Oncomed e PróOnco Mulher promovem mais um Natal Solidário

Campanha vai arrecadar leite para a Casa de Apoio à Criança com Câncer. Doações podem ser feitas até o dia 17, em uma das cinco unidades da clínica oncológica

Com o tema “Vamos juntos oferecer um Natal melhor a quem precisa”, a campanha Natal Solidário da Oncomed chega à sua décima edição com um foco diferenciado. Ao invés da tradicional arrecadação de brinquedos e cestas básicas, a ação social que, pelo segundo ano consecutivo, conta com a parceria da PróOnco Mulher, está recebendo latas de leite em pó para a Casa de Apoio à Criança com Câncer Santa Teresa, no Rio de Janeiro. Os interessados em participar podem fazer a doação até a próxima quarta-feira, dia 17 de dezembro, sempre das 8h às 17h, na recepção de uma das cinco unidades da Oncomed.

A campanha começou pequena, com a Oncomed distribuindo cestas básicas na ação que logo teve a participação de colaboradores da seguinte forma: a cada quilo doado por um funcionário, a instituição providenciava mais cinco quilos. Aos poucos o Natal Solidário foi crescendo e em 2023 foi estendida aos pacientes, o que resultou na produção de 200 bolsas natalinas. No ano passado a arrecadação foi de brinquedos, mas este ano a clínica decidiu contemplar uma instituição que, como a Oncomed, atua na assistência oncológica a crianças, optando pela doação de latas de leite em pó.

“Foi assim que chegamos à Casa de Apoio à Criança com Câncer Santa Teresa, em Botafogo, mesmo bairro onde a Oncomed iniciou em 2021 a assistência ambulatorial de oncologia pediátrica. E seguimos sendo a única instituição da rede privada em todo o estado do Rio a oferecer este tipo de serviço. Optamos por latas de leite para facilitar a quem quer participar”, destaca o publicitário Jorge Carrano, coordenador de Marketing da Oncomed.

 

Onde doar:

NITERÓI

* Rua Ministro Otávio Kelly, 157, Icaraí

* Rua Araribóia, 6, São Francisco

* Rua da Conceição, 188, sala 704, Centro

SÃO GONÇALO

* Rua Coronel Serrado,1000, salas 1112 a 1114, Centro

 

RIO DE JANEIRO

* Rua Paulino Fernandes, 68, Botafogo

 

Instituição precisa de ajuda

A Casa de Apoio à Criança com Câncer Santa Teresa é uma ONG que há 25 anos acolhe e assiste crianças e adolescentes com câncer e doenças hematológicas, todas de famílias baixa renda de diversos municípios e até de outros estados, que dependem de tratamento em unidades de saúde do Rio. A instituição funcionava em prédio próprio no bairro do Estácio, que foi comprometido por cupins e condenado, e há cinco meses foi transferida para um imóvel alugado na Rua Professor Alfredo Gomes, 32, em Botafogo.

Atualmente atendendo a 74 famílias, a ONG oferece alimentação, hospedagem, apoio psicológico, medicamentos, exames e o transporte até as unidades de tratamento, sendo mantida por doações, campanhas e o trabalho de voluntários.  

“Precisamos muito de ajuda, pois está cada dia mais difícil mantermos essas assistência tão importante, em especial, para famílias que vêm de cidades distantes, como Campos, e de outros estados, como Juiz de Fora, em Minas Gerais. Estamos em busca de vender a nossa sede para ver se compramos outro imóvel, o que nos livraria dos custos com o aluguel”, diz Sandra Nóbrega, presidente da Casa de Apoio que disponibiliza o número (21) 98463-3568 para os interessados em conhecer e colaborar com a instituição.

Pesquisa da ação da cidadania apresentada na Alerj mostra que 30 dos entregadores de aplicativos enfrentam esse problema

Foram realizadas 1.700 entrevistas com entregadores maiores de 18 anos, de ambos os sexos. A audiência pública da Comissão de Segurança Alimentar da Assembleia Legislativa debateu a precarização do setor

A Comissão de Segurança Alimentar, da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), se reuniu em audiência pública, nesta sexta-feira (23/05), para debater a precarização do trabalho e a insegurança alimentar de entregadores por aplicativo. Durante o debate, o colegiado abordou dados preocupantes: de acordo com uma pesquisa da ONG Ação da Cidadania, cerca de 30% dos entregadores de comida por aplicativo no Rio de Janeiro enfrentam dificuldades para se alimentar todos os dias. A Comissão anunciou que irá solicitar uma reunião com a empresa Ifood para encontrar uma solução para esse problema.

A presidente da Comissão, deputada Marina do MST (PT), ressaltou a importância de aprofundar o debate sobre as condições de trabalho dos entregadores. “Esse é um momento fundamental para estudarmos o tema, conhecermos os dados e reafirmarmos que os entregadores são trabalhadores e devem ter seus direitos garantidos, inclusive o direito à alimentação”, afirmou.

Participante do debate, o deputado federal Tarcísio Motta (PSOL) enfatizou o papel da audiência pública como espaço de escuta e construção coletiva de soluções para os desafios enfrentados pelos trabalhadores. “Precisamos sentir a dor do outro para enfrentá-la coletivamente e transformar esse mundo injusto. Além disso, as novas tecnologias têm gerado novas formas de exploração que precisamos combater”, disse.

Cenário de vulnerabilidade

Durante a audiência, o colegiado se debruçou sobre os dados levantados pela pesquisa da Ação da Cidadania. De acordo com os representantes da ONG, a pesquisa realizou 1.700 entrevistas com entregadores maiores de 18 anos, de ambos os sexos. Estes trabalhadores, em sua maioria homens negros, jovens e moradores de periferias urbanas, vivem com rendimentos inferiores a um salário mínimo por pessoa da família, sem acesso a direitos trabalhistas básicos, proteção social ou benefícios previdenciários.

O diretor executivo da Ação da Cidadania, Rodrigo Afonso, abordou a normalização da exploração dos entregadores de aplicativo e cobrou uma mudança de olhar sobre a realidade desses trabalhadores. “A gente se acostumou a ver pessoas pedalando 12 horas por dia, sem descanso, salário fixo ou qualquer direito. E ainda chamam isso de empreendedorismo, mas é exploração; um sistema que só funciona para quem está no topo”, afirmou.

Já a coordenadora da pesquisa, Daniela Sanches, destacou que os dados levantados oferecem um retrato concreto da grave situação enfrentada pelos entregadores. “Os números confirmam aquilo que já vínhamos percebendo: trata-se de uma violação do direito humano à alimentação adequada, que é o direito mais básico de todos. Não estamos falando apenas de insegurança alimentar, mas da negação do direito de viver com dignidade”, pontuou.

Ausência das empresas

Marina do MST também criticou a ausência das empresas de aplicativo, que foram convidadas, mas não enviaram representantes à audiência. “É lamentável. Essa discussão precisa envolver as empresas, que são diretamente responsáveis pela precarização das condições de trabalho. São companhias que registram lucros recordes todos os anos, enquanto impõem jornadas exaustivas a trabalhadores, em sua maioria jovens negros, em condições extremamente vulneráveis”, declarou.

Líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Direito, Marcelo Russo fez um relato sobre a dura rotina enfrentada pelos entregadores de aplicativo. “Trabalhamos 14 horas ou mais por dia. Vejo amigos que passam o dia inteiro entregando comida e, no fim, não têm o que comer”, relatou.

Representando o Ministério do Trabalho e Emprego, Alex Bolsa colocou a pasta à disposição para colaborar com a melhoria das condições dos trabalhadores de aplicativo. “Estamos atuando em Brasília, em diálogo com o Congresso e queremos avançar na regulamentação para garantir ferramentas eficazes de fiscalização. O Ministério não se exime de agir e estamos prontos para contribuir com soluções concretas”, sinalizou.

Também estiveram presentes no debate o deputado federal Lindbergh Farias (PT); a vereadora Maira do MST; e os representantes do Ministério Público do Trabalho, Mayana Macedo, e da Secretaria de Estado de Trabalho e Renda, José Renezito.

Foto: Octacílio Barbosa

 

Dezembro Vermelho: Prefeitura de Niterói na luta contra o HIV

Teste rápido é gratuito e está disponível em toda a rede básica de saúde

O Dezembro Vermelho marca a luta contra o vírus HIV e a Aids, chamando a atenção para a prevenção, a assistência e a proteção dos direitos das pessoas infectadas, além da importância de enfrentar o estigma associado à infecção. Por isso, a Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Saúde de Niterói, irá intensificar as ações de prevenção durante todo o mês.

A secretária municipal de Saúde, Ilza Fellows, explica a importância da data e da prevenção à doença.

“O município conta com uma coordenação de IST/Aids e Hepatites Virais que realiza ações durante todo o ano. A campanha do Dezembro Vermelho é fundamental para alertar a população sobre a importância da prevenção, assistência, proteção e promoção dos direitos humanos das pessoas que vivem com HIV/Aids. O mês também marca a luta contra o estigma e o preconceito em torno da doença”, afirma a secretária.

No ano de 2024, em Niterói, foram notificados 165 casos diagnosticados com HIV, sendo 65% em homens e 35% em mulheres, a maioria entre 20 e 29 anos (36%) e 30 a 39 anos (25%). Foram notificados 55 casos diagnosticados com Aids, sendo 64% em homens e 36% em mulheres, com maior concentração nas faixas de 20 a 29 anos (24%) e 30 a 39 anos (29%). O município registrou 31 notificações de gestantes com HIV, e não houve transmissão vertical para nenhuma criança nascida em 2024.

Em Niterói, as pessoas vivendo com HIV/Aids contam com assistência e tratamento nas unidades de saúde que possuem o Serviço de Atenção Especializado (SAE), além de cuidados de acolhimento e promoção da saúde. O teste rápido para o HIV é gratuito e está disponível em toda a rede básica de saúde. O Hospital Municipal Carlos Tortelly (HMCT), no Centro, é referência para internação de adultos, oferecendo também atendimento ambulatorial. Já a internação de crianças e adolescentes até 15 anos incompletos é realizada no Hospital Municipal Getúlio Vargas Filho, o Getulinho.

Para atendimento ambulatorial de adultos, além do serviço no HMCT, a população conta com a Policlínica Regional Sérgio Arouca, Policlínica Regional do Largo da Batalha, Policlínica Regional do Barreto, Policlínica Regional Carlos Antônio da Silva, Policlínica Regional da Engenhoca, Policlínica Regional do Fonseca, Policlínica Regional de Itaipu, e os SAE do Hospital Estadual Azevedo Lima (HEAL) e do Hospital Universitário Antônio Pedro (HUAP). O atendimento para crianças expostas ao HIV e para crianças e adolescentes vivendo com HIV/Aids é realizado no ambulatório do Hospital Municipal Carlos Tortelly, na Policlínica Regional Carlos Antônio da Silva, na Policlínica Regional de Itaipu e no ambulatório do Hospital Universitário Antônio Pedro (HUAP).

Gestantes HIV positivo têm o pré-natal realizado pelas unidades da atenção básica e o atendimento para o HIV em qualquer um dos SAE. Caso haja risco obstétrico por outras situações ou agravos, elas podem ser encaminhadas para o pré-natal de alto risco, permanecendo acompanhadas pelos SAE para o cuidado relacionado à infecção pelo HIV.

O autoteste para o HIV também é ofertado nas unidades de saúde, tanto da rede básica quanto nos serviços especializados. O autoteste é mais uma opção para ampliar e facilitar o diagnóstico do HIV. O exame, que pode ser feito em casa, permite o acesso ao diagnóstico precoce, principalmente para pessoas que precisam ser testadas com maior frequência devido a vulnerabilidades e exposição contínua ao risco de infecção. Em caso de resultado positivo, a pessoa deve buscar um serviço de saúde para confirmar o diagnóstico.

O atendimento para a Profilaxia Pré-Exposição Sexual de Risco ao HIV (PrEP) é realizado em todos os serviços especializados e está em implantação em toda a rede básica de saúde. Já o atendimento para a Profilaxia Pós-Exposição Sexual (PEP) é realizado em todos os serviços de urgência/emergência e nos serviços de atenção especializada em HIV/Aids. Em casos de violência contra mulheres, também são referência as maternidades do SUS: Maternidade Municipal Alzira Reis, Hospital Estadual Azevedo Lima e Hospital Universitário Antônio Pedro. A PEP para crianças e adolescentes é realizada no Hospital Municipal Getúlio Vargas Filho (até 15 anos incompletos) e no Hospital Universitário Antônio Pedro.

A Prevenção Combinada associa diferentes estratégias de prevenção ao HIV, com foco na saúde integral das pessoas. Entre as estratégias, destacam-se o uso de preservativos e gel lubrificante, imunização para hepatite B e HPV, testagem regular para HIV e ISTs, tratamento do HIV como prevenção, conhecimento e acesso à anticoncepção e concepção planejada, prevenção da transmissão vertical (quando a gestante vive com HIV), PrEP, PEP, a relação Carga Viral Indetectável = Risco Zero de transmissão sexual, além de ações de redução de danos para pessoas que usam álcool e outras drogas.

Uma das formas de prevenção é o uso da PrEP, método que consiste em tomar comprimidos antes da relação sexual, permitindo que o organismo esteja preparado para enfrentar um possível contato com o HIV. Já a PEP é uma medida de urgência utilizada após situações de risco, como violência sexual, relação sexual desprotegida ou acidente de trabalho com material biológico. A camisinha continua sendo fundamental, sendo o método mais conhecido e acessível para prevenir a infecção por HIV, hepatites virais, sífilis e outras ISTs, além de evitar a gravidez não planejada.

O médico infectologista Halber Felipe Macorim, que atua no SAE do Hospital Municipal Carlos Tortelly, destacou que, apesar dos avanços no tratamento e na prevenção do HIV, o preconceito e os estigmas ainda são barreiras significativas, muitos deles herdados da percepção das décadas de 80 e 90, quando o diagnóstico era associado a uma prévia e precoce sentença de morte. Ele reforçou que, hoje, com a evolução da saúde, existe tratamento eficaz e seguro, mas que a conscientização continua sendo essencial.

“Uma das principais questões é pensar na testagem não apenas para grupos de risco, mas compreender que qualquer pessoa que possui vida sexual ativa pode estar exposta ao vírus, independentemente de sua orientação sexual, gênero ou classe social. O HIV não tem cara nem cor; por isso, é fundamental que as pessoas adiram à testagem, pois com o exame conseguimos um diagnóstico precoce e, sucessivamente, um tratamento adequado e eficaz, que garante qualidade de vida”, ressaltou o médico.

O enfermeiro Eliseu Leal, do Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), reforçou a importância dos testes rápidos.

“Os testes rápidos são fundamentais para o diagnóstico precoce de HIV, sífilis e hepatites B e C. Aqui no município, toda a Atenção Básica realiza esses exames. Isso é muito importante, porque quanto mais rápido descobrimos, mais cedo iniciamos o tratamento e, com ele, conseguimos interromper a transmissibilidade do vírus. As Policlínicas, Unidades Básicas e Módulos do programa Médico de Família oferecem esse serviço. Procure a unidade mais próxima e realize o teste”, concluiu.

A coordenadora Municipal de IST/Aids e Hepatites Virais, da Coordenação de Vigilância em Saúde (Covig), Márcia Santana, conta que, além dos cuidados clínicos, o município oferece ações de prevenção, tratamento e promoção da saúde.

“O município oferta preservativos masculinos (externos) e femininos (internos), gel lubrificante, medicamentos e material informativo. Também são realizadas campanhas para promover a solidariedade, o não preconceito, a não discriminação, a proteção e a garantia de direitos humanos e a qualidade de vida em geral para as pessoas portadoras de HIV/Aids”, conta Márcia.

 

Alerj vai fiscalizar precariedade das cozinhas escolares no Estado

Comissão de Legislação Participativa quer criar um Mapa das Cozinhas Escolares

A Comissão de Legislação Participativa, da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), se reuniu nesta sexta-feira (28/11), em audiência pública realizada no plenário da Casa, para discutir os desafios enfrentados pelas profissionais de cozinha nas unidades escolares e apontar caminhos para a valorização da categoria. Durante a reunião, o colegiado anunciou que irá criar um Mapa das Cozinhas Escolares, com ações de fiscalização na rede pública estadual de ensino.

O presidente da Comissão, deputado Yuri (PSol), destacou que a valorização das cozinheiras escolares é fundamental para garantir uma merenda de qualidade na rede pública. “É preciso fortalecer as políticas de alimentação escolar e enfrentar problemas que se repetem em todo o estado, como terceirização, falta de infraestrutura nas cozinhas e dificuldades no cumprimento dos cardápios. Não haverá alimentação escolar de qualidade sem condições dignas de trabalho, reconhecimento e estrutura adequada para essas profissionais, que desempenham uma função essencial na rotina das escolas”, afirmou.

Para o deputado Flávio Serafini (Psol), falta ao poder público um olhar estruturado e uma política efetiva de valorização para as cozinheiras escolares. “Garantir dignidade a esse trabalho, majoritariamente feminino e marcado pela presença de mulheres negras, é reconhecer a própria realidade do Brasil. Nosso país historicamente desvaloriza as profissões exercidas por mulheres, e isso se reflete de forma evidente nas cozinhas escolares. Precisamos enfrentar essa desigualdade e construir políticas públicas que assegurem respeito, estabilidade e condições reais de trabalho para essa categoria essencial,” destacou.

Reivindicações do setor

A cozinheira Kerley Arruda apresentou uma série de reivindicações consideradas essenciais para garantir condições dignas de trabalho às profissionais da alimentação escolar, como a redução da carga horária e melhora na infraestrutura das cozinhas. “Hoje, cumprimos 45 horas semanais, uma carga que nos adoece. Defendemos a redução para 30 horas porque a rotina na cozinha é extremamente exaustiva e exige permanência contínua em ambientes quentes e pouco ventilados. Muitas escolas não disponibilizam sequer um ventilador, e no último verão diversas cozinheiras chegaram a passar mal devido ao calor extremo dentro das cozinhas. Precisamos de medidas efetivas que reconheçam nossa importância e assegurem condições mínimas de segurança e bem-estar no trabalho”, salientou.

Clécia Vieira, também cozinheira escolar, relembrou a origem da profissão no Brasil, explicando que as cozinheiras começaram a atuar por volta de 1945, quando o país enfrentava um grave cenário de desnutrição infantil. “A alimentação escolar surgiu para garantir que as crianças tivessem ao menos uma refeição adequada ao longo do dia, especialmente em regiões onde as famílias não tinham condições de oferecer comida em casa. Foi esse trabalho que ajudou a transformar a realidade nutricional do país. Ainda assim, nossa profissão continua sendo invisível para o poder público, apesar de ser essencial para milhares de estudantes que dependem da merenda”, pontuou.

Desafios da alimentação escolar

A nutricionista Fernanda Bainha afirmou que, apesar dos avanços da alimentação escolar, já é hora de avaliar com rigor essa política pública, especialmente a forma como os recursos são distribuídos. “O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) destina verba apenas para a compra de alimentos, enquanto toda a parte relacionada à mão de obra, à infraestrutura das cozinhas, aos equipamentos e ao mobiliário depende dos estados e municípios. Isso criou um descompasso: temos cardápios planejados com base em estudos científicos e elaborados para atender às necessidades nutricionais dos estudantes, mas faltam condições reais para executar esse planejamento. As profissionais que fazem esse trabalho seguem atuando em estruturas precárias e com condições muitas vezes invisibilizadas. É preciso revisar o modelo para que a política de alimentação escolar seja plenamente efetiva,” disse.

A coordenadora do Sindicato Estadual dos Profissionais da Educação (Sepe), Rose Silveira, destacou que as cozinhas escolares enfrentam problemas semelhantes em todo o estado e que é preciso uma ação conjunta para melhorar essas condições. “As precariedades se repetem: falta estrutura, cuidado e reconhecimento. Defendemos a redução da carga horária e investimentos na saúde das cozinheiras, porque ninguém sustenta um serviço essencial adoecendo. Também é fundamental valorizar o conhecimento de quem está na cozinha todos os dias; são essas profissionais que conhecem a comunidade e devem ter voz nos conselhos escolares e nos espaços de decisão”, afirmou.

Foto: Thiago Lontra

 

Governador Cláudio Castro lança Acolhe Baixada, o maior programa fluminense de prevenção à gravidez não planejada, e visita obras do Onco Baixada

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Unidade do Rio Imagem Baixada tem capacidade para 400 inserções de implantes contraceptivos por mês. Hospital de Oncologia já está com mais de 90% de obras concluídas


O governador Cláudio Castro lançou, nesta segunda-feira (24/11), o programa Acolhe Baixada – iniciativa de prevenção à gravidez não planejada voltada a jovens de 14 a 25 anos incompletos. O programa vai funcionar no Rio Imagem Baixada, em Nova Iguaçu, o maior complexo público de diagnóstico da América Latina. A medida amplia a política pública implantada, primeiramente, no Ambulatório Médico de Especialidades Susana Naspolini (AME), em Ipanema. Após o lançamento do Programa, o governador visitou as obras do Instituto Estadual de Oncologia da Baixada Fluminense (Onco Baixada).

– O Acolhe RJ é uma política de cuidado, de oportunidades e de proteção das nossas jovens. Estamos expandindo para a Baixada Fluminense uma iniciativa que já mostrou resultados concretos na capital, garantindo que milhares de jovens tenham acesso a planejamento familiar com dignidade, acolhimento e autonomia. É mais saúde pública à disposição da população – afirma o governador Cláudio Castro.

Com investimento anual de R$ 2,4 milhões da Fundação Saúde, o Acolhe Baixada tem capacidade para 400 inserções por mês, cerca de 20 por dia de Implanons, um contraceptivo de longa duração que é inserido sob a pele do braço. O acesso ao serviço será oferecido pelo Sistema Estadual de Regulação, mediante encaminhamentos, que serão feitos pelas Clínicas da Família ou Unidades Básicas de Saúde.

Acolhe RJ no Pavão-Pavãozinho e Cantagalo

Criado em 2023, o Acolhe RJ foi pioneiro na oferta pública de métodos contraceptivos de longa duração no estado. Em pouco mais de dois anos, já foram realizadas 30 mil inserções de dispositivos como DIUs Mirena, Kyleena e Implanon.

Localizado no 1º andar do AME Jornalista Susana Naspolini, com acesso pela Rua Barão da Torre, em Ipanema, o programa atende adolescentes a partir de 14 anos — com autorização de responsáveis até os 16 — e jovens até 25 anos incompletos.

Como acessar o Acolhe Baixada

Em primeiro lugar, é preciso procurar a Clínica da Família ou Unidade Básica de Saúde mais próxima de casa. E então, manifestar a intenção de inserir um método contraceptivo de longa ação. A unidade de saúde faz a inserção da paciente no Sistema Estadual de Regulação (SER), ela pode ser agendada para o Acolhe Baixada ou Acolhe RJ.

Ao ser inserida no SER, a paciente recebe quatro mensagens da assistente virtual SERena: no momento em que entra na lista de espera; quando há uma vaga para o seu agendamento, informando a data do procedimento; 10 dias antes, para que se prepare; e 3 dias antes. Caso não consiga comparecer na data, é importante avisar na unidade em que faz acompanhamento. O Acolhe Baixada funciona no Rio Imagem Baixada, em Nova Iguaçu, na Avenida Esplanada, nº 483.

Onco Baixada já tem mais de 90% das obras concluídas

O Instituto Estadual de Oncologia da Baixada Fluminense, (Onco Baixada) em Nova Iguaçu, que teve as obras iniciadas em fevereiro de 2024, já está com mais de 90% das obras concluídas. O governador aproveitou a oportunidade para visitar as intervenções no prédio, que fica anexo ao Rio Imagem Baixada.

A estimativa é realizar, por mês, 5.000 atendimentos ambulatoriais, 300 cirurgias e 340 internações. A unidade contará com 101 leitos no total, 81 de enfermaria, 10 de UTI, 8 leitos de emergência e 2 salas de emergência, com um leito cada.

Dos 81 leitos de enfermaria, serão 72 leitos em quartos duplos, 5 de isolamento, 2 quartos individuais de idosos e 2 leitos em quarto duplo para idosos. Dos 10 de UTI, são 9 leitos simples e 1 (um) de isolamento.

A unidade também contará com 19 consultórios médicos, 15 consultórios normais e 4 fastpass — para casos de urgência, caso haja intercorrências durante o tratamento. Ao todo, serão 24 espaços para quimioterapia, com 21 poltronas e 3 leitos.

No ambulatório de radioterapia, haverá 4 (quatro) leitos de repouso, e 1 (uma) sala de exame. O serviço de PET Scan contará com 4 boxes de ativação/exames por vez; e 1 (uma) sala de aplicação.

Rede estadual de Saúde adquire aparelho de alta tecnologia para diagnosticar doenças no fígado

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Governo do Estado destina ao IASERJ equipamento que substitui biópsia hepática e permite avaliar fibrose e gordura no fígado de forma rápida e indolor
A rede estadual de Saúde do Rio de Janeiro agora conta com o primeiro aparelho de elastografia hepática – exame moderno que possibilita avaliar com precisão a evolução de doenças como fibrose e cirrose, sem a necessidade de procedimentos invasivos. O novo equipamento, de tecnologia francesa, foi adquirido pelo Governo do Estado com investimento de R$ 670 mil e foi inaugurado nesta quarta-feira (19/11), no Instituto de Assistência aos Servidores do Estado do Rio de Janeiro (Iaserj) Maracanã, que é referência no cuidado às hepatites virais.
– Estamos renovando o parque tecnológico das unidades da rede estadual de saúde para oferecer os exames mais modernos à população que utiliza o sistema público. A qualidade dos equipamentos não deixa nada a dever à rede privada. Além disso, investimos na criação de centros de diagnósticos, como o Rio Imagem Baixada, que já realizou mais de 2 milhões de exames laboratoriais e por imagem _ afirmou o governador Cláudio Castro.
A tecnologia, que utiliza ondas sonoras para medir a rigidez do órgão e identificar gordura no fígado, permite acompanhar complicações associadas às hepatites B e C com mais conforto e segurança para a população. O exame classifica o grau de fibrose em diferentes estágios (de F0 a F4) e é indicado para pacientes em acompanhamento clínico, orientando condutas terapêuticas, além de prevenir o avanço da doença.
– Inauguramos o primeiro aparelho de elastografia hepática da rede estadual de saúde. Esse equipamento é fundamental para monitorar e avaliar o fígado de pacientes com hepatites virais e outras doenças hepáticas, substituindo a necessidade de uma biópsia, que é um procedimento invasivo. Esse aparelho mede o grau de fibrose e também a quantidade de gordura no fígado, o que ajuda não só quem está em tratamento, mas também quem já foi curado e precisa acompanhar riscos futuros – declarou a secretária de Estado de Saúde, Claudia Mello.
A secretária e o subsecretário de Vigilância e Atenção Primária à Saúde, Mário Sérgio Ribeiro, acompanharam os primeiros atendimentos realizados com o novo aparelho. O exame será ofertado aos pacientes do Iaserj e àqueles encaminhados pela Atenção Primária via Sistema Estadual de Regulação (SER).
Paulo Rogério da Silva, de 49 anos, foi um dos primeiros a utilizar o aparelho. Ele trata hepatite B após descobrir a infecção em uma doação de sangue.
-Fiquei surpreso com o equipamento novo, que é muito valioso pra nós. O exame foi excelente, rápido, indolor e com um resultado muito bom. Fico tranquilo de saber que agora temos um exame mais profundo e com resultado rápido. É tranquilo, não dói, e cuidar da saúde é fundamental, disse o paciente.
Ampliação da capacidade de atendimento
Antes da chegada da elastografia, a principal forma de avaliar a progressão das hepatites era a biópsia hepática, um exame invasivo, com necessidade de internação e risco de complicações. Com o novo aparelho e a previsão de instalação de um segundo polo em local a ser definido, a SES-RJ ampliará significativamente o acesso ao diagnóstico.
A estimativa inicial é realizar 80 a 100 exames por mês, e, paralelamente, os profissionais serão treinados para a condução do exame e até mesmo para avaliar os casos clínicos que indicam essa necessidade.
Sobre as hepatites virais
As hepatites B e C, quando evoluem para a forma crônica, podem causar inflamação e danos progressivos ao fígado. A hepatite B tem na vacinação sua principal forma de prevenção, com doses disponíveis gratuitamente para todas as idades. Já a hepatite C não possui vacina, tendo como forma de prevenção os cuidados para não compartilhar objetos que entrem em contato com sangue e usar preservativo.
_ O monitoramento das hepatites virais é feito de forma contínua e, com o novo equipamento, será possível estabelecer o estágio da doença hepática crônica causada pelas hepatites B e C. E contribui para melhorar as informações sobre a evolução dos portadores de hepatites virais. Da mesma forma, poderemos adequar a rede de assistência para os vários níveis de complexidade observados, oferecendo um acompanhamento médico adequado e oportuno _ explicou a gerente de Hepatites Virais da SES-RJ, Clarice Gdalevici.

 

“Olha, olha a água mineral”: para ficar legal, Saúde estadual capacita vigilâncias municipais e modelo torna-se referência no Brasil

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Pioneiro no país, processo de capacitação inédita em boas práticas de fabricação e análise de risco integra Programa de Monitoramento da Qualidade de Alimentos da SES-RJ

A partir do Programa de Monitoramento da Qualidade de Alimentos, realizado desde 2016, a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) estruturou uma capacitação inédita em boas práticas de fabricação e análise de risco voltada para envasadoras de água mineral natural. Com participação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o modelo é considerado pioneiro no Brasil e passa a ser referência para outros estados.

Formatada pela Superintendência de Vigilância Sanitária (Suvisa) da SES-RJ, a capacitação é voltada para as equipes técnicas das Vigilâncias Sanitárias (Visas) de todos os municípios fluminenses. O objetivo é elevar os padrões de boas práticas de fabricação das envasadoras de água mineral natural que somam 88 empresas distribuídas por 33 municípios fluminenses.

“Melhorar os padrões de controle de qualidade garante que os consumidores confiem na segurança e pureza da água mineral que consomem, reduzindo assim o risco de ingestão de água contaminada e a ocorrência de doenças associadas. Desenvolvemos para as Visas municipais um guia de inspeção, que foi o primeiro produto desse programa. O segundo momento é a capacitação que está sendo feita. A terceira fase será uma inspeção para a supervisão dos pares. Ou seja, capacitamos, as Visas municipais aplicam e o estado verifica como está sendo executado por parte dessas empresas”, explicou a superintendente de Vigilância Sanitária, Helen Keller.

Os encontros que encerraram este ciclo, realizados na terça, 18, e na quarta-feira, 19, foram direcionados às regiões Metropolitana I e II. Parceiro da iniciativa, o Sebrae-RJ abriu as portas da Escola de Negócios para a realização do evento. Desde outubro, outras quatro rodadas foram realizadas em Cabo Frio, Volta Redonda, Nova Friburgo e Campos dos Goytacazes, contemplando todas as regiões do estado.

A capacitação também contou com contribuições da Agência Nacional de Mineração (ANM), da Associação Brasileira da Indústria de Águas Minerais (Abinam), do Biocler Laboratório Inteligente e da própria Anvisa.

Monitoramento revela necessidade de elevar padrões de qualidade

No âmbito do monitoramento da qualidade de alimentos, o estado do Rio de Janeiro é líder nacional em coleta e acompanhamento. Desde 2016, o programa da SES-RJ contabilizou 6.917 laudos emitidos pelo Laboratório Central de Saúde Pública Noel Nutels (Lacen-RJ), dos quais 1.959 foram considerados insatisfatórios, ou seja, 28,3% do total.

Considerando apenas os últimos dois anos, 13 das 177 águas minerais analisadas (7,3%) tiveram resultados insatisfatórios. Os problemas identificados foram: sete (4,0%) por rotulagem; seis (3,4%) por coliformes totais; um (0,6%) por Enterococcus; um (0,6%) por Pseudomonas aeruginosa; um (0,6%) por Escherichia coli; e um (0,6%) por materiais estranhos, indicativos de falhas de boas práticas. Para a Suvisa, os dados indicam a necessidade de ampliar o controle de qualidade das indústrias envasadoras do estado.

Avaliação positiva dos municípios para padronização e mais segurança ao consumidor

Os municípios destacaram que o processo de capacitação fortalece a padronização das inspeções, melhora a segurança dos produtos ofertados à população e aproxima as Visas municipais da atuação técnica da SES-RJ.

“Esse suporte que o Estado dá para os municípios acaba impactando diretamente na excelência do nosso trabalho. Essa atualização e reciclagem são sempre necessárias. Fico feliz de estar participando e poder contribuir para a entrega de um produto mais seguro para a população”, considerou a fiscal da Vigilância Sanitária de Duque de Caxias, a nutricionista Juliana Gaspar.

De Angra dos Reis, a coordenadora Ana Paula Borba fez coro à fala: “A maior importância de um evento de capacitação como esse é a padronização do serviço. A partir daqui, todos os municípios vão seguir o mesmo padrão de inspeção e, assim, teremos a qualidade do produto de maneira uniforme no estado todo”, destacou a médica veterinária.

Suvisa já planeja capacitação direta para empreendedores em 2026

O assessor de Projetos da Suvisa, Carlos Dias, adiantou que está na programação da Suvisa para 2026 a capacitação das próprias empresas envasadoras de água mineral em boas práticas.

“O desdobramento previsto será uma nova capacitação. Só que agora iremos capacitar as próprias empresas envasadoras em boas práticas. Essa iniciativa também será conduzida pela Vigilância Sanitária estadual”, ressaltou Dias.

 

Saúde investe em capacitação sobre IA para aprimorar a vigilância sanitária no estado

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Modernização dos processos administrativos sanitários são debatidos em workshop, com destaque à proteção de dados e aos novos modelos de trabalho
A Superintendência de Vigilância Sanitária da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) iniciou um movimento estratégico para modernizar e aperfeiçoar seus processos administrativos. A equipe promoveu um workshop dedicado às aplicações da Inteligência Artificial (IA) na saúde, com participação e contribuições da coordenadora de Inovação da SES-RJ, Emanuela Rainho.
O objetivo do encontro foi apresentar conceitos fundamentais de IA, debatendo os usos práticos no cotidiano da vigilância, além de sensibilizar os profissionais para as oportunidades que a tecnologia traz para o setor.
Um dos pontos centrais da palestra foi o debate sobre riscos, responsabilidade e segurança no uso de ferramentas inteligentes, especialmente diante da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Emanuela destacou a necessidade de cuidados redobrados na manipulação de informações sensíveis da área da saúde.
“É fundamental ter responsabilidade ao manipular e informar dados, especialmente com a Inteligência Artificial, pois ela pode gerar informações incorretas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) criou um relatório sobre IA na saúde que mostra que, embora essas novas tecnologias sejam promissoras para melhorar diagnóstico, tratamento, pesquisa e apoio à saúde pública, elas devem sempre colocar a ética e o bem-estar humano no centro, pois saúde lida com dados sensíveis”, ressaltou a coordenadora de Inovação.
Entre os desafios discutidos, ganharam destaque a necessidade de estabelecer marcos claros de regulação e governança para IA e tecnologias emergentes. A palestrante ressaltou, ainda, a necessidade de capacitação contínua dos profissionais de saúde e da mudança de mentalidade para adoção eficiente dessas ferramentas tecnológicas.
O encontro nesta sexta-feira (14/11) foi o primeiro promovido pela Vigilância Sanitária do Estado dedicado ao tema, reunindo os 248 fiscais sanitários. A superintendente de Vigilância Sanitária, Helen Keller, explicou que a intenção é expandir futuramente a iniciativa para oficinas regionais voltadas aos municípios.
“A importância da IA na vigilância é fundamental, pois a própria Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já utiliza sistemas com IA. A nossa Superintendência está nessa fase de inovação tecnológica. Temos que pensar sobre como ferramentas podem agilizar e otimizar o nosso tempo no processo administrativo sanitário. Embora a automação contribua para maior eficiência, o papel do servidor segue indispensável, garantindo confiabilidade, análise crítica e supervisão de todos os procedimentos. A tecnologia oferece suporte, mas não elimina a necessidade de revisão humana constante”, abordou a superintendente.
Durante o evento, a superintendente reforçou a importância da adesão municipal ao protocolo online, permitindo que a SES-RJ tenha acesso atualizado ao panorama das vigilâncias sanitárias municipais. Os servidores aproveitaram o encontro para tirar dúvidas, realizar testes práticos e apresentar diversas contribuições voltadas a aprimorar os processos administrativos sanitários.

Conselho Federal de Odontologia faz esclarecimentos sobre prescrição de Mounjaro por cirurgiões-dentistas e destaca priorização da saúde do paciente

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A prescrição de medicamentos dentro de sua área de atuação é uma prerrogativa legal dos cirurgiões-dentistas; porém destaca-se que profissionais devem sempre observar quadro geral de saúde do paciente e prescrever com responsabilidade ética

A recente autorização da ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para uso do Mounjaro por pacientes obesos com apneia obstrutiva do sono vem sendo bastante debatida no âmbito da Odontologia. Isso porque, com a nova indicação terapêutica, os cirurgiões-dentistas passam a ter liberação para prescrever o medicamento. O CFO Esclarece, programa dedicado à divulgação de informações e orientações voltadas à classe odontológica e à população, destaca que embora a prescrição, na área de atuação da Odontologia, seja prerrogativa legal, os profissionais devem prescrever dentro dos limites éticos e sempre priorizar a proteção da saúde geral do paciente.

No caso do Mounjaro, essa responsabilidade aumenta, uma vez que sua indicação é exclusiva para pessoas obesas e que, muitas vezes, possuem fatores complicadores de saúde e até mesmo fazem uso de outros fármacos. Dessa forma, o cirurgião-dentista deve estar ciente que essa indicação pode resultar em efeitos colaterais do próprio remédio ou de eventuais interações medicamentosas. A orientação do CFO é de que a prescrição seja feita com autonomia, mas de forma responsável, com acompanhamento multidisciplinar.

Para entender melhor, confira abaixo o que dizem a legislação e demais normas vigentes:

• O cirurgião-dentista possui autonomia para prescrever medicamentos, desde que sejam indicados e reconhecidos para uso na Odontologia. Essa prerrogativa está garantida pela Lei nº 5.081/66, que regula o exercício da profissão. O artigo 6º, inciso II, estabelece que compete ao cirurgião-dentista “prescrever e aplicar especialidades farmacêuticas de uso interno e externo, indicadas em Odontologia”.

• O Mounjaro foi aprovado pela Anvisa em setembro de 2023, inicialmente para o tratamento de diabetes tipo 2, só podendo ser comercializado mediante apresentação de receita.

• Inicialmente, as bulas continham a inscrição “uso sob prescrição médica”, mas a partir de junho de 2025 os dizerem foram alterados para “uso sob prescrição”. Entretanto, até aquele momento, não havia aprovação de uso para tratamentos realizados por cirurgiões-dentistas, o que significa que a prescrição não estava respaldada legalmente para a Odontologia.

• Em outubro de 2025, a ANVISA atendeu à solicitação da indústria farmacêutica fabricante do Mounjaro e autorizou o uso do medicamento para tratamento da apneia obstrutiva do sono em pacientes obesos. Nesse ponto, o cirurgião-dentista pode atuar, pois é o profissional habilitado para diagnosticar e tratar essa condição, quando devidamente capacitado. Assim, a prescrição passa a estar alinhada à Odontologia e dentro dos limites legais e éticos da profissão.

• Porém, ao prescrever o Mounjaro, o cirurgião-dentista deve estar ciente de que o medicamento é indicado exclusivamente para pacientes obesos e que sua indicação deve ser feita de maneira ética e responsável, observando uma série de fatores essenciais para a proteção da saúde do paciente.

Autonomia com responsabilidade
O Conselho Federal de Odontologia ressalta que a tirzepatida, princípio ativo do Mounjauro, assim como de outros fármacos agonistas do receptor GLP-1, possui efeitos colaterais, estando entre os mais comuns aqueles observados no sistema gastrointestinal, sendo que também pode haver impactos para a saúde bucal do paciente. Além disso, a obesidade frequente provoca comorbidades que já exigem que o paciente faça uso de outros medicamentos. Portanto o CFO destaca que a indicação do Mounjauro no tratamento da apneia obstrutiva do sono deve ser avaliada de forma criteriosa pelo cirurgião-dentista e, preferencialmente, acompanhada de forma conjunta por toda equipe multidisciplinar que atende o paciente.

“O cirurgião-dentista pode prescrever o Mounjaro, mas deve lembrar-se de que com grandes conquistas, vêm grandes responsabilidades. É dever do profissional fazer o diagnóstico correto e a correta prescrição dos medicamentos. O dentista pode prescrever qualquer medicamento, desde que ele esteja indicado na Odontologia, como está previsto na lei 5.081/66, que protege o paciente e ao próprio cirurgião-dentista”, destaca a conselheira federal Bianca Zambiasi.