Museu Bispo do Rosario, no RJ, recebe exposição ‘Casa Própria’

O Museu Bispo do Rosario Arte Contemporânea apresenta, entre os dias 21 de março e 9 de maio, a exposição Casa Própria, primeira individual de Ana Hortides na instituição. Com curadoria de Pollyana Quintella e produção da Atelier Produtora, a mostra reúne um conjunto de trabalhos produzidos ao longo dos últimos anos de pesquisa da artista, incluindo obras inéditas, e propõe uma reflexão sobre a casa como espaço simbólico, político e afetivo.

Ana Hortides’Raios’ série Platibanda 2025. Concreto e cerâmica 70 x 70 x 7 cm
A partir de referências diretas à arquitetura do subúrbio carioca, Ana Hortides desenvolve uma investigação plástica que transforma elementos recorrentes da construção civil popular em matéria artística. Cimento, azulejos, pisos e fragmentos cerâmicos aparecem em esculturas, instalações e pinturas que deslocam esses materiais de seu uso funcional, criando estruturas que tensionam noções de permanência, improviso e pertencimento.

Sobre a artista Ana Hortides
Oriunda de Vila Valqueire, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, a artista estabelece uma relação direta entre sua trajetória pessoal e os modos de construção presentes nas periferias urbanas.

Escadas, lajes, fachadas e platibandas, frequentemente associadas ao trabalho informal e ao saber prático de pedreiros e construtores populares, surgem na exposição como formas autônomas, deslocadas de suas funções originais para se afirmarem como linguagem visual e discurso crítico.

Sobre a exposição do Museu Bispo do Rosario Arte Contemporânea

A exposição ocupa a galeria Carlos Miguel do Museu Bispo do Rosario reunindo obras das séries Casa 15 (2020-2026), Platibanda (2024-2026) e To and fro (2026). Em Casa Própria, Hortides investiga os padrões ornamentais que marcam as fachadas das casas populares brasileiras, especialmente o uso de cacos cerâmicos e pisos coloridos aplicados de forma manual. Essas composições, muitas vezes nomeadas pela artista como “padrão” ou “raios”, compõem um repertório visual que atravessa o cotidiano urbano e ganha densidade poética no espaço expositivo.

Serviço
Exposição ‘Casa Própria’, de Ana Hortides
Curadoria: Pollyana Quintella
Local: Museu Bispo do Rosario Arte Contemporânea
Endereço: Edifício Sede da Colônia Juliano Moreira – Estr. Rodrigues Caldas, 3400. Taquara, Rio de Janeiro.
Período: de 21 de março a 09 de maio de 2026.
Visitação: de terça a sábado, das 9h às 17h.
Classificação: livre.
Entrada Gratuita.
Acessibilidade: audiodescrição e intérpretes de Libras.

“Niterói de Todos os Ângulos” revela a força do tecido acrobático no Parque da Cidade

Mostra tem apoio da Prefeitura de Niterói, através da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer (SMEL)

Niterói é cenário de arte, movimento e sensibilidade com a abertura da exposição fotográfica “Niterói de Todos os Ângulos”, que estreou nesta terça-feira (07) no Parque da Cidade, um dos cartões-postais mais emblemáticos do município.

A mostra propõe um novo olhar sobre o tecido acrobático, reunindo imagens que capturam a beleza, a técnica e a expressividade dessa prática que transita entre o esporte e a arte.

A exposição apresenta registros impactantes que exploram diferentes perspectivas — do alto, do movimento e da emoção — valorizando o corpo em cena e sua interação com paisagens icônicas da cidade.

Com o tema voltado ao tecido acrobático, a exposição convida o público a enxergar Niterói sob novas óticas, onde arte e esporte se encontram em composições visuais únicas, tendo como cenário um dos pontos mais visitados da cidade.

O evento conta com o apoio da Prefeitura de Niterói, por meio da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer (SMEL), fortalecendo o incentivo a iniciativas que promovem cultura, bem-estar e ocupação criativa dos espaços urbanos.

“O esporte também é expressão artística. Projetos como o “Niterói de Todos os Ângulos” ampliam o olhar da população sobre modalidades como o tecido acrobático e mostram o potencial da nossa cidade como palco de experiências culturais inovadoras”, afirma o secretário municipal de Esporte e Lazer de Niterói, Luiz Carlos Gallo.

A exposição reforça o papel de Niterói como cidade que valoriza a integração entre cultura e esporte, promovendo experiências acessíveis e inspiradoras para toda a população.

SERVIÇO:
Exposição: Niterói de Todos os Ângulos
Local: Parque da Cidade — Niterói (RJ)
Entrada: Gratuita

Governo do Estado inaugura exposição com 60 artistas do RJ e reforça acesso gratuito à cultura

O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, inaugura na próxima quinta-feira (09/04) duas novas exposições na Casa Brasil, no Centro do Rio. Com entrada gratuita, entram em cartaz a coletiva Casa Fluminense e a individual Cada Cabeça é um Mundo, da artista Melissa Oliveira. O espaço é vinculado ao Governo do Rio, em parceria com o Ministério da Cultura e a Petrobrás, consolidando o acesso público à produção artística.

As mostras reúnem 97 obras de 60 artistas de diferentes regiões do estado e dão continuidade à programação do espaço, que já recebeu mais de 80 mil visitantes em quatro meses com exposições anteriores.

– Celebramos este novo momento da Casa Brasil com uma grande ocupação da cultura do nosso estado, que é tão rica e potente. O apoio da Petrobras tem sido fundamental para abrir as portas para a arte fluminense, reforçando a valorização do nosso fazer cultural, nossa identidade e representa que o Rio de Janeiro ganha mais uma casa para a cultura fluminense – destaca Danielle Barros, Secretária de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro.

Valorização da Cultura do Estado do Rio

A exposição coletiva “Casa Fluminense” apresenta múltiplos olhares sobre o estado do Rio, abordando temas como identidade, diversidade, turismo e tradições. Com curadoria de Aliã Guajajara Waimiri, Cadu, Jocelino Pessoa, Marcelo Campos e Tania Queiroz, a mostra reúne artistas de cidades como Rio de Janeiro, Niterói, Campos dos Goytacazes, Volta Redonda, Paraty, Maricá e Teresópolis.

Já “Cada Cabeça é um Mundo”, de Melissa Oliveira, o público tem acesso a uma série fotográfica sobre o cotidiano das barbearias em comunidades cariocas. Natural do Morro do Dendê, na Ilha do Governador, a artista retrata profissionais que movimentam a economia criativa em territórios como Jacaré, Manguinhos e Chatuba.

Roda de conversa

Além das exposições, a programação inclui a ação “Conversas de Casa”, encontro que reúne participantes de cursos livres realizados em parceria com a Escola sem Sítio, promovendo troca de experiências e processos criativos.

– Casa Fluminense e Cada Cabeça é um Mundo dão continuidade ao momento de consolidação e expansão da nova fase da Casa Brasil, após a potência das primeiras exposições, que levaram mais de 80 mil visitantes ao nosso equipamento cultural. Com o patrocínio oficial da Petrobras, a Casa Brasil articula diferentes linguagens, públicos e perspectivas em torno de uma proposta conceitual consistente. Somos a casa da arte brasileira e também fluminense – conta Tania Queiroz, diretora da Casa Brasil.

Vinculada à Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, a Casa Brasil passa por um processo de reestruturação que inclui nova identidade e ampliação da programação. O projeto é realizado em parceria com a V ARTE e o Ministério da Cultura, com patrocínio da Petrobras, dentro do Programa Petrobras Cultural.

Localizada no Corredor Cultural do Centro do Rio, a Casa Brasil se consolida como um dos principais espaços de difusão da produção artística contemporânea no estado. Esse reposicionamento integra um projeto de reestruturação contemplado no edital Novos Eixos da Petrobras, na linha Ícones da Cultura Brasileira, dentro do Programa Petrobras Cultural. As exposições ficam em cartaz até 8 de julho, com visitação de terça a domingo, das 10h às 17h.

Theresa da Costa apresenta o show ‘Elton por Mim’, trazendo clássicos eternos do artista, no Teatro Grajaú, dia 18 de abril

A cantora Theresa da Costa apresenta o show ‘Elton por Mim’, no próximo dia 18 de abril, no Teatro Grajaú, interpretando clássicos eternos do artista em versões que revelam novas camadas de emoção — unindo teatralidade, interpretação vocal e um toque de intimismo que convida o público a reviver memórias e sentimentos. O show é uma viagem afetiva pelo universo de Elton John, com arranjos cuidadosamente elaborados para piano e Cello, e momentos de pura conexão entre artista e plateia.

Sobre Theresa da Costa

Theresa da Costa é cantora, atriz, bailarina e fisioterapeuta, com trajetória marcada pela união entre arte e sensibilidade humana. Como intérprete, se destaca pela expressividade cênica e pelo timbre suave e emocional que transita entre o pop, o soft belt e o semi- lírico. Nos palcos, apresenta projetos próprios, homenageando grandes nomes da música nacional e internacional, sempre com identidade própria e presença marcante.

Instagram: @theresadacosta.art

YouTube: https://www.youtube.com/@Theresadacosta

Ficha Técnica

Theresa da Costa no show Elton Por Mim

Idealização / Voz e Performance / Roteiro – Theresa da Costa

Direção cênica e de movimento – Paulo Marques

Direção Musical / Arranjos para Piano e Cello / Piano – Isaías Alves

Cello – Gibran Moraes

Preparação Vocal – Jardel Maia

Projeto Gráfico – Martelo Marketing

Figurino – Paulo Marques

Fotografia – Mauricio Maia

Direção Geral – Theresa da Costa

Recepção/ bilheteria – Staine Motta

Assessoria de Imprensa – Paula Ramagem

Produção – Butterfly Produções

Co – produção – Juliana Torrez

Serviço

Show: Elton por Mim

Artista: Theresa da Costa

Local : Teatro Grajaú

Grajaú Tênis Clube – Av. Engenheiro Richard, 83 – Tijuca

Data:18 de abril de 2026, às 19h

Ingressos pelo Sympla LINK https://www.sympla.com.br/evento/theresa-da-costa-apresenta-elton-por-mim/3339376?share_id=whatsapp

Inteira: R$ 40,00 / Meia: R$ 20,00 / Valor promocional: R$ 25,00 (em 3 lotes)

Galeria de Arte IBEU recebe a 49ª edição da coletiva Novíssimos

No coração do Jardim Botânico, a Galeria de Arte IBEU reafirma seu papel como um dos principais termômetros da arte emergente no Rio de Janeiro. O espaço abre as portas para a 49ª edição da Novíssimos, a exposição coletiva mais tradicional do país dedicada a novos talentos até 8 de maio. A seleção dos participantes deste ano foi resultado de um concorrido edital, ocorrido em novembro de 2025, que recebeu 115 inscrições.

Pela primeira vez sob curadoria de Bruno Miguel, a mostra reúne 13 nomes que mapeiam diferentes trajetórias. O panorama abrange desde a presença da artista Makh Hanamakh — nascida em Tóquio e radicada no Rio — até a força da produção fluminense com Beth Rocha, Bruna Manarelli, Carolina Amorim, Claudia Castro Barbosa, Patrícia Peixoto, Fogo e Ian Raposo. A seleção se completa com o olhar de Eduardo Baltazar (Niterói), Marcelo Rezende (São Gonçalo), Renan Henrique Carvalho (Espírito Santo), a recifense Ana Leal e o paulista João Buson.

“Tenho a certeza de que muitas carreiras ainda terão esse “novo velho” salão como etapa importante dos seus desenvolvimentos artísticos. Assim como foi para mim e para tantos outros”, comenta Bruno Miguel.

Apresentando um diálogo entre múltiplas linguagens, a exposição inclui pintura, fotografia, desenho, objetos e instalações. Mais do que uma mostra, a Novíssimos funciona como um salão de premiação: ao final da temporada, um dos participantes será eleito pela Comissão de Seleção do IBEU para realizar uma mostra individual na galeria.

Um legado de fomento às artes

O vínculo do Instituto Brasil-Estados Unidos (IBEU) com o universo das artes visuais começou em 1940, na antiga sede da Rua México, com uma mostra de águas-fortes de Carlos Oswald. Esse pioneirismo se expandiu em 1960, com a abertura Galeria de Arte IBEU, no bairro de Copacabana, espaço que recebeu nomes como Tarsila do Amaral, Cândido Portinari e Iberê Camargo.

Dois anos depois, em junho de 1962, a coletiva Novíssimos foi criada com a objetivo de revelar e incentivar novos valores da arte contemporânea. Desde então, a mostra passou a integrar de forma permanente a programação da instituição e do calendário artístico da cidade. Em 2017, ano em que o IBEU celebrou seus 80 anos, foi inaugurada a nova Galeria de Arte IBEU, no bairro do Jardim Botânico, este é o espaço que certamente ficará na memória dos participantes desta edição.

Serviço:

Exposição: Novíssimos 2026

Curadoria: Bruno Miguel

Local: Galeria de Arte IBEU – Rua Maria Angélica, 168 – Jardim Botânico- Rio de Janeiro

Visitação: até 08 de maio de 2026

Horários: Segunda a quinta, das 13h às 19h | Sexta, das 12h às 18h

Entrada: Gratuita

“Memória Bambi”, de Ana Miguel, na galeria Cavalo

A Cavalo recebe “Memória Bambi”, individual de Ana Miguel, no espaço da galeria no Rio de Janeiro. A artista apresenta uma série de obras montadas de forma a constituírem uma grande instalação.

“Era uma vez”… Assim começam tradicionalmente as fábulas infantis, indicando um tempo passado, nostálgico e mágico. A expressão clássica funciona como uma “chave” que marca o início da ficção e cria o ambiente propício para o leitor entrar no universo imaginário. Esse é o convite que Ana Miguel nos faz ao entrarmos na casa de ladrilhos vermelhos em Botafogo.

Ana sempre gostou de contos de fadas e narrativas tradicionais, histórias abertas que admitem múltiplas versões e adaptações. Vindas de diferentes culturas, muitas delas revelam os aspectos mais aterrorizadores e traumáticos da experiência humana. Admitem a contradição, o acontecimento maravilhoso, o enigma.

A Floresta é um cenário recorrente nos contos clássicos, carregada de significados míticos e vitais. Bambi é uma fábula que trata do processo de crescer e tornar-se adulto, povoada por personagens que são pequenos animais em relação conflituosa com os seres humanos, e habita a memória de crianças e adultos.

“Memória Bambi” é uma instalação que a artista desenvolve a partir de suas pesquisas em livros, filmes e discos, originalmente dedicados ao público infantil. Miguel lê, revê as diferentes versões, torna a escutar os antigos disquinhos, indaga aos amigos suas memórias e percepções, tenta fabular fios de sentidos e possíveis transformações para a crua história original, para o belo e doloroso filme que tantas lágrimas provocou nas crianças.

“Bambi: A história de uma vida na floresta” – o livro original de Felix Salten, publicado em 1923 – foi uma das vítimas das fogueiras nazistas! Para muitos o filme inspirado no livro, realizado pelos estúdios Disney em 1942, inaugurou a possibilidade de orfandade no mundo, e também evidenciou a perspectiva do desequilíbrio nas relações entre os humanos e os não humanos. Afinal, são os homens que levam as armas e o fogo para a floresta, rompendo o equilíbrio com a vida e a natureza.

Para a instalação, Ana recria uma floresta onírica onde micélios, raízes, árvores e cogumelos tecidos em crochê com lãs de tons brancos e vermelhos organizam o espaço. Um vinil narra o incêndio na história de Bambi, trazendo ao ambiente uma atmosfera de fantasia infantil: um trecho sonoro retrabalhado a partir de um disco tradicional dos anos 1970, que ecoa na memória dos espectadores. Pequenas cenas de incêndios florestais, dispostas em miniaturas e maletas, podem ser vistas na exposição, ora diretamente, ora por meio de lupas que revelam seus detalhes miúdos.

Em tempos de urgência climática, como falar dos criminosos incêndios que destroem nossas florestas? Em suas fabulações Ana Miguel oferece a Bambi e seus amigos a possibilidade de devolver o fogo aos humanos. Devolver o fogo aos donos do desastre é alertar e convocar ação coletiva. Buscar o final feliz possível, uma vida em equilíbrio respeitoso com a natureza, é tarefa no século XXI.

Serviço:
Memória Bambi, de Ana Miguel
Período da exposição: 26 de março a 23 de maio de 2026
Horário de funcionamento: terça a sexta, de 12h às 19h e sábados, de 13h às 17h
Local: Cavalo — Rua Sorocaba, 51 — Botafogo, Rio de Janeiro, RJ

“O que sustenta” traz obras inéditas do artista pernambucano Marcelo Silveira

O que sustenta” apresenta obras inéditas do artista pernambucano Marcelo Silveira (1962), feitas especialmente para o Paço Imperial. “O que sustenta” abrangerá os trabalhos “V.A.R.A.S.” (2021/2025), um conjunto com 50 madeiras recolhidas e trabalhadas pelo artista, que ficarão suspensas, flutuando ao sabor do vento que irá circular no espaço expositivo. No chão, estarão os “Novelos” (2023/2025), 300 peças formadas por fibras de linho encontradas por Marcelo Silveira em um depósito em ruína da extinta fábrica Braspérola, de produção de tecidos em linho, em Camaragibe, Pernambuco. Cada uma das fibras foi higienizada e manuseada de modo a formar um novelo. E “costurando “esses trabalhos haverá o som da obra “Tudo Certo” (2017), fruto de uma residência feita pelo artista em Belo Jardim, no Planalto da Borborema, no agreste pernambucano. Evocando a expressão “tudo certo”, repetida durante anos por seu pai, acometido pelo Alzheimer, o artista produziu um CD com dezenas de vozes de integrantes do coral da cidade, em diferentes timbres e entonações com a frase.

“As obras da exposição foram produzidas a partir de meu desejo de intervir no Paço Imperial, um espaço que foi sede do poder desde o século 18”, relata Marcelo Silveira.

Ele explica que este trabalho surgiu da tentativa de organizar suas ideias, como a do conceito de madeira de lei, “que surgiu no Brasil Colônia para designar madeira boa, e que já perdeu sua validade há bastante tempo, embora as pessoas ainda usem esta classificação”.

“Produzi as Varas como tentativa de mimetizar, reestruturar, reconstruir uma estrutura vegetal que é usada normalmente na taipa, no preenchimento de alguns espaços, e é uma árvore juvenil, no início do seu desenvolvimento, em que o cerne da madeira praticamente ainda não surgiu, e que precisaria de mais tempo para ser mais grossa e poder existir como madeira a ser usada na novelaria, na arquitetura e tudo o mais”. Marcelo Silveira destaca que praticamente todas as madeiras que estão na obra “V.A.R.A.S.”, recolhidas de descartes, são “protegidas”. “A mesma madeira de lei é descartada na cidade como sobra do mobiliário, sobra do uso e da irresponsabilidade das pessoas”, relata o artista. “Sobra madeira de todas as espécies, e recolho e reúno toda essa madeirama que encontro ao longo de muitos anos – mogno, ipê, jacarandá – e uso, de certa forma, com as curvaturas que vêm do mobiliário, do que foi um dia o mobiliário, de onde foi um dia alguma coisa”, conta.

Serviço: 28 de março até 7 de junho de 2026 / Centro Cultural do Patrimônio Paço Imperial (Praça Quinze de Novembro, 48, Centro)

Art Wall do Shopping Leblon apresenta “Mais e mais”, de Tomie Savaget

O Shopping Leblon recebe até 13/04 mais um edição do seu Art Wall com a exposição Mais e mais, assinada pela artista plástica e figurinista Tomie Savaget, com curadoria de Christiane Laclau, da Artmotiv. A obra propõe uma imersão sensível em formas contínuas e entrelaçadas, expandindo a delicadeza da dobradura em papel para uma presença abstrata no espaço arquitetônico do shopping.

Inspirada no kusudama, técnica japonesa de origami modular tradicionalmente associada ao costume de guardar ervas e remédios, a instalação parte de um gesto íntimo e artesanal para ganhar escala e dimensão pública. O que antes era objeto de cuidado e preservação transforma-se em construção espacial, composta por linhas que sugerem ritmo, fluxo e permanência.

Tomie SavagetTomie Savaget

“O que Tomie Savaget realiza em “Mais e mais” é uma subversão da escala. Ela retira o origami do universo da delicadeza e do ambiente doméstico, para elevá-lo ao status de construção espacial. É fascinante observar como uma tradição milenar é reconfigurada aqui em uma estrutura modular contínua, que dialoga diretamente com as questões da arte contemporânea”, dispara Christiane Laclau, curadora da Artmotiv.

Ao unir tempo, repetição e manualidade, Tomie Savaget tensiona tradição e contemporaneidade, propondo uma reflexão sobre memória, corpo e representação. Suas pesquisas atravessam relações entre história da arte e revisionismo historiográfico, o corpo como suporte e a artificialidade da representação, aproximando academicismo e artesanato em uma linguagem que valoriza o gesto e o fazer.

Mestra em arte contemporânea pela Université Paris 8 Vincennes–Saint-Denis, a artista estudou cenografia e figurino com J.C. Serroni e Telumi Hellen na SP Escola de Teatro e integrou o grupo de acompanhamento de projetos Hermes Artes Visuais, com Marcelo Amorin. Vive e trabalha no Rio de Janeiro.
“A cada edição, o Art Wall reafirma o compromisso do Shopping Leblon com a valorização da arte contemporânea e com a criação de experiências culturais acessíveis ao público. No Mês das Mulheres, receber uma artista como Tomie Savaget amplia esse diálogo, trazendo para o espaço uma obra que conecta delicadeza, força construtiva e tradição”, comenta Paula Magrath, gerente de marketing do Shopping Leblon.

Serviço | Art Wall – Shopping Leblon
Exposição: Mais e mais
Artista: Tomie Savaget
Período: 28/02 até 13/04
Endereço: Av. Afrânio de Melo Franco, 290 – Leblon, Rio de Janeiro
Entrada: gratuita

Manu Gomez apresenta a exposição À beira-mar, somos muitos, no Centro Cultural Correios Rio de Janeiro

“À beira-mar, somos muitos”, primeira individual da artista Manu Gomez, apresenta um conjunto de 14 pinturas inéditas que integram a série Sonhos dos Invisíveis. As obras mostram pescadores e cardumes em movimento coletivo, aproximando humanos e animais em composições de cores intensas que evocam memória, trabalho e estratégias de sobrevivência, sugerindo também uma reflexão sobre as dinâmicas que organizam a vida, o trabalho e os modos de existir em comunidade.

O Centro Cultural Correios Rio de Janeiro recebe até 9 de maio 2026 a exposição “À beira-mar, somos muitos”, primeira individual da artista Manu Gomez. A mostra, que tem curadoria de Jean Carlos Azuos, reúne 13 pinturas inéditas produzidas entre 2025 e 2026 em diversos formatos, incluindo um mosaico de 2,20 x 3,80m, e uma instalação ao centro da galeria, apresentando um recorte da série “Sonhos dos Invisíveis”, na qual a artista investiga relações entre memória, trabalho e vida coletiva.

Manu Gomez parte de memórias e histórias de sua própria família para construir um conjunto de pinturas que refletem sobre o trabalho e a vida de comunidades ligadas ao mar. Inspirada especialmente nas experiências de seu pai com a pesca submarina em Arraial do Cabo, a artista cria imagens em que pescadores, peixes e cardumes aparecem em movimento coletivo, muitas vezes fundidos em uma mesma cena.

Esses elementos funcionam como metáforas visuais: os cardumes evocam a força do coletivo e as estratégias de sobrevivência construídas em grupo, enquanto a presença constante do mar sugere tanto sustento quanto desafio para aqueles que vivem do trabalho da pesca. “Nesse sentido, cada figura pode ser compreendida como arquivo de trabalho, superfície viva na qual a experiência se inscreve e permanece, evidenciando como o corpo, historicamente reduzido à força produtiva, resiste como memória e como sujeito”, afirma o curador Jean Carlos Azuos.

Ao aproximar corpos humanos e animais em um mesmo fluxo, a artista propõe uma reflexão sobre como as relações de trabalho e de subsistência se organizam em torno da natureza e da vida em comunidade. “A ideia de quantidade vem junto com uma estratégia biológica: agrupar-se para parecer um animal maior do que se é. Ao unir humanos e peixes, proponho também uma reflexão sobre como o sistema nos reduz a commodities, a números — tanto peixes quanto humanos”, justifica Manu Gomez.

A EXPOSIÇÃO

Na parede do fundo da galeria, a artista apresenta uma instalação composta por 24 telas organizadas em um grande painel de 2,20 x 3,80m, que ela prefere chamar de quebra-cabeça. A obra funciona como uma imagem fragmentada formada por partes que se conectam e outras que permanecem deslocadas. “Aqui, os cardumes percorrem as telas como pensamento coletivo em movimento e, ao se repetirem de obra em obra, ondulam uma continuidade visual que a montagem acompanha, conduzindo o espectador por um fluxo que evoca a circulação da maré”, diz Azuos.

Para Manu, o trabalho se aproxima da ideia de um quebra-cabeça de corpos em trabalho e movimento, no qual diferentes fragmentos se articulam, mas nem sempre se encaixam perfeitamente. A obra também dialoga com aquilo que ela descreve como “a grande mão da economia que orienta nossos caminhos para o trabalho”, refletindo sobre o momento em que a vida produtiva passa a organizar o cotidiano e, muitas vezes, substitui a dimensão da brincadeira e da liberdade.

Outro elemento presente na exposição é um carrinho de transporte, objeto associado ao cotidiano de trabalho de seu pai e de seu avô, que o utilizavam para carregar materiais e deslocar objetos. Ao trazer esse elemento para a mostra, a artista propõe retirar a pintura da parede e colocá-la sobre o carrinho, transformando o objeto em suporte para a obra. A escolha também dialoga com a expressão popular “vender o peixe”, que dá nome à obra, conectando memória familiar, trabalho e a própria ideia de circulação das imagens.

Algumas pinturas ainda incorporam latas em suas composições. Esses elementos surgem a partir de associações ligadas ao consumo cotidiano e aos alimentos processados, frequentemente presentes em contextos de subsistência e trabalho. Ao inserir esses objetos no campo da pintura, a artista aproxima imagens do universo da pesca, do trabalho e do consumo, ampliando o conjunto de referências que atravessam a exposição.

“À beira-mar, somos muitos” afirma uma multiplicidade que se manifesta nos corpos, nas alegorias e na própria organização estética e narrativa da mostra. A presença, até aqui murmurada, é feita de trabalho e desejo, de corpos que atravessam um tempo incontornável enquanto o horizonte se abre em infinitude”, define o curador.

A exposição “À beira-mar, somos muitos” pode ser visitada de 25 de março a 9 de maio de 2026, no Centro Cultural Correios Rio de Janeiro, com entrada gratuita.

A ARTISTA

Manu Gomez é artista plástica do Rio de Janeiro e estudante da Escola de Belas Artes (EBA/UFRJ). Sua pesquisa aborda questões raciais e investiga narrativas de protagonismo negro na construção do Brasil. É autora da série Escurecendo a História de Quem Criou o Brasil e atualmente desenvolve Sonhos dos Invisíveis, projeto que explora os sonhos de indivíduos historicamente marginalizados através da imagética da pesca e dos cardumes.

Participou da DAFÉ no LADoB e da 22a exposição do Museu de Ribeirão Preto. Sua produção articula pintura, memória social e crítica às estruturas que definem quem pode sonhar — e quem permanece invisível.

Serviço:
Manu Gomez – À beira-mar, somos muitos
Curadoria: Jean Carlos Azous
Visitação: 25 de março 2026 a 09 de maio 2026 | terça a sábado, das 12h às 19h
Local: Centro Cultural Correios Rio de Janeiro
Endereço: Rua Visconde de Itaboraí, 20 Centro, Rio de Janeiro – RJ
Entrada Gratuita
Classificação Livre

Paço Imperial (RJ) celebra 40 anos com nova programação de exposições

Mostra Constelações – 40 anos do Paço Imperial reúne cerca de 160 obras de mais de 100 artistas e abre temporada que inclui ainda exposições de Marcelo Silveira e Niura Bellavinha

No coração do centro do Rio de Janeiro (RJ), um edifício que já foi palco de acontecimentos decisivos da história do País também se consolidou, nas últimas décadas, como um importante espaço de encontro para a arte contemporânea. Para celebrar essa trajetória, o Paço Imperial, unidade especial do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), recebe até 7 de junho de 2026 uma nova programação de exposições que integra as comemorações de seus 40 anos como centro cultural, completados em 2025.

A temporada tem como destaque a grande mostra “Constelações – 40 anos do Paço Imperial”, que ocupa 12 salões e os dois pátios internos do edifício histórico com cerca de 160 obras de mais de 100 artistas de diferentes gerações. A exposição tem curadoria compartilhada entre a diretora do Paço Imperial, Claudia Saldanha, e o professor da Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Ivair Reinaldim, em parceria com a equipe da instituição. Serão obras de nomes fundamentais da arte brasileira que passaram pela história do centro cultural, como Adriana Varejão, Amilcar de Castro, Anna Bella Geiger, Anna Maria Maiolino, Antonio Dias, Antonio Manuel, Arthur Bispo do Rosário, Beatriz Milhazes, Cildo Meireles, Denilson Baniwa, Hélio Oiticica, Iole de Freitas, Ivens Machado, Luiz Aquila, Luiz Zerbini, Lygia Clark, Lygia Pape, Marcela Cantuária, Maxwell Alexandre, Roberto Burle Marx e Tunga, entre outros.

“Passados quarenta anos, o Paço Imperial teve seu caráter de monumento reiterado, mas também se consolidou como ponto de encontro e referência para o circuito das artes visuais da cidade”, afirmam os curadores. Ao longo dessas quatro décadas, o espaço sediou exposições nacionais e internacionais, além de diversos eventos culturais, ampliando as camadas de memória de um edifício que já foi sede do governo colonial e serviu de palco para episódios marcantes como o Dia do Fico e a assinatura da Lei Áurea.
Diálogo de épocas e gerações

Inspirada na ideia de constelação, um conjunto de estrelas que, embora distantes, formam um desenho reconhecível, a exposição reúne artistas contemporâneos e populares, diferentes gerações, linguagens e suportes em nove núcleos temáticos: “Paisagem”; “In Situ”; “Simbiose”; “Construção”; “Geografias”; “Corpos”; “Fortunas”; “Terra e Mar”; e “Cidade”. Sem um percurso cronológico definido, a mostra convida o visitante a construir seu próprio trajeto pelo edifício, que terá todos os portões abertos, incluindo o principal, voltado para a Baía de Guanabara e fechado desde a pandemia da Covid-19.

“Sempre gostamos quando o visitante faz o seu próprio percurso. Pode começar pelo primeiro ou segundo andar, pode entrar por qualquer um dos portões. A mostra não tem uma cronologia, foi uma decisão da curadoria não classificar, não categorizar, não criar barreiras nem distinções entre as obras, que é um pouco do que tentamos fazer hoje, mostrando artistas de vários perfis, de várias genealogias, com raízes diferentes”, diz Claudia Saldanha, que há dez anos dirige o Paço Imperial.

Entre os destaques está um jardim em homenagem a Roberto Burle Marx, montado pela equipe do Sítio Roberto Burle Marx – outra unidade especial do Iphan – em parceria com o Paço Imperial, no pátio principal, em diálogo com obras de Elizabeth Jobim. A exposição também reúne trabalhos inéditos, como a instalação “Agrupamento”, de José Damasceno, construída com materiais coletados na feira da Praça XV, além de obras criadas especialmente para a mostra por artistas como Marcelo Monteiro e Regina de Paula.

Outro núcleo importante da exposição reúne 15 vídeos históricos produzidos nas décadas de 1980 e 1990, com registros e experimentações audiovisuais realizados em parceria com artistas como Amilcar de Castro, Anna Maria Maiolino, Antonio Manuel, Lygia Clark, Lygia Pape e Tunga. Mais do que simples registros, os filmes são apresentados como obras autônomas, concebidas em colaboração entre artistas e diretores.

A programação comemorativa aos 40 anos do Paço incluirá, ainda, seminários, oficinas e atividades educativas. O público também poderá conferir uma linha do tempo que apresenta a história do edifício desde sua construção até sua transformação em centro cultural, em 1985.
Outras exposições da temporada

A nova programação de exposições também inclui duas mostras individuais. Em “O que sustenta”, o artista pernambucano Marcelo Silveira apresenta uma instalação construída a partir de varas de madeira, cerca de 300 novelos de linho e um vinil que toca a afirmação “Tudo certo”. A obra cria uma paisagem sensível marcada por equilíbrio e instabilidade, convidando o público a refletir sobre o que sustenta a arte.

Já a exposição “Toró”, da artista Niura Bellavinha, ocupa o terreiro e o terreirinho do Paço Imperial com pinturas, esculturas e instalações que exploram a ideia de transbordamento e transformação. A mostra apresenta obras que dialogam diretamente com a arquitetura e a memória do edifício histórico. No dia da inauguração, algumas janelas da fachada irão receber uma intervenção em que telas brancas deixam escorrer tinta vermelha, ativando o prédio como superfície simbólica e evocando episódios da história colonial brasileira.

Serviço:
Nova programação de exposições do Paço Imperial
Visitação: até 7 de junho de 2026
Endereço: Praça XV de Novembro, 48 – Centro, Rio de Janeiro
Terça a domingo e feriados, das 12h às 18h
Entrada gratuita

Foto: Oscar Liberal/Iphan