Casa Paraty abre a Flip com cortejo de ciranda, shows, debates, teatro e audiovisual em celebração à cultura caiçara

A cultura caiçara ganha um novo espaço de protagonismo durante a 24ª Flip. Entre os dias 21 e 26 de julho, a Casa Paraty realiza sua primeira edição com uma programação que reúne música, literatura, teatro, audiovisual, exposições, oficinas, rodas de conversa e manifestações tradicionais produzidas no território.

A abertura acontece na terça-feira (21), às 20h, com um dos momentos mais simbólicos da programação: o Cortejo da Ciranda de Tarituba, que percorrerá as ruas do Centro Histórico conduzindo o público até a Casa Paraty. Em seguida, será realizada a cerimônia oficial de abertura do espaço.

Ao longo de seis dias, moradores, visitantes e imprensa poderão acompanhar uma programação que coloca em evidência diferentes expressões da cultura caiçara, reunindo mestres da cultura popular, escritores, artistas, pesquisadores, jovens criadores e coletivos culturais em uma agenda construída a partir da identidade de Paraty.

Entre os destaques estão os debates sobre cultura, território, meio ambiente, juventude, literatura e audiovisual; lançamentos de livros; apresentações da tradicional ciranda caiçara; o Cabaré Teatral Zé Kleber; a Mostra de Vídeos dedicada à memória do território; além de shows de Luís Perequê, MC Marinho & Realidade Negra e diversas atrações locais.

Durante toda a programação, o público também poderá visitar a exposição “A Luta de Trindade”, composta por registros históricos da mobilização da comunidade caiçara em defesa de seu território.

Serviço

Casa Paraty na Flip
Período: 21 a 26 de julho
Abertura oficial: terça-feira (21), às 20h
Destaque: Cortejo da Ciranda de Tarituba e cerimônia de abertura

Principais destaques da programação

21 de julho (terça-feira)
20h – Cortejo da Ciranda de Tarituba
Abertura oficial da Casa Paraty

22 de julho (quarta-feira)
Programação infantil com teatro, música, dança e oficina “Brincando com Gravetos”

23 de julho (quinta-feira)
Mesas “Defeso Cultural” e “Mar de Cultura em Paraty”
Lançamentos de livros
Conversa sobre a história da cachaça em Paraty
Show de Luís Perequê e convidados
Cirandeiros da Ciranda Nova Esperança

24 de julho (sexta-feira)
Remada Ecológica
Mesas sobre meio ambiente, juventude, tradição e cinema
Mostra de Vídeos
Show de MC Marinho e Realidade Negra, com abertura de Xaplin

25 de julho (sábado)
Mesas sobre cultura, território, literatura e memória caiçara
Lançamentos de livros
Cabaré Teatral Zé Kleber
Resultado do concurso Novos Versos de Ciranda
Apresentação dos Cirandeiros de Paraty e Os Praianos

26 de julho (domingo)
Visitação à exposição “A Luta de Trindade”

Depois do futebol, a Cidade Maravilhosa recebe a Copa do Mundo para a música de sopro e percussão

O Rio de Janeiro vai viver uma experiência única entre os dias 20 e 26 de julho: a 21ª Conferência Internacional da WASBE (World Association for Symphonic Bands and Ensembles – Associação Mundial de Bandas e Conjuntos Sinfônicos) trará para a cidade sete dias de música com os mais importantes representantes do setor. Serão cerca de quarenta concertos (gratuitos ou a preços populares), além do Concurso Internacional de Regência, do VI Concurso Internacional de Composição para Bandas, Workshops Instrumentais, o Fórum Funarte de Bandas de Música, o Seminário de Música Latino-americano para Bandas e as Clínicas WASBE, que são palestras com alguns dos maiores especialistas em conjuntos de sopros. Instrumentistas musicais, regentes, compositores, arranjadores, pesquisadores, educadores e estudantes de diversos países estarão presentes para esta intensa semana de muito aprendizado e compartilhamento de informação.

Os mais importantes palcos da música no Rio de Janeiro receberão os concertos: o Theatro Municipal do Rio de Janeiro, a Sala Cecília Meireles, o Salão Leopoldo Miguez da Escola de Música da UFRJ, o Palácio Gustavo Capanema, bem como a Igreja de São Francisco de Paula, a Fortaleza São José (Marinha do Brasil) e até mesmo a Ilha Fiscal, entre outros espaços. Bandas sinfônicas dos Estados Unidos, Alemanha, Portugal e Colômbia se juntarão a dezenas de grupos brasileiros para esta verdadeira Copa do Mundo da música para sopros e percussão.

Já estão confirmados os seguintes conjuntos sinfônicos internacionais: Banda Sinfônica Nacional da Colômbia, University of New Mexico Wind Symphony, University of Michigan Chamber Winds, Oregon State University Wins Ensemble, Mannheimer Blserphilhamonie e Solistas Samp Portugal. Do Brasil, participarão também grupos de diversas regiões, como a Banda Sinfônica do Corpo de Fuzileiros Navais, a Banda Sinfônica do Conservatório de Tatuí, a Orquestra de Sopros da UFRJ, a Banda Sinfônica do Exército Brasileiro, a Orquestra de Sopros de Lençóis Paulista, a Banda Filarmônica de São Paulo, a Banda Sinfônica do Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro, a Banda Filarmônica de Santarém, a Banda Sinfônica de Cubatão, entre muitas outras.

A realização de uma Conferência Internacional da WASBE na América Latina traz importante simbolismo e uma mudança histórica. Tradicionalmente realizada em países da Europa, América do Norte, Ásia e Oceania, a conferência abre espaço para que a produção musical latino-americana ganhe ainda mais visibilidade internacional. O evento também permitirá que compositores da região apresentem suas obras para um público global, fortalecendo o intercâmbio cultural e ampliando oportunidades para músicos e instituições.

O evento tem à frente do Comitê Organizador Local o maestro Marcelo Jardim, professor da Escola de Música da UFRJ, e conta com uma ampla rede institucional de parceria, quem tem a UFRJ como anfitriã, mas também a SECEC-RJ, através da Fundação Theatro Municipal do Rio de Janeiro, a FUNARJ e a Associação de Amigos da Sala Cecília Meireles, a Marinha do Brasil, a FUNARTE, entre outras.

Exposição “Matrizes” convida o público para conhecer os processos criativos por trás das obras

Mostra reúne Bim Brito, Juliana Fernandez, Rafa Diås e Tatiana Coelho e convida o público para uma conversa sobre os processos criativos que deram origem à exposição

Depois de uma abertura de grande sucesso, a exposição Matrizes segue em cartaz no Centro Cultural Memorial Getúlio Vargas, na Glória, e promove neste sábado (18) um encontro especial entre público, artistas e curadoria. A atividade gratuita, intitulada “A origem de uma exposição”, acontece das 14h às 16h, oferecendo uma rara oportunidade para conhecer os bastidores do processo criativo que deu vida à mostra.

Participam da conversa as artistas Bim Brito, Juliana Fernandez, Rafa Diås e Tatiana Coelho, acompanhadas da curadora Emmanuele Russel. A mediação será conduzida pelo artista e professor da Escola de Artes Visuais do Parque Lage, Bernardo Magina, que conduzirá um diálogo sobre as pesquisas, referências, desafios e escolhas que atravessam a construção de uma exposição coletiva.

Em cartaz até 16 de agosto, Matrizes reúne quatro trajetórias artísticas distintas que encontram pontos de convergência na força da cor, da forma e da percepção. Sob a curadoria de Emmanuele Russel, a exposição propõe um percurso em que diferentes linguagens dialogam a partir de suas origens — suas matrizes — revelando aproximações, contrastes e ressonâncias entre os trabalhos.

Mais do que apresentar as obras, o encontro convida o público a compreender aquilo que normalmente permanece invisível: como nasce uma exposição, como se estabelece o diálogo entre artistas e curadoria e quais reflexões orientam as escolhas que chegam ao espaço expositivo.

Aberta ao público e com entrada gratuita, a conversa é voltada tanto para apreciadores de arte quanto para estudantes, artistas e todos os interessados em conhecer mais profundamente os processos que permeiam a produção artística contemporânea.

Serviço
Conversa com as artistas – “A origem de uma exposição”
Exposição: Matrizes
Data: 18 de julho (sábado)
Horário: das 14h às 16h
Local: Centro Cultural Memorial Getúlio Vargas – Subsolo
Praça Luís de Camões, Glória – Rio de Janeiro
Entrada gratuita
Exposição em cartaz até 16 de agosto de 2026.

Entre o moderno e o contemporâneo: arte nas coleções do MAM Rio

O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro inaugura, em 25 de julho de 2026, a exposição de longa duração Entre o moderno e o contemporâneo: arte nas coleções do MAM Rio, viabilizada pela parceria entre o museu e a Petrobras. Reunindo obras de cerca de 170 artistas que ajudam a contar a história da arte moderna e contemporânea no Brasil, a mostra garantirá acesso permanente para públicos da cidade e visitantes a património artístico fundamental para o país. O percurso articula a trajetória da produção artística nacional nos séculos XX e XXI à história do próprio museu, destacando o papel desempenhado pelo MAM Rio na formação e difusão da arte brasileira.

A exposição toma como ponto de partida o projeto moderno que, nas primeiras décadas do século XX, buscou construir uma arte e, por extensão, uma cultura capaz de expressar a singularidade cultural nacional. Foi esse mesmo impulso que contribuiu para a criação do MAM Rio, fundado em 1948. A partir dessa conexão histórica, a mostra acompanha diferentes movimentos, linguagens e experimentações que marcaram a arte brasileira, ao mesmo tempo em que revela a presença do museu carioca em momentos decisivos dessa trajetória.

“As obras reunidas aqui são incontornáveis para a compreensão da arte brasileira moderna e contemporânea e, apresentadas em conjunto, revelam a força e a diversidade do acervo do MAM Rio. Queremos ampliar o acesso a esse patrimônio cultural e mostrar como as coleções do museu oferecem uma leitura singular da história da arte no Brasil, construída a partir da própria trajetória do museu e de seu compromisso permanente com a preservação, a pesquisa, a educação e a formação de públicos”, comenta Yole Mendonça, diretora executiva do MAM Rio.

Reunindo ítens pertencentes à Coleção MAM Rio, à Coleção Gilberto Chateaubriand e à Coleção Joaquim Paiva, a coletiva apresenta trabalhos de artistas fundamentais para a compreensão da arte moderna e contemporânea no país. A seleção inclui obras de Alberto da Veiga Guignard, Alfredo Volpi, Amilcar de Castro, Anita Malfatti, Anna Bella Geiger, Anna Maria Maiolino, Antonio Dias, Antonio Manuel, Arjan Martins, Artur Barrio, Beatriz Milhazes, Cildo Meireles, Claudio Tozzi, Ernesto Neto, Fernanda Gomes, Franz Weissmann, Heitor dos Prazeres, Hélio Oiticica, Iberê Camargo, Iole de Freitas, Ivald Granato, Ivan Serpa, José Resende, Judith Lauand, Lúcia Laguna, Manabu Mabe, Rubem Valentim, Rubens Gerchman, Tarsila do Amaral e Tomie Ohtake, entre muitos outros nomes decisivos para a construção da arte brasileira desde o começo do século XX.

Organizada de forma cronológica, a montagem estrutura-se em oito núcleos: Modernismos, Abstrações além da forma, O impulso geométrico, O retorno da figuração, Arte experimental, A nova pintura nos anos 1980, Elementos apropriados e A partir de 1990. A divisão dialoga com categorias consolidadas pela historiografia da arte no Brasil, permitindo ao visitante acompanhar transformações estéticas, conceituais e políticas que atravessaram a produção artística ao longo do século XX e das primeiras décadas do século XXI.
Entre as obras apresentadas estão marcos importantes, como A japonesa (1924), de Anita Malfatti ou Urutu (1928) de Tarsila do Amaral; trabalhos de Alfredo Volpi e Guignard associados aos desdobramentos do modernismo; pinturas de Iberê Camargo, Manabu Mabe e Tomie Ohtake ligadas às pesquisas abstratas informais do pós-guerra; obras de Ivan Serpa, Judith Lauand e Franz Weissmann que ajudam a compreender o desenvolvimento da arte geométrica no país; além de trabalhos de Hélio Oiticica, Cildo Meireles, Antonio Manuel e Artur Barrio, artistas centrais para a expansão dos limites da arte brasileira a partir das décadas de 1960 e 1970.

Embora estruturada cronologicamente, Entre o moderno e o contemporâneo não propõe uma narrativa linear ou definitiva. A presença de obras que perpassam diferentes momentos históricos e uma expografia concebida para estimular múltiplos percursos convidam o público a estabelecer relações transversais entre períodos, linguagens e contextos distintos. O projeto expográfico retoma referências do design moderno, ao mesmo tempo em que cria condições para leituras abertas e não hierárquicas do conjunto apresentado.
A narrativa expositiva é enriquecida por verbetes distribuídos em QR codes ao longo da mostra, que oferecem acesso a textos, fotografias e documentos preservados nos acervos documentais do museu, e contextualizam episódios decisivos da história do MAM Rio e da arte brasileira. Entre eles estão temas como o Ateliê de Gravura, os cursos do Ivan Serpa, as exposições Opinião 65 e Opinião 66, a abertura do Bloco de Exposições, a Nova Vanguarda Artística e as relações entre ditadura, arte e comunicação. Esses conteúdos ampliam a compreensão das obras e artistas ao situá-las nos debates e transformações que marcaram a produção artística no país.

O MAM Rio reúne um dos principais acervos da América Latina. São mais de 3 milhões de itens, entre obras de arte, documentos e filmes. Entre eles, 16 mil obras dividem-se em três coleções: a Coleção Gilberto Chateaubriand, a Coleção Joaquim Paiva e a Coleção MAM Rio. Juntas, elas constituem um conjunto de referência para o estudo e a compreensão da arte moderna e contemporânea produzida no Brasil.

Desde sua fundação, o MAM Rio consolidou-se como uma das principais instituições dedicadas à arte e à educação no país, desempenhando papel fundamental na formação do campo artístico brasileiro. Orientado por uma visão de arte e cultura que reconhece sua função social, formativa e cidadã, o museu reafirma, com esta exposição, seu compromisso com a democratização do acesso ao acervo e com a ampliação das possibilidades de leitura da história da arte brasileira.

Casa Roberto Marinho tem programação de férias com ateliês, histórias e visitas mediadas

Entre 11 e 29 de julho, a Casa Roberto Marinho realiza uma programação especial de férias para crianças, jovens e adultos, em diálogo com a exposição o (tempo), de Waltercio Caldas. Ateliês, contações de histórias, visitas mediadas e experiências ao ar livre convidam o público a explorar questões de tempo, espaço, percepção e linguagem a partir da arte contemporânea.

Conduzidas pela equipe de Educação da instituição, as atividades ocupam galerias, jardins e outros espaços da casa, propondo diferentes formas de criação, investigação e contato com a natureza. A programação reúne oficinas criativas, percursos pelo jardim e ações voltadas a públicos de todas as idades.

Inserida em um dos cenários mais singulares da cidade, entre a Floresta da Tijuca e o jardim projetado por Burle Marx, a Casa Roberto Marinho amplia a experiência da exposição para além das galerias. A biodiversidade do entorno integra as propostas educativas e convida os participantes a observar a paisagem e suas relações com a arte.

Entre os destaques estão os Ateliês Biodiversos, realizados aos sábados, que propõem experiências criativas a partir de elementos naturais, como galhos, folhas, flores, frutas, raízes, cascas, bambus, rochas e areia. As atividades convidam os participantes a desenvolver uma relação de escuta, observação e criação em diálogo com a biodiversidade do jardim e da Mata Atlântica.

A programação inclui também as tradicionais Contações de Histórias, conduzidas pela Cia. do Solo, que estabelece conexões entre contos, lendas e narrativas filosóficas e os conceitos presentes na exposição de Waltercio Caldas. As histórias dialogam com temas como tempo, imaginação, percepção e diferentes maneiras de compreender o mundo.

Outro núcleo da programação são os Ateliês de Investigação, que utilizam o livro como objeto artístico e campo de experimentação. Inspiradas na produção de Waltercio Caldas, as atividades convidam os participantes a explorar novas possibilidades para o livro, compreendendo-o não apenas como suporte de leitura, mas também como escultura, espaço e silêncio.

Nos finais de semana, os Ateliês O tempo, o abismo e o mundo ampliam esse diálogo por meio de experiências em desenho, pintura, escultura e construção de objetos, incentivando a invenção, a criatividade e a reflexão sobre as relações entre imagem, palavra e percepção.

A programação é complementada por visitas mediadas realizadas diariamente pela equipe de Educação da Casa Roberto Marinho, oferecendo ao público diferentes caminhos de leitura para a exposição o (tempo). Durante o percurso, os visitantes são convidados a refletir sobre questões presentes na obra de Waltercio Caldas, como tempo, espaço, aparência, invisibilidade e percepção, enriquecidas pelas notas para uma pedagogia visual bem-humorada, escritas pelo próprio artista.

Com essa programação especial, a Casa Roberto Marinho reafirma sua vocação de promover experiências que aproximam arte, educação e natureza, oferecendo ao público um espaço de convivência, descoberta e experimentação durante o período de férias escolares.

O tempo em espiral: exposição coletiva de fotografias chega à Casa Firjan

Com 39 obras de 11 fotógrafos selecionados pelo Mosaico Rio, mostra propõe diferentes olhares sobre tempo, ancestralidade, memória e território

O tempo em espiral: exposição coletiva de fotografias chega à Casa Firjan
Um desafio foi proposto a 11 fotógrafos selecionados pelo Mosaico Rio, edital de Cultura promovido pela Firjan SESI: interpretar o significado do Tempo através de imagens inéditas. E, assim, com câmeras e lentes apontadas para o passado, o presente e o futuro, produziram 39 obras especialmente para a exposição “Arqueiros na espiral do tempo – fotografia brasileira contemporânea”, que está em cartaz na Casa Firjan até 20/9.

Os artistas participantes são: Alessandro Fracta, Bruno Marchetti, Cristina Froment, Daniel Oliveria, Francisco Valdean, Gabriella Silva, João MM, Rafa Chlum, Renata Xavier, Thaís Valencio e Thanis Parajara. Eles desenvolveram coletivamente o conceito da exposição durante uma semana de imersão na Casa Firjan. A proposta central foi, então, revelar “interpretações distintas sobre o inescapável fenômeno da passagem do tempo”, como explica a curadora da mostra, Marcia Mello.

“Na cultura ocidental, predomina o entendimento do tempo cronológico e histórico, medido de forma precisa em segundos, minutos, horas. A vida se desdobra como uma seta direcionada apenas para o futuro. Já no tempo mítico, valoriza-se o sagrado. A realidade é atualizada em rituais e mitos através de movimentos cíclicos, como uma roda que gira”, completa ela.

Arqueiros do tempo

Thanis Parajara é artista visual e fotógrafa do bairro de Inhaúma, da zona norte da capital. Ela tem uma forte pesquisa conecta à sua ancestralidade indígena. Por

conta de sua produção documental de vivências dos povos originários, ela inclusive foi premiada na Funarte Marc Ferrez de Fotografia, em 2024. A sua fotografia “Arqueiro do Tempo”, um dos destaques da exposição, foi feita em abril de 2026 no Acampamento Terra Livre (ATL), em Brasília, maior mobilização do Brasil sobre a defesa dos territórios e direitos indígenas.

“Minha relação é documentar a luta indígena brasileira e todas as relações que o movimento emerge, a união e confluência de saberes para garantia da resistência ancestral”, conta Thanis, que está no mercado da fotografia desde 2018.

Fotógrafo e videomaker, Daniel Oliveira trabalha há seis anos na área. Ele é responsável por “Retratos de Espera”, fotografia que representa crianças em um orfanato. O tema tem total relação com a história do autor, que cresceu na Fundação Romão Duarte.

“Como o tema era Tempo, me baseei em minha história e em como era a questão da adoção na época. As crianças esperavam sem nenhuma informação sobre o tempo em que seriam adotadas”, relembra Daniel, que é morador do Méier. Para ele, o Mosaico Rio é uma oportunidade de crescimento e valorização do trabalho artístico.

“Além de apoiar financeiramente os projetos, ele dá voz aos artistas e incentiva a criação cultural. Acredito que iniciativas como essa são fundamentais para fortalecer a cultura e abrir portas para novos talentos”, completa Daniel.

Mosaico Rio

Os fotógrafos participantes da exposição foram selecionados por meio do Mosaico Rio, edital de Cultura da Firjan SESI que contratou 90 projetos artísticos-culturais inéditos e não inéditos de todo o estado do Rio de Janeiro para serem exibidos nas unidades da Firjan. Foram investidos R$ 3 milhões e 298 mil em artistas ligados ao universo do teatro, circo, dança, música, literatura, multilinguagem e fotografia.

Na categoria Artes Visuais – Fotografia, um total de R$ 88 mil foi distribuído para que os artistas pudessem participar da imersão com a curadora e produzir suas obras. “A exposição ‘Arqueiros na espiral do tempo’ é onde deságua mais uma das ações propostas pelo edital Mosaico Rio, que se pretende um agente de estímulo à produção artística e à economia criativa no estado. Na capital ou no interior, temos buscado valorizar nossos artistas”, afirma Antenor Oliveira, gerente de Cultura e Arte da Firjan SESI.

Serviço

Exposição “Arqueiros na espiral do tempo – fotografia brasileira contemporânea”
Período: de 3/7 a 20/9
Horário: Terça a domingo, das 9h às 18h30
Local: Casa Firjan – Rua Guilhermina Guinle, 211, Botafogo – Rio de Janeiro
Entrada gratuita

Acervo do Palácio Tiradentes preserva memórias da política fluminense

A Biblioteca Dona Maria Portugal Duque Costa reúne um acervo de 40 mil exemplares; O espaço é aberto ao público de segunda a sexta-feira, das 10h às 17h, além de integrar o roteiro das visitas guiadas promovidas pelo Palácio

Um livro de taquigrafia em latim, publicado em 1748, constituições e documentos que preservam a memória da política fluminense fazem parte do acervo da Biblioteca Dona Maria Portugal Duque Costa, no coração do Palácio Tiradentes, sede histórica da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). Com um acervo de 40 mil exemplares, a biblioteca é aberta ao público de segunda a sexta-feira, das 10h às 17h, para consulta pública ao acervo, além de integrar o roteiro das visitas guiadas promovidas pelo Palácio.

Para a diretora de Cultura do Palácio, Fernanda Figueiredo, a biblioteca é um dos principais diferenciais por seu acervo histórico significativo. A vasta coleção concentra diários oficiais, anais do legislativo, periódicos e obras de referências. “A Biblioteca Maria Portugal Duque Costa encanta os visitantes que passam pelo Palácio Tiradentes. Além de possuir um denso acervo, sendo referência em literatura legislativa, ela impressiona por sua importância histórica e beleza arquitetônica. É um dos pontos mais emblemáticos da visita guiada”, destaca Fernanda.

Páginas que preservam a memória da política fluminense

O livro de taquigrafia em latim, publicado em 1748, é o mais antigo do acervo. Segundo a diretora da biblioteca, Patrícia Tavares, a obra simboliza a importância dessa técnica na preservação da memória legislativa. Isso porque foi por meio da taquigrafia que debates e discursos foram registrados ao longo da história. “Se hoje nós temos esses registros legislativos, é por conta da taquigrafia”, lembra a bibliotecária.

O acervo acompanha a história do Palácio Tiradentes e do Rio de Janeiro ao longo do tempo. Criada em 1947, a biblioteca leva o nome da servidora Maria Portugal Duque Costa desde 1989, em reconhecimento ao trabalho desenvolvido por ela na formação do acervo bibliográfico quando o Palácio ainda abrigava a Câmara dos Deputados, entre 1926 e 1960. “À frente do seu tempo, ela atuou na preservação dos documentos legislativos que hoje integram o acervo histórico. Além disso, ela era poeta e uma mulher atuante no meio político”, pontua Patrícia.

No acervo, também é possível consultar a Constituição do Estado da Guanabara de 1967 e a Constituição Estadual do Rio de Janeiro de 1989, a mais atual, ambas assinadas pelos deputados. Outro destaque do acervo que chama atenção é o Relatório da Província de 1878, um documento que reúne informações sobre a administração pública e o cotidiano da época, reunindo desde dados estatísticos até acontecimentos envolvendo a Família Imperial.

“Eu costumo dizer que ele é uma mistura de censo e coluna social. Nós podemos ver dados de quantas pessoas faleceram, ou quantas escolas abriram, além de termos acesso aos dados sobre mortalidade da população e alistamento militar, por exemplo. Eu acho muito interessante porque, quando abrimos, é possível encontrar tudo que possamos imaginar”, relata Patrícia.

Os exemplares dos Regimentos Internos de 1904 e 1936 também estão entre os documentos preservados pela biblioteca. Mais do que reunir as regras de funcionamento da Casa, as publicações revelam como eram os ritos legislativos em diferentes períodos e mostram como as normas evoluíram ao longo das décadas.

Para preservar a memória política, a biblioteca adota alguns cuidados para garantir a preservação do acervo, como cadarços próprios para amarração e papéis especiais para envelopamento, materiais que ajudam a proteger obras e documentos que atravessam e continuarão perdurando para futuras gerações.

Espaços culturais da Prefeitura de Niterói promovem experiência acolhedora e inclusiva

Equipamentos públicos da cidade emprestam mochilas sensoriais para dar mais conforto aos visitantes autistas e neurodivergentes

Em Niterói, cultura e acessibilidade caminham juntas. Cinco dos principais equipamentos culturais públicos da cidade passaram a oferecer mochilas sensoriais para pessoas autistas e neurodivergentes. A iniciativa da Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal das Culturas, tem como objetivo proporcionar aos visitantes proteção sensorial, conforto e autorregulação, transformando o passeio em uma experiência acolhedora e inclusiva.

As mochilas estão disponíveis para empréstimo no Teatro Popular Oscar Niemeyer, no Caminho Niemeyer; no Centro Cultural Cauby Peixoto, no Fonseca; no Centro Eco Cultural Sueli Pontes, em Piratininga; no Museu de Arte Contemporânea de Niterói (MAC), na Boa Viagem; e no Centro Cultural de Cidadania e Economia Criativa, conhecido como MACquinho, no Ingá. A retirada é gratuita, mediante a apresentação de um documento oficial com foto, que ficará retido até a devolução do kit. O material pode ser utilizado durante todo o período de permanência nos espaços, com devolução obrigatória ao fim da visita.

“Em Niterói, temos um compromisso permanente com a inclusão e a acessibilidade, fundamentais para que todos possam exercer sua cidadania de forma plena. Inauguramos o CAIS, o porto seguro das famílias atípicas da cidade, que é a porta de entrada para toda uma rede de serviços, e agora estamos disponibilizando as mochilas sensoriais nos equipamentos culturais. Os kits oferecem suporte a pessoas com sensibilidades sensoriais, contribuindo para uma experiência cultural mais confortável, segura e adequada às necessidades de cada um”, ressalta o prefeito Rodrigo Neves.

Cada kit contém itens como abafadores de ruído (ou protetores auriculares), que ajudam pessoas com hipersensibilidade auditiva a lidar com o excesso de barulho, evitando sobrecargas e crises sensoriais; bolinhas antiestresse, que funcionam como uma importante ferramenta de acessibilidade invisível para pessoas autistas, auxiliando na proteção do sistema nervoso e na autorregulação diante dos estímulos do ambiente; pulseiras luminosas, que podem funcionar como recurso de estimulação visual suave e previsível, promovendo relaxamento, conforto e sensação de bem-estar para algumas pessoas; e óculos escuros, que auxiliam na redução da intensidade da luz e do excesso de estímulos visuais, proporcionando maior conforto em locais com iluminação forte, luzes artificiais intensas ou reflexos excessivos, ajudando a prevenir desconforto visual e sobrecarga sensorial.

“Garantir que pessoas autistas e neurodivergentes possam acessar os nossos equipamentos com acolhimento, conforto e autonomia é uma forma concreta de afirmar a cultura como direito. Queremos que todos se sintam pertencentes nesses espaços”, afirma a secretária municipal das Culturas, Júlia Pacheco.

Após cada utilização, a equipe responsável realiza a higienização completa da mochila e de seus itens, garantindo que o recurso esteja sempre organizado, seguro e em boas condições para os próximos usuários. O cuidado coletivo com o material é fundamental para que ele permaneça disponível para todas as pessoas que necessitem desse recurso.

A psicóloga Andressa Hernams, de 45 anos, aprovou a mochila sensorial. Ela retirou o kit para o filho, Augusto, durante uma visita dos dois ao MAC. O adolescente, de 14 anos, é autista e teve uma boa experiência durante o passeio.

“Achei a iniciativa muito importante, porque inclui essas pessoas nesses espaços. Os autistas têm questões sensoriais, e o kit oferece itens que permitem desfrutar o ambiente cultural com mais conforto, como o abafador, que ajuda a focar em lugares com muitos ruídos, e a bolinha antiestresse, que contribui para a autorregulação em meio aos estímulos. Lugar de autista é onde ele quiser, não apenas dentro de casa ou do consultório”, ressaltou Andressa.

Referência no atendimento a famílias atípicas

Em novembro do ano passado, a Prefeitura de Niterói inaugurou o Centro de Avaliação e Inclusão Social (CAIS). Localizada no Centro, a unidade representa um marco na política municipal voltada às crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

O CAIS foi estruturado como um espaço de referência no acolhimento, na avaliação clínica e na construção de caminhos de cuidado para casos suspeitos de TEA. O modelo reúne, em uma mesma rede de apoio, profissionais das áreas de saúde, educação, assistência social, cultura, trabalho e acessibilidade, promovendo uma atuação integrada entre as secretarias municipais. A proposta de centralizar diagnóstico, orientação e encaminhamentos é considerada essencial por profissionais e familiares.

Apoio escolar – A Prefeitura está com inscrições abertas para o processo seletivo simplificado para a contratação temporária de 300 Agentes de Apoio Escolar, que irão reforçar o atendimento aos estudantes da Rede Municipal de Educação. A contratação temporária tem como objetivo atender ao crescimento da demanda por educação especial nas escolas da rede municipal e ampliar as estratégias de inclusão, enquanto a Prefeitura avança na realização do concurso público para o cargo, criado por lei sancionada recentemente pelo prefeito Rodrigo Neves. A medida integra a nova Política Municipal de Educação Especial Inclusiva, estruturada em alinhamento com as diretrizes do Ministério da Educação.

Prioridade – Em Niterói, é possível emitir a Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (CIPTEA). O documento é gratuito e possui um QR Code que comprova a apresentação dos laudos exigidos, garantindo mais segurança e veracidade ao processo de identificação, além de assegurar prioridade no atendimento em estabelecimentos públicos e privados, conforme previsto em lei.

Moeda Arariboia – A legislação que instituiu a Moeda Social Arariboia foi ampliada para incluir, entre os beneficiários, mães atípicas, além de pessoas com deficiência.

Niterói Cuida de Quem Cuida – Desde 2024, foi implementada na cidade a Política Municipal de Atenção à Mãe Atípica “Niterói Cuida de Quem Cuida”, que define diretrizes e ações para atender mães de filhos e filhas com deficiência, síndromes, transtornos, doenças raras, TDAH e dislexia, entre outros casos. A lei busca melhorar a qualidade de vida das mães atípicas, considerando as dimensões emocional, física, cultural, social e familiar; estimular a ampliação de políticas públicas voltadas à preservação da saúde mental materna, com apoio ao acesso a serviços psicológicos, terapêuticos e assistenciais; e desenvolver ações de bem-estar e autocuidado como parte da rotina, para prevenir e reduzir sintomas de transtornos psíquicos, comuns em pessoas que vivenciam situações desafiadoras diariamente.

Créditos das fotos:
Mochila e itens do kit: Divulgação
Personagens: Bruno Eduardo Alves

‘Mistério das Coisas Vivas’ ocupa o MAC de Niterói com obras sobre memória e transformação

Reunindo obras de Anna Livia Taborda Monahan, Ana V. Lopes, Yaka Huni Kuin, Julia Gallo, Mayra Carvalho e Caio Pacela — artistas residentes do Instituto MECA entre 2025 e 2026 —, a exposição apresenta um conjunto de trabalhos que investiga diferentes expressões da espiritualidade contemporânea e suas relações com natureza, território, ancestralidade e imaginação.

Com texto de apresentação de Catarina Duncan — curadora convidada —, além de textos de Danniel Tostes — mentores do Programa de Residência —, e de Bianca Bernardo, curadora do Instituto, a mostra reúne trabalhos produzidos ao longo das residências artísticas realizadas entre o final de 2025 e o primeiro semestre de 2026. Em diálogo com linguagens como pintura, escultura, instalação e desenho, as obras articulam práticas poéticas que atravessam corpo, memória e percepção, compreendendo espiritualidade e transformação como experiências vividas, encarnadas e coletivas.

Mistério das Coisas Vivas, coletiva
MAC de Niterói | Mirante da Boa Viagem s/nº – Boa Viagem, Niterói
Abertura: 20 de junho de 2026, às 18h
Até 23 de agosto de 2026
Terça a domingo, das 10h às 18h (entrada permitida até 17h30).
Ingresso: R$20,00 (inteira). Quarta-feira: entrada gratuita
Gratuidade nos demais dias: moradores/nascidos em Niterói, alunos da rede pública,
crianças até 7 anos, PcD + 1, servidores da cidade e quem chega de bicicleta.
Classificação livre

‘Matrizes’ reúne quatro artistas em exposição sobre abstração no Memorial Getúlio Vargas

Com curadoria de Emmanuele Russel, a mostra apresenta a produção das artistas Rafå Dias, Juliana Fernandez, Bim Brito e Tatiana Coelho em diálogo com as correntes da abstração por meio da pintura, reconhecendo a potência do lugar de origem e os caminhos que se encontram.

Matrizes são as forças de origem combinadas às ressonâncias das artistas aqui apresentadas: Quatro mulheres que partem de distintos pontos, mas compartilham uma investigação expressa por meio da forma, da cor e da percepção. Suas pesquisas atravessam individualidades e aproximam o público, de maneira sensível, das questões que cada uma de suas obras suscita.

Matrizes, coletiva
Centro Cultural Memorial Getúlio Vargas | Praça Luiz de Camões, subsolo – Glória
Abertura: sábado, 27 de junho, das 14h às 17h
De 1º de julho a 16 de agosto
Quarta a domingo, das 10h às 17h
Entrada gratuita