Atriz da Baixada integra elenco de espetáculo que representa o Brasil em festival internacional na Cidade do México

Natural de Jardim Gramacho, a artista multifacetada Donna Dona (cantora, atriz e compositora) foi uma das selecionadas para integrar a programação do primeiro ‘Ciclo Voces y Visiones de las Artes Escénicas en América’, realizado na Cidade do México. A dupla apresenta o espetáculo autoral ‘Axé’, uma obra que explora temas urgentes como o racismo religioso, a maternidade e a resistência cultural através da perspectiva das religiões de matriz africana. A participação brasileira vai além da atuação no palco.

A artista celebrou nas redes sociais (https://www.instagram.com/donnadona) o convite para integrar a delegação brasileira no evento. A viagem marca a primeira experiência internacional de sua carreira artística, conquista que a cantora e atriz define como um divisor de águas. Fã da cultura pop mexicana desde a infância, Donna Dona destacou a expectativa de vivenciar o intercâmbio multicultural e promover a troca de experiências com artistas internacionais durante o festival.

A participação da artista no evento é fruto de uma articulação promovida pela Ao Quadrado Produções em parceria com o Coletivo Agô. Além de Donna Dona, o grupo que representará o Brasil no festival é composto pelos artistas Ândrea Cordeiro, Alex Martins, Bruna Emanuela, Fabiano de Paula Alves, Julia Emilene e Thaty Aleixo.

O Coletivo Agô representará o Brasil no exterior com a apresentação da premiada cena “Axé”, obra focada na ancestralidade negra e nas matrizes afro-brasileiras. A programação traz ainda a artista Ândrea Cordeiro, com o solo de dança-teatro “Ensaio sobre a Leveza”. Além dos espetáculos, o grupo realizará atividades de formação e trocas culturais. O pesquisador Fabiano de Paula Alves ministrará a oficina “Afrobrasilidade para as Artes Cênicas”, enquanto a delegação participa de mesas sobre cooperação artística na América Latina.

Promovido pelo Centro Mexicano do Instituto Internacional de Teatro (ITI México), órgão vinculado à UNESCO, o festival homenageará as produções artísticas do Brasil e do Haiti nesta edição. O convite oficial reforça a relevância do teatro e da dança nacionais no cenário internacional. A iniciativa busca consolidar o intercâmbio cultural e fortalecer os laços entre artistas e instituições cênicas de toda a América Latina.

Ficha técnica

Coordenadora geral – Ândrea Cordeiro
Assistente de projeto – Fabiano de Paula
Diretor de cena – Fabiano de Paula e Ândrea Cordeiro
Elenco – Bruna Emanuela, Donna Dona, Julia Emilene e Thaty Aleixo
Figurinista – Bruna Emanuela
Assistente de produção – Alex Martins
Operação de Som – Alex Martins
Operação de Luz – Fabiano de Paula
Música Chamado – composição Taty Aleixo, Fabiano de Paula e Donna Dona.

Dia dos Pais com o Quarteto Atlântico na Série Música no Assyrio do Theatro Municipal RJ

A curadoria é da violinista da OSTM, Suray Soren Ingressos a preços populares

No Dia dos Pais, o Theatro Municipal do Rio de Janeiro oferece uma programação recheada de música de qualidade! O Quarteto Atlântico chega ao Música no Assyrio com um repertório focado na pesquisa e execução de obras de compositores brasileiros e latino-americanos, inclusive estreando e gravando peças de compositores atuais. Além disso, os músicos também trabalham e interpretam um tradicional repertório para quartetos de cordas. A apresentação acontece no próximo domingo, dia 9 de agosto, às 11h, no Salão Assyrio, um dos mais importantes espaços do Municipal do Rio. Os ingressos a preços populares já estão disponíveis através do site theatromunicipal.rj.gov.br ou na bilheteria do Theatro.

Músicos:

Ivan Scheinvar – violino
Thiago Teixeira – violino
Luiz Felipe Ferreira – viola
Bruno Valente – cello

Sobre o Quarteto Atlântico

Completando mais de 10 anos de existência, o quarteto apresenta uma grande afinidade artísticomusical entre os integrantes que, por sua vez, individualmente também se destacam no cenário musical, com extensa experiência em recitais individuais, outros pequenos grupos, nas principais orquestras do estado e inclusive como solistas a nível nacional.

O grupo conta, em seu currículo, com premiações importantes em competições destacadas no Brasil, tais como: Vencedor do Concurso de Música de Câmara da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro; Menção Honrosa no Concurso Internacional de Música de Câmara do Festival Villa Lobos e Vencedor da categoria “Jovens Talentos” do edital BNDES.

O Quarteto Atlântico tem se apresentado nas principais salas de concerto do Rio de Janeiro,como Theatro Municipal do Rio de Janeiro; Cidade das Artes; Espaço Cultural BNDES e Centro Cultural da Justiça Federal. Além disso, se apresentou em outras cidades e estados do país e, por fim, o mais importante: no começo de 2023 foi convidado para integrar a programação de um projeto em Berlim, Alemanha, tocando em uma das principais salas de concerto do mundo, a Sala Filarmônica de Berlim.

O repertório apresentado pelo grupo é focado na pesquisa e execução de obras de compositores brasileiros e latino-americanos, inclusive estreando e gravando peças de compositores atuais, muitas das quais dedicadas especialmente ao grupo. Além disso, também trabalha e executa o incrivelmente rico repertório tradicional para quartetos de cordas.

Vídeos:

Serviço:
Música no Assyrio – Quarteto Atlântico
Data: 9 de agosto (domingo)
Horário: 11h
Local: Theatro Municipal do Rio de Janeiro – Centro
Entrada pelo Boulevard da Av. Treze de Maio
Preços populares: R$50,00 (inteira) e R$25,00 (meia – entrada)
na bilheteria do Theatro ou através do site www.theatromunicipal.rj.gov.br
Classificação: Livre
Duração: 60 minutos

Museu do Jardim Botânico recebe mostra que revela a beleza e a fragilidade do Cerrado

Para destacar a beleza, a vulnerabilidade e os desafios da chamada “savana tropical”, a artista Flavia Daudt, juntamente com a fotógrafa documental e curadora de arte ecológica Ana Paula Freitas Valle, idealizaram a mostra “Ser(tão): imersão no Cerrado”, que ocupa o Museu do Jardim Botânico. Especializada em arte ambiental, a dupla visita o bioma desde 2021, registrando a exuberância da fauna, a flora, apesar da deterioração e a contaminação de solos, matas e rios. A partir do material, são produzidas fotocolagens e instalações conceituais.

Ser (Tão): Imersão no Cerrado
Museu do Jardim Botânico – Jardim Botânico – Acesso pela Rua Jardim Botânico, 1008
Abertura: 10h às 17h
Visitação: de 23 de maio a 3 de novembro de 2026
Funcionamento: de quinta a terça-feira (fechado às quartas-feiras), das 10h às 18h, com a última entrada às 17h
Entrada gratuita mediante retirada de ingresso pelo site https://jbrj.eleventickets.com/#!/home

Exposição na FGV Arte destaca a potência da arte dos povos originários da América

Com curadoria de Glicéria Tupinambá e Paulo Herkenhoff, a mostra apresenta um conjunto amplo e heterogêneo de produções que operam como formas de pensamento, conectando imagem, matéria e narrativa.

Pinturas, fotografias, esculturas, objetos, mantos, instalações e artefatos históricos compõem um panorama plural de linguagens e cosmologias, reunindo criações de diversos povos originários da América Latina.

Ao confrontar leituras universalizantes, o projeto inscreve essas produções no campo expandido da arte contemporânea, em diálogo direto com disputas territoriais, institucionais e epistemológicas do presente.

Coletiva se constrói também como desdobramento da exposição Adiar o fim do mundo, apresentada em 2025 na FGV Arte e orientada pelas reflexões de Ailton Krenak, deslocando o foco do diagnóstico da crise para a afirmação de práticas e presenças que persistem e transformam mundos.

Eu chorei rios: arte dos povos originários da América, coletiva
FGV Arte | Praia de Botafogo, 190 – Botafogo
Abertura: 6 de maio de 2026, das 19h às 21h
Até 20 de setembro de 2026.
De terça a sexta, das 10h às 20h
Sábados e domingos, das 10h às 18h
Entrada gratuita

O Tablado inicia as comemorações dos seus 75 anos com nova montagem de clássico de Maria Clara Machado

Escrito em 1954, “A Bruxinha que Era Boa” faz curta temporada de 08 de agosto e 13 de setembro com novidades

Fundado em 1951 por um grupo liderado pela então jovem mineira Maria Clara Machado, O Tablado faz parte da história cultural do Brasil. Para celebrar os 75 anos dessa linda trajetória, a instituição abre a programação especial revisitando um clássico infantil: “A Bruxinha que Era Boa”. As sessões acontecem aos sábados e domingos, às 17h, em curta temporada de 8 de agosto a 13 de setembro, no teatro O Tablado, na Lagoa.

Escrita em 1954 por Maria Clara Machado e premiada no Distrito Federal em 1955, “A Bruxinha que Era Boa” foi encenada pela primeira vez em O Tablado em 1958, retornando em 1999 e 2014. Tornou-se um dos grandes clássicos do teatro infantil brasileiro. Ao lado de “Pluft, o Fantasminha”, é uma das peças mais montadas por grupos profissionais e amadores em todo o país. Com direção e adaptação de Cacá Mourthé, a nova montagem conta com novidades, como nas músicas originais assinadas por Lincoln Vargas.

O espetáculo apresenta Ângela, uma bruxinha diferente que estuda na Escola de Maldades da Floresta, onde todos querem ganhar a fabulosa vassourinha a jato, prêmio de bruxa mais malvada. Ângela quer muito ganhar a vassoura a jato, pois o que mais gosta de fazer é voar pela floresta, por cima das árvores e perto das nuvens. O problema é que a bruxinha não sabe fazer maldades e ainda ajuda o menino Pedrinho, um jovem lenhador, a escapar das maldades de suas amigas, o que a faz ser presa na Torre de Piche. O novo amigo Pedrinho é o único que pode ajudá-la a escapar e ganhar a vassoura a jato.

Ao inverter a lógica tradicional das histórias de bruxas, a obra revela como a bondade pode ser vista como defeito em ambientes tóxicos, abordando temas como diferença, preconceito, bullying e a coragem de ser quem se é. Ambientado em uma floresta viva e mágica, o espetáculo trata o embate entre bem e mal sem maniqueísmo, com humor e poesia. Uma obra que atravessa gerações, ensinando que ser bom não é ser ingênuo — e que a imaginação pode ser um gesto de cuidado.

– Até hoje, aquela bruxinha ainda age. Ainda sopra boas mensagens. Um teatro como feitiço do bem. São as magias de Maria Clara Machado – destaca Cacá Mourthé.

Marco da cultura nacional

Considerado Patrimônio Cultural da cidade do Rio de Janeiro e tombada pela Prefeitura carioca, com atividades artísticas reconhecidas pelo Governo Federal, O Tablado é uma escola de teatro com cerca de 700 alunos e mais de 20 professores, atuante na formação cultural de cidadãos de todo o Brasil. Foi fundado em 1951 por Maria Clara Machado, autora de 23 peças infantis, entre elas “A bruxinha que era boa”, “A menina e o vento”, “O rapto das cebolinhas”, “O cavalinho azul” e “Pluft, O Fantasminha”, premiadas nacional e internacionalmente e traduzidas para diversos idiomas.

Em 75 anos, O Tablado se tornou referência na formação de plateias sensíveis e de profissionais de teatro – cenógrafos, figurinistas, iluminadores, atores e diretores, a exemplo de Hamilton Vaz Pereira, Wolf Maya, Cininha de Paula, Claudia Abreu, Ingrid Guimarães, Louise Cardoso, Malu Mader, Du Moscovis, Leonardo Brício, Andréa Beltrão, Fernanda Torres, Rubens Corrêa, Drica Moraes, Jaqueline Laurence, Mateus Solano e Gregório Duvivier, entre muitos outros.

Serviço:
Temporada de “A Bruxinha que era boa”: de 8 de agosto a 13 de setembro
Sessões: sábados e domingos, às 17h
Local: Teatro O Tablado – Avenida Lineu de Paula Machado, 795, Lagoa, Rio de Janeiro – RJ
Ingressos: de R$ 40 a R$ 80, vendas no site https://bileto.sympla.com.br/event/123789/d/399624
Classificação etária: livre
Site: https://www.otablado.com.br/
Rede social: https://www.instagram.com/teatrotablado

Ficha técnica:
Autora: Maria Clara Machado
Direção Geral e Adaptação: Cacá Mourthé
Música Original: Lincoln Vargas
Cenografia: Julia Marina
Figurinista: Elisa Faulhaber
Iluminação: Rodrigo Belay
Assistente de Direção e Preparadora Corporal: Julianna Firme
Direção Musical: Lincoln Vargas
Assistentes de direção musical: Caio Paranaguá e Ney Feijó
Músicos: Ney Feijó e Cecília Brandão
Desenho de Som: Leandro Lobo
Operadores de Som: Caio Paranaguá e Maria Clara Reis
Assistentes de cenografia: Rayane Da Vinha e Gabriel Andrade
Cenotécnico: Guilherme Tommasi (GT Cenografia)
Equipe de cenotecnia: Gaúcho (João Pedro Gerônimo),
Marcus Pugliese e Edson Patrício Leôncio
Aderecista: Alex Grilli e Eline Santos
Figurinista Assistente: Luna Jatobá
Assistente de figurino: Teo Canoro
Caracterização: Lucas Raibolt e Arthur Dias
Costureira: Riso Monteiro
Perucas: Marcia Elias (Bruxo-Chefe, Bruxa Instrutora e Bruxa Fedelha) e
Lucas Raibolt (Bruxa Caolha, Bruxa Fredegunda, Bruxa Fedorosa e Vice-Bruxo)
Assistência de Iluminação: Jirllan Cavagna
Montagem de luz: Jirllan Cavagna, Vitor Hugo Guimarães e Vicente Velloso
Responsável técnico de iluminação e operador de luz: Vicente Velloso
Direção de palco: Kinho Andrade
Contrarregras: Victor Hugo Ribeiro, Francisco Vasconcelos e Nabuco
Assessoria de Imprensa: Carlos Pinho
Social Media e Gestor de Tráfego: Hernane Cardoso
Design Gráfico: Luana Manuel
Fotos e Produção Audiovisual: Hernane Cardoso
Controler financeiro: Janaina Santos
Bilheteria: Elisa Nunes e Zé Helou
Administração: Janaina Santos e Luana Manuel
Assistentes de produção: Jovi Gonçalves, Elisa Nunes e Kinho Andrade
Direção de produção: Luana Manuel
Realização: O Tablado
Elenco:
Bruxinha Ângela – Luiza Kosovski
Bruxinha Caolha – Beatriz Linhales
Bruxinha Fredegunda – Helena Alpino
Bruxinha Fedorosa – Bruna Zordan
Bruxinha Fedelha – Maria Repetto
Bruxa-Chefe – Grila Grimaldi
Bruxo Belzebu Terceiro – Samuel Valladares
Vice-Bruxo – Rodrigo Barcelos
Pedrinho – Gabriel Wotzik
Stand-in: Julianna Firme
Seres da Floresta: Antônia do Vale, Beatriz Ferreira, Dhulia Vitória, Emmanuel Roque, Gabriel Netto, Jovi Gonçalves e Maria Paiva

FLIN 2026 leva grandes nomes a Niterói para pensar o Brasil a partir de Lélia Gonzalez

Festival gratuito reúne nomes como Fernanda Montenegro, Valter Hugo Mãe, Ana Maria Gonçalves, Emicida, Conceição Evaristo, Lilia Schwarcz, Jeferson Tenório, Eliana Alves Cruz e Ondjaki, em uma programação que espera receber 30 mil leitores
Toda palavra nasce de um território. Carrega memórias, afetos, ancestralidades, disputas e formas próprias de enxergar o mundo. É a partir dessa ideia que a Festa Literária Internacional de Niterói (FLIN) realiza sua edição de 2026 com o tema Territórios das Palavras. Entre os dias 13 e 16 de agosto, o Reserva Cultural de Niterói será ocupado por escritores, artistas, pesquisadores, educadores e leitores em quatro dias de programação gratuita inspirada no pensamento da antropóloga, filósofa e ativista mineira Lélia Gonzalez (1935-1994), homenageada desta edição. O evento é realizado pela Prefeitura de Niterói, por meio da Fundação de Arte de Niterói (FAN).

Com expectativa de receber 30 mil pessoas, a FLIN reafirma sua vocação como um dos principais encontros literários do país ao promover um diálogo entre literatura, música, teatro, audiovisual, jornalismo, cultura popular e produção acadêmica. Mais do que uma festa literária, a edição de 2026 propõe um espaço de circulação de ideias, encontros e reflexão sobre os diferentes territórios da palavra, reunindo autores nacionais e internacionais, artistas, intelectuais, estudantes, professores, pequenas editoras e novos leitores em torno de uma programação plural e acessível.

“A FLIN vem se consolidando como uma das mais importantes festas literárias do país, reafirmando Niterói como uma cidade que valoriza a cultura, a literatura, o pensamento e a democracia. É mais do que um evento, é um ato de valorização das nossas raízes, da nossa gente e da potência criativa das comunidades. Receber autores e artistas de tamanha relevância é motivo de orgulho, mas o que mais nos emociona é ver a população participando. É fundamental garantir que todos tenham acesso ao conhecimento, à arte e à leitura”, ressalta o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves.

A escolha de Lélia Gonzalez orienta toda a construção da programação. Referência incontornável do pensamento brasileiro, a intelectual desenvolveu conceitos como amefricanidade e pretuguês, fundamentais para compreender as contribuições das matrizes africanas e indígenas na formação da identidade brasileira e latino-americana. Seu legado inspira mesas que atravessam literatura, relações raciais, feminismos, memória, educação, oralidade, diversidade, políticas culturais e formação de leitores.

“Escolher Lélia Gonzalez como homenageada é reconhecer a força de uma das maiores intelectuais brasileiras e trazer seu pensamento para o centro das conversas que queremos provocar na FLIN. Territórios das Palavras nasce da compreensão de que toda narrativa parte de um lugar, de uma experiência e de uma história. Queremos que a festa seja um espaço na qual diferentes vozes se encontrem, sejam ouvidas e ampliem nosso olhar sobre o país e sobre nós mesmos”, afirma Micaela Costa, presidenta da Fundação de Arte de Niterói (FAN).

Literatura em diálogo com música, teatro e pensamento
A edição de 2026 reúne algumas das principais vozes da literatura e da cultura contemporâneas. Um dos momentos mais aguardados da programação ocorre no encerramento da festa, no domingo, dia 16, quando a atriz imortal da ABL Fernanda Montenegro apresenta a leitura dramática Fernanda Montenegro lê Simone de Beauvoir, espetáculo que passou por temporadas de sucesso no Rio de Janeiro e em São Paulo. A leitura dramática aborda a visão libertária de Simone de Beauvoir (1908-1986) sobre o feminismo, além de sua ligação de vida com o filósofo Jean-Paul Sartre (1905-1980).

“Fui jovem numa época emblemática. Sou de uma geração que se pronunciava e ia às ruas para pensar e sentir. Devemos refletir sobre o nosso cotidiano cada vez mais saturado de esperanças não realizadas, pela desinteligência e, infelizmente, pela brutalidade. Neste sentido, esta leitura oferece também uma oportunidade para que o público jovem conheça um pouco mais sobre a paixão, a energia, a audácia e as contradições humanas de Simone de Beauvoir, uma das pensadoras mais influentes do século 20”, afirma Fernanda Montenegro.

Uma galeria de grandes nomes da literatura vai dar o ar de sua graça na FLIN, como Emicida, Ana Maria Gonçalves, Eliana Alves Cruz, Jeferson Tenório, Conceição Evaristo, Lilia Schwarcz, Ana Maria Machado, Rosiska Darcy, Ruy Castro, Cidinha da Silva, Luiz Antonio Simas, Tatiana Salem Levy, Mariana Salomão Carrara e duas vozes internacionais: os angolanos Ondjaki e Valter Hugo Mãe, cujo mais recente livro foi o campeão de vendas na Flip 2026.

A literatura dialoga ainda com outras linguagens artísticas. A música está representada por Teresa Cristina, MC Marechal, Tati Quebra Barraco e Michael Sullivan. O teatro, a televisão e o cinema também integram a programação, com participações dos atores Paulo Betti, Fabiana Karla e Dadá Coelho, além da diretora de cinema e TV Rosane Svartman, aproximando diferentes formas de criação e narrativa.

A programação também traz intelectuais, pesquisadores e comunicadores que fortalecem o diálogo entre literatura e sociedade. Participam da edição Jessé Souza, sociólogo e um dos principais intérpretes das desigualdades brasileiras; Ynaê Lopes dos Santos, historiadora especializada em escravidão e relações raciais; as jornalistas Ana Paula Araújo, Carol Raimundi e Luciana Barreto; Giovanna Heliodoro, pesquisadora e influenciadora que debate gênero, raça e direitos humanos; Geni Núñez, ativista indígena guarani; Laura Pires, escritora e professora, com foco em relações interpessoais, comunicação e saúde social, e Midiã Noelle, jornalista e pesquisadora, que atua na interseção entre comunicação e justiça racial.

FLIN plural

A pluralidade da FLIN 2026 se completa com escritores, poetas, criadores de conteúdo e comunicadores que vêm renovando a cena literária e cultural brasileira, como Jout Jout, jornalista e Youtuber, Déia Freitas, criadora e apresentadora do podcast Não Inviabilize, um dos maiores fenômenos de narrativas em áudio do país; Stefano Volp, escritor reconhecido por romances que destacam identidade, pertencimento e juventude; Pedro Salomão, escritor, palestrante e uma das vozes contemporâneas que abordam questões humanas com sensibilidade, criatividade e profundidade, Gabi Oliveira, comunicadora, escritora e criadora do podcast Afetos.

Entre as atrações também estão Carol Loback, atriz, criadora de conteúdo e podcaster; Jeovanna Vieira, escritora dedicada às narrativas negras e às literaturas afro diaspóricas; Igor Pires, poeta, escritor e criador de conteúdo literário; Renata Andrade e Thaís Pontes, autoras roteiristas e cocriadoras da série Encantado’s da TV Globo; e Carlos Ruas, criador das tirinhas Um sábado qualquer, que trabalha humor e religião de uma forma divertida, trazendo debate e reflexão sobre o assunto.

ABL e Biblioteca Nacional fortalecem a edição
Este ano, a Festa Literária Internacional de Niterói inaugura sua articulação com duas instituições essenciais às letras. A Academia Brasileira de Letras (ABL) e a Biblioteca Nacional apoiam a realização do festival e participam da programação, com a presença de 14 acadêmicos da ABL, distribuídos em diferentes mesas ao longo dos quatro dias, além de um encontro especial dedicado à Academia. Antônio Carlos Secchin, Antônio Torres, Geraldo Carneiro, Godofredo de Oliveira Neto, João Almino, Paulo Henriques Britto e Ricardo Cavaliere são esperados na FLIN.

A curadoria como um todo é assinada por Vilma Piedade, Elisa Ventura, MC Marechal, Edu Krieger, Carla Portilho, Jordão Pablo de Pão e Jackson Jacques, coordenador-geral da FLIN. O coletivo apostou em diferentes perspectivas da literatura, da música, da pesquisa e das artes para construir uma programação que dialoga com o Brasil contemporâneo, convidando autores consagrados, novas vozes, pesquisadores, professores, estudantes, pequenas editoras e leitores.

Com programação totalmente gratuita, tradução em Libras e audiodescrição em diversas atividades, a FLIN reafirma seu compromisso com uma cultura pública, democrática e acessível. A edição de 2026 também promove ações voltadas à formação de leitores, recebe estudantes da rede pública de ensino e desenvolve iniciativas de sustentabilidade, reforçando seu papel como política cultural de fomento à leitura e à circulação de ideias.

A FLIN 2026 tem patrocínio da Águas de Niterói e apoio da Universidade Federal Fluminense (UFF), da Academia Brasileira de Letras (ABL), da Biblioteca Nacional e da Ecovias Ponte.

Serviço
Festa Literária Internacional de Niterói (FLIN) 2026
De 13 a 16 de agosto
Reserva Cultural Niterói
Av. Visconde do Rio Branco 880, São Domingos
Entrada: Gratuita

Foto: Lucas Benevides

Sonho realizado: bailarino de Mogi das Cruzes que vive na Rússia estreia com o Balé do Theatro Municipal do Rio de Janeiro

O sonho começou no Corujão. Aos 8 anos, Gabriel Lopes assistiu ao filme Billy Elliot durante o Corujão da TV Globo e saiu com uma certeza: queria ser bailarino. O menino de Mogi das Cruzes (SP) transformou esse desejo em profissão. Formou-se pela Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, em 2016, construiu carreira na Rússia e, recentemente, subiu ao palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro ao lado da russa Natalia Osipova, uma das maiores bailarinas do mundo.

Agora, Gabriel realiza outro grande sonho. Nos dias 21, 23 e 25 de agosto, o bailarino estreia como convidado do Ballet do Theatro Municipal no papel de Basílio, protagonista de Don Quixote, contracenando com a primeira bailarina Juliana Valadão, no papel de Kitri. A direção geral é de Hélio Bejani.

“É uma realização antiga. Poder interpretar Basílio com o Ballet do Theatro Municipal é uma conquista enorme. Ao assistir a Billy Elliot, vi aquele menino lutando para realizar o sonho de dançar e pensei: ‘É isso que eu quero para a minha vida’. Sempre volto a esse filme quando preciso me reconectar com esse sonho. Ele me lembra por que escolhi a dança. Estar agora no palco centenário do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, um dos mais emblemáticos do Brasil, é como fechar um ciclo, ressalta Gabriel.

Juliana Valadão também comemora a parceria. “A expectativa para dançar Don Quixote ao lado do Gabriel é enorme. É uma alegria dividir o palco com um jovem bailarino que vem se destacando na cena internacional. Don Quixote exige confiança, cumplicidade e muita energia e, desde os primeiros ensaios, já senti que temos uma sintonia maravilhosa. Estou muito feliz e animada para viver esse momento ao lado dele.”

Natureza e arte se encontram em “PRO-POLIS”, nova exposição de Ricardo Siri

Há cerca de oito anos, o artista transdisciplinar Ricardo Siri começou a estudar e a criar abelhas nativas brasileiras. Esse processo lhe rendeu prêmios, como o terceiro melhor mel do Brasil, e transbordou para a sua criação artística. O resultado é apresentado pela primeira vez na exposição “PRO-POLIS”, no Museu Histórico da Cidade, na Gávea, Rio de Janeiro. Com curadoria de Fernanda Lopes, a mostra reúne cerca de 20 obras inéditas, entre pinturas e esculturas, produzidas com mel, cera de abelha e própolis. “Os trabalhos estabelecem uma ponte entre natureza, cidade e cultura, revelando processos invisíveis de construção coletiva, proteção e transformação”, afirma o artista.

“Em PRO-POLIS, Ricardo Siri transforma materiais produzidos pelas abelhas em dispositivos de pensamento. Ao trazer mel, cera e própolis para o campo da arte, o artista nos convida a refletir sobre formas de coexistência, cuidado e construção coletiva que atravessam tanto a natureza quanto a vida em sociedade. Seu interesse não está em representar a natureza, mas em trabalhar a partir dela. Seus materiais carregam histórias, geografias e relações ecológicas complexas”, diz a curadora Fernanda Lopes.

PRO-POLIS, de Ricardo Siri
Museu Histórico da Cidade | Est. Santa Marinha, s/nº – Gávea, Rio de Janeiro
Abertura: sábado, 27 de junho, às 9h
Visitação: de 27 de junho a 22 de agosto de 2026
Funcionamento: de terça a domingo, das 9h às 16h
Entrada gratuita

Ricardo Stambowsky revela universo de colagens inéditas em “Encontros Improváveis”

Colecionador de histórias e peças adquiridas ao longo de anos e repletas de valor afetivo, Ricardo Stambowsky constituiu um repertório próprio, que revela agora numa faceta até então conhecida apenas pelos mais íntimos em seu círculo de amizades. “Encontros Improváveis” apresenta ao público colagens inéditas, sob curadoria de Vanda Klabin.

Ricardo sempre cultivou uma relação íntima com a imagem, inclusive em incursões pelas artes plásticas: frequentou as aulas de Ivan Serpa no MAM e de modelo vivo com Waldir Damásio. A veia artística, enfim, se manifestou. Inicialmente produzidas para presentear amigos próximos, suas colagens nasceram de maneira espontânea, sem pretensões expositivas. Com o passar do tempo, entretanto, o exercício contínuo de recortar, deslocar e recombinar elementos revelou uma linguagem autoral marcada pela liberdade associativa e pela construção de narrativas visuais inesperadas.

Encontros Improváveis, de Ricardo Stambowsky
Galeria Patrícia Costa | Shopping Cassino Atlântico
Av Atlântica, 4240 – lojas 224 e 225 – Copacabana
Abertura: dia 22 de julho, das 17h às 20h
De segunda a sexta, das 11h às 19h
Sábados 11h às 17h.
Entrada gratuita

Clássico de Tchékhov, Gaivota revisita crises humanas que ecoam na sociedade contemporânea

O que faz uma peça escrita há mais de 130 anos continuar descrevendo com tanta precisão as inquietações do presente?

A nova montagem da Armazém Companhia de Teatro estreia em 5 de agosto de 2026, no Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro

Em 2026, a Armazém Companhia de Teatro completa 39 anos de atividades ininterruptas

Mais de um século após sua criação, A Gaivota segue provocando o público ao revelar conflitos humanos que atravessam gerações e permanecem profundamente atuais. Escrita por Anton Tchékhov no final do século XIX, a obra retorna aos palcos pela Armazém Companhia de Teatro, versão cênica de Paulo de Moraes, como um retrato sensível das relações afetivas, das inquietações existenciais e da busca incessante por reconhecimento em uma sociedade marcada pela frustração e pela solidão. Gaivota, como a Armazém prefere chamar sua nova montagem, tem elenco formado por Bruno Lourenço (Boris Trigórin), Fe Bustamante (Dorn), Isabel Pacheco (Masha), Jopa Moraes (Konstantin), Lorena Lima (Nina), Patrícia Selonk (Irina Arkádina) e Sérgio Machado (Sórin). A temporada de estreia nacional será no CCBB Rio de Janeiro, de 5 de agosto até 13 de setembro de 2026, quarta à sexta às 19h, sábado e domingo às 18h, e é apresentada pelo Ministério da Cultura e Banco do Brasil, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet). Além de sessões com intérprete de LIBRAS, todas as apresentações terão monitores capacitados para o atendimento do público PCD.

Considerada um marco do teatro moderno, a peça de Tchékhov rompeu com os modelos dramáticos tradicionais ao deslocar o foco das grandes ações para os conflitos íntimos e silenciosos de seus personagens. Com diálogos sutis, humor melancólico e forte carga psicológica, o dramaturgo russo constrói uma obra em que o não dito ganha protagonismo, revelando tensões emocionais que continuam ressoando no presente. Ao discutir os embates entre tradição e renovação artística, a obra também lança um olhar sobre os desafios da criação cultural em tempos de transformação. O conflito entre diferentes gerações, linguagens e visões de mundo reforça a atualidade de uma obra que segue interrogando o papel da arte e das relações humanas diante das incertezas da sociedade.

Ambientada em uma propriedade rural às margens de um lago, a peça acompanha personagens movidos por desejos interrompidos, ambições artísticas e amores não correspondidos. No centro da narrativa estão Konstantin Treplev (Jopa Moraes), jovem escritor que sonha transformar a linguagem teatral, e Nina (Lorena Lima), aspirante a atriz fascinada pela ideia de sucesso e realização artística. Ao redor deles, figuras consumidas pelo desgaste emocional expõem a fragilidade dos vínculos humanos.

A montagem da Armazém dialoga diretamente com questões contemporâneas ao abordar temas como ansiedade, necessidade de validação, crise de pertencimento e pressão por reconhecimento social e profissional. Em uma época marcada pela exposição constante, pela competitividade e pela busca de visibilidade, os personagens de Tchékhov refletem angústias que permanecem presentes na vida contemporânea.

O diretor Paulo de Moraes reflete que “um clássico não pode ser tratado com reverência. Ele permanece vivo justamente porque continua produzindo atrito, desconforto e conflito. Em A Gaivota, o que mais me atravessa é a necessidade humana de pertencimento. Mais do que reconstruir Tchekhov, nosso desafio é descobrir como essa gaivota continua nos observando hoje.”

Entre humor, desencanto e desejo, a peça de Tchékhov permanece como um retrato profundo da condição humana – uma peça que atravessa o tempo ao transformar fragilidades íntimas em reflexão coletiva.

A Armazém Companhia de Teatro, que completa 39 anos de atividades ininterruptas em 2026, consolidou-se como um dos mais importantes grupos teatrais brasileiros, aliando pesquisa artística, inovação cênica e reconhecimento internacional. Fundada em 1987, em Londrina (PR), sob a direção de Paulo de Moraes, e sediada no Rio de Janeiro desde 1998, a companhia desenvolveu uma linguagem própria, marcada pela centralidade do trabalho do ator, pela investigação das relações entre corpo, palavra, tempo e espaço e pela criação de dramaturgias originais. Sua trajetória reúne montagens de grande diversidade estética, sempre unificadas por uma lógica cênica singular, além de apresentações no Brasil e no exterior e importantes premiações internacionais, como o Fringe First Award, no Festival Fringe de Edimburgo (2013 e 2014), e o Coup de Cœur de la Presse d’Avignon, no Festival Off de Avignon (2014), reafirmando sua relevância no cenário teatral contemporâneo.

Ficha técnica

Apresentação: Ministério da Cultura e Banco do Brasil
Direção: Paulo de Moraes
Dramaturgia: Maurício Arruda Mendonça, Jopa Moraes e Paulo de Moraes a partir da obra de Anton Tchékhov
Montagem da Armazém Companhia de Teatro
Elenco: Bruno Lourenço (Boris Trigórin), Fe Bustamante (Dorn), Isabel Pacheco (Masha), Jopa Moraes (Konstantin), Lorena Lima (Nina), Patrícia Selonk (Irina Arkádina) e Sérgio Machado (Sórin)
Cenografia: Carla Berri e Paulo de Moraes
Iluminação: Maneco Quinderé
Figurinos: Carol Lobato
Direção musical: Ricco Vianna
Preparação corporal: Paulo Mantuano
Designer gráfico: Jopa Moraes
Assessoria de imprensa: Ney Motta
Fotografias e vídeos: João Gabriel Monteiro
Produção: Armazém Companhia de Teatro
Realização: Governo do Brasil e Centro Cultural Banco do Brasil

Serviço

Gaivota
Montagem da Armazém Companhia de Teatro
Temporada: 5 de agosto até 13 de setembro de 2026, quarta à sexta às 19h, sábado e domingo às 18h.
Duração: 120 minutos
Classificação: 14 anos

Local: Centro Cultural Banco do Brasil – Teatro II
Rua Primeiro de Março, 66, Centro, Rio de Janeiro
Valor do ingresso: R$ 30 (inteira) e R$15 (meia-entrada)
Ingressos adquiridos na bilheteria do CCBB ou antecipadamente pelo site bb.com.br/cultura
Estudantes, maiores de 65 anos e Clientes Ourocard pagam meia entrada.