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O Centro Municipal de Artes Hélio Oiticica recebe até o dia 27 de julho a exposição “E eu me levanto para contar uma história”, da artista Paula Parisot. A mostra apresenta pinturas, vídeos e trabalhos inéditos produzidos entre 2018 e 2026, abordando temas como deslocamento, maternidade, violência, luto, sobrevivência e reconstrução.
Com obras já exibidas em instituições internacionais, como a Bienal Sur 2021, a Casa de América, a Sociedade Nacional de Belas Artes e o Museu de Arte de Brasília, a exposição chega ao Rio de Janeiro propondo reflexões sobre memória, pertencimento e o direito à própria narrativa.
Ao transformar experiências autobiográficas em linguagem visual, Paula Parisot constrói uma poética marcada pelo encontro entre corpo, memória e experiência. A artista utiliza pinturas em grande escala e vídeos íntimos e coletivos para discutir resistência, apagamento e sobrevivência.
A mostra também estabelece diálogos com obras do escritor cubano Leonardo Padura e com trocas desenvolvidas junto à escritora portuguesa Susana Moreira Marques, reforçando a importância da memória e da narração como ferramentas contra o esquecimento.
Segundo a proposta da exposição, compartilhar experiências pessoais também é uma forma de estimular o público a reconhecer histórias coletivas e afetos compartilhados por meio da arte.
A visitação acontece de segunda a sábado, das 10h às 18h, no Centro Municipal de Artes Hélio Oiticica, localizado na Rua Luís de Camões, 68, no Centro do Rio de Janeiro. A realização é da Prefeitura do Rio, por meio da Secretaria Municipal de Cultura.
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A trajetória do artista plástico Alexandre Rapoport (1929-2020) pode ser visitada na exposição A Música de Rapoport – Harmonia dos Traços, no Centro Cultural Correios RJ, apresentando ao público um recorte expressivo de sua produção. Com cerca de 40 trabalhos, entre gravuras, desenhos, técnicas mistas, pinturas e esculturas, a mostra reafirma a atualidade de sua obra no contexto da arte contemporânea.
O eixo conceitual reside na ação invisível da música sobre o corpo, o movimento e o espaço. Em cada obra, a sonoridade é traduzida em linhas, formas e volumes, permitindo que o som se torne visível. Suas figuras, frequentemente compostas por volumes inflados, mãos e faces multiplicadas, operam como campos de energia nos quais o ritmo, a repetição e a ressonância ganham dimensão plástica.
A produção de Rapoport destaca-se pela construção de uma linguagem própria, marcada pela força das formas e pela intensidade cromática, na qual a geometria é suavizada pela poesia. Desse equilíbrio sutil, emerge uma visão lúdica, luminosa e profundamente otimista do mundo, capaz de transformar mais de sete décadas de trajetória em uma eterna sonata visual.
Sobre Alexandre Rapoport
Pintor, arquiteto, gravador, desenhista, nascido no Rio de Janeiro em 1929, começou a pintar como autodidata mesmo antes de ingressar na faculdade nacional de arquitetura da Universidade do Brasil (atual FAU-UFRJ) em 1948. Fez desenho e gravura na Escola Nacional de Belas Artes e, desde esta época, já participava de diversas exposições coletivas com pinturas, desenhos e gravuras no Museu Nacional de Belas Artes e no Ministério de Educação e Cultura.
Em 1949, teve contato com Portinari, sendo influenciado por sua obra. Em 1951 e 1952, obteve ”menção honrosa” no Salão Nacional de Belas Artes RJ em pintura e em desenho e artes gráficas respectivamente. Em 1954, recebeu o prêmio “isenção de júri” no Salão Nacional de Arte Moderna e “prêmio de aquisição’ na Comissão Nacional de Belas Artes. De 1953 a 1966, lecionou composição na universidade onde estudou. De 1956 a 1972, dedicou-se ao desenho industrial, expondo no Brasil e no exterior e, nesse período, fundou a Módulo Arquitetura de Interiores, onde se tornou o arquiteto responsável pela criação de mobiliário e objetos.
Além do Brasil, possui trabalhos em diversas coleções particulares e instituições em Roma, Viena, Zurique, Nova York, Londres, Tóquio, Paris, Buenos Aires, Antuérpia, Washington, Jerusalém e nas agências do Banco do Brasil em Hamburgo, Londres, Paris, Roterdã, Lisboa, Viena, Costa do Marfim e Estocolmo.
Participou de mostras individuais e coletivas, salões de arte, no Brasil e no exterior, além de textos publicados em jornais e revistas como Manchete, Cruzeiro interview, Jornal do Brasil, Fatos, Jerusalém Post, Revista da Orquestra Sinfônica Brasileira, Artes El salvador, Carlos Balaguer, Jornal do Comércio, Correio da Manhã, Visão são Paulo, Jóia, Art News, Globo, Estado de Minas, Diário de Pernambuco, Cultura MG.
Críticas
Walmir Ayala/ Jornal do Brasil 1973 “… Com a pura espontaneidade de um livre exercício de infância e a sabedoria de um pensador que acumula a iconografia do seu tempo, Rapoport compõe lições de equilibrismo recriando o espaço nos termos de uma tridimensionalidade ilusória…”
Flávio de Aquino/ Manchete 1976 “… o resultado de seu trabalho é a representação de um mundo ordenado pela geometria e amenizado pela poesia…”
Carlos Perktold/ Associação Brasileira de Críticos de Arte BH 2006 “Para vários críticos, a obra de Rapoport pertence ao surrealismo comprovado em centenas de óleos espalhados por coleções brasileiras. Definida ou não a sua escola, fica aqui o registro de sua preferência pela pintura da figura humana, demonstração de humanismo raro neste novo mundo globalizado, mas marca indelével nos artistas
sensíveis.”
Serviço
Exposição: A Música de Rapoport – Harmonia dos Traços
Artista: Alexandre Rapoport
Produção e curadoria: Beatriz Rapoport
Informações: Atelier.rapoport@gmail.com
Local: Centro Cultural Correios RJ
Rua Visconde de Itaboraí nº. 20 – 2º andar – Centro – RJ
Visitação: de 14 de maio a 27 de junho de 2026
De terça a sábado, das 12h às 19h
Assessoria de Imprensa: Paula Ramagem
Entrada: gratuita
Censura livre
Acessibilidade: espaço com acessibilidade para pessoa com mobilidade reduzida
Como chegar: metrô (descer na estação Uruguaiana, saída em direção à Rua da Alfândega); ônibus (saltar em pontos próximos da Rua Primeiro de Março, da Praça XV ou Candelária); barcas (Terminal Praça XV); VLT (saltar na Av. Rio Branco/Uruguaiana ou Praça XV); trem (saltar na estação Central e pegar VLT até a AV. Rio Branco/Uruguaiana).
A exposição tem como público-alvo empresários, profissionais liberais, artistas, fotógrafos, colecionadores, professores, estudantes e público em geral.
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Com curadoria de Gabriela Davies, mostra reúne esculturas, assemblages e trabalhos inéditos que transformam porcelanas, bibelôs e objetos ornamentais em metáforas sobre controle, feminilidade e resistência
A artista multidisciplinar paulistana Carol Ambrósio inaugura, em 27 de maio de 2026, a exposição individual Jardim, no Centro Cultural Correios, Rio de Janeiro, com curadoria de Gabriela Davies. Reunindo obras recentes inéditas, a mostra apresenta esculturas, assemblages e trabalhos bidimensionais construídos a partir da coleta, destruição e recomposição de cerâmicas, porcelanas, toalhas de mesa e utensílios domésticos. Ao reorganizar esses elementos em estruturas instáveis, frágeis e ao mesmo tempo resistentes, Carol transforma o universo doméstico em um campo de reflexão sobre as construções sociais do feminino, seus códigos de comportamento e suas possibilidades de ruptura.
A exposição parte de um repertório íntimo ligado ao antiquário de sua família, ambiente no qual a artista conviveu desde a infância com objetos carregados de memória, acúmulos e narrativas.
Em Jardim, esse imaginário reaparece em figuras fragmentadas, paisagens interrompidas, totens cerâmicos e composições híbridas que parecem oscilar entre ornamentação e colapso. Em muitas obras, figuras femininas aparecem fundidas a objetos decorativos, vasos e flores, numa investigação crítica sobre os lugares historicamente atribuídos às mulheres no espaço doméstico e social. São trabalhos que evocam comportamentos associados à mulher, ressignificados em construções marcadas por deslocamento, ironia e resistência.
O título da mostra surge da reflexão sobre o jardim como espaço de organização e controle da natureza. “Existe uma ideia de composição harmoniosa que parece espontânea, mas que, na verdade, é cuidadosamente construída. Cada planta ocupa um lugar pensado previamente. Há uma tentativa de controlar aquilo que seria naturalmente livre”, observa Gabriela Davies. ““A exposição parte dessa metáfora para pensar como determinadas ideias de feminilidade foram historicamente cultivadas.”
Carol Ambrósio apresenta “Jardim”, no Centro Cultural Correios
Entre as peças apresentadas estão obras da série “Estruturas Moles”, nas quais imagens femininas surgem parcialmente encobertas sobre pastilhas cerâmicas e tecidos bordados, além de assemblages que combinam porcelanas antigas, utensílios domésticos e esculturas híbridas. Também integram a mostra peças inéditas da série “Bichos”, em que figuras felinas e totêmicas aparecem como contraponto simbólico à fragilidade associada aos objetos decorativos tradicionais.
Ao longo de sua produção, Carol Ambrósio desenvolve procedimentos de corte, destruição e recomposição como estratégia poética e conceitual. Cerâmicas tradicionais são quebradas e reorganizadas em novos corpos escultóricos, enquanto imagens são retalhadas e recombinadas em composições que operam pela metáfora. Sua pesquisa investiga justamente aquilo que pode ser transformado: objetos, narrativas, memórias e papéis sociais naturalizados.
“Existe nas obras da Carol uma tentativa de se libertar dos conformes domésticos justamente através deles. Ao recompor objetos tão ligados à ornamentação, à domesticidade e às expectativas historicamente projetadas sobre o feminino, suas esculturas parecem buscar uma forma silenciosa de rebelião”, afirma a curadora.
Mais sobre a artista
Carol Ambrósio (São Paulo, 1981) é artista multidisciplinar. Sua produção articula-se, em grande parte, na elaboração de assemblages e na reutilização de materiais. sempre questionando sobre o que se pode transformar, seu interesse parte de um repertório construído desde a infância, pois conviveu com acúmulos, antiguidades e histórias vivenciadas no antiquário da família. interessada nos múltiplos significados das palavras e dos textos, há em seu trabalho, a presença das possibilidades de discutir imagens pela via da metáfora. A criação conceitual vai em busca de aceitar a forma das coisas imperfeitas, transitórias, incompletas e não convencionais. realiza uma ampla coleta de cerâmicas tradicionais e de diferentes contextos que são destruídas e reconstruídas e, como resultado, temos novos objetos que se formam por meio de jogos de palavras. também no bidimensional, retalhar e recombinar imagens, ainda como um exercício de elaboração de metáforas.
SERVIÇO:
“Jardim”, de Carol Ambrósio
Curadoria: Gabriela Davies
Abertura: 27 de maio de 2026
Local: Centro Cultural Correios
Endereço: Rua Visconde de Itaboraí, 20
Centro – Rio de Janeiro
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Até 19 de junho, o shopping Bay Market, ao lado do terminal das barcas, em Niterói (RJ), recebe uma exposição fotográfica promovida pelo Projeto Aruanã que traz imagens que revelam a biodiversidade e os desafios enfrentados na Baía de Guanabara. O evento contará com registros marcantes dos projetos que integram a Rede de Conservação Águas da Guanabara (REDAGUA), que reúne os projetos Aruanã, Cavalos-Marinhos, Coral Vivo, Guapiaçu, Meros do Brasil e UÇÁ e tem como objetivo principal sensibilizar o público para a importância
da conservação ambiental.
A escolha do período dialoga com duas datas importantes do calendário ambiental: a Semana Mundial do Meio Ambiente, celebrada entre os dias 5 e 9 de junho, e o Dia Mundial da Tartaruga Marinha, em 16 de junho. A iniciativa busca ampliar o alcance das ações de educação ambiental, aproximando o público urbano das questões relacionadas à proteção dos ecossistemas costeiros.
Sensibilização ambiental por meio da fotografia
A exposição do Projeto Aruanã, que conta com o patrocínio da Petrobras e do Governo Federal por meio do Programa Petrobras Socioambiental, apresenta imagens que mostram algumas espécies marinhas, ecossistemas e atividades de
pesquisa e conservação que são realizadas na Baía de Guanabara. A proposta é despertar o olhar do público para a riqueza ambiental da região e reforçar a importância de atitudes individuais e coletivas na preservação da biodiversidade. Criada em 2019, a REDAGUA reúne os projetos Aruanã, Cavalos-Marinhos, Coral Vivo, Guapiaçu, Meros do Brasil e UÇÁ, em parceria com a Petrobras, por meio do Programa Petrobras Socioambiental. A rede atua na promoção da conservação da biodiversidade da Baía de Guanabara, por meio de ações integradas de pesquisa, educação, comunicação, inclusão social, restauração ambiental e prestação de serviços ecossistêmicos.
A presença da exposição em um espaço de grande circulação como o Bay Market reforça a importância de levar a pauta ambiental para além dos espaços acadêmicos e institucionais, promovendo o engajamento da sociedade de forma acessível e direta.
Sobre o Projeto Aruanã
O Projeto Aruanã dedica-se à conservação das tartarugas marinhas no estado do Rio de Janeiro, com foco na Baía de Guanabara. Por meio da realização de pesquisas científicas e ações de educação ambiental e sensibilização social, o projeto promove a participação da sociedade civil na proteção dos ambientes marinhos costeiros. Desde sua origem, busca atuar de forma colaborativa, em parceria com pescadores e diversas instituições para a promoção de ações
decisivas no fomento de políticas públicas. Em 2022, o Projeto Aruanã passou a contar com o patrocínio da Petrobras e do Governo Federal, através do Programa Petrobras Socioambiental, e em 2024 passou a contar também com a parceria do Aquário Marinho do Rio de Janeiro.
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A segunda fase do Festival di Teresa 2026 já tem data e local: de 28 a 31 de maio, no Palácio de Cristal, em Petrópolis
Depois do sucesso da primeira etapa na cidade de Teresópolis realizada nos dias 07 a 10 de maio, o evento chega ao coração da Cidade Imperial para dar continuidade a essa temporada italiana apaixonante na Serra. Serão dias de gastronomia, pratos exclusivos, atrações culturais e ambientes preparados para surpreender o público.
A Itália e a Serra seguem de mãos dadas em um festival que valoriza cultura, tradição, turismo e experiências saborosas.
Dezenas de expositores, centenas de horas de música, dança e cultura.
Serviço
Festival di Teresa 2026 – 2ª fase
Data: 28 a 31 de maio
Local: Palácio de Cristal – Rua Alfredo Pachá, s/nº, Centro, Petrópolis
Informações: (21) 97137-1491
Realização: Mox Produções
Patrocínio: Enel Brasil e Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Estado do Rio de Janeiro
Apoio institucional: Prefeitura de Teresópolis, Prefeitura de Petrópolis, InterTV, Abrasel e Consulado Geral da Itália.
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O Instituto Quintal de Ana completa 25 anos de história cultivando, em cada coração, uma atitude adotiva — capaz de transformar a sociedade pelo amor, pela inclusão e pelo pertencimento. Para celebrar essa trajetória, o Quintal apresenta, com o apoio do Grupo Mulheres do Brasil e da Prefeitura Municipal de Niterói, a exposição fotográfica “Cachos de Luz”, com autoria da fotógrafa e artista niteroiense Adriana Oliveira.
A mostra reúne retratos de crianças e adolescentes, dos dois anos à adolescência, incluindo também uma criança atípica, celebrando a diversidade e a beleza que habita em cada diferença. Nesta edição especial, a exposição também coloca em destaque a beleza negra dos cachos, exaltando sua força simbólica, sua identidade e seu papel na valorização da autoestima e da ancestralidade.
Mais do que fotografias, as imagens revelam histórias de vida, raízes de afeto e asas de esperança. Cada retrato é um convite para enxergar além do visível: para acolher com ternura, valorizar a identidade e fortalecer a autoestima das crianças que encontraram no acolhimento e na adoção um espaço de pertencimento.
“Nenhuma criança deve crescer sem amor.”
Essa é a missão que o Quintal de Ana repete há 25 anos — e que agora se traduz em imagens que iluminam o invisível e transformam vidas.
✨ Cachos de Luz é farol. É poesia em forma de imagem. É um chamado para refletir sobre vínculos, diversidade, identidade e o poder transformador do amor.
📅 Abertura: 27 de maio, às 18h
📍 Palácio Tiradentes – Rio de Janeiro
Realização: Instituto Quintal de Ana – 25 anos
Autoria e curadoria fotográfica: Adriana Oliveira
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Com 15 telas autorais inspiradas na identidade baiana, a exposição “Bahia em Cores”, do artista Menelaw Sete, foi aberta na noite desta terça-feira (19) no auditório da AMAERJ. Inaugurada pelo autor das obras, a mostra reuniu apreciadores da arte, entre eles magistrados do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ). A juíza Ana Paula Cabo, vice-presidente do Conselho Deliberativo e Fiscal da AMAERJ, representou a Associação no evento.
Para a magistrada, a iniciativa evidencia o diálogo entre a arte e o Direito. “Ambos lidam com experiências humanas, valores, memórias, expressões e formas de enxergar o mundo. É uma interseção relevante porque mostra que a Justiça e a arte não residem em universos separados, mas o contrário: caminham juntas e devem se encontrar na construção de um significado para a humanidade”, ressaltou.
Gratuita e aberta ao público, a exposição recebe visitantes até o dia 5 de junho. O auditório da AMAERJ fica localizado na Rua Dom Manuel, 29, 1º andar, Centro do Rio.
Menelaw Sete tem trajetória internacional e propõe apresentar, em sua arte, a força das origens, a expressividade da cor e a potência simbólica de sua vivência cultural. Em seu processo de criação, o pintor constrói uma linguagem marcada pela liberdade das formas e pela valorização das referências afro-brasileiras, especialmente da cultura iorubá.
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Depois de ter sido vista por mais de 150 mil pessoas, desde que foi inaugurada em junho de 2025no Instituto Ricardo Brennand, em Recife, de onde seguiu para o Museu de Arte Contemporânea da Bahia, em Salvador, em dezembro de 2025 – realizada então pelo CCBB Salvador – a maior retrospectiva já feita sobre produção de Vik Muniz chega ao CCBB Rio de Janeiro. Com curadoria de Daniel Rangel, que acompanha a trajetória de Vik Muniz desde 1999, a exposição vai ocupar o térreo e o primeiro andar do CCBB Rio de Janeiro com mais de 220 trabalhos, entre fotografias e esculturas, criadas de 1987 até o momento. “Vik Muniz – A Olho Nu” no CCBB Rio está acrescida de aproximadamente 20 trabalhos, dos quais cinco totalmente inéditos, criados pelo artista este ano especialmente para esta mostra
O Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro (CCBB RJ) recebe a exposição “Vik Muniz – A Olho Nu”, a maior e mais abrangente retrospectiva do artista Vik Muniz, que ficará em cartaz de 20 de maio a 7 de setembro de 2026. Com curadoria de Daniel Rangel, “Vik Muniz – A Olho Nu” reúne mais de 220 obras, de 43 diferentes séries, entre fotografias e esculturas.
No CCBB Rio de Janeiro, “Vik Muniz – A Olho Nu” terá várias novidades, em relação às etapas anteriores do projeto, com aproximadamente mais vinte trabalhos, entre inéditos, restaurados, recriados em novas versões, e novas edições. A mostra no Rio terá seis novas séries, em relação às cidades anteriores: “Principia” (1997–2002) – interativa –, “Verso” (2008/2012), “Veículos Mnemônicos” (2014/2026), “Museu de Cinzas” (2019/2026), “Colônias” (2014-2016) e “Os Arquivos de Weimar” (2004). Além dos inéditos, muitos desses trabalhos foram raramente exibidos no país.
Será mostrada pela primeira vez no Brasil a escultura “Ferrari Berlinetta” (2014/2026), da série “Veículos Mnemônicos”, vinda da Itália, onde foi produzida em Turim. Com mais de quatro metros de comprimento, e 650 quilos, a obra reproduz, no tamanho de um automóvel real, um carrinho de brinquedo que Vik Muniz tinha na infância. Instalada em frente à bilheteria da instituição, no térreo, a escultura já dará uma pista para o público de um dos eixos centrais da exposição: a transformação de objetos cotidianos e memórias pessoais em experiências monumentais.
Suspensa na Rotunda, estará uma das cinco obras feitas por Vik Muniz este ano, especialmente para esta exposição. Trata-se de “Tropeognathusmesembrinus” (2026), um gigante pterossauro, feito de polímero infundido com cinzas do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, devastado por um incêndio em 2018, fato que mobilizou Vik Muniz para o levantamento de recursos para sua reconstrução. Da série “Museu de Cinzas”, a escultura, totalmente inédita, vai “pairar” no ar, com seus 8,20 metros de envergadura, calculada de uma ponta à outra das asas, e 2,55 metros de comprimento, e poderá ser vista também por cima a partir do segundo andar. Cobrindo o chão da Rotunda, estará um tapete redondo com dez metros de diâmetro, estampado com a imagem da famosa obra do artista “Medusa Marinara” (1997), em que o mito greco-romano foi desenhado com molho de tomate. A obra original “Medusa Marinara”, impressão em jato de tinta em papel archival, com 1,70 metro de diâmetro, integra a exposição no primeiro andar.
OUTROS DESTAQUES
Integram também “Vik Muniz – A Olho Nu”no CCBB Rio de Janeiro, da série “Relicário”, as obras “Herói”,um conjunto com dez esculturas em mármore escuro, que se assemelham a pinos de boliche, “Dardos”, em impressão em jatode tinta em papel archival e dardos; e “O segredo”, escultura em técnica mista, na forma de um sino. A série “Relicário” marca um ponto de inflexão na trajetória de Vik Muniz, e é reconhecida pelo próprio artista como um marco em sua produção: foi a partir dela que a compreensão do objeto como imagem se consolidou. O interesse do artista pela fotografia surgiu durante o processo de documentação das esculturas desta série. Nela, as obras exploram intencionalmente a ambiguidade das matérias-primas: o público tem suas expectativas subvertidas, ao se deparar com objetos reconhecíveis produzidos com materiais inesperados. Essa relação paradoxal entre escultura e matéria confere às esculturas um forte caráter irônico e crítico.
É destaque ainda “Família”, da série “Álbum”, um retrato de Vik Muniz na infância, junto de seus pais.
Para esta mostra no CCBB Rio de Janeiro foram restauradas as esculturas em bronze “Nuvem nuvem 1” e “Nuvem 2”, da série “Primeiros Trabalhos”, ambas de 1997, e a escultura “A coisa” (1989), série “Relicário”, em técnica mista.
O artista recriou seis esculturas, a partir de seus originais: “Pódio de balanço” (1988/2026), “Museu de pássaros (1990/2026), “Ética quântica (Infância)”, (1989/2026), e “Flying Dutchman” (1991/2026), da série “Primeiros Trabalhos”; “O grande livro” (1990/2026) e “Mala de mármore (2010/2026), da série “Relicário”.
Dois outros trabalhos que entraram na exposição foram as esculturas “Capacete” (1989/2026) e “Fotografia histórica”, novas edições, 1989/2026, da série “Primeiros Trabalhos”
“Vik Muniz é um verdadeiro ícone das artes plásticas brasileiras. Sua estética única, marcada pela utilização de materiais inusitados para a construção de imagens sublimes, fez com que se tornasse igualmente querido entre especialistas e visitantes. Receber a maior retrospectiva já feita de um criador tão importante e popular reforça a nossa vocação em trazermos a cultura para perto das pessoas, para que todos sejam inspirados por ela”, comenta Sueli Voltarelli, Gerente Geral do CCBB Rio,acrescentando que “em meio ao surgimento de novas tecnologias, Muniz nos faz refletir sobre o papel da imaginação humana como matéria-prima primordial da arte.”
ILUSIONISTA
“Vik Muniz é um ilusionista — um mágico na construção de imagens que não existem, mas que se tornam reais. Suas obras possuem camadas que tensionam diferentes questões de cunho poético — aspectos formais e processuais — e político, abordagens e relações que estabelece com o sistema da arte”, afirma Daniel Rangel.
O curador explica que a exposição “Vik Muniz – A olho nu” “propõe um passeio pela produção do artista, desde suas obras tridimensionais, criadas antes do uso da câmera fotográfica, até suas séries de fotos mais conhecidas e as mais recentes. O recorte apresentado inclui esculturas, objetos e mais de uma centena de fotografias nas quais deslocamento de funções e reconfigurações de objetos do mundo estão evidentes e servem como fio condutor da seleção”.
Único filho de mãe mineira e pai cearense, Vik Muniz nasceu em São Paulo, em 1961. Seu pai trabalhava como garçom, e não poupou esforços para apoiar o talento do filho. Aos 22 anos, apenas com o dinheiro da passagem e muita vontade de perseguir seu sonho de ser artista, Vik Muniz foi para Nova York, onde passou a trabalhar e a ser reconhecido, e onde mantém casa e ateliê. O artista também tem casa e ateliê em Salvador, mas é no Rio onde fica baseado, e para onde trouxe seus pais para morarem perto. Seu pai faleceu em maio do ano passado, e esta retrospectiva é dedicada a ele.
Apesar de ser um viajante inveterado mundo afora, onde suas obras pertencem às mais prestigiosas coleções – Centre Georges Pompidou, Paris; Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, Madri; Museum of Contemporary Art, Tóquio; Solomon R. Guggenheim Museum, e Museum of American Art, em Nova York, Estados Unidos; e Tate Gallery, Londres, para mencionar apenas algumas – Vik Muniz se mantém apaixonado pela cultura popular, por suas origens. Sobre este aspecto da exposição “Vik Muniz – A Olho Nu”, o curador Daniel Rangel comenta:
“Esse conjunto aproxima a produção de Vik do universo (pop)ular – seja pela utilização de elementos do cotidiano, pela forma como os organiza ou pelas imagens que produz. Uma amálgama de temas, cores e materiais que pode ser observada em feiras livres, nas ruas e calçadas, nos bairros e festas populares, nas gambiarras, nos filmes da televisão e na liberdade das composições.”
Outro aspecto bastante relevante da mostra no CCBB Rio de Janeiro é o envolvimento e o entusiasmo de Vik Muniz pelo projeto, que permite com que o artista possa ver reunida obras que abrangem o arco cronológico de sua trajetória. E, principalmente, o de estarem juntas não apenas as fotografias que o tornaram mundialmente famoso, mas também as esculturas e objetos, com que começou sua produção. Este fato empolgou de tal forma o artista que fez com que ele se dedicasse não apenas a criar novas obras, como a realizar ideias que por alguma razão não havia podido concretizar antes. É o caso das inéditas “O segredo”, “Herói” e “Dardos”.
DETALHES DAS SÉRIES NOVAS NA MONTAGEM DO CCBB RIO DE JANEIRO
PRINCIPIA (1997–2002)
Na obra “Principia” (1997), técnica mista, 66 x 37,5 x 43,8cm, Vik Muniz investiga o estatuto da verdade associado à imagem fotográfica. Por meio de um visor estereoscópico acoplado – antigo equipamento que produz a ilusão de profundidade – o público vê fotografias que parecem documentar fenômenos complexos, como estruturas biológicas ou reações químicas. No entanto, uma observação mais atenta revela a natureza banal de seus componentes. Por exemplo: aquilo que parece ser um composto orgânico sofisticado, na verdade, é uma batata furada por palitos.A série discute que ver não é necessariamente compreender. Ou seja, toda imagem, por mais convincente que pareça, é sempre resultado de uma construção.
VERSO (2008/2012)
Desenvolvida ao longo de seis anos, a série envolveu pesquisa direta em acervos de instituições como Guggenheim, em Nova York, e Pinacoteca de São Paulo e MASP, em São Paulo, entre outras. Após fotografar a parte posterior de famosas obras de arte em museus, um time especializado de artesãos, artistas e especialistas em cópias de pinturas, reproduziu à perfeição molduras, arranhões, manchas, etiquetas etc. Com esta série, Vik Muniz desloca o olhar para aquilo que permanece oculto. Tradicionalmente associada à verificação de autenticidade, essa face “invisível” concentra marcas do tempo, etiquetas, carimbos, inscrições e vestígios de circulação institucional. São esses marcadores que narram a trajetória material da obra.
Em “Vik Muniz – A Olho Nu”, estão presentes três obras desta série: “Verso (Abaporu)” (2010), a partir da obra de Tarsila do Amaral, de 1928, atualmente exposta no Museu de Arte Latino-americano de Buenos Aires (MALBA), na Argentina; “Verso (Gioconda)” (2012), a partir da obra de Leonardo da Vinci, de 1503-1506, pertencente ao Museu do Louvre, em Paris; e “Verso (Noite Estrelada)”(2008), a partir da obra de Vincent van Gogh, de 1889, exposta no Museu de Arte Moderna de Nova York (MoMA), nos EUA.
COLÔNIAS (2014–2016)
Desenvolvida durante uma residência no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos EUA, a série é uma colaboração entre Vik Muniz e o biólogo Tal Danino, que articula arte e biotecnologia na construção de imagens.
As obras são produzidas a partir de células vivas, como células hepáticas e células-tronco. O processo envolve a criação de uma matriz, a transferência do desenho para uma superfície adesiva, seguido pela fixação e o crescimento controlado das células. Posteriormente, elas são registradas por microscopia. As imagens finais são ampliações fotográficas desses arranjos microscópicos.
Ao submeter sistemas biológicos, que são intrinsecamente dinâmicos e imprevisíveis, a esquemas formais predefinidos, a série aproxima o gesto artístico e o método científico. Nesse contexto, a imagem é o resultado de uma negociação entre intenção e comportamento espontâneo da matéria.Ao longo de sua trajetória, Vik Muniz tem explorado a capacidade das imagens de reorganizar a percepção humana a partir de materiais inesperados. Em “Colônias”, ele amplia a discussão sobre representação para o campo da própria constituição do visível. Entre arte e ciência, a série reafirma a imagem como construção: não apenas simbólica, mas também biológica.
VEÍCULOS MNEMÔNICOS (2014/2026)
O ponto de partida são os carrinhos da marca Matchbox, criada em 1953. As miniaturas ficaram famosas por suas reproduções realistas e detalhadas em metal. O nome vem do inglês “caixa de fósforos”: as primeiras peças eram vendidas em embalagens que simulavam esse formato. As obras desta série são reproduções em tamanho real destes carrinhos de brinquedo: o que antes cabia na palma da mão, reaparece como objeto escultórico em escala humana.
Ao realizar esse “salto de escala”, Vik Muniz destaca a maneira com que a memória opera por distorções: ampliando, condensando e reconfigurando experiências. A superfície dos veículos preserva marcas de uso, como lascas de tinta e desgastes, que remetem ao tempo inscrito no objeto original. Isso demonstra que não se trata de idealizar o passado, mas de reconstruí-lo com suas falhas, sugerindo que a memória não é um arquivo intacto, e sim um campo de recomposição contínua. O uso de brinquedos, e a tensão entre objeto, imagem e memória, presente em outros trabalhos da exposição, se dá em “Mnemonic Vehicle No.1 (Ferrari Berlinetta” (2014/2026) no encontro direto com o objeto, ativando a memória por meio da experiência espacial.
MUSEU DE CINZAS (2019-2026)
O Museu Nacional, no Rio de Janeiro, abrigava um dos maiores acervos da América Latina até ser destruído por um incêndio em 2018. A instituição era uma das favoritas de Vik Muniz e serviu de inspiração para a criação desta série.Nela, o artista recria a imagem de artefatos pertencentes à coleção do Museu, utilizando cinzas recolhidas no local da tragédia e fotografando-as na sequência. Então, as obras apresentam, simultaneamente, o passado da imagem e sua materialidade atual.
Nesta exposição estão presentes, além de “Tropeognathusmesembrinus” (2026), duas fotografias desta série: “Museu Nacional” (2019), uma reconstituição da antiga fachada da instituição; e “Luzia” (2019), uma reconstituição do fóssil humano mais antigo já encontrado no Brasil.
OS ARQUIVOS DE WEIMAR (2004)
Para Vik Muniz, esta instalação é um repositório que abriga (e fermenta) a paranoia, de todas as épocas e de todos os lugares. Na obra, o artista mistura fotos de fotografias encontradas e fotos de documentos com fotos que ele mesmo produziu. Cabe ao público tentar identificar quais são as imagens reais e quais são as “de mentira”.
Vik Muniz iniciou esse inventário durante uma viagem à históricacidade de Weimar, na Alemanha, conhecida por ser berço do Classicismo Alemão e do movimento Bauhaus. Weimar também foi a capital da primeira democracia alemã (1919-1933), um período de grande efervescência cultural e instabilidade política, que terminou com a ascensão do nazismo. Weimar abriga o complexo de memórias do campo de concentração de Buchenwald, marcando o paradoxo entre a cultura artística e o horror nazista. Mesmo antes disso, o artista já havia experimentado a sensação de estar em uma conjuntura de paranoia, pois vivia em Nova York em 2001, quando ocorreram os ataques terroristas às Torres Gêmeas. O clima de desconfiança e tensão se arrastou pelos anos seguintes e Muniz seguiu completando esse “fichário de vestígios”.
PRIMEIROS TRABALHOS (1987/2026)
A trajetória de Vik Muniz no campo das artes visuais começa com a escultura. Suas primeiras investigações artísticas foram marcadas por influências ligadas à Pop Art, Minimalismo, Arte Povera, Happening, Fluxus e Op Art. O artista inicia sua pesquisa com objetos físicos, explorando conceitos fundamentais como: escala, massa e volume. E, desde então, seu interesse está na análise de como as propriedades materiais se relacionam com os mecanismos da percepção humana.
Nas obras desta série, observa-se a presença inicial de temas que seriam aprofundados ao longo de sua carreira, como a construção de ilusões visuais e o jogo entre as dimensões bi e tridimensional na expectativa da experiência estética.
As novidades na exposição no CCBB Rio, em relação às mostras realizadas em Recife e em Salvador em 2025, na série “Primeiros Trabalhos” são as novas edições de três obras: “Capacete”, “Fotografia histórica” e “Ética quântica (Infância)”todas[1989/2026], e as novas versões de “Pódio de balanço” (1988/2026), “Museu de pássaros (1990/2026), “Ética quântica (Infância)” [1989/2026] e “Flying Dutchman” (1991/2026), além das edições originais de “Nuvem 1” e “Nuvem 2” (1997).
LINHA DO TEMPO
No final do percurso da exposição, o público verá uma Linha do Tempo sobre a trajetória de Vik Muniz, que inclui monitores de vídeo para se ver as obras “Shadowgrams”, “Imagens de linha”, “Imagens de Arame”, e uma entrevista feita com o artista.
ITINERÂNCIA
Em setembro de 2026 “Vik Muniz – A Olho Nu” seguirá para o CCBB Brasília e em março de 2027 para o CCBB Belo Horizonte.
SOBRE VIK MUNIZ
Vik Muniz nasceu em 1961, em São Paulo, de pais imigrantes do Ceará e de Minas. Ele tem ateliês no Rio de Janeiro, Nova York e Salvador, e sua obra questiona e tensiona os limites da representação. Apropriando-se de matérias-primas como açúcar, feijão, chocolate e até lixo, o artista meticulosamente compõe paisagens, retratos e imagens icônicas retiradas da história da arte e do imaginário da cultura visual, propondo outros significados para esses materiais e para as representações criadas.Ele é regularmente convidado como palestrante, professor visitante e artista residente em instituições de ensino de prestígio, como a Universidade Harvard, o MIT, a Universidade de Princeton, Yale, a Sorbonne, Oxford, o Bard College, a Conferência TED e o Fórum Econômico Mundial. “Waste Land”, documentário sobre seu trabalho colaborativo no aterro sanitário do Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro, foi indicado ao Oscar em 2010. “Vik Muniz: Fotografia, Mente e Matéria”, publicado pela Aperture em 2025, é sua publicação mais recente. Vik Muniz também se destaca pelos projetos sociais que coordena, partindo da arte e da criatividade como fator de transformação em comunidades brasileiras e criando, ainda, trabalhos que buscam dar visibilidade a grupos marginalizados na nossa sociedade.Em reconhecimento a essas contribuições, foi nomeado Embaixador da Boa Vontade da UNESCO. Ele fundou a Escola Vidigal, que oferece atividades extracurriculares em arte, design e tecnologia para crianças da favela Vidigal, no Rio de Janeiro, e abriu o Lugar Comum, uma galeria de arte contemporânea instalada no Mercado São Joaquim, um mercado tradicional de alimentos em Salvador, Bahia
Suas obras integram acervos como: Centre Georges Pompidou, Paris; Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, Madri; Museum of Contemporary Art, Tóquio; Solomon R. Guggenheim Museum, e Museum of American Art, em Nova York, Estados Unidos; e Tate Gallery, Londres.
A relação de suas exposições individuais e coletivas, no Brasil e no exterior, pode ser vista aqui: gnr_vik-muniz_cv.pdf. Vik Muniz é representado pela galeria Nara Roesler.
SOBRE DANIEL RANGEL
Daniel Rangel é mestre em Artes Visuais pela USP, onde cursa o doutorado em poéticas visuais, e bacharel em Comunicação pela UCSal. Curador, pesquisador e gestor cultural com mais de duas décadas de atuação, dirige o Museu de Arte Contemporânea da Bahia (MAC-BAHIA) e é sócio da N+1 Arte Cultura. Foi curador-chefe do Museu de Arte Moderna da Bahia (2021–2023), diretor artístico do Instituto de Cultura Contemporânea (ICCo) e diretor da Diretoria de Museus da Secult-BA.
Assina a curadoria de “Vik Muniz – A olho nu”, maior retrospectiva do artista; “REVER”_Augusto de Campos, no Sesc Pompeia, eleita melhor exposição individual de artista brasileiro (revista “Select/Celeste”); “Palavra em Movimento”, sobre Arnaldo Antunes, vencedora do APCA 2015; e “Mynameis Ivald Granato”, premiada no Arcanjo de Cultura. Participou de bienais e festivais no Brasil e no exterior, como a 8ª Bienal de Curitiba, as Bienais de Cerveira (Portugal), o Festival Art.br em Nova York e o World BiennialForum.
É autor e organizador de publicações como “Klaxon em Revista”, “Making Biennials in Contemporary Times”, “Luzescrita”, “ReadyMade in Brasil” e “Afonso Tostes: entre a cidade e a natureza”. Também realizou curadorias individuais de nomes como Tunga, Waltercio Caldas, José Resende, Carlito Carvalhosa, Ayrson Heráclito e Rodrigo Braga, além de mostras coletivas como “O Museu de Dona Lina”, “Encruzilhada, Utopias e Distopias” e “Poesis in Praxis”.
SOBRE O CENTRO CULTURAL BANCO DO BRASIL RIO DE JANEIRO
Inaugurado em 12 de outubro de 1989, o Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro marca o início do investimento do Banco do Brasil em cultura. Instalado em um edifício histórico, projetado pelo arquiteto do Império, Francisco Joaquim Bethencourt da Silva, é um marco da revitalização do centro histórico da cidade do Rio de Janeiro. São 36 anos ampliando a conexão dos brasileiros com a cultura com uma programação relevante, diversa e regular nas áreas de artes visuais, artes cênicas, cinema, música e ideias. Quando a cultura gera conexão ela inspira, sensibiliza, gera repertório, promove o pensamento crítico e tem o poder de impactar vidas. A cultura transforma o Brasil e os brasileiros e o CCBB promove o acesso às produções culturais nacionais e internacionais de maneira simples, inclusiva, com identificação e representatividade que celebram a pluralidade das manifestações culturais e a inovação que a sociedade manifesta. Acessível, contemporâneo, acolhedor, surpreendente: pra tudo que você imaginar.
Serviço:
Exposição “Vik Muniz – A Olho Nu”
Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro
Rua Primeiro de Março, 66, Centro, Rio de Janeiro/RJ
20 de maio de 2026 a 7 de setembro de 2026
Quarta a segunda, das 9h às 20h. Fechado às terças.
Entrada gratuita, com retirada na bilheteria ou pelo site bb.com.br/cultura
Saiba mais em: https://www.nqq2050.niteroi.rj.gov.br
O Palácio Tiradentes, que completou 100 anos em 2026, poderá ser reconhecido como Patrimônio Histórico e Cultural de Natureza Imaterial do Estado do Rio de Janeiro. É o que propõe o Projeto de Lei 3.523/24, de autoria da deputada Verônica Lima (PT), aprovado, em segunda discussão, pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), nesta quarta-feira (20/05). O texto seguirá para análise do governador, que terá até 15 dias úteis para sancionar ou vetar a proposta.
Localizado na Praça XV, no Centro da capital fluminense, o edifício é um dos principais marcos da história política brasileira e atual sede histórica do Parlamento fluminense. Inaugurado em 6 de maio de 1926, o prédio foi construído no local onde funcionava a antiga cadeia em que Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, permaneceu preso antes de ser executado. Até 2021, o Palácio também abrigou a sede oficial da Alerj.
“Esse espaço tem uma importância histórica, cultural e simbólica para a democracia brasileira e para a memória política do Estado”, justificou a deputada Verônica Lima.
O edifício possui cerca de três mil metros quadrados e 45 metros de altura, destacando-se entre construções históricas do Rio Antigo, como o Paço Imperial, erguido na primeira metade do século XVIII. O Palácio Tiradentes foi projetado pelos arquitetos Archimedes Memória, cearense, e Francisco Couchet, franco-suíço, sendo considerado por historiadores como o primeiro parlamento formal da República. O prédio ainda possui grandes cúpulas, vitrais, mármores e inovações para a época, como o concreto armado.
“Até então, o Legislativo funcionava em prédios improvisados e inadequados. Nunca havia tido uma sede própria pensada especificamente para essa função”, explicou o historiador e servidor da Alerj Douglas Liborio.
Visite o Palácio
A proposta também autoriza o poder público a promover atividades de preservação histórica e incentivo cultural no espaço, inclusive em parceria com entidades da sociedade civil.
Atualmente, o Palácio Tiradentes conta com uma exposição permanente e recebe visitas guiadas gratuitas, de segunda a sexta-feira, das 10h às 17h. Os agendamentos podem ser feitos neste link.
Durante a visita, o público pode acompanhar os principais acontecimentos que marcaram a história do edifício e conhecer um dos mais importantes símbolos da democracia brasileira e da arquitetura da Belle Époque carioca.
Saiba mais em: https://www.nqq2050.niteroi.rj.gov.br
Belo Horizonte, Uberaba e Juiz de Fora se encontram no Rio de Janeiro na exposição O Caminho do Ouro” que será inaugurada na a.thebaldigaleria, no CasaShopping. Mais do que a origem geográfica em comum, Mais do que a origem geográfica em comum, os artistas mineiros Hélio Siqueira, Paulo Miranda, Paulo Torres e Petrillo compartilham nesta coletiva investigações que partem de matéria e memória das terras de Minas Gerais, estabelecendo um percurso sensível entre tradição e contemporaneidade.
Reunindo trabalhos inéditos de produção recente, a mostra foi concebida por Edson Thebaldi, marchand à frente da galeria que celebra 40 anos de trajetória este ano. O conjunto de obras atravessa diferentes linguagens como técnica mista utilizando pigmentos naturais, colagem, carvão e pastel oleoso sobre lona e sobre papel, esculturas em cerâmica em alta temperatura submetidas a fornos com queima a lenha e têmpera acrílica com pigmentos minerais, terra e concreto retirado das calçadas das cidades.
Hélio Siqueira apresenta a série de objetos “Bilhas”, uma alusão às cerâmicas utilizadas na antiguidade como reservatórios de água. Algumas com formas próxima às configurações dos antigos objetos e outras que partem dessa referência, mas caminhas para objetos contemporâneos que discutem a cerâmica contemporânea e se colocam como objetos artísticos e se mesclam a formas de minha vivência de infância na roça. Potes, castiçais, moendas, pilões e solitários que povoavam a vida e enfeitavam as casas nas fazendas.
Todas as peças foram feitas em cerâmica de alta temperatura, queimadas à lenha em fornos Anagama e Novorigama em ciclos de até 72 horas ininterruptas de fogo.
A paisagem é o ponto de partida para uma investigação sensível sobre memória e tempo nas obras produzidas por Paulo Miranda para a exposição. Suas pinturas apresentam cenas de entardecer em transformação: brancos que se tingem de nuances amareladas e contrastam com os pretos evidenciando luz e sombra, verdes que se adensam em tons oliva e fundos terrosos, e azuis que lentamente se aprofundam até atingir tonalidades índigo. Em alguns momentos, a atmosfera se aproxima do noturno, reduzindo o campo de visão e criando áreas de respiro que parecem flutuar, convidando o olhar a percorrer a imagem em constante descoberta.
Áreas acinzentadas surgem como infiltrações dessa matéria densa, apontando para novos percursos, caminhos que remetem ao minério, ao carvão e ao pó.
Destaque da mostra, a obra “Terra Vermelha” organiza-se como um tríptico em que o movimento é elemento central. Suas partes sugerem o deslocamento do solo, evocando placas tectônicas e um tempo em permanente tensão, onde a composição irradia energia em tons de vermelho e laranja.
A busca por novos horizontes é o eixo que atravessa os trabalhos de Paulo Torres desenvolvidos para a coletiva. Em meio ao mar de concreto e asfalto que define a paisagem urbana contemporânea, o artista investiga aquilo que se oculta sob as camadas do tempo: cores veladas, marcas, desgastes e vestígios que a cidade acumula silenciosamente todos os dias.
Linhas, ângulos e geometrias emergem como elementos estruturais dessa pesquisa, revelando a tensão constante entre permanência e transformação. O gesto artístico ultrapassa o ateliê e se inscreve diretamente no espaço urbano. Ao colar telas em ruas, viadutos, muros e calçadas, o artista extrai da cidade sua epiderme, apropriando-se de fragmentos que carregam histórias anônimas e camadas invisíveis. Esses vestígios são então reorganizados, transformados em paisagens que não representam a cidade, mas a reinterpretam sob um olhar singular.
Nesta nova série de obras expostas na a.thebaldigaleria, o artista visual Petrillo dá continuidade à sua investigação sobre a paisagem. Desta vez, investiga e se volta para as jazidas e a topografia mineira, que servem como pretexto dialético para a construção imagética das obras. Longe de um compromisso com uma representação naturalista, ele sugere a reinvenção do território por meio de uma abordagem lúdica e singular, criando uma nova proposição de espaços – lugares.
Seu trabalho lança um olhar único sobre a espacialidade, elaborando novas geografias visuais: montanhas e serras são recriadas de forma onírica, em composições que evocam tanto memória e quanto imaginação. Nas obras, uma paleta marcada por tonalidades terrosas e neutras, reforça a materialidade das superfícies e dialoga com as faturas plásticas presentes nas obras, consolidando a poética desta série, profundamente inspirada no relevo e nas jazidas das paisagens das Minas Gerais.
Serviço: 21 de maio até 14 de junho de 2026 / Local: a.thebaldigaleria Endereço: Av. Ayrton Senna, 2150 – lojas F e M – bloco G – Barra da Tijuca