“Felippe Moraes: Composição Aleatória” no MAC Niterói

O MAC Niterói apresenta a exposição “Felippe Moraes – Composição Aleatória”, que ocupa a praça do museu com três esculturas sonoras interativas de grandes proporções, convidando o público a produzir música de forma coletiva. Com entrada gratuita, a mostra conta com texto da curadora libanesa Amanda Abi Khalil e segue até 23 de agosto de 2026.

Na exposição, o artista apresenta a série Composição Aleatória #2 (2024), composta por três esculturas monumentais que funcionam como instrumentos musicais coletivos. As obras convidam o público a se sentar em pares e a balançar nas estruturas, acionando doze sinos suspensos, organizados segundo a escala dodecafônica, sistema musical baseado na premissa de igualdade entre todas as notas da escala cromática.

Derivada da obra Composição Aleatória (2019), apresentada pela primeira vez na exposição Solfejo, no Centro Cultural FIESP, em São Paulo, a série se aprofunda na ideia de música como acontecimento imprevisível e relacional. Cada ativação gera uma situação sonora única, moldada pelos movimentos arbitrários dos corpos, pelo vento, pela maresia e pela interação entre visitantes. Não há partitura fixa, nem repetição possível: a obra se afirma como uma composição sempre provisória e coletiva. As esculturas já passaram por importantes centros culturais no Rio de Janeiro, São Paulo, Nova Friburgo e Brasília.

A exposição marca o retorno de Felippe Moraes ao MAC Niterói para celebrar uma década de pesquisas e intervenções que tensionam a arquitetura icônica de Oscar Niemeyer, seu simbolismo e sua relação direta com a paisagem e a cidade. Desde 2016, o artista desenvolve uma sequência de projetos concebidos para os espaços externos do museu, entre eles “Progressão” (2016), realizada durante os Jogos Olímpicos, quando instalou 26 bandeiras em tons de cinza ao longo da rampa do edifício, e “Samba Exaltação” (2021), mostra criada especialmente para os 25 anos do MAC, com sete neons que incorporavam versos de sambas tradicionais à arquitetura modernista.

Em 2022, Moraes expandiu essa investigação com a curadoria do “Projeto Mirante”, ocupando simultaneamente a praça, a rampa e a bilheteria do museu, criando três exposições simultâneas que diluíram fronteiras institucionais e estabeleceram um contato direto com o público visitante.

Ao instalar as esculturas na praça do MAC Niterói, Felippe Moraes coloca em diálogo a geometria rigorosa das formas, a instabilidade do som e a vastidão da paisagem marítima, criando um ambiente de criação livre, lúdica e sensorial, no qual arquitetura, corpo e território vibram em uníssono.

Para o artista: “Historicamente, as pessoas se sentem distanciadas das instituições de arte. O MAC Niterói não é diferente, com o agravante de estar em diálogo constante com uma paisagem arrebatadora e uma arquitetura tão potente que, muitas vezes, eclipsam as coleções e programações. Ao ocupar a praça do museu, busco ativar esse espaço de encontro, onde a arte e as pesquisas curatoriais ganham forma ao entrar em contato direto com os visitantes. É uma proposta de museu verdadeiramente público: aquele que se abre para a cidade, transforma os cidadãos e também se deixa transformar por eles.”


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