Ana Holck completa 25 anos de trajetória com exposição na Maneco Müller: Multiplo

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Mostra apresentará a mais recente produção da artista, com obras inéditas em cerâmica e metal, feitas este ano

Para marcar os 25 anos de trajetória da artista Ana Holck, foi inaugurada no dia 21 de maio de 2026 a exposição “Imprevistos”, na galeria Maneco Müller: Multiplo, com a mais recente produção da artista carioca. São apresentadas cerca de 16 obras inéditas, produzidas este ano, em um desdobramento da pesquisa da artista com a cerâmica e o aço inox. Os novos trabalhos trazem elementos inéditos, como novas formas e a introdução de cores no barro, algo nunca antes utilizado pela artista. Ana Holck é uma das mais destacadas artistas de sua geração e ao longo de mais de duas décadas de atuação construiu uma carreira consolidada no meio da arte.

“Sua prática se desdobra por meio de uma investigação contínua de estruturas espaciais, tensões materiais e a dimensão experiencial da escultura. Trabalhando principalmente com materiais como metal e porcelana, Holck constrói ambientes que desafiam a estabilidade da forma, ao mesmo tempo que ativam a percepção e a presença corporal do espectador”, afirma a crítica e curadora de arte Daniela Labra, que assina o texto da exposição e há mais de uma década acompanha o trabalho da artista.

Na mostra, serão apresentadas obras da nova série “Desajustados”, iniciada este ano, além de trabalhos inéditos das séries “Entroncados” e “Grades”, também produzidos este ano. As esculturas dialogam entre si, não só pelo fato de todas utilizarem a cerâmica como base, mas também por suas formas, ritmo e construção. Além disso, pela primeira vez, as obras trazem elementos de cor. “Uma coisa muito nova que une esses trabalhos é a presença da cor. Comecei com a porcelana, sempre branca, cheguei a usar também a preta, mas cor, é a primeira vez”, conta a artista, que usa tons suaves e rebaixados, muitas vezes mesclando duas cores de tons similares na mesma obra. “Utilizo mais a cor como um marcador de tempo e espaço. Tem um ritmo que está sendo dado por essas cores, que eu chamo de ‘não-cores’, pois não são tons fortes, são nuances de cor”, explica a artista, que usa um tipo de barro canadense chamado “Gres”, que já vem com as cores de fábrica.

Inquieta, a artista encontrou na cerâmica uma nova forma de trabalhar. “Quando fui para a cerâmica, foi muito prazeroso assumir o controle da produção, pois até então eu terceirizava muito, fazia maquete, croquis e outra pessoa executava. O fato de estar com a mão na massa propicia um potencial muito grande de mudança dentro do trabalho, de transformações da linguagem”, conta a artista, que é formada em arquitetura e urbanismo e traz características de sua formação para o fazer artístico. “Trabalho muito com módulo e repetição, que foi uma forma que encontrei para expandir o tamanho da obra na cerâmica, e também são elementos que tem a ver com a arquitetura, com o minimalismo, com a ideia de repetição, serialidade, que são elementos caros ao meu trabalho de antemão”.

Apesar de utilizar um material bruto e maleável, Ana Holck o subverte, transformando a porcelana em tubos de bitolas regulares, pré-estabelecidas, através de uma prensa chamada extrusora. “O meu trabalho tem muita composição, muita montagem. É um trabalho de cerâmica, mas não da forma convencional, que tem o toque da mão, a expressividade toda. É mais minimalista no sentido que eu uso a extrusora para fazer os tubos que compõem o trabalho”, diz a artista. “Ana Holck possui um amplo conhecimento, seja técnico, conceitual ou histórico, que também é transdisciplinar. Seu trabalho dialoga criticamente com o discurso escultórico contemporâneo, mantendo ao mesmo tempo uma forte qualidade poética e experiencial”, ressalta Daniela Labra.

SÉRIES EM EXPOSIÇÃO
A exposição apresentará conjuntos de trabalhos que dialogam entre si. Na nova série “Desajustados”, tubos de cerâmica, com cores variadas, interligados pelo aço inox, trazem a sensação de movimento e ritmo. “Eles possuem duas cores e imprimem um ritmo através delas. É uma composição lúdica de linhas e retas”, afirma a artista.

Estes trabalhos dialogam diretamente com os da série “Entroncados”, que também são feitos de cerâmica e metal. Se nos “Desajustados” a cerâmica expande através de um núcleo de metal, nos “Entroncados” é a fita de aço inox que expande a partir do núcleo de cerâmica. “Um é um pouco o inverso do outro. Um é reto, o outro é curvo. Eles são meio complementares”, ressalta a artista.

Completam a exposição obras da série “Grades”, feitas em cerâmica, também com cores. Inéditas, essas obras remetem aos primeiros trabalhos da artista na cerâmica, há quase dez anos. “A grade é um elemento constante na minha obra e permeia o meu trabalho, estando presente em muitas obras. É algo muito ligado a projeto, planejamento, uma estrutura universal. Já tinha usado grades nas pontes que fazia com fitas, nas instalações em vinil e na série ‘Canteiros de obras’. A minha grade sempre tem uma espacialidade”, diz a artista. “Quando comecei na cerâmica era tudo muito novo para mim, então senti necessidade de ir para um assunto familiar, que era a grade”, conta. Essas novas grades possuem uma tridimensionalidade, sendo algumas com sobreposições e outras oblíquas, e também possuem cores, assim como as demais obras da exposição.

SOBRE A ARTISTA
Ana Holck (Rio de Janeiro, 1977) é formada em Arquitetura e Urbanismo pela FAU/UFRJ (2000), com Mestrado em História pela PUC-Rio (2003) e Doutorado em Linguagens Visuais pela EBA-UFRJ (2011). Inicia sua trajetória nos anos 2000, com instalações de grande formato, entre as quais, Elevados, no Paço Imperial (2005), Bastidor, no CCBB RJ (2010) e Splash, no SESC Pinheiros (2010). Entre suas mais recentes mostras individuais estão Ensaios Lineares, na Pinakotheke Cultural, Rio de Janeiro, e Deslocamentos Orbitais, na Zipper Galeria, São Paulo, ambas em 2024, e Entroncados, Enroscados e Estirados, no Paço Imperial, Rio de Janeiro, em 2023. Entre as coletivas estão: O Espetáculo da Coerência (2026), na Maneco Muller Multiplo, Rio de Janeiro; Elas (2025), no MAC Niterói, Rio de Janeiro; Entre Elas (2025), na Amelie Maison D’Art, Paris; O Mistério das Coisas Por Baixo das Pedras e dos Seres (2024), no Museu Histórico da Cidade, Rio de Janeiro; Qual o tema (2024), na mul.ti.plo Espaço Arte, Rio de Janeiro, entre outras. Possui obras nos acervos do Itaú Cultural, Pinacoteca do Estado de São Paulo, MAM Rio, MAM São Paulo, MAC Niterói, entre outros.

SOBRE A GALERIA
A Maneco Müller: Multiplo é mais que uma galeria onde as obras ficam expostas para a apreciação do público; pretende-se um ambiente de encontro com a arte contemporânea. Aqui, artistas consagrados e novos talentos oferecem o melhor de sua produção em múltiplos e obras em papel, objetos e pinturas, além de projetos especiais. A ideia é que o espaço crie as condições para que os olhares do público encontrem formas singulares de se relacionar com a arte.

Além de comercializar obras selecionadas a partir de critérios estéticos de extraordinária densidade artística, a Maneco Müller : Multiplo ainda realiza permanente trabalho de pesquisa no sentido de identificar e divulgar novos trabalhos. Por seu engajamento na circulação da arte e pela recusa em tomá-la como produto, a galeria vem se consolidando como um espaço que investe no lançamento de edições exclusivas, um lugar que cultiva preciosidades. Renovar a reflexão e a fruição estética, atrair não especialistas, despertar novos colecionadores, enriquecer coleções já estruturadas: com os múltiplos e as obras em outros formatos de grandes artistas brasileiros e estrangeiros, a Maneco Müller : Multiplo espera tão somente desafiar o olhar do público e promover encontros em torno da arte contemporânea.

Serviço

Ana Holck – Imprevistos

Abertura: 21 de maio de 2026, das 18h às 21h
Exposição: até 17 de julho de 2026

Maneco Müller: Múltiplo (MMM Galeria)
Rua Dias Ferreira, 417, sala 206 | Leblon

De segunda a sexta, das 10h às 18h30
Sábado com hora marcada: (21) 2294-8284

A arte da palhaçaria rompe as telas e convida ao riso presencial

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Apresentação circense nas unidades do SESC em Niterói e São Gonçalo contará com libras e audiodescrição

A arte milenar do circo percorre o estado do Rio de Janeiro neste mês de maio e leva o espetáculo solo “Viva!” às unidades do SESC, incluindo São Gonçalo (dia 19, às 10h) e Niterói (dia 23, às 16h). O Palhaço Mixuruca une malabarismo, equilibrismo, canto e dança em um roteiro formado por atrações circenses, números musicais e muitas brincadeiras interativas com a plateia. De estética colorida e grandiosa, a montagem convida o respeitável público a se distrair fora das telas dos aparelhos eletrônicos e a sentir o calor humano transmitido pela diversão ao vivo e a cores – ou seja, todo mundo de corpo e alma entregues ao momento presente.

O título exclama uma comemoração e ao mesmo tempo um convite à vida real e presencial. “Atualmente há a ilusão de que a felicidade pode estar no consumo, na compra rápida – um estímulo que a tecnologia hoje oferece. Mas será que isso é o bastante para ser feliz? Se for possível esquecer dessa necessidade que existe do artifício da posse, o Palhaço Mixuruca segue feliz da vida”, questiona.

O SESC SG fica na Av. Pres. Kennedy 755, Estrela do Norte e o SESC Niterói na R. Padre Anchieta 56, São Domingos. A duração é de 45 minutos, e a classificação indicativa é livre. Ingressos a R$ 15 (inteira), R$ 7,50 (meia), R$ 5 (credencial plena) e gratuitos para PCG. Em Niterói, gratuidade para estudantes da rede pública até 16 anos e acessibilidade com intérprete de libras; em São Gonçalo, acessibilidade por meio de audiodescrição.

Com o talento de quem nasceu no picadeiro, Júnior Silveira diverte e emociona o público. Nascido em Morada Nova, no Ceará, quando o circo itinerante do Palhaço Biribinha, seu pai, passava pela cidade, o artista cresceu e formou família em Arapiraca (AL). Ele agora volta ao Rio após dois anos, para realizar apresentações viabilizadas pelo Edital de Cultura SESC RJ Pulsar. “Tenho muita honra, cuidado e respeito por ser neto e filho de palhaços. É algo muito sagrado. Minha missão e profissão são os pontos principais da minha vida, que me dão o privilégio de também ser marido, ser pai, ser filho. Não sei como seria possível seguir sem o circo”, afirma ele, que iniciou carreira aos seis anos na arte da palhaçaria.

Oriundo de uma família de artistas, herdou, da família do pai, Teófanes Antônio Leite da Silveira, a arte circense tradicional, e da família da mãe, Olga Soares da Silveira, a veia musical. Júnior é casado com Camila Silveira, sonoplasta de seus espetáculos, com quem tem um casal de filhos. Já são 40 anos acumulando experiências nos palcos dos mais importantes festivais, programas e projetos por todo o Brasil. Em seu repertório individual, desenvolveu os espetáculos “A Harmonia do Diferente” (2025), “Viva!” (2020), “O Circo do Mixuruca” (2017), “As aventuras de Mixuruca pelo Folclore brasileiro” (2014) e “Uma história de circo” (2013).

Aprendiz Musical comemora 25 anos com Theatro Municipal lotado em Niterói para marcar o lançamento oficial do álbum “Choro Sinfônico”

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Concerto teve repertório inédito inspirado em grandes nomes do gênero e participação especial dos solistas Cristóvão Bastos e Antonio Rocha

O programa Aprendiz Musical, da Prefeitura de Niterói, chega aos 25 anos em grande estilo. Como parte das comemorações, o público compareceu em peso ao Theatro Municipal de Niterói para o concerto que marcou o lançamento oficial do álbum digital “Choro Sinfônico”, na sexta-feira (15).

As Orquestras Sinfônica e de Sopros do Aprendiz Musical encantaram a plateia com um repertório inédito, inspirado em nomes fundamentais do gênero, como Altamiro Carrilho, Pixinguinha, Benedito Lacerda, Anacleto de Medeiros e Ernesto Nazareth. A apresentação teve participação especial dos renomados solistas Cristóvão Bastos e Antonio Rocha. O disco já está disponível no Spotify.

“É um orgulho muito grande acompanhar a evolução desses jovens, que inspiram outras pessoas. O Aprendiz Musical já é o maior programa de iniciação musical do Brasil e sempre digo que não é gasto, é um investimento que a Prefeitura de Niterói tem feito nessa juventude. A educação, a cultura e a música são ferramentas muito importantes para o desenvolvimento da cidade, das famílias e das comunidades”, enfatizou o prefeito Rodrigo Neves.

Atualmente, cerca de dez mil alunos fazem parte do Aprendiz Musical, em um modelo estruturado que integra educação, cultura e cidadania.

“É um programa de altíssimo nível, com orquestras de excelência, que oferece aos participantes todo o suporte. Além de receberem os instrumentos durante as aulas e ganharem bolsas de estudo, os jovens têm acesso à assistência social e psicológica, incluindo ainda o custeio das viagens durante as apresentações no Brasil e no exterior’, destacou João Carino, gestor do Aprendiz Musical.

Aline Gouveia, moradora do Sapê, era só sorrisos após ver o filho se apresentar no Municipal.

“O trabalho que eles fazem com esses meninos, tanto na parte musical quanto no apoio pedagógico e psicológico, é incrível. Para o meu filho está sendo muito bom. A emoção de mãe não acaba nunca, quero estar sempre na plateia e vou chorar todas as vezes que assistir meu filho tocando”, disse ela.

O programa Aprendiz Musical é realizado pela Prefeitura de Niterói, por meio da Secretaria Municipal de Economia Criativa e Ações Estratégicas, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação.

IV Encontro de Corais reúne grupos de Niterói e do Rio na Sala Nelson Pereira dos Santos

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Evento gratuito celebra a música coral e promove integração entre grupos de diferentes cidades do estado

Niterói recebe, entre os dias 15 e 17 de maio, o IV Encontro de Corais, na Sala Nelson Pereira dos Santos, no Reserva Cultural. Com entrada gratuita, o evento vai reunir grupos de diferentes municípios do estado em três dias de apresentações abertas ao público, celebrando a música coral, a convivência e a valorização da cultura.

O encontro tem apoio da Prefeitura de Niterói, por meio da Secretaria Municipal da Pessoa Idosa e da Fundação de Arte de Niterói (FAN). Participam do evento corais de Niterói, Rio de Janeiro, Araruama e Nova Friburgo. Entre os destaques da programação está o Coral Avós do Canto, de Niterói, que se apresenta nos três dias do encontro e representa o trabalho desenvolvido pela cidade na promoção do envelhecimento ativo e da inclusão cultural da população idosa.

“O Encontro de Corais representa muito mais do que apresentações musicais. Ele reafirma o compromisso da atual gestão com políticas públicas que valorizam as pessoas idosas e incentivam o envelhecimento ativo. É um espaço de convivência, integração e valorização por meio da cultura. O Coral Avós do Canto simboliza esse trabalho desenvolvido em Niterói, mostrando como a música fortalece vínculos, promove bem-estar e garante protagonismo à nossa população idosa. Seguimos construindo projetos para essa geração, que é tão importante, ativa e representativa para a cidade”, destacou o secretário municipal da Pessoa Idosa e Envelhecimento Saudável, José Antônio Fernandes (Zaf).

A programação começa na sexta-feira (15), às 19h, com apresentações do Coral Avós do Canto, Coral do IBGE, Encanto Coral, Madrigal Júlia Cortines, Coral dos Associados da AMBEP, Amantes da Música e Outono Feliz.

No sábado (16), às 18h, sobem ao palco o Coral Avós do Canto, Coral da Associação Bosque Marapendi, Coral Riviera Dei Fiori, Madrigal da Ilha do Governador, Paradox Coral, Coral da ETE Henrique Lage e Coral da ATAERJ.

Encerrando o evento, no domingo (17), às 16h, se apresentam o Coral Avós do Canto, Coral M&C, Coro Canto da Paz, Coral Moisés Kawa, Coral do Museu da República, Belo Canto e Oficina Coral da UFF.

A entrada é gratuita, e os ingressos serão liberados 30 minutos antes do início de cada apresentação, sujeitos à lotação da sala.

Serviço – IV Encontro de Corais de Niterói

15/05 (sexta-feira), às 19h
Local: Sala Nelson Pereira dos Santos

16/05 (sábado), às 18h
Local: Sala Nelson Pereira dos Santos

17/05 (domingo), às 16h
Local: Sala Nelson Pereira dos Santos

Entrada gratuita

Galeria Dobra/Artnova apresenta a exposição ‘Os Mardines – o elo que nos une’, trazendo três gerações de artistas, na Fábrica Bhering

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A Galeria Dobra/Artnova apresenta a exposição ‘Os Mardines – o elo que nos une’ , com curadoria de Marcelo Rezende, trazendo três gerações, com pinturas e esculturas, nos conduzindo a narrativas próprias em diálogo com nossas emoções.

Edson Mardine apresenta pinturas abstratas, fruto de uma trajetória de décadas. Edson Mardine Junior (filho) traz duas esculturas e Beatriz Mardine (neta), duas aquarelas.

A exposição pode ser visitada até o dia 30, às quintas e sextas., das 12h30 às 17h, e aos sábados, das 10h às 18h, na Rua Orestes, 28 , 2. andar – Santo Cristo – RJ.

Sobre Edson Mardine
Por toda a história, assistimos a vidas que compuseram potentes obras. A arte sobrevive a diferentes formações, mãos, olhares e espíritos de tempo. Hoje, encontramos olhares que se mostram cada vez mais atentos a identidades que incorporaram, sobretudo, a ideia de liberdade como força da alma do artista.

Deparamo-nos com a obra de Edson Mardine, artista que iniciou sua carreira no campo dos empreendimentos, sem perder de vista o interesse pelo universo da arte. Ao longo de seus mais de 80 anos, colecionou diversas viagens pelo mundo e, com seu olhar atento, construiu um vasto capital cultural. Na busca por uma experiência com a visualidade, alimentou sua presença em acervos de museus de países pelos quais andou e suas culturas.

Em termos estéticos, notamos em seu trabalho o apreço por uma pincelada forte que se desenvolve de modo alongado ou breve, culminando numa força vigorosa da ação em tela. Este elemento iconográfico nos aponta movimentos que se inserem em tradições mais abstratas, sem, no entanto, se distanciar de uma ideia de composição muito presente nas pinturas de artistas que nascem de uma formação acadêmica e se dedicam ao gênero de representações de paisagem, por exemplo. Essa combinação de perspectivas e influências remonta a um diálogo entre o mundo figurativo e o abstrato.

É importante destacar essa força como o elemento que nos guia e conduz nosso olhar por sua extensa produção; por mais que sua obra apresente uma pincelada mais solta, não é a geometria que sustenta a sua pintura, e sim a fluência do nascimento das formas. Nesse ponto, não podemos perder de vista como o pensamento construído enquanto colecionador reflete em suas obras de arte, reafirmando a ideia de aproximação do espaço entre dois mundos: o tangível e o sensível.

Os sentidos reverberam e invadem um universo mais etéreo e espiritual que é apresentado por meio das cores artificiais, aludindo a mundos imaginados, ao mundo dos sonhos e dos símbolos que beira a significações de uma mística, transformando formas visivelmente abstratas em sentidos capazes de ultrapassar o mundo do que pode ser visto.

Como nos lembra Arthur Rimbaud: “Il s’agit d’arriver à l’inconnu par le dérèglement de tous les sens”. O poeta simbolista francês nos comunica, por meio de seu pensamento filosófico e, por que não, psicanalítico, aquilo que a arte clama por dizer; traduzindo: trata-se, portanto, de atingir o desconhecido pelo desregramento de todos os sentidos.

Sobre Edson Mardine Junior
Mardine Júnior inicia sua carreira a partir da formação em Direito e, posteriormente, especialização em Filosofia, permitindo-lhe um pensamento intelectual e o levando a construir uma carreira no campo dos empreendimentos. O gosto pela arte sempre o acompanhou em diferentes fases da vida. Ainda quando criança, o artista já se aventurava pelo campo da abstração e construía um universo lúdico próprio por meio de experimentações plásticas de formas abstratas, o que na fase adulta o levou para uma imersão maior no universo da música.

O gosto pela abstração e o apreço pelo colecionismo são características que herdou do pai, uma vez que o artista, da mesma forma, constrói um olhar artístico apurado a partir de diversas visitas a importantes acervos museológicos em vários países. Sendo um colecionador de obras de importantes nomes da nossa historiografia da arte.

Como artista plástico,suas produções nascem do interesse por movimentos artísticos que se aprofundaram na abstração e geometrização de formas, como a Bauhaus e suas conexões com a arquitetura. Nesta exposição traz 2 esculturas.

Sobre Beatriz Mardine
Violinista e cirurgiã dentista , desde cedo explora a percepção do tempo na música e do espaço em formas plásticas aprimoradas na escola de artes visuais do Parque Lage .

Instagram: @beatrizmardine
Site: emardinearte.com.br
@galeriadobra @artnova.net.br

Lisboa ganha exposição imperdível com Dior, McQueen e obras-primas

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A Fundação Calouste Gulbenkian apresenta, até 21 de junho de 2026, uma das exposições mais ambiciosas dos últimos anos ao reunir, em um mesmo espaço, cerca de 100 obras de sua coleção e aproximadamente 140 criações de alta-costura assinadas por alguns dos maiores nomes da moda internacional.

Batizada de Arte & Moda, a mostra ocupa a Galeria Principal da sede da Fundação, em Lisboa, e propõe um diálogo entre arte e moda por meio de conexões estéticas, históricas e simbólicas construídas ao longo dos séculos.

Entre os destaques estão peças de Christian Dior, Cristóbal Balenciaga, Yves Saint Laurent, Gianni Versace, Jean Paul Gaultier, Vivienne Westwood, Guo Pei e Alexander McQueen. A produção portuguesa também ganha espaço com criações da dupla Alves/Gonçalves, José António Tenente, Maria Gambina, Nuno Gama e Nuno Baltazar.

Os interessados podem aproveitar a exposição de domingo a sexta-feira, das 10h às 18h, e aos sábados, das 10h às 21h. O espaço fecha às terças-feiras.

O ingresso normal custa 8 euros, com gratuidade e descontos para públicos específicos, incluindo jovens, idosos, menores de 18 anos e portadores de cartões culturais. Aos domingos, a entrada é gratuita a partir das 14h, conforme as regras da instituição.

Com curadoria de Eloy Martínez de la Pera Celada, especialista espanhol na relação entre arte e moda, a exposição apresenta Gulbenkian como um verdadeiro “colecionador da beleza”.

O percurso revela ainda como ele e sua esposa acompanhavam as transformações estéticas de seu tempo, demonstrando interesse tanto pelas belas-artes quanto pelo universo do vestuário e do design.

Calouste Sarkis Gulbenkian foi um colecionador de arte e filantropo de origem armênia, nascido no Império Otomano. Ao longo da vida, reuniu uma coleção singular, considerada uma das mais importantes do mundo, com mais de seis mil peças que vão do Egito Antigo à arte moderna europeia, passando pela arte islâmica, pelo Renascimento italiano, pela arte francesa do século XVIII e pelos grandes mestres da pintura. Naturalizado britânico em 1902, morreu em Lisboa, em 1955. Em testamento, determinou que fosse criada na capital portuguesa uma fundação internacional com seu nome.

Segundo o curador, foram quatro anos de trabalho para reunir 140 peças de alta-costura capazes de dialogar com obras de mestres como Rembrandt, Peter Paul Rubens, Claude Monet e Edgar Degas, além de esculturas, peças arqueológicas e artes decorativas do acervo Gulbenkian. “Precisávamos ter moda que fosse ao nível das obras de arte. Moda que pudesse dialogar com Rubens, com Carpaccio e com as peças egípcias.”

Serviço

Local: Fundação Calouste Gulbenkian
Endereço: Avenida de Berna, 45 A, Lisboa

Período: de 18 de abril a 21 de junho de 2026

Horários:
Domingo a sexta-feira: 10h às 18h
Sábado: 10h às 21h
Fechado às terças-feiras

Ingresso: 8 euros

Descontos:
25% – menores de 30 anos
20% – Lisboa Card e Cartão Ciência Viva
10% – maiores de 65 anos, Lisbon Sightseeing e City Sightseeing

A arte fotográfica em preto e branco

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Exposição gratuita em Niterói traz a beleza do contraste entre luz e sombra a paisagens do cotidiano

A beleza estética das imagens em preto e branco é o tema da recém-aberta exposição fotográfica “Texturas”, em cartaz até 30 de julho na Galeria FastFrame Niterói. Antonio Schumacher, fotógrafo das obras e também proprietário da galeria, divide com o público o seu olhar apurado sobre a admirável poesia que reside nos contornos que delineiam o contraste entre sombra e luz, destacando formas, traços e superfícies. Em 16 quadros com montagem em caixa aberta flutuante, de 50 cm x 50 cm, feitos em molduras com madeira sustentável (de reflorestamento) 3×2 preta e impressão fine art com papel Canson Mate, o artista registrou cenas cotidianas, mas por ângulos pessoais de observação, cujos detalhes especialmente belos a correria da rotina muitas vezes torna despercebidos.

“A fotografia é um grande amor, mas sempre fui apaixonado por fotos em preto e branco, que realçam a percepção das texturas da imagem, trazendo uma experiência visual que desperta emoções,interpretação e memórias. A verdadeira textura da fotografia está na forma particular como ela toca cada pessoa”, explica Schumacher, profissional com mais de 15 anos de atuação profissional, reconhecido por sua sensibilidade aguçada na captura de imagens que transcendem o óbvio. O livro “Niterói em Fatos e Fotos” (DB Editora, 2020), considerado pela Niterói Empresa de Lazer e Turismo (Neltur) o maior cartão de visitas da cidade, foi realizado exclusivamente com fotografias do artista, que também já realizou outras exposições na cidade, como “Ponte Rio-Niterói: 50 anos” no Centro Cultural Paschoal Carlos Magno, ao lado de outros fotógrafos, e outra exclusiva de suas obras no Corredor das Artes, na sede da Prefeitura.

A proposta de “Texturas” é provar como a ausência de cor pode intensificar a percepção dos elementos visuais ao evidenciar nuances, profundidades e detalhes que despertam novas interpretações. Cada imagem foi cuidadosamente selecionada pela força estética do preto e branco e sua capacidade de transformar o simples em extraordinário. A mostra também reforça o papel da fotografia como expressão artística atemporal, onde luz e composição assumem protagonismo absoluto. O visitante é convidado a desacelerar o olhar e mergulhar em uma experiência contemplativa, percebendo as diferentes camadas de significado presentes em cada quadro. “Estou me sentindo realizado com essa exposição, e convido todos a vir visitar e contemplar”, exclama Schumacher.

A galeria fica na Avenida Rui Barbosa 355, no bairro de São Francisco, e funciona de segunda a sexta, das 9h às 19h e aos sábados das 9h às 14h. A entrada é gratuita.

Jovens da Orquestra da Grota levam música brasileira à Alemanha com apoio da Prefeitura de Niterói

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Projeto social que transforma vidas por meio da música ganha reforço Neltur e amplia intercâmbio cultural internacional

Alunos da Orquestra da Grota embarcam para uma experiência internacional que une música, educação e intercâmbio cultural. Com apoio da Neltur, órgão da Prefeitura de Niterói, os jovens embarcam na próxima sexta -feira(08) para participar de um workshop e concerto na Alemanha, no próximo dia 10 de maio, na Escola de Música Mitte.

Fundada em 1995 e sediada na comunidade da Grota do Surucucu, a Orquestra da Grota é mantida pelo Espaço Cultural da Grota (ECG) e se consolidou como uma importante iniciativa de inclusão social. O projeto utiliza o ensino da música clássica como ferramenta de transformação, oferecendo formação gratuita para crianças e jovens de comunidades e criando oportunidades que vão além do ambiente local.

“Apoiar iniciativas como a Orquestra da Grota é investir não apenas na cultura e na transformação social, mas também na promoção internacional de Niterói. Esses jovens levam para a Alemanha o talento, a criatividade e a identidade cultural da nossa cidade, fortalecendo a imagem de Niterói como um destino turístico inovador, inclusivo e culturalmente vibrante”, declarou o presidente da Neltur, André Bento.

O apoio Municipal reflete a visão estratégica do prefeito Rodrigo Neves de promover internacionalmente a imagem da cidade. A Alemanha é um mercado estratégico para o turismo brasileiro e de Niterói. Em 2025, os alemães ocuparam o 5º lugar entre os visitantes internacionais atendidos nos Centros de Atendimento ao Turista de Niterói.

“Esse intercâmbio mostra ao mundo que Niterói produz cultura de excelência e que investir em nossos jovens também é promover o futuro do turismo da cidade.” observou André Bento.

A apresentação na Alemanha será realizada em parceria com o grupo brasileiro Som Doce da Grota e também contará com um workshop voltado para estudantes a partir de 11 anos. A proposta é promover uma imersão na música brasileira, com foco na prática coletiva, no desenvolvimento rítmico e no diálogo entre diferentes culturas.

Durante o concerto, o grupo vai apresentar o arranjo de uma composição de Lundu (dança e canto de origem africana que serviu de base para a música popular brasileira) que foi recolhida por Carl Friedrich Phillip von Martius, um dos mais importantes pesquisadores alemães do século XIX.

“O von Martius recolheu 20 melodias aqui no Brasil, inclusive esse Lundu. No museu de antropologia de Itaipu tem o registro da presença dele em nossa região. O Carlos Rodrigues, que faz parte do nosso grupo, fez o arranjo que tocaremos lá.” Explicou Lenora Mendes, professora que faz parte da comitiva para a Alemanha.

Ao longo de três décadas de atuação — celebradas em 2025 — a Orquestra da Grota formou gerações de músicos e ampliou sua presença para cidades como São Gonçalo, Itaboraí e Nova Friburgo. Seus integrantes já se apresentaram em importantes espaços culturais, como o Theatro Municipal de Niterói e o Solar do Jambeiro, consolidando o projeto como referência em educação musical e impacto social.

Michelle Silva, de 33 anos, iniciou no projeto ainda criança e trilhou seu caminho pessoal e profissional através do que vivenciou na Orquestra. Ela afirmou que o apoio da Prefeitura de Niterói foi fundamental para viabilizar a apresentação na Alemanha.

“Sem dúvidas o investimento da prefeitura possibilitou essa viagem. Sem essa ajuda,esse sonho seria colocado na gavetinha, como muitos outros”, disse.

A iniciativa reforça o compromisso da Prefeitura de Niterói com políticas públicas voltadas à inclusão de jovens por meio da cultura. Ao investir na formação artística e em experiências internacionais, o Município amplia horizontes e fortalece trajetórias que começam dentro das comunidades e alcançam o mundo.

“
Eu estou aqui há 10 anos e é muito bom ter oportunidades de ir pra lugares novos. Eu costumo dizer para as pessoas que eu não sei o que seria da minha vida se eu não tivesse vindo da Grota. Isso mudou completamente a minha vida.” disse, emocionada, a percussionista Lari Reis.

Mais do que uma viagem, a participação no intercâmbio representa a continuidade de um trabalho que une educação, cidadania e cultura — mostrando como a música pode abrir caminhos e conectar realidades distintas.

Foto: Lucas Benevides

 

Exposição “No Meio do Azul Havia um Futuro” propõe reflexão ambiental em Niterói

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O Espaço Cultural Correios Niterói apresenta a mostra inédita “No Meio do Azul Havia um Futuro”, da artista visual Cris Duarte. Em cartaz até o dia 6 de junho, a exposição reúne nove obras, entre pinturas e vídeo, produzidas nos últimos seis anos. O projeto utiliza o Oceano Atlântico como ponto de partida para debater temas como memória, travessia e preservação ambiental, destacando o mar como um elemento central na formação da cultura brasileira.

Segundo a curadora Mariana Bahia, também idealizadora do Instituto Vozes do Mundo, a exposição parte da ideia de que “o Atlântico é um símbolo importante para pensar a formação do nosso país” e se apresenta não apenas como limite geográfico, mas como “um espaço de travessia, de encontro, de deslocamento, que ajudam a moldar a cultura como um todo”.

Nesse contexto, as obras constroem um olhar sobre o mar como um arquivo vivo. “A água traz memória, tensiona nosso olhar sobre a vida, recria e cria imaginários e futuros possíveis”, aponta a curadoria, que propõe a exposição como um espaço de reflexão coletiva. “Não é apenas sobre pensar a paisagem, mas, sobretudo, um espaço de reflexão para criarmos o futuro que desejamos“.

A exposição marca uma fase de maturidade na trajetória de Cris Duarte, unindo sua expressão plástica a um sólido ativismo ambiental. Além de artista, Cris é a mente por trás do projeto “Cidades na Década do Oceano”, chancelado pela ONU, e atua ativamente como colaboradora da Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável.

Radicada em Niterói, sua relação com o mar atravessa toda a produção. “O mar é meu primeiro espelho e meu horizonte constante. Para mim, o oceano não é um cenário, é um organismo vivo do qual faço parte”, afirma. Na sua prática, pintar o azul é também um gesto de investigação e cuidado: “é um ato de autoconhecimento e de cuidado com a nossa origem”.

Ao articular arte e ciência, seu trabalho busca ampliar a percepção sobre a urgência ambiental. “Enquanto pesquisadores trazem dados sobre a saúde dos oceanos, eu busco trazer a empatia”, diz. Nesse sentido, sua produção atua como uma tradução sensível da ciência, “transformando a urgência da conservação em um desejo profundo de proteção”.

A escolha da pintura como linguagem também é central nesse processo. “Ela exige a pausa que o mundo atual perdeu”, afirma a artista, ao destacar a possibilidade de reunir, em uma mesma imagem, diferentes camadas do ambiente. Em uma das obras inéditas, por exemplo, “divido o espaço entre o esplendor de um pôr do sol e a explosão de vida subaquática”, criando uma visualidade que, segundo ela, busca “cicatrizar visualmente o que está ferido no meio ambiente”.

Serviço
Exposição: No Meio do Azul Havia um Futuro
Artista: Cris Duarte
Período: até 6 de junho de 2026
Local: Espaço Cultural Correios de Niterói
Endereço: Av. Visconde do Rio Branco, 481 – Centro – Niterói (RJ)

TRT-RJ inaugura exposição com réplicas de obras de Cândido Portinari

Saiba mais em: https://www.nqq2050.niteroi.rj.gov.br

A mostra “Suor e Dignidade: A Poética do Trabalho na Obra de Portinari”, com visitação gratuita, fica disponível no Centro Cultural do tribunal até 26/5. A exposição reúne 15 quadros que propõem reflexões sobre o trabalho e seus impactos ambientais

O Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-RJ) inaugura, em seu Centro Cultural, a exposição “Suor e Dignidade: A Poética do Trabalho na Obra de Portinari” nesta quarta-feira (6/5), às 14h30. A mostra reúne 15 réplicas de quadros de Cândido Portinari que celebram a força do(a) trabalhador(a) brasileiro(a) e propõem reflexões sobre o trabalho e seus impactos ambientais. A visitação é gratuita e seguirá até 26/5.

O Centro Cultural do TRT-RJ fica no prédio-sede da instituição, localizado na Avenida Presidente Antônio Carlos, 251 – com entrada pela Rua da Imprensa, s/nº – Centro, Rio de Janeiro/RJ. A mostra é promovida em parceria com o Programa Trabalho Seguro do TRT-RJ e com o Projeto Portinari.

A exposição do artista plástico Cândido Portinari (1903-1962), um dos maiores intérpretes da alma brasileira, está organizada em cinco blocos narrativos que capturam desde o labor histórico nas caravelas do descobrimento do Brasil até a vida nas favelas e a exaustão rítmica dos batedores de arroz.

Durante o percurso, o(a) espectador(a) é convidado(a) a ver que, mesmo em momentos de profunda dor e escassez, Portinari apresenta a dignidade do ser humano e afirma que o trabalho possui papel fundamental para a construção de um mundo mais justo e harmônico.

Leia abaixo um pouco sobre cada um dos cinco blocos narrativos da exposição.

Bloco 1: o encontro de mundos diferentes e a relação com o trabalho
No interior da nau, o trabalho é retratado como um esforço necessário para vislumbrar “um novo mundo”, contrastando com a visão da costa, onde indígenas representam uma existência pautada pela integração com o território.

O encontro de perspectivas revela duas realidades: a labuta como uma ferramenta de conquista e domínio técnico sobre o mar; e o impacto de uma nova ordem que ameaça uma cosmologia ancestral.

Bloco 2: rostos e contrastes da urbanidade
No segundo bloco, o(a) espectador(a) deixa as caravelas para encarar o Brasil que se estabelece e se adensa nas cidades. As obras “Cabeça de Negro” e “Favela” formam um diálogo sobre a presença humana nos espaços de convivência e resistência.

Em “Cabeça de Negro”, Portinari apresenta a dignidade em sua forma mais pura: o retrato de um homem cujo olhar firme atravessa o(a) espectador(a), projetando uma serenidade que contrasta com a dureza de sua realidade social. Já na obra “Favela”, a complexidade do trabalho e da vida comunitária é revelada em cores e formas que apresentam uma estrutura de beleza e sobrevivência. O “suor” ganha um rosto e um endereço, reafirmando que a poética do trabalho está intrinsecamente ligada à alma de quem o executa.

Bloco 3: a lida da terra e do mar
As obras “Batedores de Arroz”, “Arrastão” e “Homem Inclinado” mostram a exaustão e a plasticidade do trabalho braçal no cotidiano brasileiro. Portinari imortaliza o gesto do trabalhador rural e do pescador, transformando o esforço repetitivo em uma coreografia de sobrevivência onde o corpo é a principal ferramenta de transformação.

Ao observar o “Homem Inclinado”, é possível perceber como a curvatura da coluna e o peso dos membros inferiores simbolizam a gravidade da lida, enquanto em “Arrastão” o trabalho se manifesta como uma força coletiva essencial que extrai do mar o sustento. A poética do trabalho é apresentada em sua forma mais crua, celebrando a resiliência daqueles que, sob o sol, trabalham pelo sustento e o direito de viver.

Bloco 4: o trabalho da sobrevivência e a dor do êxodo
No quarto bloco, o(a) espectador(a) é confrontado(a) com a trágica condição humana que luta contra a escassez retratada em “Seca”, “Cangaceiro”, “Mulher do Pilão”, “Retirante Morrendo” e o icônico painel “Retirantes”.

Nestas telas, o trabalho é a própria manutenção da vida diante de um cenário hostil, onde a dignidade resiste mesmo na fragilidade extrema dos corpos deformados pela fome. A figura da “Mulher do Pilão” e o olhar severo do “Cangaceiro” representam diferentes facetas da resistência sertaneja, enquanto o grupo de “Retirantes” personifica o drama social do migrante que carrega consigo apenas o suor de sua história e a esperança de um novo chão.

Bloco 5: o clamor universal pela paz
No último bloco, “Guerra” e “Paz”, acompanhados pela figura do “Homem” em oração, sintetizam a visão de mundo onde o trabalho humano deve, em última instância, servir à construção de um mundo sem conflitos.

Enquanto em “Guerra” é possível ver o sofrimento e o caos decorrentes do desequilíbrio social, o painel “Paz” surge como uma celebração do trabalho harmônico, do lazer e da infância, elementos fundamentais para a dignidade plena.

O “Homem” de joelhos, com as mãos ao peito e o olhar voltado para o alto, simboliza o desejo universal de justiça e a esperança de que o suor do rosto resulte sempre em pão e harmonia, e nunca em destruição.

Serviço
Exposição: “Suor e Dignidade: A Poética do Trabalho na Obra de Portinari”
Abertura: 6/5 (quarta-feira), às 14h30
Período: até 26/5
Horário: segunda a sexta, das 9h às 16h
Local: Centro Cultural do TRT-RJ (Av. Presidente Antônio Carlos, 251 – entrada pela Rua da Imprensa, s/nº – Centro, Rio de Janeiro/RJ)
Entrada gratuita