Exposição “PÁGINA 2” reúne diferentes gerações e linguagens das artes visuais de Niterói

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Depois da capa, sempre vem mais. Quatorze artistas de Niterói se encontram na exposição “PÁGINA 2 – Artistas da Agenda Cultural de Niterói”, em cartaz no Centro Cultural Cauby Peixoto. Com entrada gratuita, a mostra poderá ser visitada até 29 de novembro e apresenta ao público diferentes linguagens, trajetórias e olhares das artes visuais da cidade.

A exposição reúne Andréa Facchini, Caroline Gomes, Cibelle Arcanjo, Daniel Mazza, Dolores Esos, Felipe Xavier, Joana Martins, Leila B., Leandro Lucas, Marlon Amaro, Regina Frutuoso, Renata Xavier, Renato Moreth e Sergio Bonelli. Os 14 artistas já tiveram trabalhos publicados nas capas da Agenda Cultural de Niterói desde a retomada da publicação, em julho de 2025.

Em “PÁGINA 2”, o público é convidado a conhecer um pouco mais da produção de cada um deles. Além das obras que chegaram à cidade por meio da Agenda, cada artista escolheu um novo trabalho para integrar a exposição. São pinturas, fotografias, colagens, esculturas e outras linguagens que ampliam o contato com seus universos criativos.

As obras foram selecionadas pelos próprios artistas e podem representar momentos marcantes de suas carreiras, sintetizar aspectos de suas trajetórias ou carregar significados especiais em suas histórias. Reunidas no mesmo espaço, elas revelam outras possibilidades de aproximação com produções que, até então, haviam se encontrado nas diferentes edições da Agenda Cultural.

“Quando retomamos a Agenda Cultural, queríamos que ela fosse mais do que um guia de programação. Ela também se tornou um espaço de valorização dos nossos artistas e da diversidade das artes visuais produzidas em Niterói. Agora, a exposição amplia esse movimento, permitindo que o público conheça outras obras, trajetórias e linguagens. É uma forma de fortalecer a circulação da produção artística da cidade e reafirmar o direito à cultura”, afirma a secretária municipal das Culturas, Julia Pacheco.

Desde sua retomada, a Agenda Cultural de Niterói reúne mensalmente parte da programação cultural da cidade e circula como instrumento de acesso à informação e de aproximação entre artistas, espaços culturais e público. A cada edição, a publicação traz na capa a obra de um artista que nasceu ou vive em Niterói, transformando esse espaço em uma pequena galeria em circulação pela cidade.

O conceito de “PÁGINA 2” nasce do desejo de dar continuidade a esse encontro. Se a capa apresenta uma obra e desperta um primeiro olhar, virar a página significa seguir adiante e descobrir outras dimensões da produção de cada artista. No Centro Cultural Cauby Peixoto, edições antes separadas no tempo passam a dividir o mesmo espaço e a construir uma narrativa coletiva marcada justamente pela diversidade de linguagens e trajetórias.

A exposição também promove o encontro entre a Agenda Cultural, o Centro Cultural Cauby Peixoto e o Bastidores, projeto de qualificação profissional voltado aos diferentes ofícios que fazem a cultura acontecer. A turma de Expografia do projeto participa da montagem da mostra, transformando o processo de preparação da exposição também em espaço de formação e experiência prática.

“PÁGINA 2” permanece ainda aberta ao que está por vir. A cada nova edição da Agenda Cultural, um novo artista, uma nova obra e outras possibilidades de encontro com a produção artística de Niterói. A proposta é que a experiência da exposição desperte no público o desejo de continuar conhecendo, reconhecendo e acompanhando os artistas da cidade.

Serviço:

Exposição “PÁGINA 2 – Artistas da Agenda Cultural de Niterói”
Visitação: de 15 de outubro a 29 de novembro
Horário: terça a domingo, das 10h às 18h
Local: Centro Cultural Cauby Peixoto ( Alameda São Boaventura 263, Fonseca)
Entrada gratuita

Foto: Gabriella Pires

 

Teatro Leopoldo Fróes será restaurado e reaberto no Centro de Niterói

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Símbolo de experimentação artística, resistência e do movimento teatral de Niterói, o Teatro Leopoldo Fróes, fechado em 1991, deixou um buraco na cena cultural da cidade. Agora, a Prefeitura de Niterói articula a reabertura desse palco histórico. O prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, assinará nesta semana o decreto que desapropria o espaço, que será completamente restaurado. A ideia é que a casa de cultura abrace a produção niteroiense, com espaço para o teatro e outras manifestações artísticas.

“Niterói é uma das cidades que mais investem em cultura no Brasil. Acreditamos na cultura como elemento fundamental de nosso pacto de bem-estar social e prosperidade. Niterói se destaca no cenário nacional por muitos de seus talentos culturais e os niteroienses amamos a cultura. Meu desejo de recuperar o Teatro Leopoldo Fróes, fechado há mais de três décadas, é um projeto que estamos tratando com muito carinho e planejamento. Ele faz parte da memória afetiva da cidade e é um desejo antigo da classe artística. A história do teatro é forte, simbólica, e desejamos que ele abrace os grupos e coletivos teatrais e culturais niteroienses com seu fazer artístico desbravador. Mais do que isso, em Niterói a cultura é um ponto chave da economia criativa. Acreditamos que o Teatro Leopoldo Fróes, ao lado da Biblioteca que reabrimos na Praça da República, será um dos pilares que se somam ao nosso plano de revitalização completa do Centro de Niterói”, celebrou o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves.

Aberto em 1973, o Teatro Leopoldo Fróes foi um famoso laboratório cultural que borbulhava com as experimentações artísticas de Niterói. O espaço, que antes abrigava o Teatro Alvorada, foi alugado pelo Instituto Niteroiense de Desenvolvimento Cultural (INDC) para suprir a demanda do setor durante a reforma do Theatro Municipal que acontecia na época.

A autarquia assume o palco num momento emblemático: em 1973, durante os anos de chumbo da ditadura militar no Brasil, a casa de espetáculos havia sido fechada a mando do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS). A medida foi uma resposta à encenação da peça “Arena conta Zumbi” pelo grupo Ceia, do Instituto Abel. O musical, considerado “subversivo”, coloca em cena a luta dos quilombolas de Palmares e sua resistência. Após dez meses fechado, o teatro é reaberto com um novo nome e passa a homenagear Leopoldo Fróes, grande ator e comediante nascido em Niterói que marcou o teatro brasileiro.

Mantendo o caráter desbravador, o teatro foi casa de movimentos que tentavam reerguer a cultura na cidade, que sofreu enorme impacto com a fusão do Estado do Rio à Guanabara, em 1975. Movimentos como “Niterói vai Sumir”; “Niterói vai Assumir”; “Araribroadway”; os grupos “Grito”, “Papel Crepon” entre outros, procuravam dar oxigênio à cena cultural de Niterói. A vocação experimental do espaço foi fundamental para a formação de novos profissionais.

Na década de 1980, o teatro passa a receber também espetáculos profissionais do Rio de Janeiro. Projetos como “Fim de Tarde”, “Sete em Ponto”, “Pixinguinha” e “Seis e Meia” foram marcas dessa nova fase. Sem deixar de ser o palco principal da cena niteroiense, o teatro também se tornou um ponto de referência para shows de música popular brasileira em Niterói.

No período, Sidney Magal, Elza Soares, Leci Brandão, Zizi Possi, Elba Ramalho, Pepeu Gomes se apresentaram no Leopoldo Fróes. Dos artistas de Niterói, nomes como Zélia Duncan, Arthur Maia, Dalto, Byafra, Marvio Ciribelli, Sergio Chiavazzoli, Marcos Sabino e outros foram revelados à cena cultural nesse palco histórico. Também durante esse período, a Associação dos Trabalhadores em Artes Cênicas de Niterói (ATACEN) inicia o seu tradicional ciclo de leituras dramatizadas.

Em 1991, o teatro deixa de funcionar sob a administração da Prefeitura e acaba sendo fechado. Artistas e produtores culturais da cidade criaram o movimento SOS Leopoldo Fróes em reação ao fechamento. A iniciativa promoveu um abraço e um show na Praça da República, além de um abaixo-assinado. No entanto, o ato não reverteu a decisão. Trinta anos depois, durante a pandemia de COVID-19 em 2021, o espaço foi atingido por um incêndio.

A desapropriação e restauração do prédio surge num período de renovação do Centro de Niterói. Visto como o novo vetor de desenvolvimento econômico e social da cidade, a região se transforma após dez anos de investimentos em infraestrutura e remodelação. O programa Reviver Centro, que agrega essa requalificação, tem como pilar reaproximar o espaço público como lugar de pertencimento. Gastronomia, lazer, esporte, cultura e eventos nortearam parte da revitalização da zona central. Como resultado, a Arena Niterói; Complexo de Atletismo Aida dos Santos; Solar Notre Rêve; Museu do Cinema; Mercado Municipal de Niterói; e a Nova Catedral Católica são algumas das entregas.

 

Geração Z redescobre o valor do feito à mão e busca originalidade em feiras do Rio

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Busca por produtos cada vez mais focados na produção artesanal é acompanhada por leis da Alerj, que incentivam o setor e valorizam espaços tradicionais de comercialização

Depois de adotar um corte de cabelo curto, a escritora Cecile Mendonça viu o brinco se tornar seu acessório preferido. Mas, com a preferência, também surgiu uma exigência: os modelos “diferentões” passaram a ser prioridade de compra. A originalidade e a exclusividade levaram a jovem de 25 anos a buscar nas feiras e marcas pequenas suas novas peças. Passeando pela Praça XV, no Centro do Rio de Janeiro, Cecile encontrou um modelo artesanal que parecia cumprir bem esses requisitos — e descobriu que existiam apenas três unidades dele.

A escolha da escritora ajuda a contar uma relação que ganha contornos entre consumidores da geração Z: diante de um mundo abastecido por produtos que se repetem às centenas, o feito à mão pode atrair, justamente, por carregar as marcas de quem o produziu. Originalidade, processo e identidade entram na conta e mudam até a percepção sobre o preço. Nas feiras, esse encontro ganha endereço físico. Já nas redes sociais, estão vitrines capazes de apresentar esses espaços e produtos a uma geração que descobre boa parte do que consome pela tela.

No Estado do Rio, o valor atribuído ao feito à mão também encontra espaço nas normas e discussões da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). A Lei 9.885/22 instituiu o Programa Estadual de Desenvolvimento da Produção Artesanal e Orgânica, voltado ao incentivo do processo artesanal, à manutenção da geração de trabalho e renda e ao fortalecimento das tradições culturais. E uma nova proposta em análise na Casa, o Projeto de Lei 7.618/26, pretende instituir uma política estadual de valorização do trabalho manual e dos saberes manuais.

Valor agregado ao artesanal

Mesmo que os itens feitos à mão custem mais, Cecile está longe de ser uma consumidora despreocupada com dinheiro. Frequentadora de brechós, ela diz que o preço está entre os fatores mais decisivos de uma compra e procura fazer escolhas econômicas. É justamente por isso que sua disposição diante do artesanal chama atenção: quando consegue enxergar o trabalho por trás do produto, sua régua muda.

“Quando é algo artesanal, eu estou disposta a pagar um pouco mais porque entendo que aquele trabalho está sendo feito, muitas vezes, por uma pessoa só. É a mesma pessoa que costura, que faz os posts no Instagram, que cumpre vários papéis dentro da sua marca e está se desdobrando em várias”, explica.

O brinco da Praça XV, aliás, não era caro na avaliação dela. Cecile acredita que, fora de uma linha de produção, é preciso recalcular o valor da hora de trabalho na hora de precificar um produto: “Esse termo ‘caro’ precisa ser reavaliado, porque às vezes a pessoa está cobrando o que vale mesmo dentro do tempo que precisou usar para fazer aquilo”.

Há sinais de que o interesse pelo que exibe as marcas do fazer manual não está restrito às histórias individuais. No relatório de tendências para a primavera e o verão de 2026, a plataforma internacional Etsy registrou crescimento de 77% nas buscas por bolsas bordadas entre consumidores da geração Z.

No Brasil, o Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro (Crab), sediado na Praça Tiradentes, no Centro do Rio, também colocou uma lupa sobre esse mercado. Um estudo publicado em 2026 ouviu 2.400 pessoas em todo o país para investigar perfil, comportamento, hábitos e motivações dos consumidores de produtos artesanais. O resultado aponta que, no artesanato, é vendido significado e não somente o objeto, por isso, a percepção de valor é alterada.

O algoritmo leva à feira

Se Cecile ajuda a entender o valor que pode ser atribuído ao processo, Giovana Breves, de 18 anos, mostra um dos caminhos pelos quais o artesanal chega a novos consumidores. Vestibulanda e moradora de Angra dos Reis, na Costa Verde, ela não conhecia bem a capital quando veio ao Rio. Para escolher parte do que faria por aqui, recorreu a um guia que cabe no bolso. “Eu pego bastante dicas de lazer pelo TikTok e, como não conhecia a cidade, priorizei fazer programas já indicados por pessoas na internet”, conta.

Foi assim que entrou no roteiro a Feira da Glória, que existe há mais de 115 anos e, desde 2025, é reconhecida pela Alerj (Lei 10.873/25) como patrimônio histórico, cultural e imaterial do Estado do Rio de Janeiro. Pelos vídeos, Giovana esperava encontrar principalmente comida e uma grande variedade de opções para experimentar. Quando chegou, descobriu uma feira maior do que imaginava e percebeu que o passeio ia muito além da gastronomia.“Eu já vi muitos vídeos sobre comida e não achava que tinha tanta barraca de roupa e acessórios”, lembra. Ela acabou presa justamente a essas barracas e, entre os produtos, uma ecobag bordada ganhou sua atenção. “Geralmente, onde eu moro, você só encontra essas bolsas com estampas impressas. Gostei justamente porque é uma coisa que já uso, mas feita de uma forma diferente e com mais originalidade”, enfatizou.

Um mapa feito à mão

A Glória pode ter sido o ponto de encontro entre Giovana e sua ecobag bordada, mas não é preciso permanecer na capital, nem na Região Metropolitana, para encontrar espaços dedicados à produção artesanal fluminense. Em Petrópolis, na Região Serrana, diferentes feiras e circuitos abrem espaço para produtores locais e trabalhos manuais. Entre os produtos encontrados nesses espaços estão crochê, tricô, bordados, costura criativa, bolsas e outros itens artesanais.

No Norte Fluminense, Campos dos Goytacazes mantém iniciativas como a Feira Finasinha, que reúne artesãos e trabalhadores da economia solidária. Em agosto de 2026, o município contabilizava mais de 850 profissionais no Cadastro Municipal de Artesãos e informou que o cadastramento já havia possibilitado a participação de produtores em mais de 150 eventos locais, regionais, estaduais e de outros estados.

Na outra ponta do mapa do Rio de Janeiro, no Sul do estado, a produção artesanal também ganha vitrines na Região das Agulhas Negras. Resende mantém uma feira dedicada ao setor em seu calendário municipal e, em agosto deste ano, reuniu artesãos da cidade e de Itatiaia em uma exposição no Parque das Águas, voltada à valorização da produção regional e à geração de renda. Municípios vizinhos também têm eventos do gênero, como a Feirarte, em Quatis, e a Feira de Artesanato no Horto, em Porto Real.

 

Exposição ‘Cidades Líquidas’ transforma cafá em arte no Palácio Tiradentes

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Com entrada gratuita, mostra reúne 30 obras do artista francês Jèrôme Poignard e integra a programação comemorativa do centenário da sede histórica da Alerj

A mistura de aquarela e café ganhou espaço no Palácio Tiradentes, sede histórica da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), com a abertura da exposição “Cidades Líquidas: arte em aquarela e café”, realizada nesta quinta-feira (15/10). Promovida pela Subdiretoria-Geral de Cultura da Casa, a mostra reúne 30 obras do artista plástico francês Jèrôme Poignard e fica em cartaz até 11 de novembro, com entrada gratuita.

Com curadoria de Germana Portella e Leonardo Guimarães, a exposição apresenta paisagens urbanas e impressões afetivas construídas a partir das experiências do artista entre o Rio de Janeiro e Paris, na França, onde viveu antes de estabelecer residência na capital fluminense. A técnica combina a fluidez da aquarela com o café, matéria que também integra a identidade arquitetônica do Palácio Tiradentes.

A mostra apresenta ainda influências do fauvismo, movimento artístico surgido na França no início do século XX, marcado pelo uso expressivo de cores puras e vibrantes.

Arte e história se encontram no Palácio

Francês nascido em Fontainebleau, em 1973, Jèrôme Poignard vive no Rio de Janeiro há 28 anos. Pintor, ilustrador e designer, ao longo de sua trajetória a capital fluminense se tornou uma de suas principais fontes de inspiração.

A escolha do Palácio Tiradentes para receber a exposição também representa, para o artista, uma oportunidade de compartilhar sua produção com a cidade que marcou sua trajetória pessoal e profissional. “Eu decidi trazer minha exposição para um palácio tão importante, histórico e aberto ao público, para compartilhar minha arte com todos os cariocas e também com os visitantes que por aqui transitam todos os dias. É uma forma de compartilhar com essa cidade que sempre me acolheu e me tornou o artista que sou”, afirmou Poignard.

Para a diretora de Cultura da Alerj, Fernanda Figueiredo, a exposição estabelece uma relação entre a identidade do prédio e uma matéria-prima presente tanto na história econômica brasileira quanto na decoração do prédio. “O mais interessante dessa exposição é transformar em arte um elemento que faz parte da própria história e arquitetura do Palácio: o café. É muito interessante ver como essa referência, presente na decoração do prédio, também pode ser explorada por meio da pintura e da aquarela”, destacou.

A influência do café na arquitetura

A presença do café na exposição dialoga diretamente com a história do Palácio Tiradentes. Quando o edifício foi construído, na década de 1920, o produto ocupava posição central na economia brasileira, como um dos principais itens de exportação do país. Essa importância se refletiu na arquitetura do prédio, que reúne referências ao grão em diferentes elementos decorativos.

Ramos, folhas e frutos de café aparecem nos entalhes de madeira, nos adornos das portas e nas paredes do Salão Nobre. Outro destaque é a Sala do Café, localizada no segundo andar do Palácio. Projetado em estilo renascentista italiano, o ambiente foi concebido como espaço de convivência entre os deputados.

Para Leonardo Guimarães, produtor cultural do Palácio Tiradentes e um dos curadores da exposição, a convergência entre a técnica do artista e os elementos históricos do prédio tornou a proposta especialmente significativa. “Essa coincidência da temática do café, que faz parte diretamente da arquitetura do Palácio, foi um achado. É uma técnica maravilhosa, que combina aquarela e água. Por isso o nome ‘Cidades Líquidas’. Ele enfeita realmente o Palácio com essas cores vibrantes e com a técnica do café”, explicou.

A curadora Germana Portella também destacou a importância de aproximar a produção artística de um espaço histórico ligado à vida política e cultural do estado. “Embora tenha sido a Casa das Leis, o Palácio também tem essa função maravilhosa de acolher projetos de arte e cultura”, afirmou.

Ao reunir arte contemporânea, memória urbana e referências à história do café, “Cidades Líquidas” transforma elementos familiares do cotidiano em novas possibilidades de leitura e convida o público a descobrir outras formas de olhar para as cidades e para o próprio Palácio Tiradentes.

SERVIÇO
Exposição: Cidades Líquidas: arte em aquarela e café
Período: de 15 de outubro a 11 de novembro de 2026
Local: Palácio Tiradentes — Rua Primeiro de Março, s/nº, Praça XV, Centro do Rio de Janeiro
Entrada: gratuita
Acessibilidade: acesso para cadeirantes pela Rua Dom Manuel, s/nº, atrás do Palácio.

 

No Dia Mundial do Pão, Alerj destaca como leis e propostas chegam à mesa dos fluminenses

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Das manhãs em família à pausa para o café com colegas de trabalho, o pão está presente em diferentes momentos da rotina das pessoas. As decisões debatidas na Assembleia do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) também podem repercutir no cotidiano da população. No Dia Mundial do Pão, comemorado nesta sexta-feira (16/10), a Casa destaca iniciativas relacionadas à produção e à tributação desse alimento, que impactam a sociedade.

A Lei 10.067/23 criou, durante o período de vigência, um regime tributário diferenciado para farinha de trigo, massas, alguns biscoitos e pão francês. Já o Projeto de Lei 4.869/25, aprovado pela Comissão de Segurança Alimentar, propõe autorizar o Governo do Estado a fixar alíquotas de ICMS de até 7% para produtos que integram a cesta básica, entre eles o pão francês de até 200 gramas. A proposta também prevê que o Executivo defina, com base em estudos sobre o impacto na arrecadação, quais itens poderão ter alíquota zero.

Enquanto a lei buscou estimular a competitividade da produção fluminense, o projeto pode abrir caminho para reduzir a tributação de alimentos essenciais e, se aprovado e implementado, poderá beneficiar o consumidor.O economista Guilherme Pereira explica que medidas tributárias podem, além de estimular a produção, ampliar a oferta de produtos.

“Ações como essas estimulam a produção enquanto deslocam os investimentos para o setor, na expectativa de efeitos imediatos, como o aumento da oferta à população. Essa expansão da indústria pode ainda oferecer uma diversificação do produto. Você passa a ter novas mercadorias que se beneficiam dessas alíquotas e temos mais tipos de pães na mesa”, explicou.

Além do aspecto econômico, o pão também faz parte dos hábitos alimentares de muitos trabalhadores. A nutricionista Sâmia Tagli afirma que o alimento pode ser incluído em uma dieta equilibrada e destaca sua praticidade na rotina.

“No dia mundial do pão vale reforçar que comer bem não significa necessariamente retirar o alimento tradicional da mesa. Temos que aprender a incluí-lo de uma maneira equilibrada. O pão tem um papel muito importante na alimentação do brasileiro, principalmente na rotina do trabalhador por ser um alimento prático, acessível para muita gente, além de ser uma fonte de energia, principalmente para quem sai cedo de casa e tem uma rotina corrida”, disse a especialista.

O cientista político Theófilo Rodrigues destaca que pão e política fazem parte do cotidiano da população, ainda que essa relação não seja perceptível.

“O preço da farinha, o custo da energia, o salário dos trabalhadores e o valor do pãozinho são determinados por relações econômicas e por decisões políticas. A fome em uma sociedade capaz de produzir alimentos revela escolhas sobre como organizamos a produção, a riqueza e o acesso aos direitos. É nesse contexto que a atividade parlamentar impacta diretamente a vida das pessoas, por meio das leis, do orçamento público e das políticas que podem tanto reproduzir desigualdades quanto combatê-las”, pontuou.

 

Estudantes da Rede Municipal de Niterói viram artistas em exposição no Museu Janete Costa

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O que começa na curiosidade, no olhar e nas mãos das crianças dentro da escola vai ganhar as paredes de um museu. Entre os dias 19 de outubro e 14 de novembro, estudantes da Rede Municipal de Educação de Niterói serão os artistas em exposição no Museu Janete Costa de Arte Popular, onde apresentam ao público trabalhos criados ao longo do ano em 88 unidades entre Educação Infantil e Ensino Fundamental. A 12ª Mostra dos Projetos Educacionais Instituintes ficará em cartaz por quase um mês, reunindo produções que atravessam ciência, arte, investigação e diferentes formas de enxergar e representar o mundo.

São estudantes que chegam ao museu não apenas como visitantes, mas como autores das obras e experiências apresentadas ao público. A mostra reúne produções construídas ao longo do ano letivo, dando visibilidade aos diferentes olhares que nascem dentro da escola pública e à capacidade de crianças e adolescentes de investigar, criar e produzir conhecimento.

“É muito bonito ver nossas crianças e adolescentes ocupando, como protagonistas, um espaço tão importante da cultura de Niterói. Estamos investindo em uma educação pública que incentiva a descoberta, valoriza o conhecimento e abre caminhos para que nossas crianças sonhem cada vez mais alto. Queremos que cada aluno tenha orgulho do que aprende e do que é capaz de construir”, afirmou o prefeito Rodrigo Neves.

Em 2026, os Projetos Educacionais Instituintes registraram a maior participação dos últimos 12 anos na Rede Municipal de Educação de Niterói. Das 88 propostas inscritas e aprovadas, 49 são de Unidades Municipais de Educação Infantil (Umeis) e 39 de escolas de Ensino Fundamental, um crescimento de 15% em relação ao ano anterior.

Para o secretário municipal de Educação, Bira Marques, a exposição valoriza a autoria dos estudantes e mostra que a escola pública também é um espaço de produção de conhecimento e cultura.

“Tem algo muito potente em ver o trabalho que nasce dentro das nossas escolas chegar a um museu e ser compartilhado com toda a cidade. Nossos estudantes não estão ali apenas para observar: são eles que pesquisaram, criaram, experimentaram e produziram aquilo que estará em exposição. É isso que queremos estimular na escola pública: crianças e adolescentes que façam perguntas, construam conhecimento e percebam que suas ideias e suas formas de enxergar o mundo têm valor”, afirmou Bira Marques.

Nesta edição, a ciência é o eixo central dos projetos e aparece sob os mais diferentes olhares: há estudantes investigando o microclima e a vegetação da própria escola, conhecendo a contribuição das mulheres para a astronomia, experimentando a cultura maker e pesquisando as relações entre futebol e ciência. Outros projetos partem da memória, dos saberes ancestrais, da sustentabilidade e da tecnologia para construir conhecimento dentro das unidades.

Na Educação Infantil, as descobertas passam pelos quatro elementos da natureza, pelos cinco sentidos, pela preservação da água e dos mares e pelas experiências científicas que surgem do brincar e da exploração do cotidiano. Entre os trabalhos estão ainda uma investigação sobre a construção de uma jangada a partir da relação das crianças com Jurujuba e projetos sobre ciências indígenas, natureza e saberes ancestrais.

Ao longo do ano, os Projetos Educacionais Instituintes dialogaram com outras iniciativas voltadas ao fortalecimento da ciência na Rede Municipal. Em 2026, Niterói ampliou esse trabalho com o programa Mais Ciência na Escola, que prevê laboratórios de Ciências, Maker e Inovação em 12 escolas de Ensino Fundamental II, além da participação de cerca de 5 mil estudantes da Rede nas atividades da 78ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada na cidade em julho.

A proposta dos Instituintes, no entanto, vai além da apresentação de um produto final. O processo de construção dos trabalhos valoriza a investigação, a experimentação e a construção coletiva do conhecimento, aproximando a ciência da realidade dos estudantes desde a Educação Infantil. As unidades recebem apoio técnico e pedagógico da Secretaria Municipal de Educação, além de recursos para o desenvolvimento das propostas durante o ano letivo.

Os Projetos Educacionais Instituintes valorizam práticas pedagógicas autorais desenvolvidas pelas próprias unidades da Rede Municipal. A cada edição, professores e estudantes constroem projetos a partir das experiências, interesses e questões que atravessam o cotidiano escolar, fortalecendo a troca de saberes e diferentes possibilidades de aprendizagem.

A 12ª Mostra encerra esse percurso colocando as produções em diálogo com a cidade. Durante quase um mês, famílias, profissionais da educação e o público em geral poderão conhecer no Museu Janete Costa aquilo que nasceu dentro das escolas e enxergar, por meio dos trabalhos apresentados, um pouco do mundo investigado, imaginado e recriado pelos estudantes da Rede Municipal.

Serviço:

12ª Mostra dos Projetos Educacionais Instituintes
Data: 19 de outubro a 14 de novembro de 2026
Local: Museu Janete Costa de Arte Popular – Rua Presidente Domiciano, 178, Ingá, Niterói

 

Talita Hoffmann explora paisagens urbanas em suspensão na exposição “Mil maneiras de matar o tempo”

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Há algo que parece ter acabado de acontecer nas pinturas da artista Talita Hoffmann. Objetos e fragmentos arquitetônicos se acumulam em paisagens nas quais o movimento sugere uma interrupção no instante seguinte a uma explosão. Não há pessoas, mas os sinais de sua passagem estão por toda parte.

É a partir dessa atmosfera que se constrói Mil maneiras de matar o tempo, nova exposição da Piccola Galleria da Casa Fiat de Cultura, com entrada gratuita. A mostra reúne nove pinturas produzidas entre 2024 e 2026 e dá continuidade à pesquisa da artista gaúcha sobre paisagens urbanas e os modos como percebemos e construímos imagens.

Talita Hoffmann se interessa especialmente por espaços abandonados, lugares em transformação nos quais a figura humana desapareceu, embora permaneçam indícios de que alguém esteve ali. “A paisagem está sempre mudando. É como areia movediça, uma paisagem sendo engolida e formando outra. Há um vestígio humano, mesmo com a ausência da figura humana. Parece que existe um movimento pausado”, explica a artista.

Essa percepção se relaciona diretamente com o título da exposição, retirado de uma passagem de Um homem que dorme, de Georges Perec, livro que impressionou Talita pela maneira como aborda a renúncia à vida e o esvaziamento de significado das coisas.

A expressão “matar o tempo” passou a provocar outras questões em sua produção recente, sobretudo diante da velocidade com que consumimos imagens atualmente. Nas pinturas, essa sensação encontra correspondência em temporalidades que parecem se sobrepor e em imagens que conservam vestígios de momentos distintos.

As paisagens não reproduzem lugares específicos. A artista parte de um banco de referências formado por fotografias feitas por ela, imagens encontradas na internet e frames de filmes. Desse repertório, seleciona formas e reorganiza fragmentos até construir uma nova cena.

Sua formação em Design Gráfico também aparece nesse processo, que incorpora recursos do desenho arquitetônico e elementos da comunicação visual cotidiana. Mesmo diante de cenários que carregam certa desolação, as escolhas cromáticas atraem o olhar e conferem às pinturas uma presença pop.

“A cor ajuda a atrair o olhar. Embora as paisagens tenham algo de desolado, ela traz uma dimensão mais pop e cria certa familiaridade com as imagens”, conta Talita.

Nos trabalhos mais recentes, a artista também passou a utilizar a tinta acrílica diluída, buscando se afastar da imagem excessivamente plana que marcou momentos anteriores de sua produção.

Serviço

Visitação: 06/10/26 à 22/11/26 | Segunda-feira, Terça-feira, Quarta-feira, Quinta-feira, Sexta-feira das 10:00h às 21:00h
Sábado, domingo e feriado, das 10h às 18h    Casa Fiat de Cultura - Praça da Liberdade, 10 – Funcionários – Belo Horizonte/MG  casafiatdecultura.com.br

 

Casa Roberto Marinho inaugura exposição com 300 obras da coleção de Marcia e Luiz Chrysostomo

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A Casa Roberto Marinho inaugura para o público, em 19 de novembro de 2026, Guardar, exposição dedicada ao acervo particular de Marcia e Luiz Chrysostomo, coleção de destaque no panorama das artes visuais no país, formada ao longo de três décadas e hoje composta por mais de 2 mil itens. Com curadoria de Paulo Venancio Filho, a mostra apresenta cerca de 300 obras e percorre diferentes momentos da arte brasileira e internacional, das vanguardas do início do século XX à produção contemporânea.

A exposição amplia uma relação iniciada em 2023, quando o casal participou de Conversas entre Coleções, também na Casa Roberto Marinho, estabelecendo diálogos entre trabalhos de seu acervo e obras da instituição. Agora, pela primeira vez, a Casa dedica uma mostra exclusivamente a esse conjunto.

Um poema do filósofo e escritor carioca Antonio Cícero, de 1996, que acompanha Luiz Chrysostomo há décadas, inspira o título da exposição. A ideia de guardar como gesto de cuidado e preservação encontra correspondência na própria história da coleção, que não nasceu de um projeto previamente definido, mas de uma relação continuada com a arte.

Josef Albers (1888-1976) e Max Bill (1908-1994), referências fundamentais da abstração geométrica e do pensamento construtivo, abrem a exposição frente a frente. A escolha funciona, segundo Venancio Filho, como uma espécie de “declaração” da curadoria e estabelece uma chave que se desdobra pelo percurso. A partir deles, a mostra acompanha diferentes caminhos do pensamento construtivo e suas reverberações na arte brasileira, aproximando tempos, geografias e linguagens.

“Uma coleção é uma constelação viva”, escreve Paulo no texto curatorial. Para ele, um acervo dessa natureza nunca está concluído: cada nova aquisição cria relações e contágios intencionais ou inesperados. Seu ponto de partida foi reconhecer a fisionomia que Marcia e Luiz imprimiram ao conjunto ao longo dos anos. “Meu cuidado foi não chegar com a autoridade do curador. Procurei entender a coleção tal como ela é.”

 

Sarau do Raulzito celebra cultura e resistência política às vésperas da eleição

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Edição especial “Sarau Antifascista” reúne artistas e ativistas no Kombi Bar, no próximo dia 23 de outubro, reforçando mobilização em defesa da democracia

O bairro de São Domingos, em Niterói, recebe uma edição especial de mobilização cultural e engajamento político. No próximo dia 23 de outubro, sexta-feira, a partir das 17h, o Kombi Bar sedia o “Sarau do Raulzito – Sarau Antifascista”.

Em meio à reta final da campanha eleitoral de 2026, marcada por disputas polarizadas para a Presidência da República, o evento propõe ocupar os espaços urbanos com muita música e poesia. O sarau busca reafirmar o papel essencial da cultura popular como ferramenta de diálogo e consciencialização.

“O Sarau do Raulzito convoca todos os democratas e indecisos a deixar bem claro que é preciso escolher um lado. Temos o compromisso histórico com a educação, a cultura, os direitos sociais e a valorização da classe trabalhadora; há uma clara ameaça de retrocessos e de propostas entreguistas, que sacrificam a soberania nacional e a qualidade de vida do nosso povo. Este é o sarau da virada!”, conclama o guitarrista e organizador do evento, Raul Menezes.

Serviço:

Evento: Sarau do Raulzito – Sarau Antifascista
Data: 23 de outubro de 2026 (Sexta-feira)
Horário: Das 17h às 22h30
Local: Kombi Bar — Rua General Andrade Neves, nº 297, São Domingos – Niterói/RJ
Couvert artístico: R$ 15
Público-alvo: Livre / Aberto à comunidade e apoiadores dos movimentos culturais e sociais locais.

Foto: Roberto Pinheiro/divulgação

 

Exposição propõe novo olhar sobre paisagens e estruturas urbanas

Saiba mais em: https://niteroi.rj.gov.br/

A mostra reúne pinturas e pinturas-objetos de pequena escala que partem da observação da paisagem cotidiana e de fragmentos da cidade que costumam passar despercebidos. Fachadas laterais, torres, antenas, galpões, túneis e outras estruturas urbanas aparecem em imagens construídas a partir de caminhadas e deslocamentos da artista.

Parte dos trabalhos é realizada sobre tacos, rodapés e outros fragmentos de madeira recolhidos, cujos cortes, rachaduras e formatos passam a integrar a composição. A relação entre imagem e suporte é central na pesquisa de Gabriela, fazendo com que a pintura se construa em diálogo com a própria materialidade do objeto.

A exposição inclui ainda trabalhos realizados durante uma residência na Dinamarca, revelando como diferentes paisagens, luminosidades e condições de cor atravessam sua produção.

“Na Vizinhança das Coisas” propõe uma experiência da paisagem construída por aproximações, fragmentos e relações de proximidade, convidando o olhar a desacelerar e se deter naquilo que normalmente permanece à margem.

A eternidade por uma noite, de Felipe Ferreira
FASAM São Paulo | Rua Brigadeiro Galvão, 990 – Barra Funda – São Paulo
Abertura: sábado, 3 de outubro de 2026, das 11h às 17h
De segunda a sábado de 11h às 17h
Entrada gratuita