O Tablado inicia as comemorações dos seus 75 anos com nova montagem de clássico de Maria Clara Machado

Escrito em 1954, “A Bruxinha que Era Boa” faz curta temporada de 08 de agosto e 13 de setembro com novidades

Fundado em 1951 por um grupo liderado pela então jovem mineira Maria Clara Machado, O Tablado faz parte da história cultural do Brasil. Para celebrar os 75 anos dessa linda trajetória, a instituição abre a programação especial revisitando um clássico infantil: “A Bruxinha que Era Boa”. As sessões acontecem aos sábados e domingos, às 17h, em curta temporada de 8 de agosto a 13 de setembro, no teatro O Tablado, na Lagoa.

Escrita em 1954 por Maria Clara Machado e premiada no Distrito Federal em 1955, “A Bruxinha que Era Boa” foi encenada pela primeira vez em O Tablado em 1958, retornando em 1999 e 2014. Tornou-se um dos grandes clássicos do teatro infantil brasileiro. Ao lado de “Pluft, o Fantasminha”, é uma das peças mais montadas por grupos profissionais e amadores em todo o país. Com direção e adaptação de Cacá Mourthé, a nova montagem conta com novidades, como nas músicas originais assinadas por Lincoln Vargas.

O espetáculo apresenta Ângela, uma bruxinha diferente que estuda na Escola de Maldades da Floresta, onde todos querem ganhar a fabulosa vassourinha a jato, prêmio de bruxa mais malvada. Ângela quer muito ganhar a vassoura a jato, pois o que mais gosta de fazer é voar pela floresta, por cima das árvores e perto das nuvens. O problema é que a bruxinha não sabe fazer maldades e ainda ajuda o menino Pedrinho, um jovem lenhador, a escapar das maldades de suas amigas, o que a faz ser presa na Torre de Piche. O novo amigo Pedrinho é o único que pode ajudá-la a escapar e ganhar a vassoura a jato.

Ao inverter a lógica tradicional das histórias de bruxas, a obra revela como a bondade pode ser vista como defeito em ambientes tóxicos, abordando temas como diferença, preconceito, bullying e a coragem de ser quem se é. Ambientado em uma floresta viva e mágica, o espetáculo trata o embate entre bem e mal sem maniqueísmo, com humor e poesia. Uma obra que atravessa gerações, ensinando que ser bom não é ser ingênuo — e que a imaginação pode ser um gesto de cuidado.

– Até hoje, aquela bruxinha ainda age. Ainda sopra boas mensagens. Um teatro como feitiço do bem. São as magias de Maria Clara Machado – destaca Cacá Mourthé.

Marco da cultura nacional

Considerado Patrimônio Cultural da cidade do Rio de Janeiro e tombada pela Prefeitura carioca, com atividades artísticas reconhecidas pelo Governo Federal, O Tablado é uma escola de teatro com cerca de 700 alunos e mais de 20 professores, atuante na formação cultural de cidadãos de todo o Brasil. Foi fundado em 1951 por Maria Clara Machado, autora de 23 peças infantis, entre elas “A bruxinha que era boa”, “A menina e o vento”, “O rapto das cebolinhas”, “O cavalinho azul” e “Pluft, O Fantasminha”, premiadas nacional e internacionalmente e traduzidas para diversos idiomas.

Em 75 anos, O Tablado se tornou referência na formação de plateias sensíveis e de profissionais de teatro – cenógrafos, figurinistas, iluminadores, atores e diretores, a exemplo de Hamilton Vaz Pereira, Wolf Maya, Cininha de Paula, Claudia Abreu, Ingrid Guimarães, Louise Cardoso, Malu Mader, Du Moscovis, Leonardo Brício, Andréa Beltrão, Fernanda Torres, Rubens Corrêa, Drica Moraes, Jaqueline Laurence, Mateus Solano e Gregório Duvivier, entre muitos outros.

Serviço:
Temporada de “A Bruxinha que era boa”: de 8 de agosto a 13 de setembro
Sessões: sábados e domingos, às 17h
Local: Teatro O Tablado – Avenida Lineu de Paula Machado, 795, Lagoa, Rio de Janeiro – RJ
Ingressos: de R$ 40 a R$ 80, vendas no site https://bileto.sympla.com.br/event/123789/d/399624
Classificação etária: livre
Site: https://www.otablado.com.br/
Rede social: https://www.instagram.com/teatrotablado

Ficha técnica:
Autora: Maria Clara Machado
Direção Geral e Adaptação: Cacá Mourthé
Música Original: Lincoln Vargas
Cenografia: Julia Marina
Figurinista: Elisa Faulhaber
Iluminação: Rodrigo Belay
Assistente de Direção e Preparadora Corporal: Julianna Firme
Direção Musical: Lincoln Vargas
Assistentes de direção musical: Caio Paranaguá e Ney Feijó
Músicos: Ney Feijó e Cecília Brandão
Desenho de Som: Leandro Lobo
Operadores de Som: Caio Paranaguá e Maria Clara Reis
Assistentes de cenografia: Rayane Da Vinha e Gabriel Andrade
Cenotécnico: Guilherme Tommasi (GT Cenografia)
Equipe de cenotecnia: Gaúcho (João Pedro Gerônimo),
Marcus Pugliese e Edson Patrício Leôncio
Aderecista: Alex Grilli e Eline Santos
Figurinista Assistente: Luna Jatobá
Assistente de figurino: Teo Canoro
Caracterização: Lucas Raibolt e Arthur Dias
Costureira: Riso Monteiro
Perucas: Marcia Elias (Bruxo-Chefe, Bruxa Instrutora e Bruxa Fedelha) e
Lucas Raibolt (Bruxa Caolha, Bruxa Fredegunda, Bruxa Fedorosa e Vice-Bruxo)
Assistência de Iluminação: Jirllan Cavagna
Montagem de luz: Jirllan Cavagna, Vitor Hugo Guimarães e Vicente Velloso
Responsável técnico de iluminação e operador de luz: Vicente Velloso
Direção de palco: Kinho Andrade
Contrarregras: Victor Hugo Ribeiro, Francisco Vasconcelos e Nabuco
Assessoria de Imprensa: Carlos Pinho
Social Media e Gestor de Tráfego: Hernane Cardoso
Design Gráfico: Luana Manuel
Fotos e Produção Audiovisual: Hernane Cardoso
Controler financeiro: Janaina Santos
Bilheteria: Elisa Nunes e Zé Helou
Administração: Janaina Santos e Luana Manuel
Assistentes de produção: Jovi Gonçalves, Elisa Nunes e Kinho Andrade
Direção de produção: Luana Manuel
Realização: O Tablado
Elenco:
Bruxinha Ângela – Luiza Kosovski
Bruxinha Caolha – Beatriz Linhales
Bruxinha Fredegunda – Helena Alpino
Bruxinha Fedorosa – Bruna Zordan
Bruxinha Fedelha – Maria Repetto
Bruxa-Chefe – Grila Grimaldi
Bruxo Belzebu Terceiro – Samuel Valladares
Vice-Bruxo – Rodrigo Barcelos
Pedrinho – Gabriel Wotzik
Stand-in: Julianna Firme
Seres da Floresta: Antônia do Vale, Beatriz Ferreira, Dhulia Vitória, Emmanuel Roque, Gabriel Netto, Jovi Gonçalves e Maria Paiva

FLIN 2026 leva grandes nomes a Niterói para pensar o Brasil a partir de Lélia Gonzalez

Festival gratuito reúne nomes como Fernanda Montenegro, Valter Hugo Mãe, Ana Maria Gonçalves, Emicida, Conceição Evaristo, Lilia Schwarcz, Jeferson Tenório, Eliana Alves Cruz e Ondjaki, em uma programação que espera receber 30 mil leitores
Toda palavra nasce de um território. Carrega memórias, afetos, ancestralidades, disputas e formas próprias de enxergar o mundo. É a partir dessa ideia que a Festa Literária Internacional de Niterói (FLIN) realiza sua edição de 2026 com o tema Territórios das Palavras. Entre os dias 13 e 16 de agosto, o Reserva Cultural de Niterói será ocupado por escritores, artistas, pesquisadores, educadores e leitores em quatro dias de programação gratuita inspirada no pensamento da antropóloga, filósofa e ativista mineira Lélia Gonzalez (1935-1994), homenageada desta edição. O evento é realizado pela Prefeitura de Niterói, por meio da Fundação de Arte de Niterói (FAN).

Com expectativa de receber 30 mil pessoas, a FLIN reafirma sua vocação como um dos principais encontros literários do país ao promover um diálogo entre literatura, música, teatro, audiovisual, jornalismo, cultura popular e produção acadêmica. Mais do que uma festa literária, a edição de 2026 propõe um espaço de circulação de ideias, encontros e reflexão sobre os diferentes territórios da palavra, reunindo autores nacionais e internacionais, artistas, intelectuais, estudantes, professores, pequenas editoras e novos leitores em torno de uma programação plural e acessível.

“A FLIN vem se consolidando como uma das mais importantes festas literárias do país, reafirmando Niterói como uma cidade que valoriza a cultura, a literatura, o pensamento e a democracia. É mais do que um evento, é um ato de valorização das nossas raízes, da nossa gente e da potência criativa das comunidades. Receber autores e artistas de tamanha relevância é motivo de orgulho, mas o que mais nos emociona é ver a população participando. É fundamental garantir que todos tenham acesso ao conhecimento, à arte e à leitura”, ressalta o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves.

A escolha de Lélia Gonzalez orienta toda a construção da programação. Referência incontornável do pensamento brasileiro, a intelectual desenvolveu conceitos como amefricanidade e pretuguês, fundamentais para compreender as contribuições das matrizes africanas e indígenas na formação da identidade brasileira e latino-americana. Seu legado inspira mesas que atravessam literatura, relações raciais, feminismos, memória, educação, oralidade, diversidade, políticas culturais e formação de leitores.

“Escolher Lélia Gonzalez como homenageada é reconhecer a força de uma das maiores intelectuais brasileiras e trazer seu pensamento para o centro das conversas que queremos provocar na FLIN. Territórios das Palavras nasce da compreensão de que toda narrativa parte de um lugar, de uma experiência e de uma história. Queremos que a festa seja um espaço na qual diferentes vozes se encontrem, sejam ouvidas e ampliem nosso olhar sobre o país e sobre nós mesmos”, afirma Micaela Costa, presidenta da Fundação de Arte de Niterói (FAN).

Literatura em diálogo com música, teatro e pensamento
A edição de 2026 reúne algumas das principais vozes da literatura e da cultura contemporâneas. Um dos momentos mais aguardados da programação ocorre no encerramento da festa, no domingo, dia 16, quando a atriz imortal da ABL Fernanda Montenegro apresenta a leitura dramática Fernanda Montenegro lê Simone de Beauvoir, espetáculo que passou por temporadas de sucesso no Rio de Janeiro e em São Paulo. A leitura dramática aborda a visão libertária de Simone de Beauvoir (1908-1986) sobre o feminismo, além de sua ligação de vida com o filósofo Jean-Paul Sartre (1905-1980).

“Fui jovem numa época emblemática. Sou de uma geração que se pronunciava e ia às ruas para pensar e sentir. Devemos refletir sobre o nosso cotidiano cada vez mais saturado de esperanças não realizadas, pela desinteligência e, infelizmente, pela brutalidade. Neste sentido, esta leitura oferece também uma oportunidade para que o público jovem conheça um pouco mais sobre a paixão, a energia, a audácia e as contradições humanas de Simone de Beauvoir, uma das pensadoras mais influentes do século 20”, afirma Fernanda Montenegro.

Uma galeria de grandes nomes da literatura vai dar o ar de sua graça na FLIN, como Emicida, Ana Maria Gonçalves, Eliana Alves Cruz, Jeferson Tenório, Conceição Evaristo, Lilia Schwarcz, Ana Maria Machado, Rosiska Darcy, Ruy Castro, Cidinha da Silva, Luiz Antonio Simas, Tatiana Salem Levy, Mariana Salomão Carrara e duas vozes internacionais: os angolanos Ondjaki e Valter Hugo Mãe, cujo mais recente livro foi o campeão de vendas na Flip 2026.

A literatura dialoga ainda com outras linguagens artísticas. A música está representada por Teresa Cristina, MC Marechal, Tati Quebra Barraco e Michael Sullivan. O teatro, a televisão e o cinema também integram a programação, com participações dos atores Paulo Betti, Fabiana Karla e Dadá Coelho, além da diretora de cinema e TV Rosane Svartman, aproximando diferentes formas de criação e narrativa.

A programação também traz intelectuais, pesquisadores e comunicadores que fortalecem o diálogo entre literatura e sociedade. Participam da edição Jessé Souza, sociólogo e um dos principais intérpretes das desigualdades brasileiras; Ynaê Lopes dos Santos, historiadora especializada em escravidão e relações raciais; as jornalistas Ana Paula Araújo, Carol Raimundi e Luciana Barreto; Giovanna Heliodoro, pesquisadora e influenciadora que debate gênero, raça e direitos humanos; Geni Núñez, ativista indígena guarani; Laura Pires, escritora e professora, com foco em relações interpessoais, comunicação e saúde social, e Midiã Noelle, jornalista e pesquisadora, que atua na interseção entre comunicação e justiça racial.

FLIN plural

A pluralidade da FLIN 2026 se completa com escritores, poetas, criadores de conteúdo e comunicadores que vêm renovando a cena literária e cultural brasileira, como Jout Jout, jornalista e Youtuber, Déia Freitas, criadora e apresentadora do podcast Não Inviabilize, um dos maiores fenômenos de narrativas em áudio do país; Stefano Volp, escritor reconhecido por romances que destacam identidade, pertencimento e juventude; Pedro Salomão, escritor, palestrante e uma das vozes contemporâneas que abordam questões humanas com sensibilidade, criatividade e profundidade, Gabi Oliveira, comunicadora, escritora e criadora do podcast Afetos.

Entre as atrações também estão Carol Loback, atriz, criadora de conteúdo e podcaster; Jeovanna Vieira, escritora dedicada às narrativas negras e às literaturas afro diaspóricas; Igor Pires, poeta, escritor e criador de conteúdo literário; Renata Andrade e Thaís Pontes, autoras roteiristas e cocriadoras da série Encantado’s da TV Globo; e Carlos Ruas, criador das tirinhas Um sábado qualquer, que trabalha humor e religião de uma forma divertida, trazendo debate e reflexão sobre o assunto.

ABL e Biblioteca Nacional fortalecem a edição
Este ano, a Festa Literária Internacional de Niterói inaugura sua articulação com duas instituições essenciais às letras. A Academia Brasileira de Letras (ABL) e a Biblioteca Nacional apoiam a realização do festival e participam da programação, com a presença de 14 acadêmicos da ABL, distribuídos em diferentes mesas ao longo dos quatro dias, além de um encontro especial dedicado à Academia. Antônio Carlos Secchin, Antônio Torres, Geraldo Carneiro, Godofredo de Oliveira Neto, João Almino, Paulo Henriques Britto e Ricardo Cavaliere são esperados na FLIN.

A curadoria como um todo é assinada por Vilma Piedade, Elisa Ventura, MC Marechal, Edu Krieger, Carla Portilho, Jordão Pablo de Pão e Jackson Jacques, coordenador-geral da FLIN. O coletivo apostou em diferentes perspectivas da literatura, da música, da pesquisa e das artes para construir uma programação que dialoga com o Brasil contemporâneo, convidando autores consagrados, novas vozes, pesquisadores, professores, estudantes, pequenas editoras e leitores.

Com programação totalmente gratuita, tradução em Libras e audiodescrição em diversas atividades, a FLIN reafirma seu compromisso com uma cultura pública, democrática e acessível. A edição de 2026 também promove ações voltadas à formação de leitores, recebe estudantes da rede pública de ensino e desenvolve iniciativas de sustentabilidade, reforçando seu papel como política cultural de fomento à leitura e à circulação de ideias.

A FLIN 2026 tem patrocínio da Águas de Niterói e apoio da Universidade Federal Fluminense (UFF), da Academia Brasileira de Letras (ABL), da Biblioteca Nacional e da Ecovias Ponte.

Serviço
Festa Literária Internacional de Niterói (FLIN) 2026
De 13 a 16 de agosto
Reserva Cultural Niterói
Av. Visconde do Rio Branco 880, São Domingos
Entrada: Gratuita

Foto: Lucas Benevides

Sonho realizado: bailarino de Mogi das Cruzes que vive na Rússia estreia com o Balé do Theatro Municipal do Rio de Janeiro

O sonho começou no Corujão. Aos 8 anos, Gabriel Lopes assistiu ao filme Billy Elliot durante o Corujão da TV Globo e saiu com uma certeza: queria ser bailarino. O menino de Mogi das Cruzes (SP) transformou esse desejo em profissão. Formou-se pela Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, em 2016, construiu carreira na Rússia e, recentemente, subiu ao palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro ao lado da russa Natalia Osipova, uma das maiores bailarinas do mundo.

Agora, Gabriel realiza outro grande sonho. Nos dias 21, 23 e 25 de agosto, o bailarino estreia como convidado do Ballet do Theatro Municipal no papel de Basílio, protagonista de Don Quixote, contracenando com a primeira bailarina Juliana Valadão, no papel de Kitri. A direção geral é de Hélio Bejani.

“É uma realização antiga. Poder interpretar Basílio com o Ballet do Theatro Municipal é uma conquista enorme. Ao assistir a Billy Elliot, vi aquele menino lutando para realizar o sonho de dançar e pensei: ‘É isso que eu quero para a minha vida’. Sempre volto a esse filme quando preciso me reconectar com esse sonho. Ele me lembra por que escolhi a dança. Estar agora no palco centenário do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, um dos mais emblemáticos do Brasil, é como fechar um ciclo, ressalta Gabriel.

Juliana Valadão também comemora a parceria. “A expectativa para dançar Don Quixote ao lado do Gabriel é enorme. É uma alegria dividir o palco com um jovem bailarino que vem se destacando na cena internacional. Don Quixote exige confiança, cumplicidade e muita energia e, desde os primeiros ensaios, já senti que temos uma sintonia maravilhosa. Estou muito feliz e animada para viver esse momento ao lado dele.”

Natureza e arte se encontram em “PRO-POLIS”, nova exposição de Ricardo Siri

Há cerca de oito anos, o artista transdisciplinar Ricardo Siri começou a estudar e a criar abelhas nativas brasileiras. Esse processo lhe rendeu prêmios, como o terceiro melhor mel do Brasil, e transbordou para a sua criação artística. O resultado é apresentado pela primeira vez na exposição “PRO-POLIS”, no Museu Histórico da Cidade, na Gávea, Rio de Janeiro. Com curadoria de Fernanda Lopes, a mostra reúne cerca de 20 obras inéditas, entre pinturas e esculturas, produzidas com mel, cera de abelha e própolis. “Os trabalhos estabelecem uma ponte entre natureza, cidade e cultura, revelando processos invisíveis de construção coletiva, proteção e transformação”, afirma o artista.

“Em PRO-POLIS, Ricardo Siri transforma materiais produzidos pelas abelhas em dispositivos de pensamento. Ao trazer mel, cera e própolis para o campo da arte, o artista nos convida a refletir sobre formas de coexistência, cuidado e construção coletiva que atravessam tanto a natureza quanto a vida em sociedade. Seu interesse não está em representar a natureza, mas em trabalhar a partir dela. Seus materiais carregam histórias, geografias e relações ecológicas complexas”, diz a curadora Fernanda Lopes.

PRO-POLIS, de Ricardo Siri
Museu Histórico da Cidade | Est. Santa Marinha, s/nº – Gávea, Rio de Janeiro
Abertura: sábado, 27 de junho, às 9h
Visitação: de 27 de junho a 22 de agosto de 2026
Funcionamento: de terça a domingo, das 9h às 16h
Entrada gratuita

Ricardo Stambowsky revela universo de colagens inéditas em “Encontros Improváveis”

Colecionador de histórias e peças adquiridas ao longo de anos e repletas de valor afetivo, Ricardo Stambowsky constituiu um repertório próprio, que revela agora numa faceta até então conhecida apenas pelos mais íntimos em seu círculo de amizades. “Encontros Improváveis” apresenta ao público colagens inéditas, sob curadoria de Vanda Klabin.

Ricardo sempre cultivou uma relação íntima com a imagem, inclusive em incursões pelas artes plásticas: frequentou as aulas de Ivan Serpa no MAM e de modelo vivo com Waldir Damásio. A veia artística, enfim, se manifestou. Inicialmente produzidas para presentear amigos próximos, suas colagens nasceram de maneira espontânea, sem pretensões expositivas. Com o passar do tempo, entretanto, o exercício contínuo de recortar, deslocar e recombinar elementos revelou uma linguagem autoral marcada pela liberdade associativa e pela construção de narrativas visuais inesperadas.

Encontros Improváveis, de Ricardo Stambowsky
Galeria Patrícia Costa | Shopping Cassino Atlântico
Av Atlântica, 4240 – lojas 224 e 225 – Copacabana
Abertura: dia 22 de julho, das 17h às 20h
De segunda a sexta, das 11h às 19h
Sábados 11h às 17h.
Entrada gratuita

Clássico de Tchékhov, Gaivota revisita crises humanas que ecoam na sociedade contemporânea

O que faz uma peça escrita há mais de 130 anos continuar descrevendo com tanta precisão as inquietações do presente?

A nova montagem da Armazém Companhia de Teatro estreia em 5 de agosto de 2026, no Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro

Em 2026, a Armazém Companhia de Teatro completa 39 anos de atividades ininterruptas

Mais de um século após sua criação, A Gaivota segue provocando o público ao revelar conflitos humanos que atravessam gerações e permanecem profundamente atuais. Escrita por Anton Tchékhov no final do século XIX, a obra retorna aos palcos pela Armazém Companhia de Teatro, versão cênica de Paulo de Moraes, como um retrato sensível das relações afetivas, das inquietações existenciais e da busca incessante por reconhecimento em uma sociedade marcada pela frustração e pela solidão. Gaivota, como a Armazém prefere chamar sua nova montagem, tem elenco formado por Bruno Lourenço (Boris Trigórin), Fe Bustamante (Dorn), Isabel Pacheco (Masha), Jopa Moraes (Konstantin), Lorena Lima (Nina), Patrícia Selonk (Irina Arkádina) e Sérgio Machado (Sórin). A temporada de estreia nacional será no CCBB Rio de Janeiro, de 5 de agosto até 13 de setembro de 2026, quarta à sexta às 19h, sábado e domingo às 18h, e é apresentada pelo Ministério da Cultura e Banco do Brasil, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet). Além de sessões com intérprete de LIBRAS, todas as apresentações terão monitores capacitados para o atendimento do público PCD.

Considerada um marco do teatro moderno, a peça de Tchékhov rompeu com os modelos dramáticos tradicionais ao deslocar o foco das grandes ações para os conflitos íntimos e silenciosos de seus personagens. Com diálogos sutis, humor melancólico e forte carga psicológica, o dramaturgo russo constrói uma obra em que o não dito ganha protagonismo, revelando tensões emocionais que continuam ressoando no presente. Ao discutir os embates entre tradição e renovação artística, a obra também lança um olhar sobre os desafios da criação cultural em tempos de transformação. O conflito entre diferentes gerações, linguagens e visões de mundo reforça a atualidade de uma obra que segue interrogando o papel da arte e das relações humanas diante das incertezas da sociedade.

Ambientada em uma propriedade rural às margens de um lago, a peça acompanha personagens movidos por desejos interrompidos, ambições artísticas e amores não correspondidos. No centro da narrativa estão Konstantin Treplev (Jopa Moraes), jovem escritor que sonha transformar a linguagem teatral, e Nina (Lorena Lima), aspirante a atriz fascinada pela ideia de sucesso e realização artística. Ao redor deles, figuras consumidas pelo desgaste emocional expõem a fragilidade dos vínculos humanos.

A montagem da Armazém dialoga diretamente com questões contemporâneas ao abordar temas como ansiedade, necessidade de validação, crise de pertencimento e pressão por reconhecimento social e profissional. Em uma época marcada pela exposição constante, pela competitividade e pela busca de visibilidade, os personagens de Tchékhov refletem angústias que permanecem presentes na vida contemporânea.

O diretor Paulo de Moraes reflete que “um clássico não pode ser tratado com reverência. Ele permanece vivo justamente porque continua produzindo atrito, desconforto e conflito. Em A Gaivota, o que mais me atravessa é a necessidade humana de pertencimento. Mais do que reconstruir Tchekhov, nosso desafio é descobrir como essa gaivota continua nos observando hoje.”

Entre humor, desencanto e desejo, a peça de Tchékhov permanece como um retrato profundo da condição humana – uma peça que atravessa o tempo ao transformar fragilidades íntimas em reflexão coletiva.

A Armazém Companhia de Teatro, que completa 39 anos de atividades ininterruptas em 2026, consolidou-se como um dos mais importantes grupos teatrais brasileiros, aliando pesquisa artística, inovação cênica e reconhecimento internacional. Fundada em 1987, em Londrina (PR), sob a direção de Paulo de Moraes, e sediada no Rio de Janeiro desde 1998, a companhia desenvolveu uma linguagem própria, marcada pela centralidade do trabalho do ator, pela investigação das relações entre corpo, palavra, tempo e espaço e pela criação de dramaturgias originais. Sua trajetória reúne montagens de grande diversidade estética, sempre unificadas por uma lógica cênica singular, além de apresentações no Brasil e no exterior e importantes premiações internacionais, como o Fringe First Award, no Festival Fringe de Edimburgo (2013 e 2014), e o Coup de Cœur de la Presse d’Avignon, no Festival Off de Avignon (2014), reafirmando sua relevância no cenário teatral contemporâneo.

Ficha técnica

Apresentação: Ministério da Cultura e Banco do Brasil
Direção: Paulo de Moraes
Dramaturgia: Maurício Arruda Mendonça, Jopa Moraes e Paulo de Moraes a partir da obra de Anton Tchékhov
Montagem da Armazém Companhia de Teatro
Elenco: Bruno Lourenço (Boris Trigórin), Fe Bustamante (Dorn), Isabel Pacheco (Masha), Jopa Moraes (Konstantin), Lorena Lima (Nina), Patrícia Selonk (Irina Arkádina) e Sérgio Machado (Sórin)
Cenografia: Carla Berri e Paulo de Moraes
Iluminação: Maneco Quinderé
Figurinos: Carol Lobato
Direção musical: Ricco Vianna
Preparação corporal: Paulo Mantuano
Designer gráfico: Jopa Moraes
Assessoria de imprensa: Ney Motta
Fotografias e vídeos: João Gabriel Monteiro
Produção: Armazém Companhia de Teatro
Realização: Governo do Brasil e Centro Cultural Banco do Brasil

Serviço

Gaivota
Montagem da Armazém Companhia de Teatro
Temporada: 5 de agosto até 13 de setembro de 2026, quarta à sexta às 19h, sábado e domingo às 18h.
Duração: 120 minutos
Classificação: 14 anos

Local: Centro Cultural Banco do Brasil – Teatro II
Rua Primeiro de Março, 66, Centro, Rio de Janeiro
Valor do ingresso: R$ 30 (inteira) e R$15 (meia-entrada)
Ingressos adquiridos na bilheteria do CCBB ou antecipadamente pelo site bb.com.br/cultura
Estudantes, maiores de 65 anos e Clientes Ourocard pagam meia entrada.

Eduardo Baltazar apresenta a exposição “O olho do dia” na Galeria Athena

Em “O olho do dia”, de Eduardo Baltazar se entrega à uma cena. Um pôr do sol mergulha em águas calmas e violentas, se rodeia de árvores ancestrais ou é avistado de uma ilha ao longe. Entre a fertilidade e o perigo, a luz e o ofuscamento, o astro rei emerge como uma presença ambígua – simbolismo que se refaz a cada pintura. A mostra conta com curadoria de Bia Coslovsky.

Galeria Athena | Rua Estácio Coimbra 50, Botafogo, Rio de Janeiro
Visitação até 29 de agosto
Horário: de terça a sexta: 11h às 19h | Sábado: 12h às 17h
Entrada gratuita

Nova mostra de Caio Luiz revisita a Baixada Fluminense por meio da pintura

A exposição parte da ideia de que o lugar de origem é também um lugar de pensamento. Em suas pinturas, a Baixada Fluminense deixa de ser apenas um espaço geográfico para se transformar em um território simbólico, onde experiências cotidianas, afetos e questões sociais se entrelaçam. Por meio de uma linguagem pictórica que aproxima cartografia, topografia e imaginação, Caio cria mapas afetivos que expandem as possibilidades de representação da paisagem.

As obras percorrem lembranças da infância, relações familiares e cenas do cotidiano, ao mesmo tempo em que abordam temas como a urbanização, a transformação da natureza e os impactos da expansão urbana sobre o território. Elementos recorrentes da paisagem da Baixada, como montanhas, quintais, árvores, o cimento e o horizonte, tornam-se protagonistas de narrativas em que realidade e fabulação coexistem.

Terra de Gigantes, de Caio Luiz
Portas Vilaseca Galeria | Rua Dona Mariana, 137, casa 2, Botafogo – Rio de Janeiro
Visitação: de 16 de julho a 22 de agosto de 2026
Terça a sexta, das 11h às 19h; sábados, das 11h às 17h
Entrada gratuita

Celebração da vida de um gigante da música brasileira

Aos 83 anos, Chico Batera se apresenta na Sala Nelson Pereira dos Santos no dia 5 de agosto

Um dos músicos brasileiros responsáveis por consolidar a Bossa Nova e a MPB ao redor do mundo celebra seus 83 anos e mais de seis décadas de carreira com um show gratuito em Niterói. O espetáculo “Chico Batera, o ritmo de uma vida inteira” leva o percussionista, baterista e compositor carioca para a Sala Nelson Pereira dos Santos, em São Domingos, no dia 5 de agosto, às 20h.

Na equipe de Chico Buarque há mais de 40 anos, Chico Batera já subiu ao palco na companhia de Sergio Mendes, Jorge Ben, Frank Sinatra, Ella Fitzgerald, Tom Jobim e Quincy Jones, entre outras estrelas da música. As apresentações com Elis Regina no Montreux Jazz Festival, em 1979, na Suíça, entraram para a história da MPB.

O artista destaca que a música, antes de ser técnica, é intuição e prazer.

“Em inglês e francês, as palavras que significam ‘tocar’ também têm o sentido de brincar. Quando um músico sobe ao palco, ele está, essencialmente, brincando com os sons. A arte é o playground mais sofisticado que existe”, diz ele.

Na Sala Nelson, Chico Batera estará com os músicos Marcos Nimrichter (piano), Rodrigo Villa (baixo), Jorge Continentino (sopros), Felipe Tauil (percussão) e Aline Porto (percussão). As vozes de Cacala Carvalho e Thais Mota vão ajudar a embalar a noite.

Serviço:

Chico Batera, o ritmo de uma vida inteira
Data: 5 de agosto
Horário: 20h
Local: Sala Nelson Pereira dos Santos (Av. Visconde do Rio Branco 880, São Domingos)
Entrada franca.

Ensaios fotográficos podem ser feitos de forma gratuita no interior do Palácio Tiradentes

O agendamento é feito por e-mail, e o serviço oferece acesso a ambientes históricos da sede histórica da Alerj para registrar momentos especiais

Cenário de grandes momentos da política brasileira, o centenário Palácio Tiradentes está com as portas abertas para ensaios fotográficos, que podem ser realizados, de forma gratuita, mensalmente, sempre numa sexta-feira. A sede histórica da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) passou a oferecer esse serviço desde o início do ano, atendendo à alta procura de noivos e debutantes e ao desejo da população de registrar etapas marcantes da vida em um dos prédios mais belos da capital fluminense.

Para fazer ensaios no espaço, basta solicitar o agendamento através do e-mail cultura@alerj.rj.gov.br e checar a possibilidade de datas. A Alerj disponibiliza o saguão principal e o Salão Nobre para as fotos, que devem ser realizadas em até 40 minutos. Na famosa escadaria de entrada, o tempo é livre. É permitida a entrada de no máximo dois fotógrafos junto aos casais, já as debutantes podem levar também um acompanhante.

O serviço é supervisionado pela Subdiretoria de Cultura da Assembleia, que decidiu abrir o prédio para ensaios com o objetivo de ceder gratuitamente parte de um espaço público à população, incentivando a valorização do patrimônio histórico e fortalecendo a aproximação entre o Parlamento e os cidadãos.

“O Palácio é muito procurado pela grandiosidade e pela beleza da arquitetura. Além das visitas guiadas, essa é mais uma forma de democratizar o acesso a um instrumento que é aberto ao público. Tudo foi pensado também para garantir que não haja danos ao patrimônio, que é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)”, explicou a profissional de relações institucionais da Alerj, Vitória Mello.

Entre as regras para o uso do espaço em ensaios está a proibição da utilização de flash ou qualquer equipamento de iluminação artificial no salão nobre, a fim de preservar as pinturas do cômodo. Também não é permitido fazer trocas de roupas nas dependências do Palácio, usar drones, levar comidas e bebidas ou encostar em paredes, estátuas e mobiliários. Os equipamentos fotográficos devem contar ainda com borrachas de proteção nos tripés.

Segundo o fotógrafo Flaviano Vaz, de 42 anos, os profissionais e os contratantes têm o espaço entre os seus favoritos para ensaios desde a época em que as fotos só eram permitidas na área externa. “É ótimo saber que o prédio está aberto porque os clientes pedem fotos aqui. Além de ter uma luz natural ótima, é um lugar muito bonito e bem cuidado”, elogiou.

Por esses motivos, a estudante Gabrielle Kozlowski saiu de Nova Iguaçu para fazer as fotos oficiais da sua festa de 15 anos, que acontecerá na Baixada Fluminense em outubro. “O meu tema é baile de primavera e eu queria um lugar clássico para registrar tudo. É um espaço diferente, principalmente o Salão Nobre, que tem um teto lindo”, contou.

Já os noivos Ana Carolina Marinho e Abrahão Mendes, de 22 e 26 anos, escolheram o Palácio Tiradentes depois de achar referências no Pinterest, famosa rede social visual que funciona internacionalmente como um mural de ideias digital. “Quando vi, percebi que era perfeito para a vibe ‘princesa’ que eu buscava para as fotos do casamento”, disse Ana.

Visite o Palácio

O Palácio Tiradentes conta com uma exposição permanente e recebe visitas guiadas gratuitas, de segunda a sexta-feira, das 10h às 17h. Os agendamentos para grandes grupos podem ser feitos neste link. Durante a visita, o público pode acompanhar os principais acontecimentos que marcaram a história do edifício e conhecer um dos mais importantes símbolos da democracia brasileira e da arquitetura da Belle Époque carioca.