Leite Carvão apresentou a atuação do NAV/MPRJ e destacou a evolução do papel da vítima no sistema de Justiça, hoje reconhecida como sujeito de direitos que deve receber acolhimento, informação e acompanhamento. “A vítima deixou de ser apenas um meio de obtenção de prova. Hoje, ela é reconhecida como sujeito de direitos, que merece respeito, acolhimento e participação ao longo de todo o processo”, afirmou. Encerrando o painel, Rosângela Pereira ressaltou a importância da atuação integrada da rede de proteção, da avaliação de risco e de um atendimento técnico capaz de identificar também formas de violência que não deixam marcas evidentes.
Medidas protetivas de urgência e avaliação de risco
O terceiro e último eixo da capacitação reuniu a subprocuradora-geral de Justiça de Planejamento Institucional, Andréa Amin, e as promotoras de Justiça Laura Minc e Renata Cossatis, integrantes do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (GAESP/MPRJ). Andréa contextualizou a evolução da proteção jurídica às mulheres e explicou que as medidas protetivas de urgência representam uma mudança de paradigma ao priorizar a interrupção imediata do risco, independentemente do desfecho da persecução penal. “A medida protetiva existe para fazer cessar o risco. Antes de qualquer outra discussão, é preciso interromper a situação de violência para que a mulher tenha condições de romper esse ciclo”, afirmou.
Na sequência, Laura Minc e Renata Cossatis apresentaram a experiência do GAESP/MPRJ na atuação conjunta com as forças de segurança e destacaram a avaliação qualificada do risco como ferramenta para orientar decisões mais eficazes na proteção das mulheres em situação de violência doméstica. Segundo as promotoras, a integração entre o Ministério Público e os órgãos de segurança fortalece a capacidade de resposta institucional e amplia a efetividade das medidas previstas na Lei Maria da Penha.
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) obteve, na terça-feira (25/08), a condenação de Leandro dos Reis Gomes a 45 anos de reclusão pelo feminicídio de Gleice Pereira dos Santos. O julgamento foi realizado pelo Tribunal do Júri da Comarca de Cordeiro. De acordo com a Promotoria, a pena é considerada a maior já aplicada pela Justiça na comarca e deverá ser cumprida inicialmente em regime fechado.
O crime aconteceu em 20 de setembro de 2025, no município de Macuco/RJ. Leandro atacou sua companheira a facadas no quarto da residência do casal, após o fim do relacionamento. O ataque foi presenciado pelos filhos adolescentes da vítima, que tentaram intervir. Gleice chegou a ser socorrida, mas faleceu a caminho do hospital em decorrência de lesões no coração e no fígado. Após o crime, o agressor fugiu do local, mas foi localizado e preso em flagrante pela Polícia Militar horas depois, em um bar da região.
O Conselho de Sentença reconheceu, por maioria, as causas de aumento de pena requeridas pelo MPRJ. A sentença destacou que a vítima deixou quatro filhos menores de 18 anos e que o filho mais novo, de apenas sete anos e filho do próprio acusado, presenciou a prática criminosa e passou a sofrer intenso sofrimento psicológico, com prejuízos ao seu desenvolvimento.
Além da reincidência do réu, foi reconhecido o emprego de meio cruel, em razão das inúmeras perfurações provocadas com instrumento perfurocortante, que causaram sofrimento desnecessário e atroz à vítima. O Juízo ainda manteve a prisão preventiva do acusado.
O colegiado também aprovou proposta que destina 2% da publicidade oficial do Estado do Rio de Janeiro a campanhas de conscientização sobre crimes cibernéticos contra mulheres. As propostas seguem para votação em plenário
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), aprovou com unanimidade, nesta quarta-feira (08/07), parecer favorável ao Projeto de Lei 7.549/26, que institui a “tornozeleira rosa” no Estado do Rio de Janeiro. A norma trata sobre a identificação visual padronizada, na cor rosa, aplicada aos dispositivos de monitoramento eletrônico utilizados em medidas protetivas de urgência ou cautelares aplicadas a agressores de mulheres. O texto seguirá para o plenário da Casa e poderá ser emendado pelos deputados.
A marcação abrange agressores em casos de violência doméstica e familiar, violência vicária, violência de gênero praticadas em relações afetivas, sociais ou institucionais e outras formas de violência sexual, assédio ou perseguição. A adoção da tornozeleira rosa ficará a critério do Poder Executivo, observadas as disponibilidades orçamentária e operacional, e o juízo responsável pela medida protetiva poderá, mediante fundamentação, aplicá-la ou dispensá-la em cada caso concreto.
O objetivo, de acordo com o projeto de lei, é facilitar o reconhecimento funcional do monitorado por agentes de segurança pública em ocorrências, inibir a reincidência em todas as formas de violência contra a mulher e fortalecer a segurança das vítimas e de suas redes de proteção.
A proposta também prevê determinações contra o uso vexatório do dispositivo. Fica vedada a divulgação da identidade do monitorado associada à marcação em meios de comunicação ou redes sociais sem finalidade legítima de segurança pública. O agressor deverá receber, por escrito, orientação sobre seus direitos e sobre os canais de reclamação disponíveis.
Política Estadual de Proteção Integral da Mulher
A utilização da tornozeleira eletrônica cor de rosa fará parte da Política Estadual de Proteção Integral da Mulher, devendo ser implementada de forma articulada com os programas estaduais de enfrentamento à violência de gênero, de monitoramento eletrônico de agressores, de reeducação e responsabilização de autores de violência doméstica e familiar, estando em consonância com a Lei Maria da Penha.
Ainda de acordo com o texto, o Poder Executivo poderá instituir grupo de trabalho interinstitucional para elaborar regulamento técnico da identificação visual padronizada, avaliar periodicamente a eficácia da medida na redução dos índices de violência contra a mulher em todas as suas formas e propor ajustes normativos e operacionais.
O Governo do Estado deverá encaminhar à Alerj relatório anual com o número de monitorados com dispositivos dotados dessa identificação visual, além das ocorrências de descumprimento de medidas protetivas e cautelares durante o monitoramento.
Execução da medida
As despesas decorrentes da medida serão custeadas por dotações consignadas na Lei Orçamentária Anual (LOA) do Estado do Rio destinadas à aquisição e manutenção de equipamentos de monitoramento eletrônico. Recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública, incluída a cota destinada ao enfrentamento da violência contra a mulher, e do Fundo Estadual de Segurança Pública (Funesp-RJ) também poderão ser utilizados.
Crimes cibernéticos contra mulheres
Outra medida aprovada pela CCJ durante a reunião foi o Projeto de Lei 3.143/24, de autoria da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que discutiu a violência cibernética contra as mulheres. A norma altera a Lei 3.852/02, que trata sobre a propaganda ou publicidade dos Poderes do Estado do Rio de Janeiro, e estabelece a destinação do percentual de 2% desses valores às propagandas cujo tema será conscientização sobre os crimes cibernéticos praticados contra as mulheres e como evitá-los.
Ação integrada do Município, Segurança Presente e Polícia Civil combate internet clandestina, prende suspeito e apreende dois carros em Piratininga
A Prefeitura de Niterói realizou, nesta quinta-feira (9), em parceria com a 81ª Delegacia de Polícia (Itaipu) e o programa Segurança Presente, uma operação de combate à instalação clandestina de serviços de internet, na Comunidade da Ciclovia, em Piratininga, na Região Oceânica. A operação resultou na prisão de um homem, na apreensão de dois veículos utilizados pelo esquema criminoso e de diversos equipamentos empregados na distribuição ilegal de sinal. A ação faz parte da estratégia do Gabinete de Gestão Integrada Municipal (GGIM), em conjunto com as forças policiais, para apertar o cerco contra atividades que financiam o crime organizado.
Durante a fiscalização, os agentes localizaram um Fiat Uno branco e um Fiat Uno vermelho, utilizados pelo esquema criminoso. Dentro dos automóveis foram encontrados 15 amplificadores para rede CATV, aproximadamente 100 metros de cabos de diversas bitolas, distribuidores, módulos e repetidores de sinal, além de ferramentas profissionais, entre elas uma furadeira/martelete da marca Makita.
A operação faz parte de uma série de ações coordenadas pelo GGIM, por meio dos agentes de Inteligência e do Núcleo de Ações Integradas (NAI), para combater atividades clandestinas utilizadas como fonte de financiamento do crime organizado e fortalecer a atuação integrada entre os órgãos municipais e as forças estaduais de segurança. O secretário do Gabinete de Gestão Integrada Municipal, Felipe Ordacgy, destacou a importância da ação para enfraquecer a atuação das organizações criminosas.
“Atacar as fontes de financiamento do crime organizado tem sido uma das principais estratégias da Prefeitura de Niterói. As operações coordenadas pelo GGIM unem inteligência, fiscalização e integração entre as forças de segurança para sufocar atividades ilegais, como o ‘gatonet’, que prejudicam empresas regularizadas, colocam a população em risco e fortalecem organizações criminosas. Seguiremos ampliando esse trabalho integrado para impedir que essas estruturas continuem atuando na cidade”, disse.
O delegado titular da 81ª DP (Itaipu), Deoclecio Assis, afirmou que o trabalho integrado fortalece a atuação policial e traz resultados concretos para a sociedade.
“A Polícia Civil tem o papel de investigar, reunir provas, identificar os responsáveis e responsabilizar criminalmente todos os envolvidos nesse tipo de atividade clandestina. A prisão em flagrante, a apreensão dos veículos e do material utilizado no esquema são etapas importantes para aprofundarmos a investigação da ligação dessa prática com organizações criminosas que atuam na região”, ressaltou.
Os veículos serão periciados pela Polícia Civil, que dará continuidade às investigações na 81ª DP a partir da prisão em flagrante e de todo o material apreendido.
O coordenador do Segurança Presente Niterói, Thiago Martins, declarou:
“O Segurança Presente atua diretamente reforçando a presença das equipes da Polícia Militar em campo, ampliando a capacidade de resposta e contribuindo para a prevenção e repressão de práticas criminosas. Nesta operação, nossa missão foi coibir uma atividade ilegal que, além de gerar prejuízos, está associada à atuação do tráfico local.”
Além da concorrência desleal com empresas legalizadas, a instalação clandestina de redes de internet costuma ocorrer por meio de ligações irregulares em postes e vias públicas, sem qualquer autorização dos órgãos competentes, comprometendo a infraestrutura urbana, oferecendo riscos à população e dificultando a prestação de serviços essenciais.
GGIM intensifica ações contra fontes de financiamento do crime organizado
O combate à internet clandestina soma-se a uma série de operações realizadas pelo Gabinete de Gestão Integrada Municipal nos últimos meses para desarticular cadeias econômicas ligadas ao crime organizado.
Entre as principais iniciativas está a Operação Asfixia, considerada uma das maiores ofensivas integradas da Prefeitura contra a receptação de materiais furtados. A operação já realizou dezenas de ações em diferentes bairros, fiscalizando ferros-velhos, depósitos clandestinos e estabelecimentos irregulares, com prisões, interdições, apreensão de materiais sem comprovação de origem e autuações por crimes ambientais, sanitários e administrativos. A estratégia tem como objetivo atingir diretamente o mercado ilegal que alimenta furtos de cabos, hidrômetros, peças automotivas, equipamentos públicos e outros bens patrimoniais.
As operações também já desarticularam depósitos clandestinos de veículos e motores adulterados, locais utilizados para armazenamento de peças roubadas, comércio ilegal de botijões de gás, além de outros pontos utilizados para atividades ilícitas. Em todas as ações, o foco é retirar das organizações criminosas suas fontes de receita, utilizando inteligência integrada, fiscalização administrativa e atuação policial coordenada.
Além da Polícia Civil e do Segurança Presente, as ações coordenadas pelo gabinete frequentemente contam com a participação da Guarda Civil Municipal, da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop), da Companhia de Limpeza de Niterói (Clin), da Vigilância Sanitária, da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, da Polícia Militar, da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e de outros órgãos parceiros, conforme a natureza de cada operação.
Uma ação integrada entre o Gabinete de Gestão Integrada Municipal (GGIM), o Programa Segurança Presente Niterói, a 78ª Delegacia de Polícia (Fonseca) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF) resultou, nesta quarta-feira (1º), na prisão de um homem por receptação e na recuperação do motor de uma motocicleta com registro de furto ocorrido em setembro de 2025. A operação evidencia a efetividade da integração entre as forças de segurança pública que atuam no município, consolidando o modelo de atuação conjunta adotado em Niterói para o enfrentamento qualificado da criminalidade.
Após uma informação repassada pelo Disque-Denúncia Niterói, por meio do convênio com o GGIM, policiais militares do Programa Segurança Presente acionaram a força-tarefa integrada e seguiram até o local indicado, nas proximidades do Morro do Castro, onde efetuaram a prisão do suspeito. Com ele, também foi apreendido um telefone celular com registro de roubo.
“A integração permanente entre as instituições de segurança, associada ao emprego de inteligência, tecnologia e à participação da sociedade, continuará sendo prioridade para ampliar a sensação de segurança da população e garantir respostas rápidas e eficientes às ações criminosas em Niterói”, afirmou o secretário do Gabinete de Gestão Integrada Municipal da Prefeitura de Niterói, Felipe Ordacgy.
A identificação do motor furtado contou com o trabalho técnico especializado do Grupo de Identificação Veicular (GIV) da Polícia Rodoviária Federal em Niterói, referência nacional na análise pericial de elementos identificadores automotivos e na detecção de adulterações veiculares. A expertise do GIV foi fundamental para confirmar a origem ilícita do motor e subsidiar os procedimentos investigativos.
A ação também reforça a importância das informações repassadas pela população por meio do Disque-Denúncia Niterói, ferramenta estratégica para o planejamento operacional e o direcionamento das ações integradas de segurança. A colaboração da sociedade, aliada ao compartilhamento de inteligência entre os órgãos envolvidos, amplia a capacidade de resposta do poder público e fortalece o combate às organizações criminosas.