Aos poucos, com a retirada dos tapumes, a fachada de uma das obras mais simbólicas de Icaraí começa a revelar novamente os traços elegantes do antigo Cinema Icaraí. O prédio, construído na década de 1940, passa por uma completa restauração realizada pela Prefeitura de Niterói e já exibe suas cores originais, identificadas durante pesquisa histórica.
Nesta quarta-feira (1º), o prefeito Rodrigo Neves realizou mais uma vistoria técnica no local, acompanhado da primeira-dama, Fernanda Neves, e de equipes da Prefeitura. Durante a visita, destacou o avanço das obras do futuro Cine Concerto Sérgio Mendes, equipamento cultural que preservará a arquitetura em estilo art déco e ampliará a oferta de cultura e entretenimento na cidade.
“Estamos concluindo a restauração da fachada do Cinema Icaraí. Este prédio é da década de 1940 e as cores que hoje aparecem novamente são as cores originais, descobertas durante a pesquisa histórica. Quem passar por aqui já consegue perceber essa transformação. Lá dentro, as obras seguem em ritmo intenso, com um trabalho extremamente cuidadoso de restauração, acompanhado pelos órgãos de preservação do patrimônio. Vamos entregar, no segundo semestre deste ano, o Cinema Icaraí junto com a nova Praça Getúlio Vargas, resgatando um patrimônio histórico e afetivo de toda a cidade”, afirmou o prefeito Rodrigo Neves.
Fechado desde 2006, o antigo cinema marcou gerações de niteroienses com sessões que fazem parte da memória afetiva da cidade. Agora, o espaço será transformado em um moderno complexo cultural, reunindo música, cinema, gastronomia e lazer para moradores e visitantes.
O novo equipamento contará com duas salas de cinema, uma sala de concertos, dois restaurantes, piano bar, rooftop com vista para a Praia de Icaraí e diversos espaços de convivência. A restauração da fachada representa uma das etapas mais aguardadas da obra e devolve ao prédio sua identidade arquitetônica original, integrando preservação do patrimônio histórico e arquitetura contemporânea.
O prefeito também relembrou a mobilização que liderou quando era deputado para impedir que o edifício fosse demolido e substituído por um empreendimento imobiliário.
“Conseguimos preservar esse patrimônio e hoje tenho a honra, como prefeito, de liderar sua restauração. É um prédio que faz parte da memória afetiva dos niteroienses e que será devolvido à população completamente recuperado”, destacou.
Com investimento de R$ 45,7 milhões, o empreendimento deverá ser concluído no segundo semestre de 2026. O espaço abrigará um grande salão de concertos destinado à Orquestra Sinfônica Nacional da Universidade Federal Fluminense (UFF), salas de cinema, restaurante, rooftop com vista para a Praia de Icaraí, áreas de convivência, bomboniere e infraestrutura totalmente acessível.
No interior do prédio, continuam os trabalhos de restauração das esquadrias históricas do antigo saguão, onde funcionará a recepção. O palco principal já teve sua estrutura concluída e contará com uma tela retrátil, permitindo que o espaço receba tanto concertos quanto exibições cinematográficas. Nos pavimentos superiores avançam as instalações elétricas e hidráulicas, os revestimentos e a preparação das novas salas de cinema. As equipes também iniciaram a montagem das estruturas metálicas que darão forma aos pavimentos destinados aos restaurantes e à área técnica. No subsolo, onde ficarão armazenados os instrumentos musicais, a estrutura já foi concluída.
Na parte externa, além da fachada restaurada, seguem os serviços de acabamento e as obras de acessibilidade para instalação de elevadores e escadas rolantes.
Praça Getúlio Vargas será integrada ao novo complexo cultural
Durante a vistoria, Rodrigo Neves também acompanhou o andamento das obras da Praça Getúlio Vargas, que está sendo completamente reurbanizada para formar um conjunto integrado com o novo Cine Concerto Sérgio Mendes.
O projeto prevê a transformação de mais de 5,5 mil metros quadrados em um espaço aberto, acessível e voltado à convivência, eliminando as grades existentes e ampliando a conexão visual com a Praia de Icaraí e a Baía de Guanabara.
Desenvolvido pelo escritório Burle Marx, o projeto preserva as árvores históricas e contempla novos jardins, áreas de permanência, pergolados, playground acessível, academia ao ar livre, espaço pet, iluminação em LED, monitoramento por câmeras, áreas para feiras e eventos culturais e a completa requalificação dos passeios do entorno. A proposta é integrar patrimônio histórico, paisagismo e vida urbana em um único espaço público.
Quando concluídos, o Cine Concerto Sérgio Mendes e a nova Praça Getúlio Vargas formarão um dos principais polos culturais de Niterói, reunindo música, cinema, gastronomia, lazer e convivência em um conjunto que resgata a história da cidade e projeta um novo capítulo para a cultura niteroiense.
Vencedor de dois Prêmios CBTIJ, montagem da Cia Teatro Independente une teatro, música, teatro de sombras e objetos para abordar alimentação, meio ambiente e o protagonismo feminino de forma lúdica
O espetáculo infantil Piquenique conta de forma poética e divertida a história de uma jovem bondosa, forte e inteligente que luta contra a opressão de um tirano dono de uma fábrica de canhões que amedronta toda a cidade. Dona do seu nariz, ela sai pelo mundo com seus quitutes e comidas deliciosas, até que encontra em uma cidade um mundo de crueldades, com sua inteligência e astúcia resolve não só seu problema como ajuda todos que estão a sua volta a escaparem das maldades do tirano. As apresentações de Piquenique acontecerão de 11 á 26 de Julho, sábados e domingos às 11:30h, no Teatro do Centro cultural Petrobras Futuros – Arte e Tecnologia no Flamengo.
Durante o espetáculo as crianças vão aprender que os alimentos precisam de água limpa, terra boa, sol, que abelhas, vespas, borboletas, pássaros, morcegos, contribuem para a transferência do pólen, e que fertilizantes são veneno! E no final da peça descobrirão que as pessoas também precisam ser temperadas; com alegria, amor, paciência, etc.
A dramaturgia de Piquenique é baseada nas histórias populares e nos contos antigos como Barba Azul, Nariz de prata e tantos outros onde heroínas lutam contra aqueles que querem ditar o destino delas.
Uma mesa de piquenique, montada em um jardim, serve de cenário para criação dessa história. O público vai construindo em seu imaginário, junto com os atores, as imagens dessa aventura que ganha forma entre frutas, cores, comidas, objetos do cotidiano e projeção de sombras. Aos poucos no avançar da narrativa, vão se construindo outros significados num jogo teatral expressivo, onde as coisas podem tomar a forma que a imaginação quiser.
Dirigido pelo diretor e doutor em teatro Flavio Souza, que tem uma vasta experiência em encenar literatura para o teatro, o espetáculo tem um caráter extremamente visual, buscando a criação de um universo lúdico que transporte o imaginário do público infantil, além de investir em temas relevantes aos pequenos, partindo de um mergulho no universo lúdico de um piquenique. Um músico estará em cena com os atores.
O casal de atores Carolina Pismel e Paulo Verlings, que há 20 anos desenvolvem um trabalho contínuo na Cia Teatro Independente, se debruça pela primeira vez no universo infantil. O espetáculo teve 6 indicações ao prêmio de teatro infantil CBTIJ e foi vencedor nas categorias melhor ator e melhor atriz.
Ficha técnica
Elenco: Carolina Pismel e Paulo Verlings
Direção: Flavio Souza
Dramaturgia: Marcéli Torquato e Flavio Souza
Músico: Raoni da Silva
Direção Musical e Composições Originais: Guilherme Miranda
Cenário: Mina Quental e Flávio Souza
Iluminação: Luiz Paulo Neném
Figurinos: Flavio Souza
Assessoria de imprensa: Ney Motta
Fotos: Elisa Mendes
Instagram: @piqueniqueteatro
Serviço
PIQUENIQUE
Sinopse: Dona do seu nariz, a cozinheira Greta sai pelo mundo para recuperar seus quitutes e comidas deliciosas, mas acaba encontrando, em uma cidade, um mundo de crueldades. Com sua inteligência e astúcia, Greta resolve não apenas o seu problema, mas também ajuda todos que estão à sua volta.
De 11 a 26 de julho, sábados e domingos às 11:30h
Teatro Petrobras Futuros – Arte e Tecnologia
Rua Dois de dezembro, 63, Flamengo, Rio de Janeiro
(próximo ao Metrô Largo do Machado)
Ingressos: R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia entrada)
Classificação: LIVRE
Duração: 50 minutos
O MAC Niterói apresenta a exposição “Felippe Moraes – Composição Aleatória”, que ocupa a praça do museu com três esculturas sonoras interativas de grandes proporções, convidando o público a produzir música de forma coletiva. Com entrada gratuita, a mostra conta com texto da curadora libanesa Amanda Abi Khalil e segue até 23 de agosto de 2026.
Na exposição, o artista apresenta a série Composição Aleatória #2 (2024), composta por três esculturas monumentais que funcionam como instrumentos musicais coletivos. As obras convidam o público a se sentar em pares e a balançar nas estruturas, acionando doze sinos suspensos, organizados segundo a escala dodecafônica, sistema musical baseado na premissa de igualdade entre todas as notas da escala cromática.
Derivada da obra Composição Aleatória (2019), apresentada pela primeira vez na exposição Solfejo, no Centro Cultural FIESP, em São Paulo, a série se aprofunda na ideia de música como acontecimento imprevisível e relacional. Cada ativação gera uma situação sonora única, moldada pelos movimentos arbitrários dos corpos, pelo vento, pela maresia e pela interação entre visitantes. Não há partitura fixa, nem repetição possível: a obra se afirma como uma composição sempre provisória e coletiva. As esculturas já passaram por importantes centros culturais no Rio de Janeiro, São Paulo, Nova Friburgo e Brasília.
A exposição marca o retorno de Felippe Moraes ao MAC Niterói para celebrar uma década de pesquisas e intervenções que tensionam a arquitetura icônica de Oscar Niemeyer, seu simbolismo e sua relação direta com a paisagem e a cidade. Desde 2016, o artista desenvolve uma sequência de projetos concebidos para os espaços externos do museu, entre eles “Progressão” (2016), realizada durante os Jogos Olímpicos, quando instalou 26 bandeiras em tons de cinza ao longo da rampa do edifício, e “Samba Exaltação” (2021), mostra criada especialmente para os 25 anos do MAC, com sete neons que incorporavam versos de sambas tradicionais à arquitetura modernista.
Em 2022, Moraes expandiu essa investigação com a curadoria do “Projeto Mirante”, ocupando simultaneamente a praça, a rampa e a bilheteria do museu, criando três exposições simultâneas que diluíram fronteiras institucionais e estabeleceram um contato direto com o público visitante.
Ao instalar as esculturas na praça do MAC Niterói, Felippe Moraes coloca em diálogo a geometria rigorosa das formas, a instabilidade do som e a vastidão da paisagem marítima, criando um ambiente de criação livre, lúdica e sensorial, no qual arquitetura, corpo e território vibram em uníssono.
Para o artista: “Historicamente, as pessoas se sentem distanciadas das instituições de arte. O MAC Niterói não é diferente, com o agravante de estar em diálogo constante com uma paisagem arrebatadora e uma arquitetura tão potente que, muitas vezes, eclipsam as coleções e programações. Ao ocupar a praça do museu, busco ativar esse espaço de encontro, onde a arte e as pesquisas curatoriais ganham forma ao entrar em contato direto com os visitantes. É uma proposta de museu verdadeiramente público: aquele que se abre para a cidade, transforma os cidadãos e também se deixa transformar por eles.”
Inscrições seguem abertas até dia 15 de julho e devem ser feitas pela internet
O II Festival Internacional Goitacá de Cinema abre inscrições até dia 10 de julho para dois eixos de sua programação: o Programa de Formação, dedicado à capacitação em audiovisual por meio de cursos e minicursos abertos ao público, e o Cine Market Goitacá, ambiente voltado ao desenvolvimento de projetos, à qualificação de realizadores e à conexão com o mercado audiovisual.
Nesta edição, o Cine Market Goitacá apresenta uma novidade: uma chamada de mentorias de projetos realizada em parceria com o Paradiso Multiplica, iniciativa do Projeto Paradiso voltada à formação e ao fortalecimento da cadeia audiovisual brasileira.
Enquanto o Programa de Formação é destinado a estudantes, professores e interessados em cinema, o Cine Market Goitacá selecionará realizadores do interior fluminense com projetos de curta-metragem em desenvolvimento para participar de mentorias e atividades voltadas ao mercado audiovisual. Juntos, os dois eixos reforçam o compromisso do festival com a descentralização do acesso à formação, à qualificação profissional e ao fortalecimento da produção audiovisual no interior do estado.
Atividades acontecem durante o festival, entre os dias 6 e 11/08, em Campos dos Goytacazes e São João da Barra
“O Festival Internacional Goitacá de Cinema nasce como uma relevante janela de exibição e, ao mesmo tempo, se afirma como um espaço de formação em cinema e audiovisual, incluindo processos de qualificação para o mercado. A parceria com o Projeto Paradiso, por meio do Paradiso Multiplica com o nosso Cine Market Goitacá, pretende elevar o patamar técnico dos projetos e dos realizadores do interior fluminense, tornando-os mais competitivos. Unir grandes profissionais do mercado nacional a projetos que germinam na região é um dos grandes objetivos do evento, gerando novas produções e estimulando o mercado no interior”, afirma Fernando Sousa, diretor da Quiprocó Filmes e idealizador do festival.
Cine Market Goitacá estreia chamada de mentorias em parceria com o Paradiso Multiplica
A principal novidade desta edição é a chamada de mentorias do Cine Market Goitacá, viabilizada por meio do Paradiso Multiplica, programa do Projeto Paradiso voltado à formação e ao desenvolvimento de profissionais do audiovisual.
A convocatória é destinada a realizadores do interior fluminense com projetos de curta-metragem em fase de desenvolvimento.
Serão selecionados até três projetos. Cada um receberá uma mentoria individual on-line, com duração de uma hora, conduzida por um profissional apoiado pelo Projeto Paradiso antes do início das atividades presenciais do festival. Durante o II Festival Internacional Goitacá de Cinema, os participantes também deverão participar de uma masterclass presencial voltada ao desenvolvimento de projetos e ao mercado audiovisual.
A iniciativa busca ampliar o acesso de novos talentos ao circuito profissional do audiovisual e fortalecer a produção independente realizada fora dos grandes centros.
As inscrições para as mentorias seguem abertas até 15 de julho até às 18h. As inscrições são gratuitas e estarão abertas por meio do formulário eletrônico disponível no link https://forms.gle/w1RDrZq3c9cXVNQ18.
Programa de Formação oferece quatro cursos e minicursos
O II Festival Internacional Goitacá de Cinema, em parceria com a Diretoria de Cultura e a Escola de Extensão da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), promove o Programa de Formação, eixo central do evento e que reafirma o seu o compromisso com a democratização do conhecimento, a qualificação profissional e o fortalecimento da cadeia audiovisual brasileira. Trata-se de um espaço voltado a fomentar a formação técnica e a troca de conhecimento, bem como a estimular o fortalecimento do mercado do cinema e do audiovisual no interior fluminense. As atividades formativas são dirigidas tanto a profissionais que estão dando seus primeiros passos no cinema quanto a realizadores experientes, com o objetivo de incentivar a qualificação e o intercâmbio entre agentes de diversos segmentos do setor e áreas afins.
Link para inscrição: https://www.sympla.com.br/evento/ii-festival-internacional-goitaca-de-cinema-programa-de-formacao/3457211
PROGRAMAÇÃO DO PROGRAMA DE FORMAÇÃO
Minicurso Técnicas documentais para contar histórias que transformam
Instrutora: Tatiana Cantalejo
Dia: 06 e 07/08
Horário: 9h às 13h
Local: Sala Goitacá
Curso Popular de Audiovisual
Instrutores: Wescley Di Luna / Fabi Melo
Dia: 05 a 08/08
Horário: 14h às 18:30h, nos dias 05 e 06; 13h às 18h no dia 7; e 14h às 18h, no dia 8
Local: Instituto Mulheres em Ação – Açu, São João da Barra/RJ
Minicurso Circuito de Festivais: Estratégias de distribuição para curtas-metragens
Instrutora: Julia Couto
Dia: 10 e 11/08
Horário: 9h às 13h
Local: Sala Coliseu
Minicurso Cinema autoral na prática: Roteiro, direção e produção executiva
Instrutoras: Ceci Alves / Alba Azevedo
Dia: 10 e 11/08
Horário: 9h às 13h
Local: Sala Catedral
O II Festival Internacional Goitacá de Cinema é apresentado pelo Ministério da Cultura, Governo do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura, e pela Quiprocó Filmes. Conta com patrocínio da Ferroport, por meio da Lei Rouanet; patrocínio da GNA, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura; e patrocínio da Embratur.
Conta com apoio da Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ). Conta ainda com a parceria educacional e cultural da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (UENF), do Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política da UENF (PPGSP), Pro-reitoria de Extensão, Diretoria de Cultura da UENF, Centro de Ciências do Homem (CCH), do Cine Darcy e do Projeto Caminhos de Barro. Parceria comercial com Hotel Ramada. Parceria Institucional do Projeto Paradiso, do Pacto da Promoção da Equidade Racial, Costa Doce Convention & Visitors Bureau e CIDENNF. Tem a parceria de mídia Folha da Manhã, InterTV e Canal Curta.
Realização Quiprocó Filmes, Associação de Estudos da Cultura e Economia Criativa, Ministério da Cultura e Governo Federal.
Sobre a Quiprocó Filmes:
A Quiprocó Filmes é uma produtora audiovisual independente que em 2026 completa 10 anos de história. Sediada no Rio de Janeiro e filial em Campos dos Goytacazes, buscamos provocar mudanças através de um olhar inquieto. Criamos imagens atentas às histórias, emoções e afetos, a partir de diferentes vozes, transformando a maneira com que as pessoas veem suas próprias vidas e os diferentes elementos da nossa cultura. Criamos conteúdo para cinema, TV e streaming. Produzimos conteúdo publicitário e institucional para organizações e empresas.
O palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro receberá, em julho, um dos acontecimentos mais importantes da temporada lírica de 2026. Ausente de seu repertório há 80 anos, a ópera Salvator Rosa, de Antonio Carlos Gomes, volta à cena em uma nova produção que celebra os 117 anos do mais emblemático teatro lírico do Brasil e presta uma homenagem aos 190 anos de nascimento e aos 130 anos de morte do principal nome da ópera brasileira no século XIX.
Com patrocínio oficial da Petrobras, a montagem reúne os três corpos artísticos do Theatro Municipal — Coro, Ballet e Orquestra Sinfônica —, sob a concepção e direção cênica de Julianna Santos e a direção musical e regência de Luiz Fernando Malheiro.
As apresentações acontecem nos dias 12 de julho (estreia, às 17h), 14 (sessão gratuita, às 19h), 15, 17 e 18 (às 19h). Os ingressos estão à venda na bilheteria do Theatro Municipal e pelo site oficial.
A última vez que Salvator Rosa foi encenada no palco do Municipal foi em 1946. Seu retorno representa o resgate de uma obra fundamental do repertório de Carlos Gomes e recoloca em cena um capítulo marcante da história da instituição, que comemora o aniversário no dia 14 de julho.
Com estreia mundial em 21 de março de 1874, no Teatro Carlo Felice, em Gênova, a ópera foi escrita sobre libreto de Antonio Ghislanzoni, inspirado no romance Masaniello, do escritor Eugène de Mirecourt. Dedicada ao engenheiro e abolicionista André Rebouças, a obra surgiu logo após a recepção pouco favorável de Fosca e marcou um novo momento na trajetória de Carlos Gomes.
Escrita em apenas seis meses, Salvator Rosa apresenta melodias mais diretas e grande força dramática, características que conquistaram rapidamente o público italiano. O sucesso foi imediato: entre 1876 e 1877 tornou-se uma das óperas escolhidas para abrir temporadas em diversos dos mais importantes teatros da Itália, consolidando-se entre as obras mais populares do compositor.
No Brasil, Salvator Rosa foi exibida, pela primeira vez, em 29 de julho de 1882, em Belém. Décadas depois, chegou ao palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, onde permaneceu ausente até esta aguardada remontagem, que devolve ao público uma das páginas mais expressivas da produção operística brasileira.
“Após reger Salvator Rosa em Manaus, dentro da cooperação entre o Festival Amazonas de Ópera e o Theatro Municipal do Rio de Janeiro, fico feliz em estar participando dessa recondução da linda ópera de Antônio Carlos Gomes ao repertório desta casa, onde tive a satisfação de reger Il Guarany e Condor, ambas em forma de concerto em anos anteriores. Nosso maior compositor do século dezenove precisa estar sempre presente nas programações dos nossos teatros”, afirma Luiz Fernando Malheiro, diretor musical e regente.
“Esta montagem convida o público a revisitar a Revolução Napolitana do século XVII por um olhar atual. As pinturas de Salvator Rosa deixam os museus e passam a integrar a narrativa da ópera: cada obra foi escolhida para dialogar com a dramaturgia, ampliando a força visual e emocional do espetáculo”, ressalta Julianna Santos, diretora cênica.
Sinopse
A ópera Salvator Rosa narra o romance entre o pintor italiano homônimo e Isabella, filha do opressor Duque d’Arcos. A trama mistura paixão com a revolta popular liderada por Masaniello contra a dominação espanhola em Nápoles no século XVII.
O SALVADOR ROSA NA OBRA DE CARLOS GOMES (por Bruno Furlanetto)
Antônio Carlos Gomes nasceu a 11 de julho de 1836, em Campinas, filho do escrivão e alfaiate Manoel José Gomes (1792-1868), conhecido como “Maneco Músico”. O adolescente Tonico costurou calças e paletós e aperfeiçoou seus estudos musicais sob a orientação do pai, que formou uma banda onde Tonico tocava rabeca, clarineta, flauta e piano, e o seu irmão Juca no violino e na clarineta. Aos 18 anos, bom acompanhador, compõe para o piano modinhas de sucesso e em estilo operístico italiano. Com o Juca efetua turnês por São Paulo e escreve o Hino à Mocidade Acadêmica, sucesso entre alunos da Faculdade de Direito. Apresenta-se, com sucesso, em vários concertos, tanto que convenceram-no a ir à Corte se aperfeiçoar no Conservatório. E lá se vai Tonico, onde desembarca no Rio de Janeiro, aos 23 anos. Matricula-se no Conservatório de Música dirigido por Francisco Manuel da Silva (o autor do Hino Nacional) tornando-se seu aluno. Compõe cantatas e, ainda estudante, ganha o cargo de diretor de orquestra e maestro na Ópera Nacional e Italiana do Teatro Lírico Fluminense. Neste Teatro, a 4 de setembro de 1861, é encenada, com êxito, sua primeira ópera ‘A noite do Castelo’ e, a 15 de setembro de 1863 a segunda, Joana de Flandres, “com feliz sucesso”. “Com feliz sucesso” escreveu Francisco Manuel para o diretor da Academia de Belas Artes, indicando Carlos Gomes para uma bolsa “para se aperfeiçoar na arte da composição musical”.
A legislação do Conservatório elegia, de cinco em cinco anos, o aluno “transcendente”, que era enviado à Europa para se aperfeiçoar. O aluno deveria fazer seus estudos “em qualquer conservatório da Itália”, daí nosso Tonico embarcar para Milão. Em fevereiro de 1864, aos 27 anos, Tonico tem o dissabor de ver recusada sua admissão ao Conservatório de Milão por ter passado da idade máxima. Consegue que o Diretor do Conservatório seja seu professor, mas não é aluno interno. Assim, depois de dois anos, presta exame perante uma comissão e em 1866, recebe o título de ”maestro” concedido aos compositores diplomados. Saído dos estudos, “Gomez” foi convidado a escrever as músicas da revista Se sa minga (“Nunca se sabe”), que obtém grande sucesso. É chamado para musicar outra revista, Nella luna , sem sucesso. O jovem compositor devia enviar ao Brasil “uma composição importante”, obrigação da bolsa concedida pelo Conservatório. Ele namorava um tema para uma “ópera nacional”: O Guarany, baseada no romance de José de Alencar. Em Milão, encontra uma tradução do romance em italiano. Entrega tal tarefa a Antonio Scalvini (autor de Se sa minga), mas os dois se desentenderam e o compositor então entrega o libreto ao amigo e poeta Carlo d’Ormeville. Assim, em fins de 1869, a ópera está pronta. A 19 de março de 1870 Il Guarany estreia em um Scala apinhado que lhe decreta um sucesso total, subindo à cena 46 vezes em três temporadas. Na Itália foi representada em 13 cidades e dela passou para 16 países, na Europa e nas Américas. No Brasil estreou a 2 de dezembro de 1870 no Teatro Lírico Fluminense e em nosso Municipal a 3 de agosto de 1914, onde teve, até hoje, 67 representações. Logo depois do triunfo de Il Guarany, Carlos Gomes lançou-se num novo projeto para se livrar do exotismo dos índios, e demonstrar que podia compor uma ópera “europeia”. Assim começa um I Moschettieri com D’Ormeville, no qual trabalha até abandoná-lo, quando aparece a oportunidade de trabalhar com um libretista célebre, Antonio Ghislanzoni, o parceiro de Verdi em várias obras-primas. Os novos parceiros escrevem Fosca (1873), que não chegou a ser um fracasso, mas um sucesso também não, como provam as várias revisões que Gomes fez na ópera, em 1878, pois a nova versão da ópera foi logo acusada de experimentalismo, até de wagnerismo! Não foram poucas as atribulações da ópera até sua aceitação, na nova forma, e chegar ao sucesso. Uma pena, pois, a ópera era, musicalmente, a mais bem acabada de Gomes – muitos afirmam ser o ponto alto de sua produção – influenciando Ponchielli e sua La Gioconda (1876): as semelhanças são muitas e não podem ser ignoradas. Logo depois, ainda em 1873, os dois novos amigos-sócios se puseram mãos-à-obra e escolheram como assunto da nova ópera o romance Masaniello Le Pecheur de Naples (1889), do francês Eugène de Mirecourt, popular folhetinista de assuntos pseudo-históricos e panfletista contra gente famosa. O assunto era uma revolta dos napolitanos (1647) contra os dominadores espanhóis, e receberia o título de seu herói, Salvator Rosa. A história é folhetinesca. Seu herói, o pintor e poeta siciliano, se envolve na revolta e se apaixona pela filha do próprio governador espanhol! Num tratamento livre, tipicamente romântico, a mocinha, quando vê que não pode se unir ao mocinho, se suicida, para desespero do pai duque-governador, enquanto Salvador Rosa termina tendo de seguir o pedido da suicida que, na hora da morte, lhe pede de continuar a viver para a sua arte. Um ano apenas depois do meio-fracasso de Fosca, uma obra composta “em seis meses como um desabafo” tornou-se a ópera de maior sucesso de Gomes, abrindo a temporada 1876-77 dos seis principais teatros italianos! A razão foi ter reduzido suas pretensões musicais e escrito uma ópera à francesa no velho estilo, de uma superficialidade musical cheia de melodias que lembravam a Nápoles do enredo. Isto foi ajudado pelo libreto de Ghislanzoni onde o interesse dramático está dividido num grande número de personagens principais que tem música muito colorida para satisfação do público. Gomes, não sabemos o porquê, nunca teve em boa consideração o Salvator, sua correspondência sobre ele foi sempre negativa, apesar do sucesso junto ao público: Vejamos os fatos: na estreia em Genova ele foi chamado à cena 36 vezes!. No Scala de Milão, em 1874, teve 15 récitas! No Rio de Janeiro em 28 de setembro 1876 foi a confirmação de ser o grande sucesso de sua carreira. Ouvindo-se a obra nota-se logo que o modelo de Gomes foi Verdi, o que é evidente em várias de suas “passagens” entre recitativos e melodias dos chamados “números fechados”, um estilo “conversação musical” num domínio total da “parola scenica’” ensinada pelo mestre. Quanto à orquestração, ela é tão bem cuidada quanto a de Fosca, se bem que mais simples. Visando conquistar o público com formas musicais mais acessíveis, em Salvator Rosa Carlos Gomes mostra ter atingido um estágio de maior maturidade na utilização de seus recursos expressivos.
Sobre Luiz Fernando Malheiro:
É um dos principais nomes da ópera no Brasil com mais de 60 títulos regidos. É Diretor Artístico e Regente Titular da Orquestra Amazonas Filarmônica e do Festival Amazonas de Ópera. Foi diretor artístico do Teatro São Pedro de São Paulo e diretor de Ópera no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Regeu as principais orquestras brasileiras e também no Festival de Ópera de La Coruña, Sinfônica de Miami, Sinfônica de Bari, Filarmônica Marchigiana, Ópera Nacional de Sófia, Sinfônica de Porto Rico, Teatro de Bellas Artes do México, entre outros. É o único brasileiro a ter regido integralmente O Anel do Nibelungo de Wagner.
Sobre Julianna Santos
Diretora Cênica graduada pela UFRJ iniciou sua carreira em ópera em 2003 ainda na universidade. Atualmente atua como diretora cênica nos principais teatros de ópera do país. Em 2026, dirigiu a ópera Salvator Rosa de Carlos Gomes, no Teatro Amazonas, em parceria com o Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Em 2025, dirigiu a ópera Os Pescadores de Pérolas no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. No mesmo ano, dirigiu As Bodas de Fígaro no Theatro Amazonas (26º Festival Amazonas de Ópera). Em 2024, a Cinderela do Theatro São Pedro foi levada em uma itinerância a cidades do interior de São Paulo, além de ser reapresentada na temporada anual do Theatro São Pedro. Em 2023, dirigiu a ópera Cosi Fan Tutte na abertura da programação do Theatro Municipal de São Paulo. No mesmo ano, dirigiu três óperas brasileiras contemporâneas, sendo elas: Piedade, de Joao Guilherme Ripper (25º Festival Amazonas de Ópera), O Machete, de André Mehmari (Theatro São Pedro – SP) e Contos de Julia, de Marcus Siqueira (Festival de Música Erudita – ES). Ainda em 2023, dirigiu as óperas Carmen (Theatro Municipal do Rio de Janeiro), A Medium (Teatro Padre Bento, Guarulhos), Cinderela (Theatro São Pedro, SP) e Sonho de uma Noite de Verão (Sala São Paulo). No mesmo ano, foi jurada do importante concurso Lapinha direcionado à cantores indígenas, pardos e pretos. Em 2022 dirigiu a estreia da ópera inédita Aleijadinho, de Ernani Aguiar, realizada em Ouro Preto e no Palácio das Artes (BH). Ainda em 2022, dirigiu a ópera Viva La Mamma, de Donizetti, no Theatro São Pedro. Em 2021, dirigiu juntamente com Maria Thais, a ópera The Rake’s Progress, no Theatro Municipal de São Paulo. No mesmo ano, dirigiu em Santos a ópera-vídeo O Telefone, bem como a ópera-filme Três Minutos de Sol para o Festival Amazonas de Ópera. Ainda em 2021, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro dirigiu a série vozes Femininas (Armida Abbandonata, Arianna a Naxos e Pierrot Lunaire). No festival Amazonas de Ópera dirigiu a premiada ópera “Alma” de Claudio Santoro (Revista Concerto – 2019), “Acis and Galatea ”de Haendel (2018) e “O Morcego” de Johann Strauss (2013). Em 2018 retorna a UFRJ para dirigir a Opera “A Flauta Mágica”, levada também ao Teatro Municipal de Niterói. Em 2017 dirigiu La Tragedie, de Carmen, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Durante quatro anos foi Diretora Cênica Residente no Theatro Municipal de São Paulo, onde foi responsável pela direção de remontagem das óperas La Bohème e Cavalleria Rusticana. Em 2019, foi Diretora Cênica colaboradora, na remontagem da opera Faust, no Teatro Municipal do Chile. Em 2012 visitou por cinco semanas a “Opera Company of Philadelphia, na ocasião trabalhando em coprodução com o Festival Amazonas de Ópera.
Elencos:
12, 15 e 18 de julho/14 e 17 de julho
Salvator Rosa: Marcello Vannucci /Enrique Bravo
Isabella: Marly Montoni /Marianna Lima
Gennariello: Carolina Morel /Maria Gerk
Masaniello: Vinícius Atique/Johnny França
Il Duca d’Arcos: Savio Sperandio/Licio Bruno
Corcelli: Murilo Neves/Leonardo Thieze
Conde Badajos: Geilson Santos/Ivan Jorgensen
Fernandez: Ricardo Gaio/Jessé Bueno
Bianca: Gabriele de Paula/Magda Belloti
Suora Ines: Lara Cavalcanti/Carla Rizzi
Fra Lorenzo: Patrick Oliveira/Ciro d’Araújo
Ficha Técnica:
Coreografia: Hélio Bejani, Márcia Jaqueline e Rodolfo Saraiva
Direção de Movimento: Mônica Barbosa
Design Gráfico: Carla Marins
Cenografia: Renato Theobaldo
Figurinos: Marcelo Marques
Iluminação: Paulo Ornellas
Concepção e Direção Cênica: Julianna Santos
Direção Musical e Regência: Luiz Fernando Malheiro
Direção Artística da Temporada 2026: Eric Herrero
Presidente da Fundação Teatro Municipal: Clara Paulino
Serviço:
Salvator Rosa – Antonio Carlos Gomes
Com Coro, Ballet e Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro
Local: Theatro Municipal do Rio de Janeiro
Endereço: Praça Marechal Floriano S/Nº – Centro
Datas e horários:
12/7 (estreia) –17h
14/7 (Theatro Municipal do Portas Abertas – programação gratuita) – às 19h
15/7, 17/7 e 18/7, às 19h
Duração: 3h com 1 intervalo
Classificação: 14 anos
Ingressos: Frisas e Camarotes – R$90 (ingresso individual)
Plateia e Balcão Nobre – R$80
Balcão Superior e Lateral – R$50
Galeria Central e Lateral – R$20
Ingressos através do site www.theatromunicipal.rj.gov.br ou na bilheteria do Theatro. A venda do terceiro lote será no dia 6 de julho e a partir do dia 7 serão disponibilizados os ingressos gratuitos para a ópera do dia 14 (direito a 2 ingressos por cpf).
Acessibilidade
Palestras Gratuitas antes dos espetáculos
Patrocinador Oficial Petrobras
Apoio: Livraria da Travessa, Rádio Nova Paradiso, Rádio Roquette Pinto – 94.1 FM
Realização Institucional: Fundação Teatro Municipal e Associação dos Amigos do Teatro Municipal
Lei de incentivo à cultura
Evento celebrou o mês dos namorados com Happy Hour e transmissão do jogo da Seleção Brasileira
A Italínea Resiliens Icaraí promoveu o evento “Amor em Campo: Casal que Joga Junto, Vence Junto”, reunindo convidados em uma programação especial voltada à celebração do mês dos namorados. O encontro aconteceu no showroom da marca, em Icaraí, e proporcionou uma experiência de integração entre clientes, parceiros e convidados.
Com o conceito inspirado no trabalho em equipe — tanto nos relacionamentos quanto na construção de um lar — o evento combinou momentos de confraternização com a transmissão do jogo da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, criando um ambiente de descontração e convivência.
A proposta foi destacar valores como parceria, união e colaboração, elementos que fazem parte tanto da vida a dois quanto da filosofia da empresa.
Sobre a Italínea Resiliens Icaraí
A Italínea Resiliens Icaraí atua no segmento de móveis planejados, oferecendo soluções personalizadas para ambientes residenciais e corporativos. Localizada em Icaraí, Niterói, a empresa busca aliar design, funcionalidade e atendimento especializado, promovendo iniciativas que valorizam a convivência, a qualidade de vida e a criação de espaços que traduzem a identidade de cada cliente.
Créditos
Italínea Resiliens Icaraí
Rua Lemos Cunha, 497 – Icaraí – Niterói (RJ)
Menu: Personal Chef Larissa Rodrigues
Fotos e vídeos: Toni Coutinho
O artista transdisciplinar Ricardo Siri inaugurou no sábado, 27, às 10h, no Museu Histórico da Cidade, na Gávea, no Rio de Janeiro, a exposição inédita “PRO-POLIS”, que apresenta cerca de 30 obras produzidas com mel, cera de abelha e própolis. Com curadoria de Fernanda Lopes, a mostra marca o resultado de uma pesquisa iniciada há cerca de oito anos, quando o artista passou a estudar e criar abelhas nativas brasileiras, atividade que lhe rendeu, inclusive, o reconhecimento como produtor do terceiro melhor mel do Brasil. (Foto: Divulgação)
As pinturas e esculturas estabelecem um diálogo entre arte, natureza, ciência e tecnologia, explorando materiais produzidos pelas abelhas como elementos centrais da criação artística. Segundo Siri, a proposta é revelar os processos coletivos presentes tanto na vida das colmeias quanto na organização da sociedade.
“Os trabalhos estabelecem uma ponte entre natureza, cidade e cultura, revelando processos invisíveis de construção coletiva, proteção e transformação”, afirma o artista.
Para a curadora Fernanda Lopes, a exposição propõe uma reflexão sobre coexistência e cuidado a partir dos próprios materiais utilizados pelas abelhas.
“Em PRO-POLIS, Ricardo Siri transforma materiais produzidos pelas abelhas em dispositivos de pensamento. Seu interesse não está em representar a natureza, mas em trabalhar a partir dela. Os materiais carregam histórias, geografias e relações ecológicas complexas”, destaca.
Entre os destaques da mostra estão pinturas abstratas produzidas com própolis, substância utilizada pelas abelhas para proteger a colmeia. Nas obras, o material assume o papel de pigmento natural, criando superfícies em diferentes tonalidades de marrom, verde e vermelho. Algumas peças utilizam ainda geoprópolis — mistura de terra e própolis produzida por espécies como a mandaçaia — ampliando o diálogo entre arte, território e biologia.
A geometria característica das colmeias também aparece em uma série de trabalhos confeccionados com folhas de cera de abelha moldadas pelo artista. Em “Estudos para Movimento Mel Concreto”, Siri faz referência ao Movimento Neoconcreto, utilizando estruturas hexagonais inspiradas na organização das abelhas. Formado em engenharia civil, o artista afirma que a geometria é um elemento recorrente em sua produção.
Outra série presta homenagem ao pintor holandês Piet Mondrian. Batizadas de “Meldrian”, as obras reproduzem a linguagem visual do artista utilizando exclusivamente mel e ceras naturais de diferentes espécies de abelhas, sem adição de pigmentos artificiais. Durante suas pesquisas, Siri constatou que cada espécie produz ceras com colorações próprias, que podem variar até mesmo dentro de uma mesma colmeia.
A tecnologia também integra a exposição. O artista desenvolveu QR Codes produzidos com folhas de cera que podem ser escaneados por celulares e direcionam o visitante para conteúdos sobre as colmeias responsáveis pela produção daquele material. Em outras pinturas, os códigos aparecem camuflados em composições geométricas feitas com própolis e pigmentos extraídos de flores e plantas cultivadas em seu quintal, como urucum, café e bougainville. Ao serem fotografadas, as imagens revelam conteúdos ocultos relacionados ao universo das abelhas.
“A ideia é provocar um novo olhar sobre a obra. As pessoas fotografam muito nas exposições. Então resolvi transformar esse hábito em parte da experiência e, de certa forma, polinizar as pessoas”, explica o artista.
A exposição também aborda questões ligadas à migração. Em uma série de mapas-múndi produzidos com cera de abelhas estrangeiras presentes no Brasil, Siri presta homenagem tanto às espécies introduzidas no país quanto aos imigrantes que ajudaram a construir sua história familiar.
A maior parte dos materiais utilizados na exposição é proveniente do próprio meliponário do artista, dedicado à criação de abelhas nativas brasileiras. A mostra permanece em cartaz no Museu Histórico da Cidade e convida o público a refletir sobre as relações entre arte, ecologia, memória e convivência coletiva.
Serviço
Exposição “PRO-POLIS”, de Ricardo Siri
Abertura: 27 de junho de 2026, às 10h
Exposição: até 22 de agosto de 2026
Museu Histórico da Cida (MHC) [3º andar]
Estrada Santa Marinha, s/n – Gávea – Rio de Janeiro – RJ
De terça a domingo, das 9h às 16h.
Entrada gratuita
Curadoria: Fernanda Lopes
Com o Maestro Ricardo Rocha, fundador e diretor musical da Cia. Bachiana Brasileira na Escola de Música Villa-Lobos
Ouvir uma orquestra vai muito além de apreciar a beleza dos sons. Compreender os instrumentos, identificar os padrões e estruturas que organizam uma obra de concerto e transformar a experiência de escuta em uma descoberta do pensamento criativo do compositor revelam um novo olhar para quem deseja mergulhar neste universo. Essa é a proposta do curso Formas Musicais, ministrado pelo maestro Ricardo Rocha, fundador e diretor musical da Cia. Bachiana, que completa 40 anos de trajetória em 2026. Serão oito aulas, realizadas aos sábados, das 10h às 13h, na Escola de Música Villa-Lobos, com início em 18 de julho.
Formas Musicais investe na formação de novas plateias de todas as idades, voltando-se para os que querem compreender a linguagem da música de concerto em seu próprio discurso. Ele tem como foco a aprendizagem de uma audição musical inteligente não só para leigos e estudantes em geral, mas também para os professores e profissionais da música e outras artes, por meio de uma abordagem inédita no reconhecimento dos principais eventos musicais em meio à sua organização estrutural.
“É um método capaz de oferecer um caminho para uma audição inteligente das grandes obras orquestrais em seus principais formatos, como suítes, aberturas, sinfonias, concertos solistas e poemas sinfônicos, formas consagradas que constituem o volume maior do repertório sinfônico da história de nossa música”, ressalta o regente Ricardo Rocha.
A cada aula haverá a análise de cinco das mais importantes e diferentes formas que a história da música produziu. Ao todo, serão 20 famosas obras da história da música, escritas nos séculos 18, 19 e 20, por 14 dos maiores compositores de todos os tempos, como Bach, Haydn, Mozart, Beethoven, Schubert, Wagner, Rimsky-Korsakov, Tchaikovsky, Grieg, Dvorák, Mussorgski, Debussy, Ravel, Sibelius, Bartók e Stravinsky.
“O resultado desse método, que vem sendo desenvolvido há mais de 30 anos, surpreende pela experiência de uma audição completamente diferente, capaz de abrir novas vias de acesso ao entendimento e à fruição estética de obras-primas de grandes compositores”, destaca o maestro.
Programação das aulas:
Introdução: Breve história da música ocidental e das formas musicais
AULA I – SUITE, fonte para as diversas formas que nasceram depois
– Barroca (século 18): J. S. Bach, Suite n. 2 em si menor, BWV 1067
– Romântica (século 19): Grieg, Suite n.1 de Peer Gynt, opus 46
– Moderna sobre temática barroca (século 20): Stravinsky, Suite Pulcinella
AULA II – ABERTURA, que nascida como introdução às Suites, com o tempo ganhou autonomia como peça de concerto
– Clássica (final do século 18): Mozart, abertura de A Flauta Mágica
– Programática (século 19): Wagner, abertura de Os Mestres Cantores
– Concertante (século 19): Rimsky-Korsakov, Abertura Páscoa Russa
AULA III – SINFONIA Clássica, em 4 movimentos: exemplo de um movimento de cada
. Haydn, Sinfonia n. 39 em sol menor (I. Allegro assai))
. Schubert, Quinta Sinfonia, em si bemol maior, D 485 (II. Andante con moto)
. Beethoven, Sinfonia n.8 em fá maior, opus 93 (III. Tempo di Menuetto)
. Mozart, Sinfonia n. 41, Júpiter, a “Zero” de Beethoven (IV, Molto allegro)
AULA IV – SINFONIA Romântica, em 4 movimentos: apresentação completa e analisada de duas grandes representantes do Romantismo
. Beethoven, Sinfonia n. 3 em mi bemol maior, opus 55 ‘Eroica”,movs. 1 e 2
. Tchaikovsky, Sinfonia n. 5, em mi menor, op. 64, completa
AULA V – CONCERTO SOLISTA – um painel comparado da forma sonata
. Introdução: a forma barroca do Concerto Grosso em
Bach, Concerto para dois Violinos
– Piano, Classicismo: Beethoven, Concerto n.3 em dó menor, 1º. movimento
– Violoncelo , Romantismo: Dvorák, Concerto n.2 em si menor, 1º. movimento
– Piano, Modernismo: Ravel, Concerto para Piano em sol, 1º. movimento
AULA VI – POEMA SINFÔNICO 1 – Obras a serem analisadas:
– Sibelius, Finlândia
– Debussy, L’après-midi d’um faune
– Mussorgski, Quadros de uma Exposição (Ravel)
AULA VI – POEMA SINFÔNICO 2 , Encerramento: a análise detalhada e completa de:
– Gustav Mahler, DAS LIED VON DER ERDE – “A Canção da Terra”
Obra-prima e testamento musical do compositor, sobre poemas chineses do século VI, sobre a vida e seu ciclo na juventude, maturidade e despedida
Serviço:
Curso: FORMAS MUSICAIS
Palestrante: Maestro Ricardo Rocha
Período: sábados, de 18 de julho a 5 de setembro
Horário: 10h às 13h
Local: Escola de Música Villa-Lobos
Endereço: Rua Ramalho Ortigão, nº 9 – Centro – Rio de Janeiro
(perto da estação de metrô Carioca)
Informações (Leia Brasil): 21- 98133-7880
Telefone Geral: 21 – 2505-9701
Realização: Espaço Leia Brasil
Investimento para o curso completo: 3x R$200 – total: 8 aulas
OBS: é possível fazer aulas avulsas: R$90
A partir de 11 de julho no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, “O Tempo das Plantas” propõe uma reflexão sobre circulação de espécies, memória, ciência e intercâmbios culturais entre territórios e saberes.
Realizada na histórica Casa Pacheco Leão, a exposição gratuita convida o público a desacelerar e observar o mundo a partir do tempo das plantas. Muito antes de se tornarem bebidas globais, chá e café nasceram de paisagens específicas, de montanhas úmidas, florestas tropicais e terras cultivadas por gerações de agricultores que aprenderam a acompanhar os ritmos das estações, da chuva e da luz. Ao longo dos séculos, suas folhas e sementes cruzaram oceanos, transformando economias, paisagens e modos de convivência.
A narrativa parte das origens da Camellia sinensis, nas montanhas do sul da China, e do Coffea arabica, nas terras altas da Etiópia, do Quênia e do Sudão, para refletir sobre as conexões históricas entre África, Ásia e Brasil. A exposição também destaca o papel histórico do próprio Jardim Botânico.
“A Casa Pacheco Leão é um importante marco no desenvolvimento do Jardim Botânico como instituição de referência em pesquisa botânica. Receber uma exposição tão linda sobre duas plantas importantes presentes na tradição de diferentes culturas ao redor do mundo, e na história da China e do Brasil, reforça a conexão entre ciência, flora, história e cultura dos povos. Um presente para os nossos visitantes”, reforça o presidente do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, Sergio Besserman Vianna.
Com curadoria do estúdio UM.BA.RA.KÁ, a exposição reúne mais de 200 itens entre obras de arte contemporânea, documentos históricos, ilustrações botânicas, objetos científicos, utensílios tradicionais, registros fotográficos, instalações sensoriais e conteúdos audiovisuais. O percurso articula arte, ciência e memória para abordar temas como agricultura ancestral, circulação de espécies, viagens marítimas, intercâmbios culturais, colonialismo, relações comerciais, biodiversidade e diferentes formas de conhecimento construídas em relação à natureza.
“Vivemos em um tempo acelerado, mas as plantas nos lembram de outras formas de perceber o mundo. Ao acompanhar as trajetórias do chá, do café e de outras espécies, a exposição convida o público a refletir sobre como plantas, pessoas e territórios se transformam mutuamente ao longo do tempo. Entre arte, ciência e memória, ‘O Tempo das Plantas’ propõe um olhar atento para as conexões que unem natureza e cultura e para os conhecimentos que surgem dessa relação”, destaca Isabel Seixas, da equipe curatorial da exposição.
Participam da mostra artistas como Tiago Sant’Ana, Mãe Celina de Xangô, Emerson Rocha, Jingwei Bu e Gustavo Caboco, em diálogo com acervos de instituições nacionais e internacionais, entre elas o próprio Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ), Instituto Moreira Salles (IMS), Biblioteca Nacional, Wellcome Collection, Biodiversity Heritage Library, The National Palace Museum Collection, Shanghai Museum, The Palace Museum (Beijing Palace Museum), Museu Nacional do Palácio de Taipei e The Metropolitan Museum of Art, além de coleções particulares e acervos indígenas.
“O Tempo das Plantas” ocupa a Casa Pacheco Leão, residência construída no início do século XX para o médico e botânico Antônio Pacheco Leão, diretor do Jardim Botânico entre 1915 e 1931. Restaurada e reaberta em 2024, a casa consolida-se hoje como um espaço dedicado ao diálogo entre arte, ciência e natureza. Sua restauração e a realização da exposição integram o compromisso da State Grid Brazil Holding e do Banco BOCOM BBM com a valorização do patrimônio, a sustentabilidade e o acesso à cultura, especialmente no contexto das celebrações das relações culturais e institucionais entre Brasil e China.
Além da experiência expositiva, o projeto contará com programação educativa, visitas mediadas, atividades sensoriais, cerimônias do chá e ações voltadas à acessibilidade, buscando aproximar diferentes públicos das discussões propostas pela mostra. O projeto conta ainda com consultoria do Instituto Confúcius e a colaboração de uma comissão curatorial formada por servidores do JBRJ.
Serviço – Exposição “O Tempo das Plantas”
Local: Casa Pacheco Leão – Jardim Botânico do Rio de Janeiro
Rua Jardim Botânico, 1008, Rio de Janeiro/RJ Abertura: 11 de julho de 2026
Este projeto é realizado através da Lei Rouanet, e conta com patrocínio da State Grid Brazil Holding, do Banco BOCOM BBM, com apoio do BMTE, e co-realização do estúdio UM.BA.RA.KÁ e realização do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, do Ministério da Cultura e do Governo Federal, do lado do povo brasileiro.
Evento gratuito celebra a conclusão das atividades com apresentações de violão e violino
A Escola de Música do Instituto dos Sonhos realiza, nesta quinta-feira (2 de julho), a partir das 18h30, no Clube Tamarilândia, em São Gonçalo, o Sarau de Encerramento das atividades desenvolvidas por meio de emenda parlamentar do deputado estadual Carlos Minc. Com entrada gratuita, o evento marca a conclusão de mais um ciclo de formação musical, reunindo alunos, familiares e a comunidade em uma noite de celebração à arte, à educação e à transformação social.
Durante a programação, os estudantes das turmas de violão e violino apresentarão ao público o repertório preparado ao longo dos últimos meses, compartilhando o resultado de uma trajetória marcada por aprendizado, dedicação e desenvolvimento artístico.
Mais do que um recital, o sarau simboliza a importância da música como instrumento de inclusão, cidadania e fortalecimento de vínculos. A iniciativa valoriza o protagonismo dos alunos e aproxima famílias, educadores e comunidade em torno da cultura e da formação humana.
A expectativa é reunir cerca de 200 pessoas em uma noite de apresentações que destacam o talento dos participantes e o impacto social do projeto desenvolvido pelo Instituto dos Sonhos.
Sobre o Instituto dos Sonhos:
Fundador e mantenedor da Escola de Música, o Instituto dos Sonhos é uma Organização da Sociedade Civil que desenvolve soluções para a Economia Criativa e no Terceiro Setor, gerando oportunidades por meio da cultura, da educação, da inovação e da sustentabilidade, com o objetivo de tornar sonhos possíveis e impulsionar a prosperidade.
Fundado por Rafael Vieira, o Instituto tem como missão promover soluções sociais nas áreas da cultura, do esporte e do meio ambiente, contribuindo para a geração de renda, a ampliação do acesso à educação, a promoção da saúde, o fortalecimento da confiança no futuro e a construção de trajetórias de prosperidade, tendo como eixo central a realização de sonhos.
Além da Escola de Música, que atende cerca de 500 alunos em ações formativas continuadas, o Instituto dos Sonhos mantém a Orquestra Filarmônica Metropolitana (OFM), um dos mais importantes corpos artísticos do Estado do Rio de Janeiro, reunindo músicos de excelência de diversos municípios da Região Metropolitana e da Região Serrana.
O Instituto também desenvolve o jogo educativo Recycle Rio, voltado à sustentabilidade e ao turismo consciente. Realiza e produz festivais, atua na organização de festas populares, como arraiás juninos e o carnaval de rua, e mantém o Hub IS, único hub criativo do município de São Gonçalo, com uma incubadora de projetos voltada a iniciativas culturais e criativas do território.
Serviço: Sarau de Encerramento – Escola de Música Instituto dos Sonhos
Data: 02 de julho (quinta-feira)
Horário: das 18h30 até 21h30
Local: Clube Tamarilândia (Rua José do Patrocínio, 86 – Porto Novo – São Gonçalo)
Entrada: Gratuita