Atriz oriental fala como o Pole Dance contribuiu para seu auto conhecimento e autoestima em tempos de pandemia.

 

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Fotos crédito: ANDRE DRUM

Atriz oriental fala como o Pole Dance contribuiu para seu auto conhecimento e autoestima em tempos de pandemia.

Muitas pessoas foram em busca do autoconhecimento durante o período da pandemia e durante essa fase, a atriz Chan Suan descobriu uma nova paixão: pole dance.
Chan Suan, 39 anos, é uma atriz chinesa que veio para o Brasil com 5 anos de idade. A atriz que coleciona trabalhos de sucesso como o sucesso mundial “O Ornitólogo” que está no catálogo da Netflix (Eua), comemora ter atuado em 2 longas na pandemia.  Chan estréia em uma produção da Netflix no Brasil “Lulli” ( 2021) estrelado por Larissa Manoela e a participação no filme ” Desapega”,  protagonizado por Gloria Pires e Maísa, com previsão para 2022.
Na TV Chan integrou o elenco de “A Dona do Pedaço” como Naomi, “As Five” como Tiffany, e na quarta temporada de “Pé na Cova” como Pao Ling.

Como surgiu a vontade de fazer pole dance?

Eu fazia Dança do Ventre e Tango regularmente, e parei na pandemia. Só que de repente me vi precisando de algo novo, e lembrei do pole dance, que eu sempre quis fazer e nunca tentei. Me apaixonei perdidamente pela dança nova; foi tipo, um “finalmente”, sabe?

Como você analisa que o pole alia na autoestima?

A Pole deu um suporte e tanto pra mim. No meio de atividades paralisadas no nosso setor do audiovisual, poder descobrir uma arte nova foi essencial pra manter meu psicológico saudável, e combater a depressão que assolou tanta gente durante a pandemia. Fora que é um estilo de dança que mostra o que toda e qualquer mulher tem de melhor; seu feminino. Todas podem fazer; todas se sentirão maravilhosas no pole dance, não tem como!
Na cultura asiática a exposição de corpo é ainda cheia de tabus, e minha criação me passou isso também, mas depois do Pole na minha vida, consegui me soltar absurdamente mais no quesito pudor excessivo. A dança mostra todas as nossas travas; as sociais e internas, e traz maior leveza e fluidez em nós. A arte salva.
Sabemos da importância do feminismo para as mulheres no mundo, como você avalia as dificuldades e preconceitos vividos pelas mulheres asiáticas no Brasil?

Bom, primeiramente, a questão dos olhos já é bem conhecida ne? Aquele gesto horroroso de puxar os olhos pra gente, um ‘saionara’ e ‘arigato’, e aquela fetiche chamada ‘febre amarela’, no qual a mulher asiática é tratada como um experimento de conquista. Acho que ninguém gosta de ser chamado de ‘gordinho’, ‘magrinho’ ou ‘japa’. Acredito que exista mais um pré-conceito do que dificuldade propriamente dito, mas cresci ouvindo tanto bullying acerca do fato de eu ser asiática, que às vezes da vontade de se esconder um pouco. Nós asiáticas não somos normalizadas na sociedade. É a japa e ponto. Dificilmente você vê alguém asiático representando algo que nao seja nada relacionado a “orientalidade” por aí. Se tem, temos um ou dois, no meio de um país tão grande e diverso. Lembrando que a imigração japonesa, por exemplo, começou em 1908; ou seja, tem muito asiático por ai nesse Brasil miscigenado. É preciso normalizar ver um oriental na TV, no cinema e em todas as mídias, e isso é representatividade.

Muitas pessoas ficaram sem emprego na pandemia. Você participou de 2 longas. Como foi pra você esse período pandêmico?

Foi muito difícil pra todos, tenho certeza. Tive muitas crises depressivas e existenciais, que sei que foram necessárias pra evoluir em diversas questões fora os medos acerca da nossa sobrevivência, por não estar podendo trabalhar momentaneamente; era como se não soubesse se aquilo um dia iria acabar. Mas o fato de não se sentir produtivo realmente mexe com nossa mente e emocional, e por isso, ter a oportunidade de estar em set depois de tanto tempo é muito gratificante e feliz.

Quais seus planos para o futuro?

Meu Eu interior andou me mostrando que quero escrever e expandir, e resolvi começar a escrever roteiro.  É onde podemos ousar. Tenho roteiros finalizados e em esboço também, e aparentemente, produzir é o próximo desafio. Espero poder realmente ver que um dia o mercado possa normalizar pessoas não brancas nas telinhas da tv e cinema.


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